Aprenda sobre a Bíblia

25 de setembro

Por Diego Nascimento*

As estatísticas assustam qualquer pessoa quando se trata de acidentes no trânsito. Uma parcela considerável das fatalidades tem origem na imprudência dos condutores (não importa o tamanho do veículo). A criação do Código Nacional de Trânsito Brasileiro em 1997 permitiu a ampliação de inúmeras campanhas na tentativa de conscientizar a sociedade sobre as regras que, diariamente, são descumpridas em algum trecho desse país com dimensões continentais. Grande parte da publicidade é feita a partir de 25 de setembro, data em que se comemora o Dia Nacional do Trânsito.

No caso dos cristãos o principal “Código” para um bom caminhar é a Palavra de Deus. Nela encontrarmos todo e qualquer detalhe sobre os momentos de alegria e períodos de inquietação. O livro de Salmos, no capítulo 1, versos de 1 à 3, traz uma importante referência para quem escolhe a Bíblia como GPS* para as decisões: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. ” Esse é um cenário constantemente testemunhado por servos dedicados e que optam por não buscar atalhos.

Se analisarmos com profundidade perceberemos que grande parte dos acidentes são causados por quem é habilitado, ou seja, egressos de um treinamento teórico e prático de condução. Um comparativo pode ser feito com a vida espiritual: quantas pessoas, conhecedoras da Palavra de Deus, optam pela rota contrária sob as rédeas do perigo iminente ou simplesmente pelo prazer a qualquer custo? Afirmação triste, mas real.

Em Hebreus capítulo 3, versos de 12 à 14, encontramos um alerta geral: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. ” Os caminhos do Nosso Senhor são eternos e nos conduzem à vida. A imprudência na caminhada cristã pode resultar em situações lamentáveis aos olhos de Deus e dos homens.

Pensemos nas linhas da II epístola de Paulo a Timóteo, capítulo 3 versos 16 e 17 que dizem: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. ” A Bíblia é o único “Código” infalível para a jornada em Cristo. Sigamos com ela!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
  • Global Positionion System (Sistema Global de Posicionamento).
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O amor: uma arte ou uma ordem?

Por José Luiz A. Gomes*

Certa feita um poeta e cantor brasileiro disse: “O amor é uma arte, a questão é que nem todos são artistas. ” Belas palavras para um mundo embriagado devido a beleza ilusória dos vocábulos e propagandas irrustidas de um falso marketing. E mesmo que sejamos uma minoria, o fato é que as coisas não funcionam assim. E por mais que o poeta estivesse obviamente usando uma linguagem figurada, nós cristãos devemos discordar desse tipo de pensamento pois além do amor Bíblico nunca ter sido tratado dessa forma, toda sorte de talentos artísticos emana de forma comum naqueles que os possuem, ao contrário do amor perfeito descrito na Bíblia e ensinado por nosso Senhor Jesus Cristo.

O que vemos hoje em dia é o sentimento em sua forma desfigurada, egoísta e extremamente estilhaçada devido à queda. Acredito que não vemos nada além de egocentrismos. O verdadeiro: “toma lá, dá cá. ” Usando o poeta como exemplo, a primeira discordância que devemos ter em relação a este pensamento é que ninguém pode dar ao outro aquilo que não tem em si próprio; somente Deus pode nos ensinar a amar de fato, como uma graça especial, ao contrário de toda sorte de talentos artísticos que podem ser facilmente desfrutados por todos, sem exceção. E a segunda problemática na fala do poeta é o fato do amor ser comparado quase que de forma generalizada a um sentimento, algo que nunca ocorreu nos ensinos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Só lembrando que não estamos discutindo a inexistência dos sentimentos e até que ponto eles estão interligados ao amor Bíblico. Não! A questão é que por várias vezes no Novo Testamento vemos o verbo [αγάπη]”agapê”, que em sua forma transliterada seria a palavra amor, sendo usado na forma [ἀγαπᾶτε]“agapate”, que seria sua forma imperativa, e não sendo usado em forma opcional e muito menos sentimental. O verdadeiro amor Bíblico tem mais a ver com o fazer aquilo que não queremos, do que propriamente fazer aquilo que queremos; tem mais ligação com o executar do que com o falar; tem mais a ver com o agir do que com o sentir.

Nos ensinos de Jesus não há espaço para demagogias. E devido a isto, o amor nunca foi uma arte, e sim, uma ordenança, um mandamento. Vejam o que diz Nosso Senhor no evangelho conforme relatou Mateus no cap. 5 e vers. 43,44: “Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem…” Não vemos aqui Jesus nos ensinando a ser artistas ou nos dando uma opção, não! Vemos aqui uma ordem. Percebam o tempo verbal: “…amai. ”

Artistas não vão além de sua capacidade ou além de suas vocações. Eles não têm facilidades com pressões e nem mesmo têm inspirações em seus “maus” dias. Eu como artífice da madeira ou um artista nato posso categoricamente afirmar isto.

Os artistas não fazem nada além de colocar para fora o que se encontra do lado de dentro. Todavia, Jesus nos ensina a ir além. Ele nos ensina a colocarmos para fora aquilo que muitas vezes não se encontra em nosso coração. Nossas ações não podem se basear em nosso sentimento.

O mundo não se encontra da maneira que vemos por falta de “artistas”, e sim, por falta de pessoas que de fato se disponham a seguir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos ensina a ir além de nossos desejos, vontades e vocações.

Jesus nos desafia a amarmos e oramos por aqueles que nos perseguem. Você tem orado por estes? Ou sendo ainda mais desafiador: Você consegue sentir algo positivo ou ter um sentimento por uma pessoa que te odeia ou que te persegue? É possível que não! Mas acredito que todos nós podemos fazer algo por elas. No sentido de ação. “… amai. ” Eis aqui o desafio de Nosso Senhor. Não temos desculpas.

*José Luiz é diácono da Congregação da I Igreja Presbiteriana de Lavras em Ijaci.

João Batista está nas ruas

Por Pastor Célio Teixeira Júnior

João Batista foi o precursor do Senhor Jesus. Ele veio para preparar o caminho e para endireitar as veredas. João Batista pregou o arrependimento e ele foi aquele do qual se dizia: “Voz do que clama no deserto”. João usava vestes de pelos de camelo e um cinto de couro; e sua alimentação eram gafanhotos e mel silvestre (Mt 3.3,4). A mensagem dele causou grande impacto em seus dias e ele até mesmo foi confundido com Cristo, a luz que ilumina todo homem. João não era a luz, mas veio como testemunha para testificar a respeito da luz (João 1.7).

João Batista pregou no deserto e as multidões iam ao seu encontro, confessavam os seus
pecados e recebiam o batismo do arrependimento. A pregação de João era contundente. Ele denunciou a corrupção, incentivou a solidariedade, falou contra a imoralidade e pregou contra a hipocrisia. João acusou o rei de pecado, orientou os soldados que não maltratassem ninguém e pregou aos cobradores de impostos que cobrassem somente o estipulado e nada mais. João Batista está agora nas ruas e ele veio para tornar a pregar o que ele já pregou um dia. Veja bem, não falo aqui de alguém que voltou dos mortos ou ressuscitou, mas falo do espírito da profecia e da pregação de João. Ela precisa percorrer as ruas do nosso país, chegar aos ouvidos dos nossos governantes, entrar em nossas igrejas, fazer diferença em nossas famílias e mudar a mente e o coração de cada um que a ouve com atenção. A pregação de João é atual, necessária e extremamente importante.
Em primeiro lugar, é preciso lembrar que João pregou o arrependimento. Todos nós precisamos atender a este chamado. Frequentemente fazemos o que não agrada a Deus, trocamos a sua glória por deuses que não são. Adoramos a criatura no lugar do Criador. Colocamos no lugar de Deus coisas como o dinheiro, o prazer ou o nosso próprio eu.

Vivemos um tempo onde o egoísmo impera e onde o consumismo dita as regras. E se assim procedemos, urgentemente precisamos nos arrepender, deixar o pecado e encontrar a misericórdia. A pregação de João também foi contra a corrupção. Ele denunciou aqueles que cobravam impostos exorbitantes e desviavam dinheiro para os seus próprios bolsos. É de extrema urgência resgatarmos entre nós esse tipo de pregação. Precisamos denunciar, falar contra, protestar, se possível, ir às ruas e mostrar a nossa indignação, repúdio e revolta contra a corrupção instalada no Brasil. Não há aqui nenhum incentivo à baderna, à revolta armada ou coisa parecida, mas a uma postura de não conformismo para o bem de nossa Nação.

A pregação de João Batista também falou de uma ação solidária, de justiça social e sobre
a não violência. Para muitos, talvez, a pregação de João, neste sentido, fosse algo insignificante, pois ele era “uma voz que clamava no deserto”. Uma voz só, no entanto, fez muita diferença. Multidões foram atraídas à sua pregação. O que surgiu na Palestina com ele e depois, é claro, com a vinda de Jesus, dividiu a história, impactou o mundo, revolucionou o universo, transformou vidas e converteu corações. Portanto, vale a pena resgatar a pregação de João e torná-la conhecida nos nossos dias. João pregou também sobre valores morais e denunciou o pecado do rei Herodes e de sua família. Isso lhe custou caro. João Batista foi decapitado por seu ato de coragem. Herodes foi um fraco, corrupto e adúltero. Um homem que viveu cercado de medo e que passou para a história
como um derrotado. João Batista, no entanto, foi chamado por Jesus de “o maior profeta dentre os nascidos de mulher”. A luta pelos valores morais, pela justiça e retidão nunca será em vão.

João Batista preparou o caminho para Jesus. O Salvador veio e deu a sua vida em resgate de muitos. Hoje você e eu temos, por assim dizer, a responsabilidade de preparar o caminho para a volta de Jesus. Fazemos isso, à semelhança de João, com uma pregação ousada e corajosa. Sempre lembrando que Jesus virá agora, não para morrer na cruz, mas para julgar os vivos e mortos.

A flor do meu caminho

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há flores no meu caminho, mas há pedras e espinhos também. Caminhos são assim: cheios de alegria e risos, mas, às vezes, tristemente emoldurados de lágrimas e dissabores. Há caminhos que são como alamedas de árvores frondosas e há caminhos margeados de espinheiros e ervas daninhas. Há caminhos que são feitos de chão firme e que são planos aos nossos pés, mas há caminhos irregulares, depressivos e ondulados. Há caminhos retos e há caminhos tortuosos. E que se diga de início: cada um tem o seu próprio caminho e ele pode ser fácil por um longo trecho, mas íngreme e dificultoso depois da curva acentuada.

O caminho apontado aqui é uma metáfora da vida que se vive debaixo do céu. Ah! Como eu gostaria que o meu caminho fosse sempre forrado pelas flores que caem do ipê amarelo, que ele fosse adornado pelos manacás, pelas primaveras e pelas sapucaias em flor. Seria o caminho dos meus sonhos se ele fosse sempre o caminho umedecido pelo orvalho das manhãs, sombreado pelo imponente jequitibá, sonorizado pelo canto do canarinho da terra ou do majestoso sabiá. Não me importaria jamais de trilhar por ele no declinar do dia se nele eu visse as cores do arrebol e mesmo durante a noite não teria dificuldade alguma se a lua cheia fosse o luzeiro para o meu caminhar seguro.

Eu sei que a vida não é sempre assim. Há caminhos escuros e sombrios e ainda que eu não queira passar por eles, ou queira seguir por algum atalho, eles são inevitáveis e, quem sabe, até mesmo necessários. É preciso enfrentar o desafio, suplantar o medo, não desistir no meio da jornada, não voltar atrás, não perder a esperança, não desmaiar à beira da estrada e nem invejar aquele que aparentemente caminha mais solto e leve nesta vida. É bom lembrar que é o caminho apertado que conduz para vida e espaçoso é o caminho que leva à perdição e que são muitos os que andam por ele (Mt 7.13,14). Sim, “há caminho que ao homem parece ser direito, mas ao cabo dá em caminhos de morte” (Pv 14.12).

Se a vida é assim, então você e eu precisamos de ajuda pelo caminho. Com certeza, precisamos ouvir o que nos diz o santo livro: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nele, e o mais ele fará” (Sl 37.5). Ao agir assim, teremos, por certo, a proteção segura de Jesus que caminha ao nosso lado, que aquece o nosso coração, que segura em nossas mãos, que não nos deixa ficar prostrados ou abatidos e que, por fim, há de nos receber no trono de sua glória. Quando se entrega a Deus a direção e a condução da vida, então a Sua Palavra é como lâmpada para os pés e luz para o nosso caminho (Sl 119.105). E tudo isso, ainda que existam pedras e alguns espinhos.

Talvez há quem diga que o seu caminho não tem sido fácil, que as flores murcharam todas e não há mais perfume no ar e nem risos de alegria. Há quem viva com o semblante descaído, com o olhar voltado ao chão, com o coração adoecido e com o a alma esbraseada pelo fogo ardente da provação. Há pessoas alquebradas na vida. Há mães que perderam os seus filhos e filhos que perderam os seus pais. Há crianças abandonadas e velhos desamparados. Há refugiados neste mundo, expatriados, prisioneiros de guerra e gente que vive na sarjeta da história. Há vítimas de malfeitores e semimortos esquecidos pela estrada que desce de “Jerusalém para Jericó” (Lc 10.30).

Como seria bom se só existissem flores no nosso caminho. Mas você e eu sabemos que não é assim. A vida pode ser bela, mas pode mostrar também a cara feia que ela tem. E digo com franqueza: não sei porque é assim. Mas eu sei de uma coisa: “Eu sei em quem tenho crido e estou certo de que ele e poderoso para guardar o meu depósito até aquele Dia” (2Tm 1.12). Eu posso não ter todas as respostas para as lutas que encontro pelo caminho. Eu posso não entender os espinhos e, aliás, desconfio de quem os entende completamente, mas quando eu olho para Jesus, quando contemplo a sua cruz, então eu entendo que a graça de Deus me basta e é suficiente.

Portanto, que a graça de Jesus seja a flor do meu caminho, o perfume da minha estrada, o canto de minha alma e a esperança de minha jornada.

  • Reverendo Célio é Pastor da I Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

Num piscar de olhos

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

As coisas mudam num piscar de olhos e tamanha mudança pode nos causar a sensação de descontrole. Às vezes tem-se a impressão de que o mundo está de cabeça-pra-baixo e que precisamos reaprender a viver, vivendo de forma diferente do que temos vivido até aqui. Não sei se isso é uma espécie de sentimento que, como disse o poeta, nos faz “estancar de repente”, ter uma forte noção de que o mundo “cresceu” ou de que tudo isso deve ser mesmo assim, nos levando à passividade mórbida e a uma aceitação inconteste. Querem nos obrigar a entrar nesta “roda viva” concordando com tudo, aceitando tudo e anulando tudo o que aprendemos até aqui. Eu diria que há mudanças necessárias, mas há outras que metem medo e nos assustam e elas estão acontecendo depressa demais para o nosso gosto cristão.

Piscamos os olhos e, num instante, o conceito de família é bem diferente do que recebemos como herança. Piscamos os olhos e os valores já mudaram, os princípios antigos já foram embora e somos obrigados a “aceitar” novas regras, novas ideias e novos padrões como normais, como fruto do “progresso” e conquista da modernidade. Piscamos os olhos e a vida já passou de repente. Piscamos os olhos e olhamos para o lado e percebemos que os nossos filhos cresceram, que a Escola mudou, que a Igreja é outra e que nós mesmos estamos andando diferente, nos comportando como nunca imaginávamos nos comportar um dia. É como se num piscar de olhos, séculos tivessem se passado, mundos inteiros tivessem sido destruídos e uma nova era tivesse surgido.

Talvez tudo isso seja resultado do fato de que estamos, por assim dizer, piscando demais os nossos olhos. E aqui eu falo de distração, de descuido, de desatenção, ou mesmo, de indiferença. O oposto de piscar demais os olhos é mantê-los atentos e bem abertos. Não é sem motivo que a Bíblia nos conclama a vigiar e permanecer alertas o tempo todo (Lc 21.36). Isso envolve a nossa vida, em primeiro lugar, numa espécie de conscientização de que a velocidade das mudanças é algo inevitável e precisamos estar preparados para elas. Mas isso envolve também a preservação dos nossos valores cristãos, envolve um não envolvimento com o erro e uma disposição sempre pronta para anunciar a verdade. Mas se as coisas mudam num piscar de olhos, você e eu precisamos saber que “Deus jamais pisca”. Pelo contrário, a Bíblia nos diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e o será para todo sempre (Hb 13.8).

Os olhos de Deus permeiam toda a terra, sondam as profundezas, vasculham os horizontes, perscrutam a nossa alma e jamais se fecham, pois Ele é aquele do qual se diz: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Os olhos de Deus são como chama de fogo ardente (Ap 1.14), nada foge ao seu olhar e não há treva alguma, por mais densa que seja, que possa impedir a sua visão. Com um só relance do seu olhar ele contempla o universo, enxerga a estrela mais distante e até mesmo o organismo mais minúsculo. Ele vê o oculto e o escondido e com Ele mora a luz (Dn 2.22). Sim, “as coisas podem mudar num piscar de olhos, mas Deus nunca pisca”. Esta frase foi dita por Regina Brett, uma senhora de 90 anos de idade, que escreveu sobre quarenta e cinco lições que a vida lhe ensinou. De todas elas, com certeza, esta é a mais significativa do ponto de vista das mudanças e também de nossa fé.

As coisas mudam num piscar de olhos. Talvez o mundo seja como a “Roda Viva” da música de Chico Buarque. Quem sabe ele dê voltas ou, como sugere alguém, ele seja como uma espiral. Não sei onde tudo isso vai parar ou se vai parar algum dia, mas eu sei que posso descansar no fato de que o meu Deus há de suprir cada uma das minhas necessidades em Cristo Jesus (Fp 4.19) e estou certo de que nada pode me tirar de suas mãos protetoras (Jo 10.28) e não pode me ocultar do Seu olhar atento (Sl 139.1-12). “O mundo muda”, disse o compositor do hino, “mas Cristo não”. E se nos assustamos com as mudanças, precisamos dizer para nós mesmos: Ele não dorme, não cochila e nem mesmo pisca.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)

O terror noturno

Por Diego Nascimento*

Se engana quem iniciou essa leitura buscando por um texto de suspense. Quero tratar daquele momento em que seu coração fica apertado de forma inesperada, ou quando uma importante decisão resulta no medo, um sentimento traiçoeiro e ingrato.

O Rei Davi foi um personagem bíblico que deixou registrado diversas fases de inquietação. No Salmo 91, verso 5, encontramos o seguinte versículo: “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,”. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o mesmo que conduziu Davi na terra de Israel e que diariamente pega a nossa mão foi claro ao falar com Josué, quando este foi chamado a assumir a liderança do povo no deserto: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Livro de Josué, capítulo 1, verso 9.

É importante frisar que nossa meditação não trata do medo resultante de decisões tomadas longe do Senhor. No livro de I Coríntios, capítulo 6, verso 12, o apóstolo Paulo registra que toda ação gera uma reação; o que falamos e fazemos traz consequências profundas:  “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” Ao  refletir sobre o medo avalie se está vinculado à falta de fé ou por escolhas mal feitas. Se se tratar da primeira alternativa recomendo que deposite toda a sua ansiedade diante DELE; se for ligado ao segundo item indico uma profunda reflexão e mudança de rota: ainda há esperança em Cristo Jesus.

Com frequência escolhemos o travesseiro como instrumento de análise. Que tal se aproximar de Deus por meio da oração e sentir o real significado do que encontramos no livro de Salmos, capítulo 4, versos 7 e 8: “Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho. Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.”

Reflita!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

 

Diga não à inquietação!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A palavra inquietação, significa o estado de turbulência, perturbação, apreensão e ausência de sossego. O inquieto é o indivíduo oscilante, agitado e apreensivo. Há pessoas assim, que não sossegam nunca e vivem de forma agitada. Ainda que a palavra tenha um sentido positivo, pois pode produzir uma boa saída na hora da crise e ser uma reação à morbidez e à apatia, o seu uso é, com frequência, negativo. Ou seja, é triste viver sem sossego e agitado. É desolador não conseguir se aquietar.

Há um belo Salmo da Bíblia que considera sobre a transitoriedade da vida e sua fragilidade e que nos faz lembrar que a inquietação é vã, não vai tornar a vida mais útil e nem tampouco há de prolongar os nossos dias sobre a terra: “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39.6). É como se o salmista estivesse dizendo que a inquietação é pura perda de tempo. Além disso, é preciso saber fazer boas escolhas a fim de que a inquietude não seja o padrão de nosso comportamento e a mola propulsora da ansiedade.

Por vivermos em um mundo inquieto, é preciso saber que há uma forte tentação para seguirmos o seu modelo. Longe de ser um convite à indolência, a Bíblia nos ensina que precisamos aprender aquietar o nosso coração. O famoso bispo de Hipona, Agostinho, disse certa vez: “Inquieto é o meu coração até que descanse em ti”. Palavras como descansar, esperar e confiar são bons antídotos para esse tipo de veneno letal que corre nas veias de nossa sociedade nestes tempos chamados de pós-modernos. A inquietação, portanto, pode nos roubar o que a vida tem de melhor para nos oferecer.

Talvez seja importante, então, destacaralguns dos tesouros preciosos que nos são tirados quando a inquietude ou a inquietação toma conta da alma, quando ela invade o coração e quando a mente se submete ao seu comando.

O primeiro desses tesouros é o temor do Senhor. A Bíblia diz: Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv 15.16). A inquietação pode, de fato, nos deixar tão absortos quanto às nossas procuras que acabamos por desprezar o mais importante: “O temor do Senhor”. Perder o temor do Senhor por causa da inquietude é péssimo sinal e escolha desastrosa. A Bíblia diz que o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 111.10; Pv 1.7).

O segundo tesouro assaltado pela inquietude é o tempo precioso que precisamos aproveitar, aos pés do Senhor Jesus, para ouvirmos a sua palavra. Há um exemplo na Bíblia de uma pessoa que, por causa da inquietação, estava perdendo a melhor parte: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas” (Lc 10.41). Às vezes, precisamos nos aquietar a fim de que possamos ouvir o conselho manso do ensino de Jesus, o cicio tranquilo da voz de Deus que segreda ao nosso coração verdades restauradoras.

Em terceiro lugar, a inquietude tem a especialidade própria em roubar de nós a harmonia nos nossos relacionamentos interpessoais. Quantas vezes não nos damos bem com as pessoas à nossa volta porque, na verdade, não estamos bem dentro de nós mesmos, estamos agitados e envolvidos no exercício negativo de vivermos inquietos e exageradamente preocupados. Não conseguimos nem sequer ouvir os que estão à nossa volta. Há, por causa disso, uma espécie de irritação à flor da pele. Para construirmos pontes significativas de amizade e companheirismo precisamos aprender a aquietar os lábios e o coração (Tg 1.19).

Meu querido irmão, diga não à inquietação. Aconselho que você tome, todas as manhãs, uma boa dose de paciência e pratique todos os dias o “exercício localizado” da confiança na providência de Deus. Faça isso e conserve assim os três tesouros melhores da vida: O temor do Senhor, a Palavra de Cristo e a boa convivência com o próximo.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)