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Você tem cinco minutos?

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A Bíblia nos diz para remirmos o tempo porque os dias são maus (Ef 5.16). Talvez, sendo mais positiva, a Escritura Sagrada nos convida a orar como Moisés: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que alcancemos coração sábio” (Sl 90.11). Mas mesmo neste pedido positivo do servo de Deus, o contexto nos lembra de canseira e enfado e de que tudo na vida passa rapidamente e nós voamos. Por isso, eu pergunto: você tem cinco minutos?

Na verdade, estes “cinco minutos” são figurativos, eles representam algum tempo, alguns instantes, um período, ainda que seja curto, para que, de alguma forma, você os dedique a Deus de forma mais sábia. Você tem cinco minutos para gastá-los em oração? Ou você está ocupado demais correndo atrás do seu emprego, do seu diploma, do seu dinheiro, da sua vida, que nem mesmo tempo tem para “respirar o ar do céu”, para “pensar nas coisas do alto” e para “juntar tesouros onde Cristo vive”? “Louco” está noite poderão pedir a sua alma e para quem será o seu “tesouro”? (Lc 12.20).

Você tem “cinco minutos” para dedicá-los à leitura da Bíblia, à frequência nos trabalhos do Senhor, à pregação do evangelho, ao consolo de um coração ferido? Você tem “cinco minutos” para a sua família? Ou você é daqueles que acham que colocar o pão na mesa já é suficiente? Você tem “cinco minutos” para fazer algo de bom ou você é daqueles que vivem pensando que “tempo é dinheiro” e que o único interesse é viver para amealhar riquezas e juntar tesouros na terra onde a traça e a ferrugem correm (Mt 6.19)? Quem sabe a sua ansiedade não seja uma consequência desses cinco minutos mal direcionados?

Você tem “cinco minutos” para a Igreja, para Escola Dominical, para cultuar a Deus com os irmãos? Ou os seus “cinco minutos” se perderam em noites de baladas em rodas de bebidas, em vícios desvairados e em lugares tenebrosos?

Certa vez um pai estava sentado no banco de uma pracinha enquanto sua a filha pequena andava de bicicleta no parquinho ao lado. Depois de algum tempo o pai disse à menina: “Vamos filha, já está na hora”. A criança pediu ao pai: “Só mais cinco minutos papai, por favor”. O pai permitiu e a menina continuou andando em sua bicicleta. Passados mais de cinco minutos o pai novamente disse à filha: “Vamos embora?” A garota mais uma vez implorou: “Só mais cinco minutos”.

Ao observar a cena, uma mãe, que também acompanhava a sua filha, disse àquele pai: “Como renderam estes cinco minutos!” O tom era de brincadeira e havia até mesmo um toque de censura. Então aquele homem, com tristeza no coração, contou àquela senhora a sua história: “Há algum tempo eu estava com o meu filho no parque e ao voltar para casa ele foi atropelado. Eu daria tudo para ter mais cinco minutos com ele, mas não posso mais porque o acidente foi fatal. Quando eu atendo o pedido de minha filha concedendo-lhe mais cinco minutos para brincar, na verdade, estes cinco minutos são meus, para curtir com ela este momento único”.

A vida é assim meu querido irmão. Ela passa rapidamente. Dedicar “cinco minutos” para fazer algo melhor é mais do que aproveitar a vida, é vivê-la intensamente e, sobretudo, dentro de propósitos que irão, com certeza, se eternizar.

Parafraseando o belo hino do nosso hinário podemos, quem sabe, dizer assim: “[Benditos os cinco minutos] de oração, de santa paz e comunhão! Desejo enquanto aqui me achar, com fé constante, humilde orar. E, enfim, no resplendor de Deus, na glória dos mais altos céus. Lembrar-me-ei, com gratidão, [dos cinco minutos] suaves de oração”.

Volto a perguntar: você tem cinco minutos? Será que eles não são demais para você? Veja bem, ainda que eles sejam figurados e representativos, eles trazem a ideia de um tempo pequeno que, talvez, mesmo assim, você não tem usado como convém. Pense, reflita, pare a sua vida e medite em tudo isso, ainda que seja, quem sabe, por apenas cinco minutos.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Cuidado, frágil!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Eu tenho por mim que todo ser humano deveria vir ao mundo com a inscrição: “Cuidado, frágil”!Sim, somos tão carentes, tão frágeis, tão dependentes. E eu diria ainda: ai daquele que na vida se considera forte, independente, absoluto e suficiente.

Quando crianças, necessitamos totalmente do cuidado de alguém, do amparo de gente adulta, de braços que acalentam e de mãos que alimentam. Necessitamos ainda de orientação, de direção, de instrução e educação. Quem não recebe amparo na vida e se vê obrigado a tornar-se forte por si mesmo talvez seja a mais frágil de todas as criaturas que há na terra. Coisa triste é ver crianças abandonadas, entregues à própria sorte, sujeitas à vida, maltratadas pelo tempo e que cedo aprendem a se virarem sozinhas.

O problema maior é quando chegamos à maioridade, à vida adulta, então começamos a nos arvorar de nossa própria capacidade, de sermos tão nós mesmos, independentes, auto-suficientes e tão conscientes de nossa própria autonomia. Com este pensamento muitos acabam se fechando em seu próprio mundo, descartando amizades sinceras, e, o que é pior, vivendo a vida sem Deus e como se Ele não existisse.

Talvez um dos piores pecados do homem seja o seu sentimento autônomo, a sua vontade de ser capaz de viver por si mesmo e, assim, cair na conversa do tentador e querer ser igual ao Altíssimo ou maior do que Ele. Para falar a verdade, ando meio desconfiado de tudo aquilo que me leva a pensar nesta direção. O tempo todo temos encontrado pessoas que vivem dizendo assim: “seja forte por si mesmo”; “encontre forças em você”. Esse tipo de conselho parece nos sugerir que podemos sair do buraco puxando a nós mesmos pelos nossos próprios cabelos. O que é absurdo e até mesmo ridículo.

Veja bem, não estou sugerindo que você se entregue, se desmanche ou seja uma espécie de “manteiga-derretida”. Não quero também que você tenha pena de si mesmo, que desenvolva sentimentos de auto-piedade e que se anule por pensar assim. A minha sugestão é de interdependência e, acima de tudo, de entrega aos cuidados do Pai. Aliás, dou graças a Deus, ao Pai que está no céu, porque Ele mesmo, frequentemente, permite as intempéries, os embates do tempo, o mar revolto e as ondas da aflição. Em tudo isso Ele mesmo tem nos ensinado que “todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade”.

Talvez haja quem reclame de Deus nesta hora, quem blasfeme contra Ele ou declare a sua morte. Não penso assim. Prefiro entender que quando tudo isso acontece Ele mesmo, que conhece a minha estrutura e sabe que sou pó, está, por assim dizer, me protegendo do pior de todos os males desta vida: a minha própria autonomia, ou, minha auto-suficiência.

O apóstolo Paulo só foi realmente um gigante da fé porque reconheceu a sua fraqueza e soube lidar com ela.Quando era fraco então realmente ele se tornava forte (2Co 12.7,10). Talvez este seja um dos mais importantes paradoxos da vida. Deus permitiu um “espinho na carne” na vida de Paulo para que ele não se vangloriasse de suas experiências extraordinárias. Às vezes, como Paulo, você e eu nos sentimos frágeis e quebradiços. E, em certo sentido, é bom que seja assim. Olho para minha alma, para o meu corpo, para a terra em que eu vivo, para o universo ao meu redor e vejo claramente escrito: “Cuidado, frágil!”

Sim, mas esta não é a única inscrição que devo considerar nesta vida. Não posso parar nela, pois sendo assim serei um derrotado. Há outra que vem dos lábiosde Jesus quando ele mesmo diz: “Sem mim nada podeis fazer!” (João 15.5). Na minha fragilidade encontro força porque nela dependo de Deus, do Seu cuidado e amparo. No meu ser tão frágil encontro poder para viver porque também dependo de uma mão amiga para me socorrer, a mão de Cristo o meu Senhor.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

“ELE vem me buscar!”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A canção alegre e contagiante diz: “Cristo vem me buscar, para o céu me levará!” Esta tem sido uma das mais benditas e gloriosas afirmações de cristãos por toda a história. Ele vai voltar e vem para me buscar! Mas não somente a mim e sim a todos os que amam e esperam a sua vinda (2Tm 4.8).

Jesus ascendeu ao céu e de lá há de vir para julgar os vivos e os mortos. Ele foi recebido pelo Pai e aguarda o dia e a hora de seu retorno para ver colocado como estrado de seus pés tudo o que existe no céu, na terra e debaixo da terra (Mt 20.12; Lc 20.43; At 2.35; Hb 10.13). Ele vem para dizer que a morte já não mais existirá, que a justiça enfim reinará e que a natureza terá finalmente atendido o seu gemido de angústia e será redimida do cativeiro (Ap 21.4; Rm 8.21,22). Ele vem para trazer o galardão para os seus servos, para enxugar dos olhos toda a lágrima de sofrimento e para pôr fim à maldade (Ap 11.18).

Sim, Ele vem me buscar! Ele vem trazendo em sua companhia milhares e milhares de anjos e vem com grande poder e glória. Ao ressoar da última trombeta, ele vai recolher dos quatro cantos da terra os seus escolhidos (Mt 24.31). Ele vai finalmente lançar o diabo no lago de fogo que arderá eternamente e vai trazer para os mansos uma nova terra restaurada e um céu que estará presente (Ap 20.14; Sl 37.11; Mt 5.5). Ele fará com os seus filhos morada permanente e receberá de todas as nações a sua riqueza e a sua glória (Ap 21.3,24,26). Ele fará com que a criação viva em harmonia. Ele aproximará os povos, restaurará sete vezes mais gloriosamente o que a queda e o pecado do homem destruíram e arruinaram. Ele receberá a todos em sua presença e a sua glória será a luz da cidade. Os santos louvarão o seu nome e em sua presença haverá alegria perpetuamente (Ap 21.27; 22.3).

Cristo vem me buscar e quando isso acontecer toda a tribulação vivida na terra será reduzida à insignificância diante do eterno peso de glória revelado naquele instante (2Co 4.17). É bem provável que toda a pergunta imaginada e preparada para aquele momento caia na inutilidade absoluta, pois o simples fato de contemplar o rosto do Salvador fará calar toda dúvida e esmagará qualquer questionamento. Quando Cristo vier me buscar, se estiver sepultado o meu corpo, eu hei de ressuscitar e, se estiver vivo, num abrir e fechar de olhos, ele vai me transformar. E esse corpo corruptível se revestirá da incorruptibilidade. A semente que a terra acolheu brotará finalmente com a luz do Sol da Justiça que a ressuscitará (1Co 15.35-58).

Cristo vem me buscar e eu serei apenas mais um dentre a multidão dos remidos do Senhor. Esses muitos irmãos, que se fizeram um em Jesus,serão reunidos numa grande família e juntos reinarão eternamente com Ele. Os ângulos serão iguais e os filhos de Deus finalmente fruirão da justiça tão desejada e acalentada que fluirá como um rio caudaloso que brotará de uma fonte inesgotável (Ap 21.1-7; 2Pe 3.13). O amor vai abarcar toda a terra e a paz reinará sobranceira. Todos terão direito à árvore da vida e ela produzirá frutos sem detença e as suas folhas curarão todas as feridas dos povos e toda a dor das nações do mundo inteiro (1Co 13.13; Ap 22.2,3). Os santos do Altíssimo jamais terão por toda a eternidade qualquer mancha de pecado, pois as vestes com as quais se vestirão serão brancas como a neve (Ap 22.14).

Quando Cristo vier me buscar será inaugurado o Dia Eterno. O Deus de toda glória se manifestará e veremos a face de Jesus. O trabalho será dignificado, o sorriso será restaurado, a vida irá pulsar exuberante e não haverá lembranças tristes das coisas passadas (Is 65.17). É bem possível que saudemos ali alguém conhecido e que conheçamos outros que aprendemos a amar e a respeitar pelas páginas da história e da própria Bíblia. Talvez nos seja dado o privilégio de conversar com Abraão, Isaque e Jacó e tantos outros que fizeram parte da galeria dos heróis da fé (Mt 8.11; Lc 14.15; Hb 12.1). Mas, como disse o poeta, “primeiro eu quero ver o meu Salvador”. Tudo aquilo que enxerguei até aqui com o coração quero ver com os meus próprios olhos. Quero, como Jó, ver o meu Redentor que hoje vive e que se levantará sobre a terra (Jó 19.25).

Ele vem me buscar! Maranata, ora vem Senhor Jesus!

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

O amor pede parceria

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

 O amor pede parceria porque o amor não pode ser uma virtude desacompanhada. O uso da palavra parceria aqui tem o sentido de cooperação, de união, de reunião das virtudes com o objetivo de um fim comum e mais produtivo. É certo que a palavra em si evoca a ideia de pessoas e não de conceitos propriamente ditos. Mas creio que eu me faço entender quando eu a uso nesse sentido. E, quem sabe, até explorando mais o que ela significa, busco, guardadas as devidas proporções, a parceria de Caetano Veloso que diz em uma de suas canções o seguinte: “Quando a gente gosta é claro que a gente cuida”.

Sim, quem ama cuida, protege, ampara e sustenta. Mas quem ama também busca a parceria entre o amor e a responsabilidade. Amor irresponsável não é amor e sim paixão desvairada. O amor irresponsável é patológico. O amor irresponsável leva ao abuso, às consequências desastrosas, ao engodo, à morte e à destruição. Quem ama irresponsavelmente pode, em nome desse amor, agir como monstro, perder o juízo, se descontrolar totalmente, abusar de inocentes, assassinar o objeto do seu pretenso amor e tirar a sua própria vida em nome dele.

O amor, então, pede parceria. Ele pede parceiros como o respeito, a firmeza, a verdade, o direito, a justiça e a obediência. O amor pede parceria na família, na sociedade e até mesmo no exercício da espiritualidade. Na família, por exemplo, ele precisa que pais amem os seus filhos e que esse amor seja firme e coerente. Pais que dão tudo o que os filhos pedem e que nunca dizem não, estão fazendo, na verdade, um desserviço para o amor verdadeiro. Cônjuges que se amam buscam a parceria do amor com o diálogo, com o apresso e a consideração. Amor agressivo, intolerante, ditador mandante, não é amor bem acompanhado, mas louco e desajustado.

Na verdade, amor sem parceria não é amor que se preze. E aqui é importante dizer que amor é mais do que um sentimento. Na cosmovisão cristã, o amor é um mandamento. Aliás, Jesus nos ensinou que a Lei de Deus se resume no amor. Trata-se de um imperativo bíblico. Mas é preciso dizer que até mesmo o maior de todos os mandamentos também precisa vir acompanhado. Amar a Deus sem obediência é devaneio religioso. O próprio Jesus nos ensina isso quando afirma: “Se vocês me amam, obedecerão aos meus mandamentos” (Jo 14.15).

Quem ama também precisa medir as consequências do seu amor. E aqui entra uma parceria extremamente importante. O amor deve ser limitado pelas fronteiras do bom senso, do direito do outro e da realidade. O que foge disso é amor mal direcionado. O amor precisa de parâmetros. O amor precisa de uma espécie de referência para o seu exercício. E aqui entra a orientação do apóstolo Paulo quando ele diz: “O amor é paciente, é benigno; o amor não arde em ciúmes, não se ufana, não se ensoberbece, não se conduz inconvenientemente, não procura os seus interesses, não se exaspera, não se ressente do mal; não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade” (1Co 13.4-6)

O amor hoje precisa com urgência de parceria. A nossa sociedade, nesse quesito, tem sido, muitas vezes, inconsequente. O amor à nossa volta é extremamente hedonista e narcisista. A busca pelo prazer imediato e pelo direito individual de ser feliz a qualquer preço, tem promovido o divórcio entre o amor e a justiça, entre o amor e a verdade, entre o amor e o que é conveniente. O amor precisa até de parceiros na esfera física, emocional e psicológica. Com base nisso devemos condenar, por exemplo, o amor sexual de um adulto por uma criança. Também com base nesta verdade, acrescido de valores espirituais, a Bíblia nos ensina que o amor conjugal deve ser entre um homem e uma mulher.

Se alguém diz que ama você, mas o amor que ele tem é um amor desacompanhado, então, nó mínimo, desconfie. O amor pede parceria. O maior parceiro do amor verdadeiro é Jesus que a si mesmo se entregou por nós, como oferta e sacrifício a Deus, em aroma suave (Efésios 5.2). O amor de Jesus foi abnegado e radical. Que Ele seja parceiro do seu amor.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Aos que não viram e creram

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

 Jesus disse a Tomé: “Bem-aventurados os que não viram e creram”. Tomé precisou tocar em Cristo, pois ele havia dito que se não o fizesse, jamais acreditaria que o Senhor havia ressuscitado. Há quem censure tal discípulo por sua incredulidade, mas o fato é que se não fosse a dúvida dele não teríamos ouvido dos lábios de Jesus uma de suas mais extraordinárias declarações. Esses que não viram e creram, os quais Jesus chamou de bem-aventurados, ou felizes, são todos os discípulos de Jesus que entraram no Reino de Deus, pela graça, após a ascensão de Cristo ao céu. Esses são você e eu, crentes no Senhor, discípulos de Jesus.

Constantemente precisamos ser lembrados dessa bem-aventurança, pois vivemos cercados de propagandas religiosas milagreiras, de convites para entrarmos, pagarmos, vermos e então crermos. Quanto mais se vê, mais se diz da fé, mais se propaga sobre ela e mais se compra a sua ideia. Mas que fé é essa? Por certo não é uma fé madura, resistente e que tenha valor no tempo da aflição. A fé bíblica, consistente, como disse alguém, trabalha com o amanhã e com o invisível: “Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam, a convicção de fatos que se não veem” (Hb 11.1). Eu não preciso ver para crer. A base segura que tenho para minha fé é a revelação das Escrituras Sagradas e o testemunho interno do Espírito Santo testificando com o meu espírito que sou filho de Deus.

Talvez seja necessário dizer a todos os que não viram e creram que é importante continuar firme, sem vacilar, “olhando” para Jesus. Não precisamos de um encontro com um anjo para confiar na proteção de Deus, a Sua Palavra nos diz isso e ela é suficiente. Não precisamos fazer e ver coisas mirabolantes para acreditar no poder de Deus, pois o Espírito dele, que habita em nós, tem testificado sobre este poder em nós e o evangelho que um dia nos transformou é a maior manifestação dele (Rm 1.16). Não precisamos ouvir algum adivinho falando sobre o nosso futuro e sobre a nossa sorte, pois temos a promessa de Deus que Ele mesmo estará conosco todos os dias da nossa vida até a consumação dos séculos (Mt 28.20).

Temos a firme e forte convicção de que todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e que nada poderá nos separar do Seu amor que está em Cristo Jesus (Rm 8.28,39). Eu não preciso que alguém conte para mim quantos anos eu vou completar, quanto tempo eu vou viver ou quando será o dia da minha morte, pois todos os meus dias já estão contados por Deus, cada um deles escrito e determinado (Sl 139.16). Além disso, por mais ansioso que eu esteja, não posso acrescentar nem mesmo um côvado ao curso da minha vida (Mt 6.27). O meu, o seu, o nosso trabalho é, portanto, descansar em Deus e confiar nEle (Sl 37.5,7).

Para todos os que não viram e creram, digo e reafirmo: continuem descasando todo o seu “peso” nos braços de Cristo, independentemente do que possa ou não acontecer. Exercitem a sua fé nas promessas de Deus. Encontrem em Sua Palavra forte alento e busquem tão somente nela a direção para a vida. Pode ser que surja uma época de escassez de mantimento ou que algum tipo de situação produza temor em nossas vidas e desconfiança em nossa alma.

Muitos surgirão então dizendo para desistirmos de crer, ou para migrarmos para o lado daqueles que só acreditam vendo ou tocando. Seguir esta sugestão pode trazer desilusão, frustração e decepção. Faça como o profeta do passado que disse: “Ainda que a figueira não floresça, nem haja fruto na vide; o produto da oliveira minta, e os campos não produzam mantimento; as ovelhas sejam arrebatadas do aprisco, e nos currais não haja gado, todavia, eu me alegro no SENHOR, exulto no Deus da minha salvação” (Hc3.17,18).

Tomé precisou tocar para crer. Os que não viram e creram precisam tão somente permanecer firmes na bem-aventurança da fé. Que Deus nos ajude.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Cansado, mas motivado

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Todos nós temos um momento de cansaço na vida. Ele pode vir por causa de um trabalho estenuante, de um esforço sobre-humano ou até mesmo por uma expectativa não realizada. Existem pessoas cansadas de lutar contra um problema, com as forças quase se exaurindo diante da dor e esgotadas diante das preocupações. Muitos querem se aposentar, viver a vida numa boa, deixar de lado a correria, dar um tempo para si mesmos, viver ao sabor do vento e, como diria o poeta, “sem lenço e sem documento”. Alguns estão cansados por causa da decepção ou porque acreditam que todo o esforço que fizeram foi improdutivo, sem sentido e em vão. Há vários tipos de cansaço. Alguns são compreensíveis, outros, no entanto, eu diria, carecem de justificativas mais contundentes.

Isso me faz lembrar uma pequena história que li certa ocasião. Conto apenas um pedacinho dela. Um pai caminhava com as suas duas filhas por uma trilha num bosque. Uma era bem pequena e a outra, adolescente. Depois de um bom caminho percorrido, a mais nova pediu que o pai a levasse em seus braços, pois estava muito cansada. Criança é assim mesmo: com toda a energia que tem, quer ser carregada; e é difícil resistir aos bracinhos estendidos e a um pedido de socorro que diz: “Me pega no colo”. Pois bem, o pai ouviu o clamor da filha menor, mas teve outra ideia. Cortou um galho de uma árvore e o “transformou” num cavalinho de pau. A menina, alegre, subiu no seu “meio de transporte” e continuou a sua jornada saltitante e não mais cansada. A mais velha, ao observar a cena, disse ao pai: “Essa eu não entendi! Ela não estava cansada? O senhor foi esperto, enganou a minha irmã”. O pai, então, respondeu à filha adolescente: “Eu não a enganei, minha filha, eu simplesmente a motivei”.

Isso é verdade. Há momentos em que nos sentimos cansados, mas, em todo tempo, é preciso buscar uma motivação. E aqui não falo simplesmente de autoajuda, de “cavalinho de pau”, ou coisas desse tipo. Há muitas palestras motivacionais que ouvimos por aí que são importantes, mas também não me refiro a esse tipo de conselho ou orientação. Ao falar sobre a motivação que nos faz vencer os cansaços falo especificamente do nosso relacionamento com Deus em Cristo. O profeta Isaías nos dá uma dica preciosa. Ele diz: “Os jovens se cansam e se fatigam, e os moços de exaustos caem, mas os que esperam no SENHOR renovam as suas forças, sobem com asas como águias, correm e não se cansam, caminham e não se fatigam” (Is 40.30,31). Jesus, ao falar sobre tempos difíceis e sobre as aflições (que têm a particularidade de nos deixar cansados), disse também: “Tende bom ânimo, eu venci o mundo”. Esperar em Deus e ter bom ânimo nele é sempre a maior de todas as motivações. Quando olhamos firmemente para aquele que é o autor e o consumador da fé, miramos também em Seu exemplo, que suportou a cruz em troca da alegria que lhe estava proposta (Hb 12.2).

Talvez você esteja se sentido cansado. Eu não o culpo por isso. A vida tem sido estenuante, principalmente nesses tempos que podemos chamar de “difíceis”. Tem gente cansada de fazer o bem, de lutar contra a corrupção, de dar “murro em ponta de faca”, de “correr atrás do vento”, de fazer o que é certo e de manter firme o seu pensamento. Mas pense um pouco. Quem sabe o Pai celeste não esteja lhe dando uma oportunidade, não para você entregar os pontos, desmaiar pelo caminho ou desistir da jornada, mas de criar em sua vida um novo foco, um olhar na direção correta. Pode ser que o seu cansaço seja em virtude de uma dor aguda que aflige a sua alma, ou em razão do tempo que se estende porque a cura não veio e o alívio prometido não apareceu. Até mesmo nesses casos é importante a motivação correta e uma delas é a vida de oração, que é a forma eficiente de esperar em Deus. Ouça o conselho de Paulo: “Não andeis ansiosos de coisa alguma; em tudo, porém, sejam conhecidas diante de Deus, as vossas petições, pela oração e pela súplica, com ações de graças. E a paz de Deus, que excede o entendimento, guardará o vosso coração e a vossa mente em Cristo Jesus” (Fp 4.6,7).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“JOVENS, EU VOS ESCREVO”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

“Jovens, eu vos escrevo”, é uma expressão tirada do texto sagrado, da pena do apóstolo João (cf. 1Jo 2.13). No comentário da Bíblia de Genebra, os três grupos mencionados na passagem são, na realidade, o mesmo grupo:os destinatários da carta. Estes três grupos são caracterizados de diferentes maneiras. São “filhinhos” porque, com o perdão de seus pecados, foram acolhidos na família de Deus, seu Pai. São “pais” porque o conhecimento de Deus que têm em Jesus Cristo os qualifica a transmitirem esse conhecimento às gerações futuras. E são chamados de “jovens” porque sua rejeição decisiva do maligno é uma vitória semelhante à de Jesus.

Independentemente da idade que temos, no sentido mencionado acima, todos nós precisamos ser: “filhinhos”, “pais” e “jovens”. Isso é verdade, mas, como a palavra “jovem” caracteriza por si só uma faixa etária específica, então nós a usamos aqui para nos dirigirmos àqueles que são os moços e moças do nosso tempo. Estes são os que vivem a “primavera da vida”, acima dos dezoito anos e abaixo dos trinta e cinco. Talvez sejam eles os que mais necessitam ouvir hoje a expressão: “Jovens, eu vos escrevo, porque tendes vencido o Maligno”.

Vencer o Maligno é, neste caso, ter a medida da “estatura” de Cristo. Jesus o venceu pelo poder do Espírito Santo e na autoridade da Palavra. Jesus o venceu com o propósito firme de agradar o Pai e fazer a Sua vontade. Jesus o venceu “não fazendo caso da ignomínia” e suportou a aflição por uma herança maior reservada ao lado direito de Deus.

Vencer o maligno no tempo que nós vivemos e vivendo a vida na “flor da idade” não é tarefa fácil. O inimigo é ardil e a sua cara é multifacetada. Não há virtudes em seus atos e não há escrúpulos em suas investidas. Ele é capaz de usar meios até mesmo legítimos e se disfarçar, como diz a Bíblia, “em anjo de luz”. Além disso, a Palavra de Deus nos dá conta de que a nossa luta é “contra principados e potestades”, contra “forças espirituais do mal”. Ou seja, contra inimigos poderosos e fortes. Só há uma maneira do jovem vencer o maligno: se ele se fortalecer no poder de Cristo e resistir firme as investidas do mal.“Quanto ao mais, sede fortalecidos no Senhor e na força do seu poder” (Ef 6.10); “Sujeitai-vos, portanto, a Deus; mas resisti ao diabo, e ele fugirá de vós” (Tg 4.7).

À luz de tudo isso, eu também escrevo aos jovens. Escrevo aos jovens que anelam ardentemente a vitória e que almejam galgar a “escada” das intenções de Deus para a suas vidas. Escada esta que consiste em pisar, não no degrau da fama ou da realização profissional e sentimental, mas nos degraus de um caráter forjado por Cristo e de submissão à Sua vontade. Escrevo aos jovens que, resolutos, procuram vencer o maligno que não o façam na fronteira da ação da malignidade, onde o inimigo frequentemente lança as suas garras e onde o ambiente favorece as suas investidas, mas o façam sob a proteção da “Espada do Espírito”, que é a Palavra de Deus, e do “Escudo da Fé”.

Escrevo aos jovens porque eles vivem hoje no que podemos chamar de “linha de fogo”. São, frequentemente alvejados por “balas perdidas” que têm a vocação de tornar perdido o atingido e de levá-lo à morte com suas mais diferentes manifestações: morte física, moral e espiritual. São as “balas” do sexo libertino, das drogas que destroem e do vício que escraviza. Escrevo aos jovens porque tenho esperança de vê-los fortes e vencedores. Porque creio no poder daquele que ressuscitou a Jesus dentre os mortos e porque sei que o inimigo já teve a sua sentença decreta na cruz do calvário. Escrevo aos jovens porque sei que Deus pode levantar uma geração comprometida com Ele mesmo e cheia do Espírito Santo. Escrevo aos jovens fazendo minhas as palavras finais do hino da mocidade: “Juventude cristã, avante! Empunhando o pendão real, com fé no Comandante, venceremos todo o mal!”

No terceiro domingo de maio, Dia da Mocidade Presbiteriana do Brasil, escrevo aos jovens da nossa igreja, aos moços e moças do nosso tempo. Que Deus abençoe vocês da cabeça aos pés. Sejam firmes no Senhor e sempre abundantes em Sua obra. Parabéns Jovem Presbiteriano!

  • Reverendo Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)