Aprenda sobre a Bíblia

Num piscar de olhos

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

As coisas mudam num piscar de olhos e tamanha mudança pode nos causar a sensação de descontrole. Às vezes tem-se a impressão de que o mundo está de cabeça-pra-baixo e que precisamos reaprender a viver, vivendo de forma diferente do que temos vivido até aqui. Não sei se isso é uma espécie de sentimento que, como disse o poeta, nos faz “estancar de repente”, ter uma forte noção de que o mundo “cresceu” ou de que tudo isso deve ser mesmo assim, nos levando à passividade mórbida e a uma aceitação inconteste. Querem nos obrigar a entrar nesta “roda viva” concordando com tudo, aceitando tudo e anulando tudo o que aprendemos até aqui. Eu diria que há mudanças necessárias, mas há outras que metem medo e nos assustam e elas estão acontecendo depressa demais para o nosso gosto cristão.

Piscamos os olhos e, num instante, o conceito de família é bem diferente do que recebemos como herança. Piscamos os olhos e os valores já mudaram, os princípios antigos já foram embora e somos obrigados a “aceitar” novas regras, novas ideias e novos padrões como normais, como fruto do “progresso” e conquista da modernidade. Piscamos os olhos e a vida já passou de repente. Piscamos os olhos e olhamos para o lado e percebemos que os nossos filhos cresceram, que a Escola mudou, que a Igreja é outra e que nós mesmos estamos andando diferente, nos comportando como nunca imaginávamos nos comportar um dia. É como se num piscar de olhos, séculos tivessem se passado, mundos inteiros tivessem sido destruídos e uma nova era tivesse surgido.

Talvez tudo isso seja resultado do fato de que estamos, por assim dizer, piscando demais os nossos olhos. E aqui eu falo de distração, de descuido, de desatenção, ou mesmo, de indiferença. O oposto de piscar demais os olhos é mantê-los atentos e bem abertos. Não é sem motivo que a Bíblia nos conclama a vigiar e permanecer alertas o tempo todo (Lc 21.36). Isso envolve a nossa vida, em primeiro lugar, numa espécie de conscientização de que a velocidade das mudanças é algo inevitável e precisamos estar preparados para elas. Mas isso envolve também a preservação dos nossos valores cristãos, envolve um não envolvimento com o erro e uma disposição sempre pronta para anunciar a verdade. Mas se as coisas mudam num piscar de olhos, você e eu precisamos saber que “Deus jamais pisca”. Pelo contrário, a Bíblia nos diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e o será para todo sempre (Hb 13.8).

Os olhos de Deus permeiam toda a terra, sondam as profundezas, vasculham os horizontes, perscrutam a nossa alma e jamais se fecham, pois Ele é aquele do qual se diz: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Os olhos de Deus são como chama de fogo ardente (Ap 1.14), nada foge ao seu olhar e não há treva alguma, por mais densa que seja, que possa impedir a sua visão. Com um só relance do seu olhar ele contempla o universo, enxerga a estrela mais distante e até mesmo o organismo mais minúsculo. Ele vê o oculto e o escondido e com Ele mora a luz (Dn 2.22). Sim, “as coisas podem mudar num piscar de olhos, mas Deus nunca pisca”. Esta frase foi dita por Regina Brett, uma senhora de 90 anos de idade, que escreveu sobre quarenta e cinco lições que a vida lhe ensinou. De todas elas, com certeza, esta é a mais significativa do ponto de vista das mudanças e também de nossa fé.

As coisas mudam num piscar de olhos. Talvez o mundo seja como a “Roda Viva” da música de Chico Buarque. Quem sabe ele dê voltas ou, como sugere alguém, ele seja como uma espiral. Não sei onde tudo isso vai parar ou se vai parar algum dia, mas eu sei que posso descansar no fato de que o meu Deus há de suprir cada uma das minhas necessidades em Cristo Jesus (Fp 4.19) e estou certo de que nada pode me tirar de suas mãos protetoras (Jo 10.28) e não pode me ocultar do Seu olhar atento (Sl 139.1-12). “O mundo muda”, disse o compositor do hino, “mas Cristo não”. E se nos assustamos com as mudanças, precisamos dizer para nós mesmos: Ele não dorme, não cochila e nem mesmo pisca.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

O terror noturno

Por Diego Nascimento*

Se engana quem iniciou essa leitura buscando por um texto de suspense. Quero tratar daquele momento em que seu coração fica apertado de forma inesperada, ou quando uma importante decisão resulta no medo, um sentimento traiçoeiro e ingrato.

O Rei Davi foi um personagem bíblico que deixou registrado diversas fases de inquietação. No Salmo 91, verso 5, encontramos o seguinte versículo: “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,”. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o mesmo que conduziu Davi na terra de Israel e que diariamente pega a nossa mão foi claro ao falar com Josué, quando este foi chamado a assumir a liderança do povo no deserto: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Livro de Josué, capítulo 1, verso 9.

É importante frisar que nossa meditação não trata do medo resultante de decisões tomadas longe do Senhor. No livro de I Coríntios, capítulo 6, verso 12, o apóstolo Paulo registra que toda ação gera uma reação; o que falamos e fazemos traz consequências profundas:  “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” Ao  refletir sobre o medo avalie se está vinculado à falta de fé ou por escolhas mal feitas. Se se tratar da primeira alternativa recomendo que deposite toda a sua ansiedade diante DELE; se for ligado ao segundo item indico uma profunda reflexão e mudança de rota: ainda há esperança em Cristo Jesus.

Com frequência escolhemos o travesseiro como instrumento de análise. Que tal se aproximar de Deus por meio da oração e sentir o real significado do que encontramos no livro de Salmos, capítulo 4, versos 7 e 8: “Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho. Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.”

Reflita!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

 

Diga não à inquietação!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A palavra inquietação, significa o estado de turbulência, perturbação, apreensão e ausência de sossego. O inquieto é o indivíduo oscilante, agitado e apreensivo. Há pessoas assim, que não sossegam nunca e vivem de forma agitada. Ainda que a palavra tenha um sentido positivo, pois pode produzir uma boa saída na hora da crise e ser uma reação à morbidez e à apatia, o seu uso é, com frequência, negativo. Ou seja, é triste viver sem sossego e agitado. É desolador não conseguir se aquietar.

Há um belo Salmo da Bíblia que considera sobre a transitoriedade da vida e sua fragilidade e que nos faz lembrar que a inquietação é vã, não vai tornar a vida mais útil e nem tampouco há de prolongar os nossos dias sobre a terra: “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39.6). É como se o salmista estivesse dizendo que a inquietação é pura perda de tempo. Além disso, é preciso saber fazer boas escolhas a fim de que a inquietude não seja o padrão de nosso comportamento e a mola propulsora da ansiedade.

Por vivermos em um mundo inquieto, é preciso saber que há uma forte tentação para seguirmos o seu modelo. Longe de ser um convite à indolência, a Bíblia nos ensina que precisamos aprender aquietar o nosso coração. O famoso bispo de Hipona, Agostinho, disse certa vez: “Inquieto é o meu coração até que descanse em ti”. Palavras como descansar, esperar e confiar são bons antídotos para esse tipo de veneno letal que corre nas veias de nossa sociedade nestes tempos chamados de pós-modernos. A inquietação, portanto, pode nos roubar o que a vida tem de melhor para nos oferecer.

Talvez seja importante, então, destacaralguns dos tesouros preciosos que nos são tirados quando a inquietude ou a inquietação toma conta da alma, quando ela invade o coração e quando a mente se submete ao seu comando.

O primeiro desses tesouros é o temor do Senhor. A Bíblia diz: Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv 15.16). A inquietação pode, de fato, nos deixar tão absortos quanto às nossas procuras que acabamos por desprezar o mais importante: “O temor do Senhor”. Perder o temor do Senhor por causa da inquietude é péssimo sinal e escolha desastrosa. A Bíblia diz que o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 111.10; Pv 1.7).

O segundo tesouro assaltado pela inquietude é o tempo precioso que precisamos aproveitar, aos pés do Senhor Jesus, para ouvirmos a sua palavra. Há um exemplo na Bíblia de uma pessoa que, por causa da inquietação, estava perdendo a melhor parte: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas” (Lc 10.41). Às vezes, precisamos nos aquietar a fim de que possamos ouvir o conselho manso do ensino de Jesus, o cicio tranquilo da voz de Deus que segreda ao nosso coração verdades restauradoras.

Em terceiro lugar, a inquietude tem a especialidade própria em roubar de nós a harmonia nos nossos relacionamentos interpessoais. Quantas vezes não nos damos bem com as pessoas à nossa volta porque, na verdade, não estamos bem dentro de nós mesmos, estamos agitados e envolvidos no exercício negativo de vivermos inquietos e exageradamente preocupados. Não conseguimos nem sequer ouvir os que estão à nossa volta. Há, por causa disso, uma espécie de irritação à flor da pele. Para construirmos pontes significativas de amizade e companheirismo precisamos aprender a aquietar os lábios e o coração (Tg 1.19).

Meu querido irmão, diga não à inquietação. Aconselho que você tome, todas as manhãs, uma boa dose de paciência e pratique todos os dias o “exercício localizado” da confiança na providência de Deus. Faça isso e conserve assim os três tesouros melhores da vida: O temor do Senhor, a Palavra de Cristo e a boa convivência com o próximo.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

Oração é coisa séria: Parte II (Final)

Por Diego Nascimento*

Se você leu o último artigo intitulado “Oração é coisa séria: Parte I” deve estar com muita curiosidade a respeito dos Moravianos. Em nosso estudo prévio aprendemos que uma simples reunião de oração se transformou em um evento que durou, nada mais nada menos, que 100 anos. Isso mesmo: um século inteiro de agradecimento, intercessão e confissão.

O projeto dos Moravianos teve um impacto que testemunhamos até os dias de hoje. Em meados do século 18 esse povo enviou uma quantidade considerável de missionários pelo mundo, prontos a pregar o Evangelho. Se hoje você está lendo esse artigo quero que saiba que os Moravianos fazem parte disso. Embora haja uma distância de quase 300 anos na linha do tempo, certamente fomos alvos de oração incessante.

Depois de conhecermos essa grande saga tenho certeza de que você repensou sua postura ao orar. O diálogo com Deus é uma atitude essencial na vida do cristão, embora muitos têm deixado essa incrível forma de comunicação apenas para os momentos de desespero.

A Bíblia Sagrada nos alerta: “Vigiai e orai”  – Mateus 26:41. O ato de colocar nossas preces no altar de Nosso Senhor permite que descansemos nosso coração. No mesmo livro Cristo nos convida a ficarmos perto Dele, seja qual for o momento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Matheus 11:28.

Até que ponto praticamos o “falar” com ELE? Temos livre acesso e fomos alvo do maior sacrifício de amor de todos os tempos. Que tal compartilharmos as boas novas?

Que Deus te abençoe!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor”. Salmo 27:14

Natalie van den Berg*

Como este versículo opera na prática? As vezes me pego pensando: Quanto tempo é necessário esperar? O que é bom ânimo?

Acredito que este versículo já começa com “Espera”, porque Deus sabe que somos seres aflitos. Preciso confessar: as vezes fico me perguntando por dentro, “mas Pai….quando vamos chegar?”.  Logo me vem a memória daquelas viagens que fazemos com os filhos quando são  pequenos para a praia ou coisa parecida. Às vezes mal saímos da cidade e então já vem aquele tão conhecido refrão: “Mas papai/mamãe falta quanto tempo? ” No início, de modo geral, damos aquelas respostas pacientes, de pais calmos e sensatos: meu filho, vamos chegar no final da tarde. ”  Mal terminou de responder, quando vem de novo: ” E agora, já estamos chegando? ”.  Geralmente isso continua sem interrupção até que pai ou mãe apela e dá uma daquelas respostas “Agora (suspiro, conta até 3), DEITA E DORME! Não quero ouvir mais nenhuma palavra ou já encostamos aqui mesmo! ” ou qualquer outra reação do gênero. Às vezes funciona, por uma meia hora….

A verdade é que se dermos a exata kilometragem para os filhos, os números de horas que vão ser gastas para chegar ao destino final, eles, ainda pequenos, não compreenderão. Apenas podemos dizer, “Meu filho, minha filha, temos ainda uma longa viagem. Deita. Dorme. O papai avisa quando chegarmos lá.”

No entanto, não é que agimos como nossos filhos com o nosso Pai do Céu? “Pai… e agora, faltam quantos minutos? Já estamos chegando lá?”. Mesmo que Deus nos desse a hora exata em que alcançaríamos o nosso destino, possivelmente ainda assim, não teríamos a compreensão. Então Deus, quem sabe virando para trás na direção, com uma mão no nosso ombro ou joelho, e com um olhar de firmeza e ao mesmo tempo de amor, nos diga apenas (parafraseando aqui): “Minha filha…Meu filho.. Espera em mim, seu Pai. Tenha bom ânimo.” Talvez ele possa até dizer, “Olha, iremos chegar. Agora, se acalme, fortaleça seu coração. Estou aqui. Estou na direção. Agora descanse, pois quando estivermos lá, irei te avisar.” Na verdade, no versículo, após ser dito para ter bom ânimo e fortalecer o coração, novamente se repetem as palavras: “…espera, pois, pelo Senhor.” Tenho a impressão, que como nossos filhos, Deus tem consciência da nossa compreensão limitada do tempo, e dos aspectos logísticos da jornada existencial, assim, logo ao final, Ele repete como para nos encorajar: “Espera…deixa comigo.”

Não sei em que momento da jornada da vida você ou sua família estão. Quem sabe, parece que não chegarão nunca ao destino. Nessas horas, sei por mim, que começo a me desesperar e a querer tomar a direção nas minhas próprias mãos. “Quem sabe tento isso ou aquilo?” Até que em determinado momento, concluo, que não tenho mais forças. Não tenho noção do tempo. Há coisas que são grandes demais para mim. Me desfaleço e quero me prostrar (se é que não faço exatamente isto). Mas creio em um Deus, Pai, Todo Poderoso, que sabe que não tenho noção da distância ou dos desafios que estão por vir, que me alisa o cabelo e diz: “Filha, espera. Tenha bom ânimo. Fortifique seu coração. Eu estou no controle da sua vida e tenho o mapa do que se passa. Confie em Mim. E chegando vou ser o primeiro a te avisar.” Que essas palavras hoje, possam trazer descanso para seu coração. Agora, se ajeite, deite um pouco aí no banco de trás. Pois o seu pai está na direção.

  • Natalie é psicóloga e membro da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Oração é coisa séria – Parte 1

Por Diego Nascimento*

Por mais que orar pareça algo fácil ainda encontraremos pessoas inabilitadas à essa missão. Enquanto alguns não acreditam na eficácia do “falar com Deus” outros caíram no comodismo e trocaram o joelho no chão por horas na frente da televisão e da internet. São nesses momentos que relembro a incrível façanha dos Moravianos.

Quem eram? Uma comunidade cristã-evangélica situada numa extensa área da antiga europa, atual República Tcheca. Os Moravianos adotaram um estilo de vida totalmente oposto ao hedonismo**, capaz de chamar a atenção de grandes vultos da história a exemplo dos pastores Charles e John Wesley.

O que aconteceu? Em 1727 os Moravianos iniciaram uma reunião de oração ao estilo relógio. Assim como os ponteiros da máquina de marcar o tempo aquele grupo criou uma escala de revezamento de forma que os momentos de agradecimento, intercessão e contrição não fossem interrompidos. Se você acha que isso é algo normal nas Igrejas certamente mudará de ideia ao saber que esse ciclo durou um século. Isso mesmo: 100 anos de oração ininterrupta. Imagine quantas gerações passaram por lá nessa memorável atitude?

Os primeiros capítulos do livro de Gênesis mostram que a oração era uma prática regular na vida do povo. Mais do que comum na vida do servo de Deus (pelo menos deveria ser assim) o clamor ao Senhor dos Exércitos remonta ao início da humanidade. No mesmo livro, capítulo 4, verso 26 temos o primeiro registro que trata do tema: “Também a Sete nasceu um filho, a quem deu o nome de Enos. Nessa época começou-se a invocar o nome do Senhor. Depois disso há, pelo menos, outros 649 registros de oração em toda a Bíblia.

Uma das mais notáveis características da oração é que nenhum equipamento ou advento tecnológico é necessário para que uma prece seja feita. O simples coração quebrantado, o fechar os olhos e o foco em Cristo pode trazer cura, direção, refrigério, respostas e muitas outras coisas que façam parte da vontade soberana de Deus. “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós.” (Efésios 3:20)

E quanto aos Moravianos? Grandes coisas aconteceram tempos depois, mas a continuação dessa incrível jornada será revelada no próximo artigo.

Até lá e que Deus te abençoe!

* Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

** Hedonismo: prazer a qualquer custo.

Nós e os índios

Por Diego Nascimento*

Ao lermos o mandamento de Cristo sobre o “Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda criatura*.” costumamos não ter a dimensão sobre a responsabilidade geográfica diante de nossos olhos. O planeta Terra tem 510 milhões de quilômetros quadrados, sendo que aproximadamente 30% desse total é composto pelos continentes que abrigam mais de sete bilhões de pessoas. Uma pequena fração desse número contempla os índios brasileiros, atualmente distribuídos em cerca de 220 etnias de norte a sul do Brasil.

O passado e o presente registram histórias de inúmeros desbravadores da Palavra de Deus, prontos a romper fronteiras para compartilharem as Boas Novas. Um dos exemplos é a Missão Caiuá, agência missionária que atua entre os indígenas desde 1928. Situada no município de Dourados, Mato Grosso do Sul, o grupo registra feitos incríveis que incluem a tradução da Bíblia para diversos dialetos,  a criação de uma escola para alfabetização de adultos e diversos pontos de pregação da mensagem de Cristo.

A instauração do 19 de Abril como o “Dia do Índio” foi feita pelo então presidente Getúlio Vargas, com o propósito de reforçar a identidade do povo indígena no cenário brasileiro. Lamentavelmente a data é praticamente esquecida e, quando comentada, não ganha o destaque necessário. Foram muitas as atrocidades que cercaram esses povos desde a colonização portuguesa e diante disso pergunto: de que forma temos nos esforçado para que o Evangelho chegue à essas nações? A identidade missionária faz parte de sua vida?

O livro de Isaías, capítulo 6, verso 8 diz: “Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” Essa mesma pergunta é feita para você. De que maneira tem sido sua resposta a esse chamado? Ou você prefere agir como um mero espectador, a exemplo de alguns, terceirizando a responsabilidade do evangelismo?

Há diversas formas de participarmos de projetos desse tipo, mesmo quando nosso deslocamento físico é limitado. O autor de Atos dos Apóstolos, no capítulo 20 verso 24, enfatiza que quaisquer desafios não são capazes de ‘estacionar’ o coração de quem quer lançar a Semente: “Todavia, não me importo, nem considero a minha vida de valor algum para mim mesmo, se tão somente puder terminar a corrida e completar o ministério que o Senhor Jesus me confiou, de testemunhar do evangelho da graça de Deus.” 

Termino com uma sincera sugestão: separe alguns instantes de sua semana e ore pelos índios. Muitos têm feito um esforço incondicional para compartilhar da fé em Cristo em diferentes aldeias. Lembre que você pode “Ir” de várias formas, apoiando o projeto ou simplesmente colocando seus joelhos diante do altar de Deus.

*Marcos 16:15 

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).