Aprenda sobre a Bíblia

A flor do meu caminho

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há flores no meu caminho, mas há pedras e espinhos também. Caminhos são assim: cheios de alegria e risos, mas, às vezes, tristemente emoldurados de lágrimas e dissabores. Há caminhos que são como alamedas de árvores frondosas e há caminhos margeados de espinheiros e ervas daninhas. Há caminhos que são feitos de chão firme e que são planos aos nossos pés, mas há caminhos irregulares, depressivos e ondulados. Há caminhos retos e há caminhos tortuosos. E que se diga de início: cada um tem o seu próprio caminho e ele pode ser fácil por um longo trecho, mas íngreme e dificultoso depois da curva acentuada.

O caminho apontado aqui é uma metáfora da vida que se vive debaixo do céu. Ah! Como eu gostaria que o meu caminho fosse sempre forrado pelas flores que caem do ipê amarelo, que ele fosse adornado pelos manacás, pelas primaveras e pelas sapucaias em flor. Seria o caminho dos meus sonhos se ele fosse sempre o caminho umedecido pelo orvalho das manhãs, sombreado pelo imponente jequitibá, sonorizado pelo canto do canarinho da terra ou do majestoso sabiá. Não me importaria jamais de trilhar por ele no declinar do dia se nele eu visse as cores do arrebol e mesmo durante a noite não teria dificuldade alguma se a lua cheia fosse o luzeiro para o meu caminhar seguro.

Eu sei que a vida não é sempre assim. Há caminhos escuros e sombrios e ainda que eu não queira passar por eles, ou queira seguir por algum atalho, eles são inevitáveis e, quem sabe, até mesmo necessários. É preciso enfrentar o desafio, suplantar o medo, não desistir no meio da jornada, não voltar atrás, não perder a esperança, não desmaiar à beira da estrada e nem invejar aquele que aparentemente caminha mais solto e leve nesta vida. É bom lembrar que é o caminho apertado que conduz para vida e espaçoso é o caminho que leva à perdição e que são muitos os que andam por ele (Mt 7.13,14). Sim, “há caminho que ao homem parece ser direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14.12).

Se a vida é assim, então você e eu precisamos de ajuda pelo caminho. Com certeza, precisamos ouvir o que nos diz o santo livro: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Ao agir assim, teremos, por certo, a proteção segura de Jesus que caminha ao nosso lado, que aquece o nosso coração, que segura em nossas mãos, que não nos deixa ficar prostrados ou abatidos e que, por fim, há de nos receber no trono de sua glória. Quando se entrega a Deus a direção e a condução da vida, então a Sua Palavra é como lâmpada para os pés e luz para o nosso caminho (Sl 119.105). E tudo isso, ainda que existam pedras e alguns espinhos.

Talvez há quem diga que o seu caminho não tem sido fácil, que as flores murcharam todas e não há mais perfume no ar e nem risos de alegria. Há quem viva com o semblante descaído, com o olhar voltado ao chão, com o coração adoecido e com o a alma esbraseada pelo fogo ardente da provação. Há pessoas alquebradas na vida. Há mães que perderam os seus filhos e filhos que perderam os seus pais. Há crianças abandonadas e velhos desamparados. Há refugiados neste mundo, expatriados, prisioneiros de guerra e gente que vive na sarjeta da história. Há vítimas de malfeitores e semimortos esquecidos pela estrada que desce de “Jerusalém para Jericó” (Lc 10.30).

Como seria bom se só existissem flores no nosso caminho. Mas você e eu sabemos que não é assim. A vida pode ser bela, mas pode mostrar também a cara feia que ela tem. E digo com franqueza: não sei porque é assim. Mas eu sei de uma coisa: “Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele e poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1.12). Eu posso não ter todas as respostas para as lutas que encontro pelo caminho. Eu posso não entender os espinhos e, aliás, desconfio de quem os entende completamente, mas quando eu olho para Jesus, quando contemplo a sua cruz, então eu entendo que a graça de Deus me basta e é suficiente.

Portanto, que a graça de Jesus seja a flor do meu caminho, o perfume da minha estrada, o canto de minha alma e a esperança de minha jornada.

  • Reverendo Célio é Pastor da I Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

Num piscar de olhos

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

As coisas mudam num piscar de olhos e tamanha mudança pode nos causar a sensação de descontrole. Às vezes tem-se a impressão de que o mundo está de cabeça-pra-baixo e que precisamos reaprender a viver, vivendo de forma diferente do que temos vivido até aqui. Não sei se isso é uma espécie de sentimento que, como disse o poeta, nos faz “estancar de repente”, ter uma forte noção de que o mundo “cresceu” ou de que tudo isso deve ser mesmo assim, nos levando à passividade mórbida e a uma aceitação inconteste. Querem nos obrigar a entrar nesta “roda viva” concordando com tudo, aceitando tudo e anulando tudo o que aprendemos até aqui. Eu diria que há mudanças necessárias, mas há outras que metem medo e nos assustam e elas estão acontecendo depressa demais para o nosso gosto cristão.

Piscamos os olhos e, num instante, o conceito de família é bem diferente do que recebemos como herança. Piscamos os olhos e os valores já mudaram, os princípios antigos já foram embora e somos obrigados a “aceitar” novas regras, novas ideias e novos padrões como normais, como fruto do “progresso” e conquista da modernidade. Piscamos os olhos e a vida já passou de repente. Piscamos os olhos e olhamos para o lado e percebemos que os nossos filhos cresceram, que a Escola mudou, que a Igreja é outra e que nós mesmos estamos andando diferente, nos comportando como nunca imaginávamos nos comportar um dia. É como se num piscar de olhos, séculos tivessem se passado, mundos inteiros tivessem sido destruídos e uma nova era tivesse surgido.

Talvez tudo isso seja resultado do fato de que estamos, por assim dizer, piscando demais os nossos olhos. E aqui eu falo de distração, de descuido, de desatenção, ou mesmo, de indiferença. O oposto de piscar demais os olhos é mantê-los atentos e bem abertos. Não é sem motivo que a Bíblia nos conclama a vigiar e permanecer alertas o tempo todo (Lc 21.36). Isso envolve a nossa vida, em primeiro lugar, numa espécie de conscientização de que a velocidade das mudanças é algo inevitável e precisamos estar preparados para elas. Mas isso envolve também a preservação dos nossos valores cristãos, envolve um não envolvimento com o erro e uma disposição sempre pronta para anunciar a verdade. Mas se as coisas mudam num piscar de olhos, você e eu precisamos saber que “Deus jamais pisca”. Pelo contrário, a Bíblia nos diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e o será para todo sempre (Hb 13.8).

Os olhos de Deus permeiam toda a terra, sondam as profundezas, vasculham os horizontes, perscrutam a nossa alma e jamais se fecham, pois Ele é aquele do qual se diz: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Os olhos de Deus são como chama de fogo ardente (Ap 1.14), nada foge ao seu olhar e não há treva alguma, por mais densa que seja, que possa impedir a sua visão. Com um só relance do seu olhar ele contempla o universo, enxerga a estrela mais distante e até mesmo o organismo mais minúsculo. Ele vê o oculto e o escondido e com Ele mora a luz (Dn 2.22). Sim, “as coisas podem mudar num piscar de olhos, mas Deus nunca pisca”. Esta frase foi dita por Regina Brett, uma senhora de 90 anos de idade, que escreveu sobre quarenta e cinco lições que a vida lhe ensinou. De todas elas, com certeza, esta é a mais significativa do ponto de vista das mudanças e também de nossa fé.

As coisas mudam num piscar de olhos. Talvez o mundo seja como a “Roda Viva” da música de Chico Buarque. Quem sabe ele dê voltas ou, como sugere alguém, ele seja como uma espiral. Não sei onde tudo isso vai parar ou se vai parar algum dia, mas eu sei que posso descansar no fato de que o meu Deus há de suprir cada uma das minhas necessidades em Cristo Jesus (Fp 4.19) e estou certo de que nada pode me tirar de suas mãos protetoras (Jo 10.28) e não pode me ocultar do Seu olhar atento (Sl 139.1-12). “O mundo muda”, disse o compositor do hino, “mas Cristo não”. E se nos assustamos com as mudanças, precisamos dizer para nós mesmos: Ele não dorme, não cochila e nem mesmo pisca.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

O terror noturno

Por Diego Nascimento*

Se engana quem iniciou essa leitura buscando por um texto de suspense. Quero tratar daquele momento em que seu coração fica apertado de forma inesperada, ou quando uma importante decisão resulta no medo, um sentimento traiçoeiro e ingrato.

O Rei Davi foi um personagem bíblico que deixou registrado diversas fases de inquietação. No Salmo 91, verso 5, encontramos o seguinte versículo: “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,”. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o mesmo que conduziu Davi na terra de Israel e que diariamente pega a nossa mão foi claro ao falar com Josué, quando este foi chamado a assumir a liderança do povo no deserto: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Livro de Josué, capítulo 1, verso 9.

É importante frisar que nossa meditação não trata do medo resultante de decisões tomadas longe do Senhor. No livro de I Coríntios, capítulo 6, verso 12, o apóstolo Paulo registra que toda ação gera uma reação; o que falamos e fazemos traz consequências profundas:  “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” Ao  refletir sobre o medo avalie se está vinculado à falta de fé ou por escolhas mal feitas. Se se tratar da primeira alternativa recomendo que deposite toda a sua ansiedade diante DELE; se for ligado ao segundo item indico uma profunda reflexão e mudança de rota: ainda há esperança em Cristo Jesus.

Com frequência escolhemos o travesseiro como instrumento de análise. Que tal se aproximar de Deus por meio da oração e sentir o real significado do que encontramos no livro de Salmos, capítulo 4, versos 7 e 8: “Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho. Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.”

Reflita!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

 

Diga não à inquietação!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A palavra inquietação, significa o estado de turbulência, perturbação, apreensão e ausência de sossego. O inquieto é o indivíduo oscilante, agitado e apreensivo. Há pessoas assim, que não sossegam nunca e vivem de forma agitada. Ainda que a palavra tenha um sentido positivo, pois pode produzir uma boa saída na hora da crise e ser uma reação à morbidez e à apatia, o seu uso é, com frequência, negativo. Ou seja, é triste viver sem sossego e agitado. É desolador não conseguir se aquietar.

Há um belo Salmo da Bíblia que considera sobre a transitoriedade da vida e sua fragilidade e que nos faz lembrar que a inquietação é vã, não vai tornar a vida mais útil e nem tampouco há de prolongar os nossos dias sobre a terra: “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39.6). É como se o salmista estivesse dizendo que a inquietação é pura perda de tempo. Além disso, é preciso saber fazer boas escolhas a fim de que a inquietude não seja o padrão de nosso comportamento e a mola propulsora da ansiedade.

Por vivermos em um mundo inquieto, é preciso saber que há uma forte tentação para seguirmos o seu modelo. Longe de ser um convite à indolência, a Bíblia nos ensina que precisamos aprender aquietar o nosso coração. O famoso bispo de Hipona, Agostinho, disse certa vez: “Inquieto é o meu coração até que descanse em ti”. Palavras como descansar, esperar e confiar são bons antídotos para esse tipo de veneno letal que corre nas veias de nossa sociedade nestes tempos chamados de pós-modernos. A inquietação, portanto, pode nos roubar o que a vida tem de melhor para nos oferecer.

Talvez seja importante, então, destacaralguns dos tesouros preciosos que nos são tirados quando a inquietude ou a inquietação toma conta da alma, quando ela invade o coração e quando a mente se submete ao seu comando.

O primeiro desses tesouros é o temor do Senhor. A Bíblia diz: Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv 15.16). A inquietação pode, de fato, nos deixar tão absortos quanto às nossas procuras que acabamos por desprezar o mais importante: “O temor do Senhor”. Perder o temor do Senhor por causa da inquietude é péssimo sinal e escolha desastrosa. A Bíblia diz que o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 111.10; Pv 1.7).

O segundo tesouro assaltado pela inquietude é o tempo precioso que precisamos aproveitar, aos pés do Senhor Jesus, para ouvirmos a sua palavra. Há um exemplo na Bíblia de uma pessoa que, por causa da inquietação, estava perdendo a melhor parte: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas” (Lc 10.41). Às vezes, precisamos nos aquietar a fim de que possamos ouvir o conselho manso do ensino de Jesus, o cicio tranquilo da voz de Deus que segreda ao nosso coração verdades restauradoras.

Em terceiro lugar, a inquietude tem a especialidade própria em roubar de nós a harmonia nos nossos relacionamentos interpessoais. Quantas vezes não nos damos bem com as pessoas à nossa volta porque, na verdade, não estamos bem dentro de nós mesmos, estamos agitados e envolvidos no exercício negativo de vivermos inquietos e exageradamente preocupados. Não conseguimos nem sequer ouvir os que estão à nossa volta. Há, por causa disso, uma espécie de irritação à flor da pele. Para construirmos pontes significativas de amizade e companheirismo precisamos aprender a aquietar os lábios e o coração (Tg 1.19).

Meu querido irmão, diga não à inquietação. Aconselho que você tome, todas as manhãs, uma boa dose de paciência e pratique todos os dias o “exercício localizado” da confiança na providência de Deus. Faça isso e conserve assim os três tesouros melhores da vida: O temor do Senhor, a Palavra de Cristo e a boa convivência com o próximo.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

Oração é coisa séria: Parte II (Final)

Por Diego Nascimento*

Se você leu o último artigo intitulado “Oração é coisa séria: Parte I” deve estar com muita curiosidade a respeito dos Moravianos. Em nosso estudo prévio aprendemos que uma simples reunião de oração se transformou em um evento que durou, nada mais nada menos, que 100 anos. Isso mesmo: um século inteiro de agradecimento, intercessão e confissão.

O projeto dos Moravianos teve um impacto que testemunhamos até os dias de hoje. Em meados do século 18 esse povo enviou uma quantidade considerável de missionários pelo mundo, prontos a pregar o Evangelho. Se hoje você está lendo esse artigo quero que saiba que os Moravianos fazem parte disso. Embora haja uma distância de quase 300 anos na linha do tempo, certamente fomos alvos de oração incessante.

Depois de conhecermos essa grande saga tenho certeza de que você repensou sua postura ao orar. O diálogo com Deus é uma atitude essencial na vida do cristão, embora muitos têm deixado essa incrível forma de comunicação apenas para os momentos de desespero.

A Bíblia Sagrada nos alerta: “Vigiai e orai”  – Mateus 26:41. O ato de colocar nossas preces no altar de Nosso Senhor permite que descansemos nosso coração. No mesmo livro Cristo nos convida a ficarmos perto Dele, seja qual for o momento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Matheus 11:28.

Até que ponto praticamos o “falar” com ELE? Temos livre acesso e fomos alvo do maior sacrifício de amor de todos os tempos. Que tal compartilharmos as boas novas?

Que Deus te abençoe!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor”. Salmo 27:14

Natalie van den Berg*

Como este versículo opera na prática? As vezes me pego pensando: Quanto tempo é necessário esperar? O que é bom ânimo?

Acredito que este versículo já começa com “Espera”, porque Deus sabe que somos seres aflitos. Preciso confessar: as vezes fico me perguntando por dentro, “mas Pai….quando vamos chegar?”.  Logo me vem a memória daquelas viagens que fazemos com os filhos quando são  pequenos para a praia ou coisa parecida. Às vezes mal saímos da cidade e então já vem aquele tão conhecido refrão: “Mas papai/mamãe falta quanto tempo? ” No início, de modo geral, damos aquelas respostas pacientes, de pais calmos e sensatos: meu filho, vamos chegar no final da tarde. ”  Mal terminou de responder, quando vem de novo: ” E agora, já estamos chegando? ”.  Geralmente isso continua sem interrupção até que pai ou mãe apela e dá uma daquelas respostas “Agora (suspiro, conta até 3), DEITA E DORME! Não quero ouvir mais nenhuma palavra ou já encostamos aqui mesmo! ” ou qualquer outra reação do gênero. Às vezes funciona, por uma meia hora….

A verdade é que se dermos a exata kilometragem para os filhos, os números de horas que vão ser gastas para chegar ao destino final, eles, ainda pequenos, não compreenderão. Apenas podemos dizer, “Meu filho, minha filha, temos ainda uma longa viagem. Deita. Dorme. O papai avisa quando chegarmos lá.”

No entanto, não é que agimos como nossos filhos com o nosso Pai do Céu? “Pai… e agora, faltam quantos minutos? Já estamos chegando lá?”. Mesmo que Deus nos desse a hora exata em que alcançaríamos o nosso destino, possivelmente ainda assim, não teríamos a compreensão. Então Deus, quem sabe virando para trás na direção, com uma mão no nosso ombro ou joelho, e com um olhar de firmeza e ao mesmo tempo de amor, nos diga apenas (parafraseando aqui): “Minha filha…Meu filho.. Espera em mim, seu Pai. Tenha bom ânimo.” Talvez ele possa até dizer, “Olha, iremos chegar. Agora, se acalme, fortaleça seu coração. Estou aqui. Estou na direção. Agora descanse, pois quando estivermos lá, irei te avisar.” Na verdade, no versículo, após ser dito para ter bom ânimo e fortalecer o coração, novamente se repetem as palavras: “…espera, pois, pelo Senhor.” Tenho a impressão, que como nossos filhos, Deus tem consciência da nossa compreensão limitada do tempo, e dos aspectos logísticos da jornada existencial, assim, logo ao final, Ele repete como para nos encorajar: “Espera…deixa comigo.”

Não sei em que momento da jornada da vida você ou sua família estão. Quem sabe, parece que não chegarão nunca ao destino. Nessas horas, sei por mim, que começo a me desesperar e a querer tomar a direção nas minhas próprias mãos. “Quem sabe tento isso ou aquilo?” Até que em determinado momento, concluo, que não tenho mais forças. Não tenho noção do tempo. Há coisas que são grandes demais para mim. Me desfaleço e quero me prostrar (se é que não faço exatamente isto). Mas creio em um Deus, Pai, Todo Poderoso, que sabe que não tenho noção da distância ou dos desafios que estão por vir, que me alisa o cabelo e diz: “Filha, espera. Tenha bom ânimo. Fortifique seu coração. Eu estou no controle da sua vida e tenho o mapa do que se passa. Confie em Mim. E chegando vou ser o primeiro a te avisar.” Que essas palavras hoje, possam trazer descanso para seu coração. Agora, se ajeite, deite um pouco aí no banco de trás. Pois o seu pai está na direção.

  • Natalie é psicóloga e membro da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Oração é coisa séria – Parte 1

Por Diego Nascimento*

Por mais que orar pareça algo fácil ainda encontraremos pessoas inabilitadas à essa missão. Enquanto alguns não acreditam na eficácia do “falar com Deus” outros caíram no comodismo e trocaram o joelho no chão por horas na frente da televisão e da internet. São nesses momentos que relembro a incrível façanha dos Moravianos.

Quem eram? Uma comunidade cristã-evangélica situada numa extensa área da antiga europa, atual República Tcheca. Os Moravianos adotaram um estilo de vida totalmente oposto ao hedonismo**, capaz de chamar a atenção de grandes vultos da história a exemplo dos pastores Charles e John Wesley.

O que aconteceu? Em 1727 os Moravianos iniciaram uma reunião de oração ao estilo relógio. Assim como os ponteiros da máquina de marcar o tempo aquele grupo criou uma escala de revezamento de forma que os momentos de agradecimento, intercessão e contrição não fossem interrompidos. Se você acha que isso é algo normal nas Igrejas certamente mudará de ideia ao saber que esse ciclo durou um século. Isso mesmo: 100 anos de oração ininterrupta. Imagine quantas gerações passaram por lá nessa memorável atitude?

Os primeiros capítulos do livro de Gênesis mostram que a oração era uma prática regular na vida do povo. Mais do que comum na vida do servo de Deus (pelo menos deveria ser assim) o clamor ao Senhor dos Exércitos remonta ao início da humanidade. No mesmo livro, capítulo 4, verso 26 temos o primeiro registro que trata do tema: “Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor. Depois disso há, pelo menos, outros 649 registros de oração em toda a Bíblia.

Uma das mais notáveis características da oração é que nenhum equipamento ou advento tecnológico é necessário para que uma prece seja feita. O simples coração quebrantado, o fechar os olhos e o foco em Cristo pode trazer cura, direção, refrigério, respostas e muitas outras coisas que façam parte da vontade soberana de Deus. “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós.” (Efésios 3:20)

E quanto aos Moravianos? Grandes coisas aconteceram tempos depois, mas a continuação dessa incrível jornada será revelada no próximo artigo.

Até lá e que Deus te abençoe!

* Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

** Hedonismo: prazer a qualquer custo.