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O palácio e a prisão

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A Bíblia conta a história de José do Egito que, quando criança, era filho preferido de seu pai, Jacó. Os seus irmãos, tomados de ódio e ciúmes, o venderam para uma caravana de mercadores de escravos que, por fim, o levaram para o Egito, a grande metrópole da época. José foi parar na casa de um oficial do Faraó e ali ele prosperou em seu serviço de tal maneira que se tornou uma espécie de administrador dos bens daquele oficial. Aquele moço, que tinha enfrentado a inveja de seus irmãos, enfrentou também o desejo da mulher de seu patrão. Ao resistir às investidas amorosas dela, acusado injustamente, José foi lançado na prisão (Gênesis 37-39).

A prisão onde José fora lançado era também o lugar onde se encontravam os encarcerados do rei. Por isso havia uma proximidade muito grande entre aquele lugar e o palácio real. Homens, que antes transitavam pelos corredores da corte, passaram a conhecer a masmorra fria, os grilhões da cadeia e as celas reservadas para os criminosos. Homens que antes assistiam diante de Faraó, que eram de sua inteira confiança, abusaram da sorte e ofenderam o seu senhor (Gn. 40.1). Um deles era o seu copeiro-chefe e o outro era o padeiro-chefe. O rei precisava confiar neles, pois facilmente eles poderiam envenená-lo e matá-lo sem levantar suspeita alguma.

José conheceu estes dois homens, conviveu com eles e com outros presos que saíram do palácio para a prisão. Certa noite eles tiveram um sonho e acordaram turbados no outro dia. José, os vendo assim, indagou sobre o motivo de tal aflição e eles lhe contaram os seus sonhos. Na interpretação que Deus dera através de José, um deles seria absolvido de sua condenação e o outro condenado à morte. O vaticínio foi cumprido depois de três dias e como José havia predito, de fato, tudo aconteceu (Gn. 40.20). O copeiro-chefe, que teve melhor sorte do que seu companheiro, não se lembrou mais de José como havia prometido. Os anos se passaram até que chegou a noite do sonho de Faraó.

Dois anos depois de ter sido absolvido de sua acusação e solto da prisão, vendo a aflição do rei, o copeiro-chefe finalmente lembrou-se de José e falou acerca dele e de sua habilidade especial. O soberano do Egito mandou chamá-lo imediatamente e José, usado por Deus, interpretou os sonhos de Faraó. Naquele instante todo o rumo da vida de José foi alterado, pois ele foi nomeado administrador de toda a terra. Passou a ser uma espécie de primeiro ministro do Egito. Sim, José foi da prisão para o Palácio (Gn. 41). Mais tarde ele mesmo entendeu que tudo em sua vida fazia parte de um propósito soberano de Deus. Podemos dizer, quem sabe, que ele aprendeu também que há uma proximidade muito grande entre o palácio e a prisão, entre o cárcere e a corte.

De José até aos  nossos dias, a  história parece se repetir. Infelizmente não temos encontrado nenhum “José” no cárcere, jogado ali injustamente, que possa ser elevado ao posto de ministro e dar um rumo alvissareiro à nossa economia. Mas, tristemente, temos encontrado alguns que antes serviam no “palácio” e que agora se encontram na prisão. Gente que, por assim dizer, envenenava o dinheiro destinado à saúde, que minguava o direito do cidadão e enfraquecia a moral da nação. O que nos assusta é que nos dias de José eram dois apenas, mas nos nossos dias o número é bem maior. A fila não termina e quanto mais se meche na questão, maior é o assombro da podridão.

Talvez seja importante dizer também que a honestidade de José não surgiu quando a sorte sorriu para ele. José foi fiel no pouco, quando ainda era um simples serviçal na casa de seu patrão. José também mostrou a sua dignidade no cárcere de tal maneira que o carcereiro lhe confiava as chaves da prisão. Ele mostrou o seu temor a Deus quando ninguém o observava, quando a situação lhe era adversa e quando o seu mundo pareceu desabar. Então, eu diria, a honestidade de José como administrador da terra, não foi difícil, pois ela era uma rotina em sua vida. É como se ele estivesse cumprindo um princípio ensinado pelo Senhor Jesus: “Muito bem, servo bom e fiel! Você foi fiel no pouco, eu o porei sobre o muito. Venha participar da alegria do seu senhor” (Mt 25.21).

Que Deus tenha misericórdia do Brasil e nos ajude a colocar uma distância maior entre o palácio e a prisão. Que Deus nos abençoe e nos dê força para sermos fiéis no pouco também.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Deus não se esqueceu!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Você e eu podemos nos esquecer de muitas coisas nesta vida. Tem gente que já se esqueceu de um compromisso marcado, de uma reunião agendada, de um aniversário importante, de tomar o remédio na hora certa e até de pagar uma conta qualquer. Tem gente esquecida, que esquece o tempo todo. Esquece onde estacionou o carro, esquece onde colocou a chave da casa, esquece onde guardou o documento que precisa com urgência, esquece o no me de quem não poderia esquecer jamais, esquece de buscar o filho na escola e esquece de que domingo é dia de escola dominical e de culto na igreja.

Alguns dos esquecimentos mencionados acima acontecem mesmo e nos deixam incomodados, outros, às vezes, são pura negligência ou falta de cuidado. Eu sei que com o passar dos anos o esquecimento pode se tornar um companheiro indesejado que com frequência se põe ao nosso lado. Conheço quem já tenha esquecido a panela no fogo, o fogão ligado, o nome dos filhos, a porta aberta da casa, a consulta no médico, a visita agendada e até mesmo o aniversário da sogra. Esqueceu de tomar a vacina, de colocar o cinto de segurança e de usar os sapatos iguais.

Esquecimento pode ser engraçado ou extremamente desagradável. Ele pode ser inocente ou perigoso. Esquecer com frequência requer ajuda, esquecer de vez em quando faz parte da vida. A Bíblia diz que até mesmo uma mãe pode se esquecer de seu filho. É muito difícil, mas pode acontecer (Is 49.15a). A mente humana é complexa e o coração é enganoso. O que nos anima, no entanto, é que o nosso Deus jamais se esquece: “Eu não me esquecerei de ti” (Is 49.15b). Aliás, Deus só se esquece de uma coisa: dos pecados que confessamos e dos quais nos arrependemos (Jr 31.34). Deus os lança, como disse o poeta: “No mar do esquecimento”.

Deus jamais se esquece de suas promessas e todas elas têm em Cristo o “sim” ou o “amém” (2Co 1.20). Deus prometeu estar conosco todos os dias de nossa vida (Mt 28.20). Deus prometeu que nada poderá nos separar do seu amor que está em Cristo Jesus (Rm 8.39). Deus prometeu cuidar de cada uma das nossas necessidades (Fp 4.19). Deus nos prometeu forças para as contradições da vida (Fp 4.13). Deus prometeu não rejeitar a nossa oração e nem afastar de nós a sua graça (Sl 66.20). Deus prometeu nos guardar do maligno (2Ts 3.3). Deus nos prometeu a vida eterna, o céu e uma morada com Cristo (Jo 3.15,16; 2Pe 3.13; Jo 14.2).

Talvez seja importante dizer que o aparente silêncio de Deus não significa esquecimento. Também precisamos ressaltar que o Senhor, às vezes, trabalha nos bastidores, por trás do palco do que se vê com os olhos nus  e humanos,  do  que se ouve com os ouvidos ou se percebe com os sentidos de forma geral. Deus tem o seu caminho da providência e nenhum dos planos dele pode ser frustrado (Jó 42.2). O não esquecimento de Deus é mais do que a capacidade intelectual que Ele tem e que às vezes nos foge. É o Seu cuidado, a Sua atenção e o Seu agir em nossa direção.

Você e eu podemos nos esquecer de buscar a Deus em oração. Você e eu podemos nos esquecer de louvar a Deus em gratidão. Ainda assim, Ele continua atento ao nosso viver e absolutamente consciente da fragilidade do nosso ser. Veja bem, não devemos nos esquecer de nossa devoção ao Senhor, mesmo porque Ele espera que depositemos nele a nossa confiança, no entanto, a despeito de nossas fraquezas, o Senhor continua fiel em todas as suas promessas e a sua obra começada em nós será completada até o dia de Cristo Jesus (Fp 1.6). Deus não se esqueceu disso.

Pode ser que ao acordar hoje pela manhã você tenha se esquecido de algo importante que deveria ter feito. Nós somos assim. Saiba, no entanto, que quando você acordou hoje, Deus não se esqueceu de Suas misericórdias para com a sua vida. Aliás, elas se renovaram nesta manhã (Lm 3.22,23). Durante todo o dia a bondade e a misericórdia acompanharão você e a noite você poderá dormir em paz, porque o Senhor é quem guarda a sua vida. Fique tranquilo. Ele não vai se esquecer, pois nem mesmo um cochilo qualquer o fará demover (Salmo 121).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Em um dia de domingo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O dia ainda não havia clareado, o sol não havia despontado, quando mulheres simples se dirigiram ao sepulcro a fim de embalsamar o corpo que fora ali depositado. Elas marcaram bem o lugar, prestaram atenção no corpo inerte e viram como ele fora colocado na pedra fria. Prepararam com cuidado os aromas e bálsamos, descansaram no sábado e acordaram cedo em uma manhã de certo domingo.

Tristeza no coração, lágrimas nos olhos e aromas nas mãos, foram ao encontro do amado, do amigo da vida, do amigo dos sonhos e daquele que curava as feridas. Mas uma névoa cobriu os olhos daquelas mulheres e caiu-lhes doente o coração, adoecendo-as de desesperança. Elas baixaram os olhos para o chão e a tristeza tomou conta da alma: “Onde puseram o corpo do nosso Senhor?” A pedra da tumba removida estava. Teriam roubado o corpo de Jesus? Seria o jardineiro o culpado? Onde estavam os guardas do sepulcro?

“Joana e Marias!”, exclamou um dos homens vestido de branco. “Porque vocês buscam entre os mortos ao que vive?”, perguntou. O Nazareno, o mesmo que lhes havia aquecido o coração quando ensinava, o mesmo que fez brotar a esperança na alma de cada uma, “não está mais aqui, o lugar está vazio”, concluiu.

Sim, em um dia de domingo a morte foi vencida, a vida triunfou e a fé prevaleceu. Foi Maria Madalena a escolhida. Foi ela, a que antes atormentada por sete espíritos malignos, viu o inacreditável, o humanamente impossível, o milagre da ressurreição. Sim, em um dia de domingo Cristo Ressuscitou (Leia Mt 28.1-10; Lc 23.55-24.1-10; Jo 20.1-18).

Desde aquele dia até os nossos, domingo é assim, o dia da vida e não da morte, o dia da celebração e não da tristeza, o dia do amor e não do ódio, o dia da paz e não da guerra. Talvez, para muitos, domingo seja o dia de passear no parque, sair com a família, ver um amigo, descansar da lide ou, como diz a canção popular, procurar alguém “para sentar e conversar, depois andar de encontro ao vento”. Para outros, domingo é dia de torcer para o time do coração, de assar uma carne ou comer frango com macarrão.

Alguns vão à feira bem cedo, outros preferem dormir até mais tarde. Domingo, quem sabe, é dia de falar mais manso, de ouvir com atenção, de abrir o peito e “deixar falar a voz do coração”. Gosto das manhãs de domingo, dos domingos ensolarados, dos domingos que trazem cheiro bom no ar. Gosto de acordar cedo, de ir para igreja e de olhar nos olhos dos irmãos da família da fé. Gosto da celebração e do culto de adoração.

De tudo isso, no entanto, é bom saber que domingo lembra que o amigo dos sonhos, amigo daquelas mulheres, amigo das crianças, autor da vida, morto e sepultado, não vive mais assim como um dia foi deixado, Ele rompeu os grilhões da morte. Por isso, eu quero mais do que respirar o ar que me rodeia e ter o mesmo sol que me bronzeia, como sugere a música “Um Dia de Domingo” de Michael Sullivan e Paulo Massadas.Eu quero ter olhos para ver o meu Jesus e a fé renovada por saber que Ele não está pendido na cruz ou preso na tumba.

Digo então que eu não o procuro na sexta-feira da paixão pendurado no madeiro e nem o encontro no sábado deitado no túmulo, mas no domingo, no primeiro dia da semana, como aquele que vive e reina pelos séculos dos séculos.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“Eis aí vem o teu Rei”

Por Célio Teixeira Júnior*

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador, humilde…” (Zc 9.9). Não devo procurá-lo nos palácios e nem na ostentosa mansão. Não o encontro diante dos poderosos e Ele não se faz desfilar no tapete vermelho da fama. Não há holofotes sobre ele e ele não é recebido pelos príncipes deste mundo. É certo que uma multidão o aclamou, mas ele não desfilou na carruagem real e nem foi recebido com honras de Estado. Quem o ovacionou foi uma plebe inconstante, vacilante e influenciável.

“Eis aí… vem o teu Rei…”. Ele vem rompendo as portas de corações empedernidos, vem caminhando seguro sobre estradas empoeiradas de transeuntes cansados, de indivíduos sobrecarregados. Ele vem levantando o  cinzento do meu pecado, oferecendo alívio e perdão ao penitente e ao de espírito quebrantado. Ele oferece água ao sedento e pão ao que tem fome.

“Eis aí… vem o teu Rei”, justo e justificador. Sua casa é casa de oração e a Sua sorte é a cruz da maldição. Ele entrou na cidade do rei, mas morreu fora de seus muros. Entrou triunfantemente pisando em vestes e ramos estendidos ao chão, mas morreu vergonhosamente despido e acusado de sedição. Ao olhar a Sua face, ao encontrar os Seus olhos, ao perceber a Sua dor, vejo quão grave foi o meu pecado e como foi caro o preço por ele pago.

“Eis aí te vem o teu Rei… Bendito o que vem em nome do Senhor”. Bendito seja Jesus, Filho de Davi. Que seja dos nossos lábios o Seu louvor. Que tenha de nossas mãos o mais sincero e puro ardor. Que a honra e o domínio sejam dados tão somente a Ele, bendito salvador. Há pousopara o Rei em minha alma, o trono que é dEle guardo em meu coração. São dele os meus sonhos, são para Ele os meus desejos e é dEle a minha vida.

Sim, eis aí o Rei. Que Ele expulse os vendilhões do templo, os mercadores de Sua Palavra e os especuladores da fé. Que Ele vire as mesas dos cambistas da religiosidade mágica e do misticismo antiético. Que Ele confunda a mente dos fabricadores das teologias espúrias, fabricadas no laboratório do inferno, que iludem, ludibriam e enganam. Que prevaleça a Sua palavra, que “goteje a Sua doutrina como a chuva” na terra sedenta de nossa existência, tão carente de significado, rumo e direção.

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador humilde… montado num jumentinho”.Bendita a cria de jumenta, animal de carga, que levou no seu dorso um peso paradoxal. O mais leve de todos e também o mais pesado. Leve porque o Rei não trazia em si nenhum pecado, nenhum que fosse seu, seu de fato. Pesado porque aquele seria o primeiro passo da última semana, os últimos seriam dados pelo próprio Rei-sofredor, sob suas próprias pernas, através da via dolorosa até chegar ao calvário. Pesado também porque todo o peso do nosso pecado estava sobre Ele.

“Rei”. Deferências ao Rei que entrou triunfantemente em Jerusalém. Deferências ao Rei que morreu humildemente na cruz do suplício. Deferências ao Rei que ascendeu gloriosamente ao trono de Deus. Deferências ao Rei que há de vir para julgar vivos e mortos.

Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor. “Vem, Senhor Jesus!”.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Siga a Jesus

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há muitos seguidores que seguem alguém nesta vida. Há seguidores de líderes fanáticos, de ditadores lunáticos, de revolucionários, de idealistas, de filósofos, de cientistas e de ocultistas. Há seguidores de gente boa e de gente desvairada. Há seguidores que seguem sem saber para aonde estão sendo levados e há seguidores bem conscientes do rumo traçado. Há quem siga uma rota segura e também há quem siga o caminho do vento que muda facilmente de direção. Há seguidores de profetas tresloucados, de pregadores sem conteúdo, armados de palavras lisonjeiras, que iludem e não levam a lugar algum. Mas há quem siga de perto o bom conselho, o juízo verdadeiro, a palavra bem falada e o caminho clareado pela luz da verdade.

Em última instância, todos nós seguimos ou o bem ou o mal. Seguimos pela senda estreita ou pelo caminho largo. Seguimos pelo curso deste mundo ou somos contados entre aqueles que se converteram, mudaram o foco, e agora nadam contra a correnteza. Há quem siga o conselho do ímpio, a sugestão do malfeitor e a voz do maligno. Mas, por outro lado, há quem siga a voz de uma consciência sem culpa, da direção da Palavra de Deus e da instrução do Espírito Santo. Há seguidores dos que convidam ao pecado, à luxúria e ao consumismo e há seguidores dos que ensinam com prudência e orientam com diligência. Há seguidores do mundo, da carne e do diabo e há seguidores de Cristo.

O próprio Jesus convida a todos para segui-lo. Alguns ouviram este convite e o seguiram alegremente. Dentre estes, destacamos Mateus, também conhecido como Levi, que em um dia qualquer de sua vida, sentado na coletoria, ouviu o Mestre lhe dizer: “Segue-me!”. E ele naquele instante se levantou e o seguiu (Mt 9.9). Mencionamos também o exemplo de Filipe que respondeu de pronto quando o Salvador lhe disse: “Segue-me” (Jo 1.43). Assim, um a um, todos os discípulos de Cristo ouviram à sua voz e o seguiram (Jo 10.27). Mas nem todos os que o ouviram dizer “segue-me” o seguiram de fato. Um dos exemplos mais conhecidos foi o do jovem rico que se retirou triste e não atendeu ao chamado de Jesus (Lc 18.22,23). Até hoje temos sido testemunhas daqueles que o ouvem e o seguem e daqueles que o olham com desdém e se recusam a segui-lo.

O importante nessa história é que você siga a Jesus. Para segui-lo é preciso, em primeiro lugar, reconhecê-lo como Salvador e Senhor de sua vida. Além disso, é preciso obedecer ao que Ele mesmo disse em Sua Palavra. E nesse gesto imprescindível a todos nós que o amamos há um misto de exultação e consternação. Seguir Jesus é o mais fascinante projeto de vida, mas também é, no mundo presente, uma das mais aflitivas posturas assumidas. Ele traz paz à alma (Jo 14.27), mas também traz “espada à terra” (Mt 10.34). A sua mensagem é doce como mel na boca,mas amarga como fel no estômago (Ap 10.10). Isso significa dizer que seguir a Jesus é o que temos que fazer, mas significa também dizer que segui-lo aqui pode trazer sobre nós lutas, dissabores e aflições. Seguir Jesus é assim: lutas e tribulações, mas também proteção verdadeira e certeza de que Ele jamais nos deixará sozinhos (Jo 16.33; Mt 28.20).

Siga a Jesus. Ele sabe o caminho que conduz ao Pai. Aliás, Ele é o caminho (Jo 14.6). Ele vai à sua frente, livrando de todo o perigo. Se alguma tribulação chegou até você, saiba que primeiro tudo passou por Ele e Ele a fez leve em sua vida, a tal ponto que você possa suportar. E se Ele a permite em seu viver, então tudo vai cooperar para o seu próprio bem (Rm 8.28). Continue seguindo a Cristo, pois Ele mesmo, um dia, vai trocar a sua tribulação pelo eterno peso de glória, acima de toda comparação (2Co 4.17). Ele vai enxugar dos seus olhos toda lágrima (Ap 7.17; 21.4) e vai convidá-lo para fazer parte do Seu reino que se estende por toda a eternidade. Portanto, siga a Jesus. Faça isso agora e não deixe para depois. O convite é feito durante o tempo que se chama Hoje (Hb 3.13). Amanhã pode ser muito tarde.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Silêncio no monte de Deus

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O profeta Elias foi um homem extraordinário, pois ele subiu ao céu num redemoinho (2Rs 2.11); mas ele foi também um homem comum, semelhante a cada um de nós, pois esteve sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17). Elias subiu ao céu, mas também desceu na região do silêncio. Ele orou e viu a chuva cair, o fogo descer e a voz arrogante dos profetas de Baal se calar (1Rs 18.36-46), mas também se afligiu debaixo de um zimbro, fugiu sob as ameaças de uma mulher, pediu para si a morte e disse a Deus: “Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma” (1Rs 19.4).

Elias conviveu com um rei mau, com uma rainha perversa, em um tempo difícil, no meio da escassez, na aridez de uma espiritualidade vazia, idólatra e totalmente desvirtuada da lei de Deus. Elias foi a boca do Senhor em dias de corações endurecidos, de ouvidos tapados e de uma obstinada teimosia. Elias, no entanto, foi um homem de oração, de uma profunda consciência da majestade de Deus e de sua vocação profética.

Elias nunca esteve só, pois o próprio Deus estava com ele e este mesmo Deus conservou para si em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal (1Rs 19.18). Apesar disso, Elias se sentiu só. Um sentimento de solidão invadiu o seu coração, tomou conta de sua alma, perturbou as suas ideias e roubou-lhe a paz por alguns instantes. Veja a sua declaração: “Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (1Rs 19.10).

Eu particularmente gosto da maneira como Deus tratou com Elias. O anjo do Senhor foi ao seu encontro enquanto ele dormia o sono da desistência, do medo e da depressão e o anjo o tocou. Aquele visitante celestial lhe preparou um pão cozido sobre pedras em brasas e lhe deu água para beber. Elias voltou a dormir e quis novamente desistir, mas o anjo lhe tocou pela segunda vez e lhe disse: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo”. Elias levantou-se, comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites (1Rs 19.5-8).

Deus levou Elias ao monte Horebe, ou monte Sinai, o monte de Deus. Naquele lugar, onde o Senhor aparecera a Moisés numa chama de fogo (Ex 3.1,2), onde a voz de Deus soou no passado no meio de trovões e relâmpagos (Ex 19.16), agora havia uma mudança no ar. É verdade que um vento forte e tempestuoso soprou ali, mas o Senhor não estava nele. Depois do vento veio o terremoto, mas nem mesmo nele o Senhor aparecera; então veio o fogo que queima e Deus também não estava nele (1Rs 19.11-12)

A pergunta, por certo, veio ao coração de Elias: “Onde está o Senhor, o Deus de Israel, que no passado falou através do fogo, do vento e do trovão?” Então algo sensível e silencioso aconteceu. Uma brisa suave tocou a face do profeta, um cicio manso e tranquilo tomou conta do lugar e o monte se acalmou, pois Deus estava no silêncio. Naquele instante de profunda reverência o Senhor falou (1Rs 19.13). É como se Deus dissesse para Elias: “Filho, aquieta o seu coração, acalma a sua alma, e saiba que eu sou Deus”. O mundo se agitava ao pé do monte, mas ainda assim o monte era de Deus. O trono é dele e é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis (Dn 2.21).

Ouvir Deus no silêncio nem sempre é fácil. Trata-se de um exercício de fé. Há muitas vozes que tentam abafar o som do amor de Deus. Assim como aconteceu com Elias, você e eu precisamos, por assim dizer, subir ao monte de Deus para ouvir o que Ele tem a dizer no “silêncio”. Não me refiro a um monte literal, pois Deus não se preocupa mais com o lugar da adoração, mas, sim, com uma atitude de alma. É preciso também aquietar o coração, sentir a brisa, ouvir o cicio manso e suave e escutar a mensagem da salvação. É preciso orar ao Pai que vê em secreto. É preciso abrir as Escrituras Sagradas e ler nelas sobre Jesus, aquele que veio sem fazer alarde algum. Há silêncio à sua volta? Não se reocupe. O monte é de Deus e o Reino é dele também.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Se a Igreja fosse o time do coração

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Dizem que brasileiro é apaixonado por futebol, por carro e carnaval. Pode até ser que você não seja um desses apaixonados, mas temos que concordar que grande parte de nossa Nação é assim mesmo. Do carnaval ou do ritmo que o embala, alguém já disse que “quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”. De carro, nem se fala, basta olhar para as ruas, para o trânsito louco e para as concessionárias e estacionamentos. Eles estão abarrotados. Muitas garagens hoje têm dois, três ou quatro carros. Tudo isso é verdade, mas deixando de lado o carro e o carnaval, falemos de futebol. Tem gente que, por amor ao seu time, é capaz de fazer qualquer loucura. Gasta o que tem e o que não tem para assistir, ainda que seja, uma partida apenas. Nada contra, eu também tenho o meu time do coração. Mas às vezes penso que há certo exagero. Futebol, para muitos, é religião. Aliás, esta é uma boa comparação. Faço, então, aqui, uma pergunta: e se a igreja que frequento fosse o meu time do coração?

Se a Igreja que eu frequento fosse o meu time do coração eu jamais a abandonaria. Eu a trataria com respeito, eu a carregaria no peito, eu vestiria as suas cores e eu convidaria outros para que torcêssemos juntos, nos alegrássemos juntos e até chorássemos juntos por ela. Se a Igreja fosse o meu time do coração, eu estaria atento à sua agenda, eu me esforçaria para participar de seus eventos e não deixaria por nada de frequentar a sua sede. Se a Igreja fosse o meu time do coração, eu falaria dela para os meus amigos, eu ensinaria meu filho, desde a mais tenra idade, a respeitá-la e admirá-la. Eu procuraria notícias dela nos jornais, eu conheceria a sua história e eu entoaria com maior fervor os hinos cantados por ela. Sim, se a Igreja fosse o meu time de futebol, eu passaria a semana aguardando vê-la novamente, eu prepararia o meu espírito para torcer por ela e todos saberiam que eu a tenho dentro do meu coração. Se a Igreja fosse o meu time, eu poderia até não gostar de algumas coisas, mas se dependesse de mim, eu faria tudo para conservá-la na “primeira divisão”, nos primeiros lugares e, porque não, recebendo o prêmio maior, os louros da vitória.

Concordo com você, Igreja não é time de futebol. Foi apenas um devaneio de minha parte. Mas como em todo sonho há um fundo de verdade e ele se mistura com a realidade, não custa nada sonhar. Na verdade, esta comparação é fruto de um desejo. O desejo é o de que tenhamos maior amor pelas coisas de Deus. Sejamos mais envolvidos com a obra do Senhor e mais dedicados na evangelização e na propagação da mensagem da salvação. Este desejo passa também pela valorização. A Igreja não é time de futebol, mas Igreja, como o time de futebol, não vive no ar. Ela tem  necessidades  físicas e materiais.  Precisamos  contribuir com  os  trabalhos  da Igreja. É preciso ser fiel na entrega dos dízimos e das ofertas. A Igreja precisa ser honrada pelo voto que fizemos um dia: de sustentá-la moral, espiritual e financeiramente. Vivemos debaixo da égide da Igreja. Ela é como abrigo que nos acolhe nas horas de ameaça de rebaixamento. Nela temos a oração dos fiéis, que muito pode por sua eficácia. Nela temos e pregação da Palavra que pode trazer luz no fim do túnel. Igreja não é time de futebol, mas, concorda comigo, a linguagem é parecida? Então que ela seja o “time” do coração.

Não sei qual é a cor do seu time: se azul, se alviverde, se preto e branco ou tricolor. Alguém, de forma hiperbólica, disse que se sangrasse o seu coração o sangue verteria a cor de sua paixão. Tudo isso, diria o sábio do passado, é “vaidade e correr atrás do vento”. Mas, e a Igreja? Ela é aquela sobre a qual Jesus disse: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Com todo respeito do mundo, eu diria, então, que a Igreja é o Time de Deus. Ela pode passar por momentos difíceis, caminhar por trilhas estreitas, mas jamais pode ser dito dela que ela cairá para o rebaixamento eterno longe de Deus. Pelo contrário, a vitória será sempre do Senhor da Igreja que a tratará como “Igreja Gloriosa”, como Seu “Time” do coração.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de  Lavras (MG)