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“Que queres que eu te faça?”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho, quando ouviu o tropel da multidão vindo em sua direção. Alguém lhe informou que passava por ali, naquele instante, Jesus, o Nazareno. Bartimeu, então, a plenos pulmões, soltou o seu grito de clamor: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Muitos que estavam por perto, pensando, quem sabe, em proteger o Mestre, repreenderam o cego para que se calasse e não importunasse Jesus. Mas Bartimeu não obedeceu e cada vez mais alto ele gritou: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc 10.46-48).

Esta história, narrada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas nos fala, não só sobre a necessidade de um homem à beira do caminho, perto de Jericó, mas também da compaixão, da atenção e da misericórdia de Jesus. Quando o Senhor o ouviu gritar daquela maneira imediatamente mandou que lhe trouxessem o cego e aqueles que antes tentavam calar a voz do mendigo agora se viram na obrigação de encaminhá-lo até o Mestre. Aliás, foi assim que Bartimeu se dirigiu a Jesus. Ele o chamou de “Rhabboni” (Grande Mestre) dando a Jesus honra e primazia.

O que nos surpreende nesta história é que Jesus se deteve em sua caminhada, mandou chamar o cego e lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?”. Bartimeu não era cego de nascença, por isso ele pediu: “Mestre, que eu torne a ver”. O homem, então, foi curado não só de sua cegueira física, mas também de sua cegueira espiritual, pois Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou”. A fé de Bartimeu, fruto de sua convicção acerca de Jesus, foi posta em prática e exercitada naquele que cura, liberta e salva.

Talvez seja importante dizer que todos nós, como Bartimeu, estamos, por assim dizer, à beira do caminho. Há um barulho das massas que nos confunde, nos atordoa, mas que que pode nos chamar a atenção. É possível que o mau conselho dos ignorantes tente nos calar e fazer emudecer a nossa voz. Mas que nada nos impeça de gritar cada vez mais alto: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”. É certo que nesta hora o Senhor atenderá o clamor e ouvirá a voz do suplicante e Ele mesmo há de perguntar: “O que queres que eu te faça?”

Esta é a pergunta, portanto, que deve ser respondida por cada um de nós. Ele pergunta porque Ele quer ouvir a nossa confissão. Ele pergunta porque quer que manifestemos a nossa necessidade. Ele pergunta porque Ele sabe que sem a sua ajuda nada somos e nada podemos fazer. Ele pergunta porque Ele quer que depositemos nele a nossa fé. Ele pergunta porque Ele não anula a nossa responsabilidade. Ele pergunta porque a nossa resposta revela assim a nossa mais profunda e real carência: a cura da alma e do coração.

Tristemente muitos têm respondido à pergunta de Jesus pensando somente no bem-estar físico ou prosperidade material. Não querem ouvir de Jesus que a fé salvou, mas que a fé curou e foi somente isso que ela fez. Por trás do pedido de Bartimeu havia uma convicção de quem Jesus era e uma entrega persistente. Ele havia reconhecido que Jesus era o Messias prometido. A fé daquele homem fora, portanto, uma fé salvadora naquele que é o único e suficiente salvador. Aquele cujo nome está acima de todo nome.

Se hoje Jesus lhe fizer a mesma pergunta que ele fez um dia para o filho de Timeu, à beira do caminho na estrada de Jericó, eu espero que você peça muito mais do que aquilo que resolva um problema imediato seu. Peça para Ele salvação. Se você já a tem, pois já se encontrou com Ele em outra situação, então peça a salvação para aqueles que estão à sua volta. Se Jesus lhe perguntar sobre o que você deseja que Ele lhe faça agora, peça pela vinda do Reino de Deus e para que o próprio Jesus manifeste hoje a sua glória.

Talvez, como parte do propósito soberano do Senhor, Ele também lhe dê a cura de seus “olhos”, mas isso nada é diante do maior milagre da vida: a salvação eterna. Bartimeu seguiu Jesus louvando ao Senhor estrada fora (Mc 10.52). Esta é a cura que você e eu precisamos.

*Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“A arte de nascer duas vezes”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Uma das histórias mais impressionantes que envolveu, ao mesmo tempo, um misto de amor à vida e o extraordinário avanço da medicina, foi protagonizada pela pequena Lynlee Boemer. A menina foi submetida a uma cirurgia de alto risco quando ainda estava no ventre materno. Segundo a reportagem que conta a história e o drama dessa criança, ela ficou exposta, durante cinco horas, fora do útero materno, “a céu aberto”. Após o procedimento cirúrgico a bebê foi recolocada no útero de sua mãe, depois de doze semanas, ela nasceu então uma “segunda vez”.

Uma revista de grande veiculação em nosso país comentou o fato e trouxe como título da matéria a expressão: “A arte de nascer duas vezes” (Revista Veja – 2/11/2016). Há de se destacar também que quando o problema foi descoberto, um tumor na coluna de Lynlee, os médicos aconselharam o aborto. Margaret Boeemer, a mãe da criança, no entanto, mesmo sabendo que o risco era alto, tomou a decisão simples e rápida: “Escolhemos dar-lhe a vida”.

A experiência da bebê que “nasceu duas vezes” ilustra uma das mais maravilhosas verdades ensinadas pelo cristianismo bíblico: o Novo Nascimento. Jesus, ao conversar com Nicodemos, mestre da lei em Israel, disse-lhe claramente: “Se alguém não nascer de novo, não pode ver o reino de Deus” (João 3.3). Nicodemos estava impressionado com os milagres de Jesus e desejou conhecer de perto aquele que ele sabia ser alguém enviado por Deus. No entanto, Nicodemos precisava muito mais do que ter convicções importantes sobre a procedência de Jesus, ele precisava, sim, de um novo nascimento.

Nascer duas vezes é, portanto, no dizer de Cristo, algo fundamental para que o homem veja o reino de Deus. Todos nós nascemos, por assim dizer, com uma anomalia incrustada na alma chamada pecado (Efésios 2.1-3). O pecado nos separa do nosso Criador, nos afasta do Deus vivo. A menos que algo seja feito em nós pelas mãos do médico dos médicos, jamais abriremos os nossos olhos para a vida no reino de Deus. Novo nascimento é uma operação do Espírito Santo em nosso coração fazendo-o bater acelerado no ritmo do céu. Novo nascimento é um ato da graça de Deus perdoando os nossos pecados e nos reconciliando consigo mesmo.

No novo nascimento, Deus age no cerne de nosso ser. Veja bem, não significa, de forma alguma, que seremos recolocados no ventre de nossa mãe e, como a pequena Lynlee, seremos retirados de lá por uma espécie de “cirurgia espiritual” ou coisa parecida. Nem tampouco Jesus sugeriu aqui o retornar de um homem à uma existência futura aqui na terra. Novo nascimento não é um nascer físico novamente, mas é aquilo que os teólogos chamam de “regeneração”. Esse novo nascimento tem, portanto, um agente eficiente: a obra do Espírito de Deus removendo o coração endurecido pelo pecado, levando o homem ao arrependimento e à fé em Jesus Cristo.

A arte de nascer duas vezes é arte de Deus em nós e ela está intimamente ligada a Jesus, o Salvador. Assim como a mãe de Lynlee fez opção pela vida, Deus também o fez entregando, por amor, o seu Filho Unigênito para que todo aquele que nele crê não pereça, mas tenha a vida eterna (João 3.16). Deus agiu por graça e os que nascem de novo o fazem mediante a fé no Filho de Deus. O novo nascimento não é fruto de boas obras e nem de algo que você ou eu possamos merecer. O novo nascimento é o agir de Deus em nós nos dando “ouvidos” abertos para ouvir a sua voz e “olhos” restaurados para enxergarmos as maravilhas que ele fez.

Na arte de nascer duas vezes somos simplesmente alvos do amor, da bondade e da misericórdia do Senhor. A história da pequena bebê da cidade de Lewisville, no Estado do Texas, ilustra essa verdade. A sua mãe arriscou a sua própria vida por amor à sua filha. A diferença é que o nosso Salvador, Jesus Cristo, morreu em nosso lugar e ressuscitou para a nossa justificação. Ao nascer de novo, então, nascemos n’Ele, por Ele e para Ele. A Ele, pois, seja a glória eternamente. Amém!

“Igreja reformada, sempre reformando”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

No próximo dia trinta e um de outubro, protestantes do mundo inteiro comemorarão os quinhentos e um anos da Reforma de Martinho Lutero. Longe de ser uma comemoração com o objetivo de mostrar as diferenças e acirrar os ânimos, a data serve para um momento de reflexão e para resgatar verdades que sempre precisam ser relembradas e jamais esquecidas. Nunca foi a pretensão dos reformadores causar cisma no cristianismo, mas, sim, retornar aos princípios cristãos que há muito estavam, por assim dizer, adormecidos.

Lutero não surgiu no vazio. Havia todo um pano de fundo histórico que, certamente, fez com que a Reforma fosse algo inevitável. A igreja havia se corrompido até às entranhas. O Clero era corrupto e os mosteiros se tornaram antros de imoralidade. A simonia (comércio da fé) se alastrara com força e teve na venda das indulgências, que prometiam a diminuição das penas do purgatório, o seu ponto nevrálgico. Foi precisamente por causa delas, as indulgências, que Lutero afixou às portas da Igreja de Wittenberg as suas noventa e cinco teses.

O gesto de Martinho Lutero, que aconteceu às vésperas do dia de todos os santos, quando uma grande multidão ia à igreja para as suas orações, foi um golpe duro no coração do sistema religioso da época. Lutero foi duramente criticado pela cúpula da igreja, foi perseguido e, por fim, excomungado. Não lhe tiraram a vida porque muitos abraçaram a sua causa e o mundo político da época também lhe foi favorável. Lutero, embora sendo um homem simples e voltado para o povo, encontrou apoio dos nobres e na Alemanha de seus dias, as suas ideias floresceram.

Os reformadores contaram com um elemento importante na divulgação de suas ideias, a invenção da imprensa. Os panfletos de Lutero e os escritos de outros pensadores reformados se espalharam por todo canto e rapidamente criaram raízes no coração de milhares de pessoas insatisfeitas com os rumos que a igreja havia tomado. A história nos diz que no início do século XVI, os efeitos provocados pela imprensa de Gutenberg já eram perceptíveis nos principados alemães, sobretudo quando, por meio da imprensa, houve a popularização dos panfletos de Lutero.

A Reforma Protestante precisa ser relembrada como um ponto importante da história do cristianismo, não para ser, como afirmamos acima, um ponto de destaque das diferenças que existem, mas do ponto de vista do que foi resgatado. E aqui cabe-nos destacar alguns desses princípios que a própria igreja havia deixado cair no mar do esquecimento e que a Reforma procurou trazer novamente à superfície. Um dos pontos importantes defendido pelos reformadores foi o livre exame das Escrituras Sagradas. A Bíblia era um livro inacessível ao povo comum e mesmo dentro do clero a sua leitura era escassa. Lutero traduziu a Bíblia para o Alemão e graças a iniciativa dele e de tantos outros, hoje, por todo mundo, leigos e o próprio clero têm acesso à Palavra de Deus.

Os reformadores também defenderam o sacerdócio universal de todos os crentes. Todos, indistintamente, por meio de Jesus Cristo, e somente através dele, têm, pela fé, acesso livre ao trono da graça de Deus. A salvação não é mérito que se conquista por meio de obras, mas um dom de Deus ao pecador arrependido (Efésios 2.8). As boas obras, ensinavam os reformadores, são o fruto da salvação e devem ser praticadas como expressão de gratidão e não como uma espécie de barganha com Deus. A ofertas e contribuições dadas à igreja são de livre iniciativa dos fiéis e jamais devem ser encaradas como moeda de troca para se ter um lugar no céu ou coisa parecida.

Por certo, Lutero e os reformadores ficariam aborrecidos com os rumos que muitas igrejas consideradas “reformadas” acabaram assumindo nos dias de hoje. Se naqueles dias eles vendiam indulgências, hoje vende-se de tudo: Água consagrada, lenço ungido, raminho da oliveira de Israel, tapete santo, manto sagrado e uma infinidade de coisas que seria até impossível nomeá-las aqui. Triste isso. Relembrar a Reforma do Sec. XVI é importante também por esta razão: Para que a igreja não volte ao erro e não se deixe vender pela prosperidade, pelos encantos do mundo e pelo comércio da fé. “Igreja reformada, sempre reformando”.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

A Terra está cheia

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A terra está cheia de realidades que são opostas entre si, que coexistirão até o fim e que, finalmente, terão, cada uma, o seu lugar. A terra está cheia da bondade de Deus e das riquezas do Senhor (Sl 33.5; 104.24). Mas tristemente a terra está cheia também de ídolos, de violência e de imoralidade (Is 2.8; Jr 23.10; Ez 7.23). Se isso foi verdade lá no passado e dizia respeito principalmente à terra de Israel, hoje, sem dúvida alguma, podemos aplicar essa realidade aos quatro cantos da terra. Jesus disse que a maldade se espalharia, que o amor se esfriaria (Mt 24.4-12) e que o joio também haveria de crescer até o tempo da colheita (Mt 13.24-30).

A terra foi criada boa e perfeita e Deus a deu ao homem (Sl 115.16), mas o homem a corrompeu e, por causa dele, a terra adoeceu (Gn 3.17). Ela passou a abrigar em seu seio o homem pecador que a encheu de toda sorte de maldade e corrupção (Gn 6.13). Os tempos se tornaram maus porque os homens se tornaram egoístas, adoradores de si mesmos, amantes do brilho da prata, amigos dos prazeres e inimigos de Deus (2Tm 3.1-5).

O que faz da terra ainda ser um bom lugar de viver é que ela ainda conserva a bondade e as riquezas do Senhor. A graça de Deus cobre a terra de norte a sul, de leste a oeste. Ele prometeu que enquanto ela existir nunca haverá de faltar sementeira e ceifa, frio e calor, verão e inverno, dia e noite (Gn 8.22). Jesus também nos ensina em suas palavras que Deus faz nascer o sol sobre maus e bons e vir chuvas sobre justos e injustos (Mt 5.45).

Deus poderia, com um só relance do seu olhar, fazer a terra tremer (Sl 104.32). Ele poderia destruí-la sem piedade com um simples estalar de seus dedos, mas ele ainda a conserva e a própria terra geme e suporta aflição até agora, pois ela aguarda a adoção dos filhos de Deus, quando, ela mesma, será redimida do cativeiro (Rm 8.20-22). Deus conserva a terra porque ele ainda tem um propósito sobre ela e para ela. Há filhos de Deus que ainda serão salvos nesta terra e ela será restaurada um dia para a glória de Deus. A Bíblia nos diz que a terra se encherá do conhecimento de Deus, como as águas cobrem o mar (Is 11.9; Hc 2.14). Pedro, o apóstolo, nos dá conta de que no novo céu e na nova terra a justiça habitará (2Pe 3.13). A nova terra é esta terra renovada, purificada e totalmente restaurada.

Há um limite que o Senhor estabeleceu para a maldade aqui na terra. Esse limite não será ultrapassado. Por isso podemos dizer que até o fim a terra não se encherá totalmente da impiedade, da corrupção, da imoralidade e da injustiça, pois se o joio vai ser semeado até o fim, o trigo também. O que se encherá destas coisas é o limite da paciência de Deus, ou, como diz a Bíblia, da longanimidade do Senhor (2Pe 3.9). Talvez essas realidades aumentem com a proximidade do fim, mas Deus há de conservar na terra a sua palavra, o seu povo e a sua graça, ainda que seja somente um remanescente de tudo isso. Quando Ele mesmo retirar tais verdades e a iniquidade se multiplicar, então logo em seguida Ele irá manifestar a sua justiça, o seu reino e a sua glória para sempre (2Ts 2.7,8).

Como bons observadores, concluímos que este tempo se avizinha e não há de se retardar. E que ele venha sem demora, pois, para dizer a verdade, o engano, o erro, a falsidade, o desamor e o distanciamento de Deus, não só têm ofendido os céus, mas têm nos desgastado sobremaneira como servos de Deus e filhos da luz. O que temos a dizer é que, enquanto o limite da paciência de Deus não se encher, você e eu precisamos pregar o evangelho e espalhar a luz do testemunho cristão (Mt 5.13-16).

A terra está cheia da maldade humana, mas não totalmente cheia. Ela está cheia da injustiça, mas ainda há justos sobre ela. Ela sofre com o golpe mortal do pecado, mas ela há de reviver. Os únicos que têm consciência de tudo isso somos nós, crentes em Cristo Jesus. Somos nós, povo de Deus, os responsáveis por ela, em todos os sentidos. Devemos cuidar da terra, evangelizar os seus moradores e perseverar até o fim na esperança de vê-la gloriosa.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

 

Olhos marejados de lágrimas

Por Reverendo Célio Teixeira  Júnior*

Os olhos ardem quando estão cansados, se ofuscam quando estão doentes e ficam marejados de lágrimas quando sentimos no peito uma emoção qualquer. Quando eles se encontram assim, é certo que deles brotem lágrimas que são como santo remédio. Lágrimas por causa de boas lembranças, de doces surpresas, de agradáveis presenças e de verdades inefáveis segredadas à alma que refletem nos olhos um brilho radiante e uma alegria contagiante. Esse tipo de lágrima faz bem para o coração e ajuda a viver melhor. Mas é possível também que olhos marejados de lágrimas sejam um reflexo de uma tristeza profunda, de uma dor aguda, de uma ausência qualquer ou de uma lembrança doída. Sim, os olhos são, como disse alguém, “a janela da alma”.

  Todos nós já tivemos os nossos olhos marejados de lágrimas e frequentemente eles insistem em permanecer assim. Às vezes o motivo não vem de dentro do peito, mas da fumaça que cobre a cidade, que sai das chaminés das fábricas, dos escapamentos dos carros ou da atitude tresloucada de quem botou fogo no mato. Neste caso, além do nosso protesto e indignação, cabe-nos uma boa medida de higiene pessoal: lavar bem os olhos ou pingar um colírio adequado sob a orientação de um oftalmologista competente. Mas quando os olhos insistem em chorar, e a razão é outra, não a do ar poluído que nos envolve, então que se saiba lidar com eles para que as lágrimas curem e não sejam um retroalimento do desespero, da angústia e da depressão.

  Longe de mim querer julgar quem quer que seja, mas desconfio de quem se declara arrependido e os olhos permanecem secos, sem que uma lágrima sequer seja vertida e escorra na face. Principalmente se o choro for forçado. Sei que alguns já choraram demais e pela dor persistente, as lágrimas “secaram”. Mesmo assim, insisto em dizer, olhos marejados de lágrimas ainda são um sinal seguro da emoção que vem de dentro. Confesso que gostaria de ver o choro sincero daqueles que nos governam. E não somente deles, mas o nosso também. Digo isso porque temos muitas vezes desviado os nossos pés dos caminhos de Deus: da justiça, da retidão, da verdade e da honestidade. Alguns se desviam deliberadamente, outros, por omissão. Mas a cada um de nós cabe, sim, o choro do arrependimento. “Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados” (Mt 5.4).

  Tristemente falando, sei que há dor que parece não ter fim e que há dias em que as nossas lágrimas são o nosso alimento, o nosso pão de toda hora e de cada instante. Olhos assim, marejados de lágrimas, falam mais alto do que gritos de desespero e se expressam mais do que lamentos que são como uivos. É como se a alma estivesse sendo espremida e a lágrima escorrida fosse um clamor do coração e um pedido de compaixão. Se este é o seu caso, não se desespere, entregue a sua vida a Jesus e creia nele, pois Ele mesmo promete enxugar dos olhos toda lágrima (Ap 7.17). Hoje Ele nos dá o Seu Espírito, o Consolador (Jo 14.16); e no Dia de Sua volta Ele nos dará um novo céu, uma nova terra e um novo corpo sem olhos marejados de lágrimas (Ap 21.4).

Além de chorarmos assim, falando positivamente, é bom termos também os olhos marejados de lágrimas quando o motivo é a felicidade incontida. Isso acontece quando alguém que se estima chegou de longe, abraçou bem forte e matou a saudade. Ou quando alguém que se ama escapou da morte, foi curado e voltou para casa. Os olhos de pai e mãe ficam marejados de lágrimas quando os filhos chegam e também quando eles vão embora. Os mais românticos lacrimejam quando ouvem uma linda melodia, quando contemplam o nascer do sol ou o arrebol. Dos olhos de quem vê a criação de Deus e nela enxerga a graça comum do Criador, brotam lágrimas de um verdadeiro louvor. Como é bom verter lágrimas de gratidão.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

A melhor escolha

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A melhor escolha precisa ser bem pensada, de cabeça fria, concatenando as ideias, amealhando as informações, medindo as consequências e visualizando os resultados. A melhor escolha não pode ser inconsequente, interesseira, na base da troca ou da barganha e nem tampouco egoísta. A melhor escolha precisa ser sincera, verdadeira, honesta e de coração. A melhor escolha serve para o tempo da eleição, mas também para qualquer tempo de nossa história e de nossa caminhada.

A melhor escolha faz bem para alma e também para o corpo. Ela espalha amor, constrói e não destrói, edifica, firma e salta para vida eterna. A melhor escolha traz alegria perene, louvor constante e gratidão permanente. A melhor escolha não é frustrante, não traz remorsos e nem faz brotar a ilusão. A melhor escolha faz nascer no peito uma linda canção.

Conquanto a melhor escolha valha, em muitos de seus aspectos, para os candidatos que são aqui da terra, que se apresentam neste tempo procurando o voto do cidadão, não é sobre eles que me refiro aqui propriamente. A melhor escolha tem a ver com um cidadão do céu. Esse cidadão veio à terra um dia. Mesmo sendo do céu, viveu todas as implicações da natureza terrena: teve fome, sentiu frio, cansou-se e por isso adormeceu profundamente, angustiou-se, chorou, se revoltou diante da hipocrisia e amou intensamente.

Ele é a melhor escolha, pois a verdade está nele. Ele não promete o que não pode cumprir e tudo o que ele fala, ele mesmo faz acontecer. Ele tem autoridade tanto na terra como no céu. Ele governa sobre os anjos e dirige a história. A sua voz é como o som de muitas águas e o seu olhar sonda as profundezas do mar, o infinito azul do céu, a minúscula gota de orvalho e as intenções do nosso coração.

Ele desceu às regiões mais profundas, morreu uma morte infame, viu de perto a maldade do homem, sofreu em sua própria carne o pecado com toda a sua feiura, mas saiu incólume, não se deixou contaminar, não cedeu, não aceitou propina, não vendeu a sua alma ao diabo e nem caiu na conversa do inimigo. Ele é, com certeza, a melhor escolha. A melhor escolha em tempos de aflição, a melhor escolha na calmaria. A melhor escolha em tempos de paz e a melhor escolha quando as nuvens sobre nós se acinzentam, se escurecem e anunciam a tempestade.

Só ele, em toda a história, fez mais do que se humanizar e mais do que se deixar morrer. Ele venceu a morte, ressuscitou, está vivo e recebeu um nome que está acima de todo o nome. Só ele, portanto, é capaz de dizer: “Venham a mim, todos os que estão cansados e sobrecarregados, e eu lhes darei descanso. Tomem sobre vocês o meu jugo e aprendam de mim, pois sou manso e humilde de coração, e vocês encontrarão descanso para as suas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

A melhor escolha é escolher Jesus de Nazaré. Na verdade, não é a nossa escolha que nos leva a Jesus, mas o fato dele mesmo ter nos escolhido que nos leva, então, à melhor escolha. E quando fazemos opção por ela, precisamos entender que a vida deve ser pautada sempre dentro das implicações que ela traz. A melhor escolha nos leva pelo caminho da verdade, da honestidade, da transparência, do amor ao próximo, do perdão, da gratidão e do louvor a Deus.

Sendo tudo isso verdade, diríamos que a melhor escolha também tem implicações políticas. Se a nossa melhor escolha é Jesus, é viver ao lado dele, ao pé da cruz, então não podemos abrir mão dos valores que ele ensina. Sendo isso verdade, nas urnas, pergunte:O candidato escolhido com as suas propostas se coadunam, em boa medida, com a melhor escolha que já fiz um dia?

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Estação das flores

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

“É Primavera”, já dizia Tim Maia em uma de suas canções. A música romântica, por certo, inspirou, e ainda inspira, muitos casais enamorados. E, como diria outro compositor, Geraldo Vandré, em sua canção que ficou marcada como uma espécie de hino no período da ditadura militar, “pra não dizer que não falei das flores”, cabe aqui uma reflexão sobre a tal estação. Ela chegou e espero que traga bons ares, bons aromas e uma chuva mansa que regue a terra e a faça brotar sem detença. Que ela refresque a nossa alma e encha o nosso coração de alegria.

A estação das flores é vida que renasce e mesmo que não haja, como disse Cecília de Meireles, nenhum jardim para recebê-la, ela vai chegar e os dias serão dela. Na primavera florescem as gérberas, as rosas e os jasmins. Algumas espécies de orquídeas são exuberantes nesta época. As violetas e os lírios também. Primavera é tempo dos girassóis, dos crisântemos e das tulipas. A terra fica cheia de cores e elas são o nosso deleite.

As flores atraem as abelhas e os beija-flores. Os jardins se pintam de vários tons e em cada canto a vida renasce. Do alto do abacateiro o sabiá desfere o seu canto, as maritacas aprontam cedo a sua algazarra e os bem-te-vis se entusiasmam em suas cantorias. Na primavera as sacadas de muitas residências ficam floridas, os quintais mudam de cor e o vento sopra com hálito fresco e perfumado. Somos envolvidos com o frescor das manhãs orvalhadas e as noites são mais belas. Não é sem motivo que a Bíblia compara a primavera com a juventude, com a flor da idade.

Contamos os nossos anos, não pelos invernos que passamos, ou pelos outonos e verões que existem, mas, sim, pelas primaveras que desfrutamos. E já que o nosso assunto é a estação das flores, então que se pense bem sobre o que ela representa e o que ela significa. Não podemos deixar, de forma alguma, que tons de cinza dominem a nossa vida, que o descolorir da mentira, da imoralidade, da corrupção, do erro e do engano, sejam ditadores de nossa Pátria cujos campos têm mais flores e onde o céu é mais anil.

Que a estação das flores traga o bom perfume da justiça no Brasil. Que ela exale entre nós o aroma da verdade, da honestidade e da esperança de dias melhores. Que as flores da primavera embelezem os nossos palácios, exalem o bom cheiro do amor em nossos lares, enfeitem as mansões dos poderosos de simplicidade e humildade, e as casas dos menos favorecidos de dignidade, honra e oportunidade. Que a estação das flores nos faça viver mais sorridentes, sem animosidade no coração e ranço na alma. Que ela plante um sorriso em nossos rostos e nos torne mais solidários e prontos para servir.

É bom que se diga que a estação das flores passa rapidamente, assim como a nossa vida também. O escritor sagrado disse certa ocasião: “Afasta, pois, do teu coração o desgosto e remove da tua carne a dor, porque a juventude e a primavera da vida são vaidade” (Ec 11.10). A palavra vaidade no texto tem o sentido de algo efêmero, passageiro e transitório. Isso significa que devemos aproveitar bem as oportunidades dadas na “primavera”. Enquanto há flores no nosso jardim, enquanto há vida em nós, então temos que aproveitá-la. E a principal forma de fazermos isso é procurar viver com temor de Deus no nosso coração.

Eu tenho impressão que o Senhor Jesus curtia a primavera. Ele convidou certa vez os seus discípulos, que andavam meio ansiosos, a olharem os lírios do campo (Mt 6.28). Não tenho certeza do tempo certo em que os lírios florescem em Israel, mas, quem sabe, podemos aplicar a lição à nossa estação das flores. Jesus disse que assim como o Pai celeste cuida dos lírios, Ele cuida também dos seus filhos. Nervosismo e ansiedade, portanto, são incompatíveis com a fé e fé que se preze desemboca em vida que agrada a Deus e respeita o próximo.

Sendo assim, o convite é para que você curta a estação das flores e faça dela uma oportunidade para que o seu coração floresça de amor, de paz, de justiça e de esperança.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).