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O normal e o normativo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Uma das dificuldades que enfrentamos hoje é perceber a sutileza do argumento que faz com o que é normal transforme-se em normativo. O normal é o usual, o comum, o natural, ou, aquilo que é aceitável. Já o normativo é o que serve como norma, como regra, é o que cria os padrões de comportamento, o que determina o que é correto, o que é bom. O normal, frequentemente, é estabelecido pela média estatística: se todos fazem e todos aceitam, então, diria alguém, “isto é normal”. Sendo normal, então, seria o certo e criar-se-ia, por conseguinte, uma norma. Por isso há uma tendência atual, por parte de alguns grupos articulados, de fazer com que nossa geração considere normal o que em outros tempos não seria.

Nesta visão, se a maioria ainda não aceita determinado comportamento como normal então é preciso criar mecanismos para que isso aconteça. As pessoas precisam ser bombardeadas com imagens, com ideias, com pensamentos elaborados, com filosofias cuidadosamente selecionadas a fim de que a massa seja convencida e, finalmente, possa dizer: “a voz do povo é a voz de Deus”.

Outro argumento que anda de mãos dadas com este é o argumento da desconstrução. Frequentemente somos convidados a abrirmos mão de nossos pressupostos, desconstruirmos as nossas verdades e deixarmos de lado o que muitos chamam de “preconceito”. Neste tempo, chamado pós-moderno, não existem mais absolutos.

Talvez tudo isso possa parecer uma ideia nova, mas não é. Este tem sido um dos argumentos favoritos usados através da história para destruir os fundamentos da ética do Reino de Deus. A ética que, diga-se de passagem, é normativa, que não pode ser simplesmente o resultado da opinião de alguns, da massa, ou de quem quer que seja. Pois uma ética assim poderia facilmente ser construída por uma mente doentia, por um lunático, um ditador ou qualquer um que desejasse transformar sua preferência particular em regra universalmente aceita.

O cristão precisa defender seu direito de ter uma norma. O cristão entende que há uma regra de fé e prática e que não há melhor caminho do que a obediência do homem a esta regra. Não há nenhum código humano melhor do que ela e apesar de toda oposição que tem sofrido através dos séculos, ela tem permanecido. Nada, em lugar nenhum, em tempo algum, foi produzido que chegue aos pés desta lei. Ela é imbatível. Ela já foi testada e aprovada. Ela é atemporal. Ela tirou nações do atoleiro moral e resgatou pessoas do mais profundo desespero. Somos, então, convidados a acharmos o normativo, não no normal, mas no caminho que as Escrituras Sagradas nos apontam.

Partindo deste raciocínio, cristãos verdadeiros poderiam ser chamados de “pessoas do livro”, do livro sagrado. É certo que neste Livro, que chamamos de Bíblia, a regra áurea é o amor, portanto precisamos ser respeitosos e cordiais. Mas também é preciso entender que o amor é uma virtude acompanhada e não simplesmente um sentimento inconsequente. Sendo assim, ainda que a graça seja oferecida, o perdão seja pregado e o amor anunciado, o erro precisa ser apontado e o pecado declarado.

Se a Bíblia nos diz, por exemplo, que a nossa orientação sexual é monogâmica, heterossexual e “até que a morte os separe”, então este é nosso normativo e não o que chamam por aí de “nova orientação sexual”. Sei que estamos vivendo numa área de tensão e que dias como os nossos trarão sobre nós forte oposição.

Talvez, para não deixarmos o normal se transformar em normativo, precisamos permanecer firmes e relembrar as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça” (2Tm 3.14-16).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Meu Youtuber preferido

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Em uma definição livre, o YouTube é um site que permite que os seus usuários carreguem e compartilhem vídeos. Embora muitos não saibam defini-lo de forma técnica, podem, no entanto, de forma prática, fazer uso dos de seus recursos com facilidade. Vídeos feitos no YouTube se tornaram uma febre mundial. Normalmente são vídeos curtos que retratam o cotidiano das pessoas, ou que oferecem dicas e conselhos nas mais diferentes áreas de interesse.

Os criadores e divulgadores frequentes de tais vídeos são chamados de youtubers. Eles fazem um enorme sucesso principalmente entre crianças, jovens e adolescentes. Conquistam admiradores apaixonados e são capazes de arrastar atrás de si milhões de seguidores. O mercado para eles tem sido generoso e muitos estão se enriquecendo com o marketing que acompanha tais vídeos e com a fama que eles próprios alcançaram.

Muitos destes vídeos são inocentes, úteis e de grande valia para quem busca ou está atrás de informações. No entanto, há muito lixo moral que tem sido despejado sobre a mente e o coração dessa geração mais nova. Isso sem contar que o palavreado é, muitas vezes, chulo, vulgar, irreverente e malicioso. Tais youtubers estão fazendo a cabeça de crianças e adolescentes e cada dia que passa estão se tornando ídolos e formadores de opinião.

Ainda que este assunto seja novo e não haja nem mesmo conceitos éticos e morais mais profundos que do ponto de vista da filosofia e da educação possam norteá-lo, você e eu, que somos seguidores de Jesus, precisamos ter o nosso ponto de apoio e buscarmos o nosso comportamento à luz de uma cosmovisão bíblica. Então, é preciso responder à questão: quem é o meu youtuber preferido?

Frequentemente a internet divulga a lista dos youtubers mais seguidos no mundo e no Brasil. Assistir alguns dos vídeos de maior sucesso deles, eu confesso, dá arrepio na alma, faz a testa, de qualquer um que carrega algum tipo de valor cristão, franzir de preocupação. Veja bem, não se trata de ser antiquado ou ultrapassado, mas de estar alerta, com os ouvidos atentos e o coração guarnecido.

Sem querer estabelecer uma lista de qual youtuber deve ser colocado como aceitável e qual deve ser rejeitado, sugiro que todos sejam avaliados à luz do seguinte ensino bíblico: “Sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp 2.17-19).

Paulo não  foi nenhum  youtuber, mas  ele foi  inspirado  pelo  Espírito de Deus. O apóstolo Paulo era um imitador de Cristo, portanto, ele podia dizer sem medo de ser gabola: “Sede imitadores meus”. O exemplo de Paulo é de alguém que buscava ajuntar tesouros no céu, de alguém que pensava nas coisas do alto e tinha o ideal celestial como o seu padrão de comportamento aqui na terra. Ao contrário do que ele ensinava, no entanto, encontravam-se aqueles que, no dizer do apóstolo, eram “inimigos da cruz”.

Ao analisarmos de perto o que caracterizava os inimigos da cruz, encontramos então o parâmetro para sabermos a quem devemos colocar de lado em nossas preferências e até mesmo em nosso aprendizado e curtição no mundo virtual. Os inimigos da cruz não são aqueles que jogam pedras na cruz ou a ridicularizam, mas aqueles que fazem de si mesmos os seus próprios deuses e só se preocupam com as coisas terrenas. Ao dizer que o deus deles é o ventre, Paulo sintetiza aqui todo tipo de prazer que o homem busca como um fim em si mesmo.

O texto diz que o destino deles é a perdição e a glória deles está na sua infâmia, ou seja, naquilo que é vergonhoso. Fica então aqui o alerta para todos nós. Nada contra ter um youtuber preferido, desde que ele não me leve para longe de Jesus e de sua palavra.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

A vida por um fio

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A expressão “a vida por um fio” se refere à fragilidade que a vida tem e a brevidade com que ela acontece. Sim, isso é verdade. A Bíblia nos diz que todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade (Salmo 39.5). Lembrando que vaidade, neste caso, significa algo efêmero e passageiro. A nossa existência é como um sopro, como uma neblina que aparece pela manhã e à tarde se dissipa. Somos como um breve pensamento. Além disso, somos cercados de situações e circunstâncias ameaçadoras que podem, em um piscar de olhos, paralisar o nosso coração, cortar a nossa respiração, fazer adoecer o nosso corpo e nos jogar em um leito de hospital.

A vida está por um fio e ela pode ser ceifada por uma bala perdida, por um ataque terrorista, por uma tragédia natural ou provocada pela negligência humana. A vida pode ser rompida por uma picada de um mosquito, por um acidente de carro, por um atropelamento na esquina ou por um mal súbito sem explicação. A vida pode ser cortada na velhice, na mocidade, na infância ou no ventre materno. Não há previsão segura e não há uma garantia sequer. A vida por um fio não escolhe idade e nem classe social. Somos todos nós alvos de seu possível rompimento a qualquer hora e em qualquer lugar. Seria bom se todos nós estivéssemos dependurados em um cabo de aço. Mas não é assim. O fio que nos segura é frágil e pode se partir com facilidade.

Veja bem, a intenção aqui não é ser fatalista ou negativista. Não devemos também, de forma alguma, viver com medo ou assustados. Nem tampouco devemos acreditar que o acaso vai nos proteger e que a nossa existência depende da sorte ou da má sorte. Apenas quero fazer uma reflexão sobre o tempo que estamos vivendo, os perigos que nos cercam e, sobretudo, sobre quem, neste momento, pode nos dar alento, segurança, firmeza e proteção. Muitos têm acreditado que o dinheiro, os bens materiais e até mesmo o cuidado extremo com o corpo podem oferecer segurança. Tudo isso é ilusão. Ainda que seja necessário ser precavido e cuidadoso, não adianta se apegar demais a este tipo de condição e nem viver ansioso como se isso também resolvesse a situação.

Na verdade, todos nós precisamos de Deus e da segurança que Ele oferece. Não se trata de escapismo ou de uma fuga da realidade. Quem confia em Deus não se aliena e nem se deixa abraçar pela inconsequência. Quem confia verdadeiramente no Senhor entende que as mazelas da vida precisam ser combatidas, que o nível de segurança precisa ser aumentado, que os riscos precisam ser diminuídos e que as responsabilidades precisam ser assumidas. Mas, por outro lado, quem confia em Deus sabe também que, apesar de todo o cuidado, a vida pode se romper a qualquer hora e, por confiar assim, ele não se desespera. Deus é aquele, como disse o salmista, que nos segura pela sua mão direita, nos guia pelo seu conselho e por fim nos recebe na glória (Sl 73.23,24).

Ainda que a vida esteja por um fio, a mão de Deus não está. Ainda que o mundo seja ameaçador, o Senhor pode nos acolher. Ainda que os perigos à nossa volta sejam assustadores e falem de fragilidade, o nosso Deus, em Cristo Jesus, nos oferece alívio, segurança e proteção. Digo isso porque é muito mais desolador viver sem paz no coração do que viver sem nenhuma ameaça externa, seja ela de que espécie for, mas viver a vida por um fio sem esperança e sem fé. É triste sentir que o “fio” pode se romper na alma antes de se romper no corpo. Isso acontece quando o desespero toma conta, quando a ansiedade prevalece, quando o medo é ditador mandante. Por tudo isso e muito mais é melhor entregar a vida para Deus desde já e confiar em sua providência.

Talvez esta lembrança caiba principalmente para aqueles que vivem na flor da idade e acham que podem viver “como se não houvesse o amanhã”. Estes são aqueles que frequentemente não enxergam a vida por um fio. A eles e a todos nós cabe a exortação do texto sagrado: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer… antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.1,6,7).

 * Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

O palácio e a prisão

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A Bíblia conta a história de José do Egito que, quando criança, era filho preferido de seu pai, Jacó. Os seus irmãos, tomados de ódio e ciúmes, o venderam para uma caravana de mercadores de escravos que, por fim, o levaram para o Egito, a grande metrópole da época. José foi parar na casa de um oficial do Faraó e ali ele prosperou em seu serviço de tal maneira que se tornou uma espécie de administrador dos bens daquele oficial. Aquele moço, que tinha enfrentado a inveja de seus irmãos, enfrentou também o desejo da mulher de seu patrão. Ao resistir às investidas amorosas dela, acusado injustamente, José foi lançado na prisão (Gênesis 37-39).

A prisão onde José fora lançado era também o lugar onde se encontravam os encarcerados do rei. Por isso havia uma proximidade muito grande entre aquele lugar e o palácio real. Homens, que antes transitavam pelos corredores da corte, passaram a conhecer a masmorra fria, os grilhões da cadeia e as celas reservadas para os criminosos. Homens que antes assistiam diante de Faraó, que eram de sua inteira confiança, abusaram da sorte e ofenderam o seu senhor (Gn. 40.1). Um deles era o seu copeiro-chefe e o outro era o padeiro-chefe. O rei precisava confiar neles, pois facilmente eles poderiam envenená-lo e matá-lo sem levantar suspeita alguma.

José conheceu estes dois homens, conviveu com eles e com outros presos que saíram do palácio para a prisão. Certa noite eles tiveram um sonho e acordaram turbados no outro dia. José, os vendo assim, indagou sobre o motivo de tal aflição e eles lhe contaram os seus sonhos. Na interpretação que Deus dera através de José, um deles seria absolvido de sua condenação e o outro condenado à morte. O vaticínio foi cumprido depois de três dias e como José havia predito, de fato, tudo aconteceu (Gn. 40.20). O copeiro-chefe, que teve melhor sorte do que seu companheiro, não se lembrou mais de José como havia prometido. Os anos se passaram até que chegou a noite do sonho de Faraó.

Dois anos depois de ter sido absolvido de sua acusação e solto da prisão, vendo a aflição do rei, o copeiro-chefe finalmente lembrou-se de José e falou acerca dele e de sua habilidade especial. O soberano do Egito mandou chamá-lo imediatamente e José, usado por Deus, interpretou os sonhos de Faraó. Naquele instante todo o rumo da vida de José foi alterado, pois ele foi nomeado administrador de toda a terra. Passou a ser uma espécie de primeiro ministro do Egito. Sim, José foi da prisão para o Palácio (Gn. 41). Mais tarde ele mesmo entendeu que tudo em sua vida fazia parte de um propósito soberano de Deus. Podemos dizer, quem sabe, que ele aprendeu também que há uma proximidade muito grande entre o palácio e a prisão, entre o cárcere e a corte.

De José até aos  nossos dias, a  história parece se repetir. Infelizmente não temos encontrado nenhum “José” no cárcere, jogado ali injustamente, que possa ser elevado ao posto de ministro e dar um rumo alvissareiro à nossa economia. Mas, tristemente, temos encontrado alguns que antes serviam no “palácio” e que agora se encontram na prisão. Gente que, por assim dizer, envenenava o dinheiro destinado à saúde, que minguava o direito do cidadão e enfraquecia a moral da nação. O que nos assusta é que nos dias de José eram dois apenas, mas nos nossos dias o número é bem maior. A fila não termina e quanto mais se meche na questão, maior é o assombro da podridão.

Talvez seja importante dizer também que a honestidade de José não surgiu quando a sorte sorriu para ele. José foi fiel no pouco, quando ainda era um simples serviçal na casa de seu patrão. José também mostrou a sua dignidade no cárcere de tal maneira que o carcereiro lhe confiava as chaves da prisão. Ele mostrou o seu temor a Deus quando ninguém o observava, quando a situação lhe era adversa e quando o seu mundo pareceu desabar. Então, eu diria, a honestidade de José como administrador da terra, não foi difícil, pois ela era uma rotina em sua vida. É como se ele estivesse cumprindo um princípio ensinado pelo Senhor Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha participar da alegria do seu senhor” (Mt 25.21).

Que Deus tenha misericórdia do Brasil e nos ajude a colocar uma distância maior entre o palácio e a prisão. Que Deus nos abençoe e nos dê força para sermos fiéis no pouco também.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Deus não se esqueceu!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Você e eu podemos nos esquecer de muitas coisas nesta vida. Tem gente que já se esqueceu de um compromisso marcado, de uma reunião agendada, de um aniversário importante, de tomar o remédio na hora certa e até de pagar uma conta qualquer. Tem gente esquecida, que esquece o tempo todo. Esquece onde estacionou o carro, esquece onde colocou a chave da casa, esquece onde guardou o documento que precisa com urgência, esquece o no me de quem não poderia esquecer jamais, esquece de buscar o filho na escola e esquece de que domingo é dia de escola dominical e de culto na igreja.

Alguns dos esquecimentos mencionados acima acontecem mesmo e nos deixam incomodados, outros, às vezes, são pura negligência ou falta de cuidado. Eu sei que com o passar dos anos o esquecimento pode se tornar um companheiro indesejado que com frequência se põe ao nosso lado. Conheço quem já tenha esquecido a panela no fogo, o fogão ligado, o nome dos filhos, a porta aberta da casa, a consulta no médico, a visita agendada e até mesmo o aniversário da sogra. Esqueceu de tomar a vacina, de colocar o cinto de segurança e de usar os sapatos iguais.

Esquecimento pode ser engraçado ou extremamente desagradável. Ele pode ser inocente ou perigoso. Esquecer com frequência requer ajuda, esquecer de vez em quando faz parte da vida. A Bíblia diz que até mesmo uma mãe pode se esquecer de seu filho. É muito difícil, mas pode acontecer (Is 49.15a). A mente humana é complexa e o coração é enganoso. O que nos anima, no entanto, é que o nosso Deus jamais se esquece: “Eu não me esquecerei de ti” (Is 49.15b). Aliás, Deus só se esquece de uma coisa: dos pecados que confessamos e dos quais nos arrependemos (Jr 31.34). Deus os lança, como disse o poeta: “No mar do esquecimento”.

Deus jamais se esquece de suas promessas e todas elas têm em Cristo o “sim” ou o “amém” (2Co 1.20). Deus prometeu estar conosco todos os dias de nossa vida (Mt 28.20). Deus prometeu que nada poderá nos separar do seu amor que está em Cristo Jesus (Rm 8.39). Deus prometeu cuidar de cada uma das nossas necessidades (Fp 4.19). Deus nos prometeu forças para as contradições da vida (Fp 4.13). Deus prometeu não rejeitar a nossa oração e nem afastar de nós a sua graça (Sl 66.20). Deus prometeu nos guardar do maligno (2Ts 3.3). Deus nos prometeu a vida eterna, o céu e uma morada com Cristo (Jo 3.15,16; 2Pe 3.13; Jo 14.2).

Talvez seja importante dizer que o aparente silêncio de Deus não significa esquecimento. Também precisamos ressaltar que o Senhor, às vezes, trabalha nos bastidores, por trás do palco do que se vê com os olhos nus  e humanos,  do  que se ouve com os ouvidos ou se percebe com os sentidos de forma geral. Deus tem o seu caminho da providência e nenhum dos planos dele pode ser frustrado (Jó 42.2). O não esquecimento de Deus é mais do que a capacidade intelectual que Ele tem e que às vezes nos foge. É o Seu cuidado, a Sua atenção e o Seu agir em nossa direção.

Você e eu podemos nos esquecer de buscar a Deus em oração. Você e eu podemos nos esquecer de louvar a Deus em gratidão. Ainda assim, Ele continua atento ao nosso viver e absolutamente consciente da fragilidade do nosso ser. Veja bem, não devemos nos esquecer de nossa devoção ao Senhor, mesmo porque Ele espera que depositemos nele a nossa confiança, no entanto, a despeito de nossas fraquezas, o Senhor continua fiel em todas as suas promessas e a sua obra começada em nós será completada até o dia de Cristo Jesus (Fp 1.6). Deus não se esqueceu disso.

Pode ser que ao acordar hoje pela manhã você tenha se esquecido de algo importante que deveria ter feito. Nós somos assim. Saiba, no entanto, que quando você acordou hoje, Deus não se esqueceu de Suas misericórdias para com a sua vida. Aliás, elas se renovaram nesta manhã (Lm 3.22,23). Durante todo o dia a bondade e a misericórdia acompanharão você e a noite você poderá dormir em paz, porque o Senhor é quem guarda a sua vida. Fique tranquilo. Ele não vai se esquecer, pois nem mesmo um cochilo qualquer o fará demover (Salmo 121).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Em um dia de domingo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O dia ainda não havia clareado, o sol não havia despontado, quando mulheres simples se dirigiram ao sepulcro a fim de embalsamar o corpo que fora ali depositado. Elas marcaram bem o lugar, prestaram atenção no corpo inerte e viram como ele fora colocado na pedra fria. Prepararam com cuidado os aromas e bálsamos, descansaram no sábado e acordaram cedo em uma manhã de certo domingo.

Tristeza no coração, lágrimas nos olhos e aromas nas mãos, foram ao encontro do amado, do amigo da vida, do amigo dos sonhos e daquele que curava as feridas. Mas uma névoa cobriu os olhos daquelas mulheres e caiu-lhes doente o coração, adoecendo-as de desesperança. Elas baixaram os olhos para o chão e a tristeza tomou conta da alma: “Onde puseram o corpo do nosso Senhor?” A pedra da tumba removida estava. Teriam roubado o corpo de Jesus? Seria o jardineiro o culpado? Onde estavam os guardas do sepulcro?

“Joana e Marias!”, exclamou um dos homens vestido de branco. “Porque vocês buscam entre os mortos ao que vive?”, perguntou. O Nazareno, o mesmo que lhes havia aquecido o coração quando ensinava, o mesmo que fez brotar a esperança na alma de cada uma, “não está mais aqui, o lugar está vazio”, concluiu.

Sim, em um dia de domingo a morte foi vencida, a vida triunfou e a fé prevaleceu. Foi Maria Madalena a escolhida. Foi ela, a que antes atormentada por sete espíritos malignos, viu o inacreditável, o humanamente impossível, o milagre da ressurreição. Sim, em um dia de domingo Cristo Ressuscitou (Leia Mt 28.1-10; Lc 23.55-24.1-10; Jo 20.1-18).

Desde aquele dia até os nossos, domingo é assim, o dia da vida e não da morte, o dia da celebração e não da tristeza, o dia do amor e não do ódio, o dia da paz e não da guerra. Talvez, para muitos, domingo seja o dia de passear no parque, sair com a família, ver um amigo, descansar da lide ou, como diz a canção popular, procurar alguém “para sentar e conversar, depois andar de encontro ao vento”. Para outros, domingo é dia de torcer para o time do coração, de assar uma carne ou comer frango com macarrão.

Alguns vão à feira bem cedo, outros preferem dormir até mais tarde. Domingo, quem sabe, é dia de falar mais manso, de ouvir com atenção, de abrir o peito e “deixar falar a voz do coração”. Gosto das manhãs de domingo, dos domingos ensolarados, dos domingos que trazem cheiro bom no ar. Gosto de acordar cedo, de ir para igreja e de olhar nos olhos dos irmãos da família da fé. Gosto da celebração e do culto de adoração.

De tudo isso, no entanto, é bom saber que domingo lembra que o amigo dos sonhos, amigo daquelas mulheres, amigo das crianças, autor da vida, morto e sepultado, não vive mais assim como um dia foi deixado, Ele rompeu os grilhões da morte. Por isso, eu quero mais do que respirar o ar que me rodeia e ter o mesmo sol que me bronzeia, como sugere a música “Um Dia de Domingo” de Michael Sullivan e Paulo Massadas.Eu quero ter olhos para ver o meu Jesus e a fé renovada por saber que Ele não está pendido na cruz ou preso na tumba.

Digo então que eu não o procuro na sexta-feira da paixão pendurado no madeiro e nem o encontro no sábado deitado no túmulo, mas no domingo, no primeiro dia da semana, como aquele que vive e reina pelos séculos dos séculos.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“Eis aí vem o teu Rei”

Por Célio Teixeira Júnior*

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador, humilde…” (Zc 9.9). Não devo procurá-lo nos palácios e nem na ostentosa mansão. Não o encontro diante dos poderosos e Ele não se faz desfilar no tapete vermelho da fama. Não há holofotes sobre ele e ele não é recebido pelos príncipes deste mundo. É certo que uma multidão o aclamou, mas ele não desfilou na carruagem real e nem foi recebido com honras de Estado. Quem o ovacionou foi uma plebe inconstante, vacilante e influenciável.

“Eis aí… vem o teu Rei…”. Ele vem rompendo as portas de corações empedernidos, vem caminhando seguro sobre estradas empoeiradas de transeuntes cansados, de indivíduos sobrecarregados. Ele vem levantando o  cinzento do meu pecado, oferecendo alívio e perdão ao penitente e ao de espírito quebrantado. Ele oferece água ao sedento e pão ao que tem fome.

“Eis aí… vem o teu Rei”, justo e justificador. Sua casa é casa de oração e a Sua sorte é a cruz da maldição. Ele entrou na cidade do rei, mas morreu fora de seus muros. Entrou triunfantemente pisando em vestes e ramos estendidos ao chão, mas morreu vergonhosamente despido e acusado de sedição. Ao olhar a Sua face, ao encontrar os Seus olhos, ao perceber a Sua dor, vejo quão grave foi o meu pecado e como foi caro o preço por ele pago.

“Eis aí te vem o teu Rei… Bendito o que vem em nome do Senhor”. Bendito seja Jesus, Filho de Davi. Que seja dos nossos lábios o Seu louvor. Que tenha de nossas mãos o mais sincero e puro ardor. Que a honra e o domínio sejam dados tão somente a Ele, bendito salvador. Há pousopara o Rei em minha alma, o trono que é dEle guardo em meu coração. São dele os meus sonhos, são para Ele os meus desejos e é dEle a minha vida.

Sim, eis aí o Rei. Que Ele expulse os vendilhões do templo, os mercadores de Sua Palavra e os especuladores da fé. Que Ele vire as mesas dos cambistas da religiosidade mágica e do misticismo antiético. Que Ele confunda a mente dos fabricadores das teologias espúrias, fabricadas no laboratório do inferno, que iludem, ludibriam e enganam. Que prevaleça a Sua palavra, que “goteje a Sua doutrina como a chuva” na terra sedenta de nossa existência, tão carente de significado, rumo e direção.

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador humilde… montado num jumentinho”.Bendita a cria de jumenta, animal de carga, que levou no seu dorso um peso paradoxal. O mais leve de todos e também o mais pesado. Leve porque o Rei não trazia em si nenhum pecado, nenhum que fosse seu, seu de fato. Pesado porque aquele seria o primeiro passo da última semana, os últimos seriam dados pelo próprio Rei-sofredor, sob suas próprias pernas, através da via dolorosa até chegar ao calvário. Pesado também porque todo o peso do nosso pecado estava sobre Ele.

“Rei”. Deferências ao Rei que entrou triunfantemente em Jerusalém. Deferências ao Rei que morreu humildemente na cruz do suplício. Deferências ao Rei que ascendeu gloriosamente ao trono de Deus. Deferências ao Rei que há de vir para julgar vivos e mortos.

Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor. “Vem, Senhor Jesus!”.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)