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Heróis silenciosos

Por Diego Nascimento*

Todos anos, a mídia faz questão de enaltecer a personalidade do ano eleita pela famosa
Revista Times. Publicada originalmente nos Estados Unidos, mas com leitores em escala
mundial, o antigo semanário é tão prestigiado que aparecer na capa é um prêmio similar ao Oscar. Concordo que há nomes merecedores das mais diversas homenagens, porém, saiba que muitos heróis silenciosos deixaram a sua marca ou ainda são protagonistas de lindas histórias de sacrifício pelo Brasil afora. É sobre eles que quero falar.

A humanidade tem o hábito de romantizar a vida. Digo isso no sentido de apenas ostentar os bons momentos e praticamente ignorar cada gota de suor derramado para que haja o bem-estar. Ao ler o livro de Atos, capítulo 42, percebemos em detalhes “Como viviam os convertidos.” O estilo de relacionamento daquele povo envolvia o sustento na tristeza e na alegria, no entanto, a atualidade mostra que a cada dia perdemos a essência de valorizar atos maravilhosos e originados de pessoas simples, que em muitos casos mal sabem assinar o próprio nome e são muito mais dignos do que alguns que colecionam certificados e diplomas.

É o caso do senhor semianalfabeto que não perde tempo em reunir um grupo de ouvintes para falar do amor de Cristo (mesmo debaixo de um sol escaldante), daquele pastor simples que mesmo sem um carro pega a bicicleta e sai a visitar os oprimidos, da jovem que desconhece a hipocrisia e “transpira” o Evangelho por meio da fala e das ações, dos missionários holandeses no interior do Paraná que discretamente semearam a Palavra e a Educação, do evangelista que ministra o estudo bíblico, muitas vezes à luz de velas, por causa da inexistência de energia elétrica … eu poderia lançar uma enciclopédia listando nomes e digo que não seria suficiente para todos os registros onde a simplicidade continua a impactar o cotidiano de muita gente.

Enfim, o próprio Jesus será sempre a maior referência de quem opera em meio ao silêncio. É claro que toda a sua jornada entre nós é hoje tema de documentários, filmes, reportagens e livros. Seu período 33 anos conosco não foi marcado por uma fase em busca de holofotes, mas por ações miraculosas e discretas. Hoje, Cristo está à direita do Pai e virá nos buscar. Para ELE, o nosso coração transformado é que importa!

  • Diego Nascimento é presbítero da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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O Evangelho e a NASA: como a Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras foi parar na Lua?

Por Diego Nascimento

Década de 1950. O cientista cristão John Maxwell Stout chega ao Brasil para atuar como docente no então Instituto Gammon. Acompanhado da esposa Mary Helen e do filho, aquele homem de origem texana e que sempre andava pelas ruas de Lavras protegido por seu chapéu de cowboy seria o responsável por um dos feitos que revolucionaria a engenharia aeroespacial em plena Guerra Fria. Mas qual a ligação da Primeira Igreja Presbiteriana com essa lendária figura humana?

Stout nasceu aos seis dias do mês de dezembro de 1922 na pequena cidade de Handley. Criado em um ambiente rural e dentro de uma família cristã, o pequeno John “Cresceu em estatura e graça diante de Deus e os homens” – uma alusão ao que encontramos sobre Jesus no livro de Lucas, capítulo 2, verso 52. Mais tarde, ainda na juventude, Stout ingressou na Texas A&M onde alcançou o bacharelado em Engenharia (Física/Química). Durante a Segunda Guerra Mundial, serviu o Exército Americano tendo, inclusive, desenvolvido um dos primeiros tubos à vácuo como meio de comunicação. Foi nesse período que se feriu enquanto desmontava uma arma inimiga e recebeu dos médicos um prazo de vida de, no máximo, mais dez anos. Sua dedicada conduta fez com que recebesse o convite de continuidade no Exército, mesmo após a guerra, sob o título de Coronel. Stout se recusou a seguir a carreira militar e optou pelo serviço missionário passando pela China e pelo Brasil.

Depois de ouvir que uma escola presbiteriana no interior de Minas Gerais precisava de professores para as cadeiras de Química e Física, o cientista cristão migrou para Lavras e assumiu a docência no Instituto Presbiteriano Gammon e na Escola Agrícola de Lavras (Esal), hoje Universidade Federal de Lavras (Ufla). Ficou conhecido como o “Professor Pardal” em virtude das engenhocas que sempre criava para as aulas práticas na educação básica e superior. Em 1957, no ápice da Guerra Fria, John Stout juntou algumas sucatas e construiu uma máquina fotográfica que mudaria a sua história para sempre: na presença de alunos e curiosos localizados à porta do Prédio Álvaro Botelho (Museu Bi-Moreira), aquele servo de Deus fez as primeiras imagens do satélite artificial Sputnik em órbita terrestre. Os cálculos da trajetória do objeto foram feitos com informações de lançamento e posição divulgadas pela Rádio Moscou (Sim, Stout era poliglota). Em poucos dias a foto do cientista estava estampada nos principais jornais do país até que foi convidado pela NASA a retornar aos Estados Unidos e integrar a equipe da Missão Apollo, onde fundou um grupo de oração, atuou como capelão da Agência Espacial e foi responsável pelo envio da primeira Bíblia à Lua.

Vale ressaltar que Stout era cristão presbiteriano e durante sua vida em Lavras foi membro ativo da Primeira Igreja Presbiteriana. Seu carinho pelos irmãos e Igreja era tanto que, na década de 1970, John produziu um microfilme onde registrou nomes de personalidades e instituições que, na opinião dele, tinham destaque. Além da Bíblia, o pequeno objeto também seguiu viagem rumo ao espaço e, descansando no solo lunar está a famosa lista onde também se lê: Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras. E assim fomos parar na Lua.

Enfim, somos uma Igreja missionária. Recebemos evangelistas e preparamos obreiros e aspirantes ao sagrado ministério. A presença de John Maxwell Stout em nossa trajetória eclesiástica evidencia a responsabilidade que temos de atender ao “Ide por todo mundo, pregai o evangelho a toda criatura.” Marcos 16:15. Jamais “terceirizemos” o dever que há em impactar vidas por meio da Palavra. Façamos a diferença!

Nota do autor: John Maxwell Stout faleceu aos 94 anos em 2016.

  • Diego Nascimento é presbítero da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Sedentarismo cristão

Por Diego Nascimento*

Faz poucos dias que visitei o hospital em virtude da pressão arterial. Por alguma razão, fui presenteado com uma enxaqueca e outros sintomas que colocariam o mais ávido atleta no chão. Diante do médico, o que eu mais suspeitava veio à tona: meu sedentarismo (eu havia retornado aos exercícios físicos, mas parei nos últimos meses) contribuiu e muito para alguns minutos de permanência na enfermaria. Apesar de recentemente ter entrado na casa dos “trinta anos…”, o organismo necessita de equilíbrio e cuidado e, por isso, já remodelei minha agenda para minha tradicional caminhada.

O fato acima é recente e serve de ilustração para nosso cotidiano espiritual. Muitos irmãos fazem parte do que chamo de “Sedentarismo cristão.” Optam por ficar acomodados apenas recebendo o alimento da Palavra, mas não colocam em prática os ensinamentos. Além disso, perdem a grande oportunidade de partilhar o Evangelho por meio do estilo de vida ligado ao que Jesus nos ensina. Cristianismo é teoria e prática, ação e reação dentro e fora dos portões da igreja.

Esse cenário cada vez mais comum na atualidade, fez-me lembrar de um contraponto que ficou marcado na história: os moravianos. O grupo foi um dos maiores exemplos de dinamismo em prol do nome de Deus. Entre os vários feitos, cito o despertamento missionário nacional e internacional envolvendo pessoas simples e a famosa reunião de oração que, ao longo de 100 anos, aconteceu 24 horas por dia de forma ininterrupta. Os documentos também apontam que muitos cristãos dessa comunidade se venderam como escravos para salvar vidas.

No livro de Mateus, capítulo 7, verso 26 e 27, lemos o seguinte: “E aquele que ouve estas minhas palavras, e não as cumpre, compará-lo-ei ao homem insensato, que edificou a sua casa sobre a areia; e desceu a chuva, e correram os rios, e assopraram ventos, e combateram aquela casa, e caiu, e foi grande a sua queda.” Cristo é bem direto ao relatar os efeitos da apatia espiritual. Vivemos em comunidade e atitudes individuais impactam todo o grupo, sejam elas quais forem.

E você que está lendo o artigo agora: se considera um cristão ativo ou sedentário? Tem sentido os sintomas da acomodação? Ainda há tempo de iniciarmos um tratamento que reverterá todo o quadro, mas o primeiro passo é reconhecer a necessidade de auxílio. Resumindo: jogar o orgulho e a arrogância pela janela.

Nota do autor: já estou com a saúde física em dia e ciente do retorno aos exercícios físicos e da dieta balanceada.

  • Diego Nascimento é presbítero da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

O natal e a rua encantada

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Primeiro, descrevo a rua que chamo de encantada. Não falo de feitiço, agouro ou quebranto na rua, mas da magia que a torna maravilhosa. Aponto o seu brilho que seduz os olhos de transeuntes, do seu clima de festa que convida velhos e crianças a transitarem por ela. Na sua calçada há carrinhos de pipoca e cachorro-quente, algodão-doce e maçãs do amor. O vendedor da esquina que anuncia o preço do produto da loja ao lado e o concorrente que insiste em dizer que o dele é mais barato. A rua está enfeitada com figuras do Natal: sinos, laços, bolas e pinheiros. Há “anjos” pendurados nos postes de iluminação, com auréolas na cabeça e clarins nas mãos.

 A rua encantada é saudade. Na janela do sobrado, debruçada e olhando o movimento de pés que correm céleres, uma senhora de cabelos brancos observa o movimento. Ela recorda os tempos idos de boas lembranças, os natais passados e como era boa e tranquila a cidade onde ela crescera. Saudades de outrora quando ela podia sair de casa e caminhar sem o perigo dos carros velozes e das motocicletas que ziguezagueiam fazendo perder o rumo e a direção de quem simplesmente tenta atravessar para o outro lado. A rua faz recordar, rememorar e sonhar o sonho de quem era feliz e não sabia.

A rua encantada é prenúncio. No espaço reservado para o coro da Igreja, no solo de criança ouve-se a melodia da música natalina. No sorriso de quem parou para ouvir, nos olhos atentos de quem acompanha o festejo e no rosto alegre de quem canta a canção antiga, a rua é esperança. Por breve tempo o som que vem do céu acalma o coração. Sereno e tranqüilo nos faz lembrar que “o dom glorioso, divinal, nenhum estrondo faz”. Por isso a rua é prenúncio. É prenúncio de vida eterna, de alamedas de ouro puro e finas jóias, de ausência de lágrimas nos olhos e da dor que faz sofrer a alma. O Menino-Deus nasceu para plantar no coração do que crê uma paz que não tem fim.

A rua encantada é convite. Na rua que descrevo agora, não falo de cartões de crédito, crediários e prestações sem fim. Não ouço a voz de megafone e nem do som de última geração. Não acredito na propaganda que promete felicidade ou na outra que garante satisfação. O convite da rua é reflexão. É Natal, e como diz a canção dos meus tempos de moço: “no Natal a gente sempre agradece por Jesus ter nascido em Belém”. Canção que se completa com a frase seguinte: “Mas nem sempre se lembra na prece que Ele nasce na gente também”. O convite da rua é fé. Fé no Filho de Deus que veio salvar e buscar o perdido. Fé na suficiência de Cristo que perdoa os pecados todos.

Mais do que um sonho de um simples artista, muito mais do que o discurso de um idealista, a rua encantada precisa ser também lugar de solidariedade. Que não haja nela o “grito de lamento”, que não se ouça nela a voz dos excluídos e que não andem por ela os espoliadores do povo, os que suspiram pelo “pó da cabeça do pobre” e os que fazem leis que beneficiam a si próprios. Que a rua conserve em nós o encantamento de continuar elevando a Deus a nossa prece, de ser feita a vontade do Pai no céu e também aqui na terra.

A rua é saudade, prenúncio, convite e solidariedade. A rua é a vida. Todo o encanto que ela tem começa no coração de quem crê e no gesto de amor e gratidão.Todo o encanto dela é porque o Natal existe, é “porque um menino nos nasceu, um filho se nos deu; o governo está sobre os seus ombros; e o seu nome será: Maravilhoso Conselheiro, Deus Forte, Pai da Eternidade, Príncipe da Paz” (Is 9.6).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

A Bíblia

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A página oficial da Sociedade Bíblica do Brasil registra o seguinte histórico sobre o Dia da Bíblia: “Celebrado no segundo domingo de dezembro, o Dia da Bíblia foi criado em 1549, na Grã-Bretanha pelo Bispo Cranmer, que incluiu a data no livro de orações do Rei Eduardo VI. O Dia da Bíblia é um dia especial, e foi criado para que a população intercedesse em favor da leitura da Bíblia. No Brasil a data começou a ser celebrada em 1850, quando chegaram da Europa e EUA os primeiros missionários cristãos evangélicos. Porém, a primeira manifestação pública aconteceu quando foi fundada a Sociedade Bíblica do Brasil, em 1948, no Monumento do Ipiranga, em São Paulo (SP).

E, graças ao trabalho de divulgação das Escrituras Sagradas, desempenhado pela entidade, o Dia da Bíblia passou a ser comemorado não só no segundo domingo de dezembro, mas também ao longo de toda a semana que antecede a data. Desde dezembro de 2001, essa comemoração tão especial passou a integrar o calendário oficial do país, graças à Lei Federal 10.335, que instituiu a celebração do Dia da Bíblia em todo o território nacional.

Hoje, as celebrações se intensificaram e diversificaram. Realização de cultos, carreatas, shows, maratonas de leitura bíblica, exposições bíblicas, construção de monumentos à Bíblia e distribuição maciça de Escrituras são algumas das formas que os cristãos encontraram de agradecer a Deus por esse alimento para a vida”.

A Fé Reformada defende a suficiência das Escrituras Sagradas. Só a Bíblia é a Palavra de Deus. Com isso, defendemos a importância da leitura, do estudo, da meditação e da obediência incondicional às Escrituras Sagradas do Antigo e do Novo Testamentos. Com isso, também, rechaçamos e consideramos perniciosas toda a doutrina e prática contrárias ao ensinamento bíblico. Os reformadores foram contra a tradição da igreja que não possuía respaldo na Bíblia e foram contra também novas pretensas revelações que tornavam as Escrituras irrelevantes e dispensáveis. Ainda hoje, a igreja verdadeira crê e defende tais princípios. Deus fala por meio de Sua Palavra escrita conforme a temos em nossas mãos, composta, diante de fiéis e relevantes asseverações, dos sessenta e seis livros – trinta e nove do Antigo Testamento e vinte e sete do Novo Testamento.

A Bíblia é hoje o livro mais publicado no mundo. Mas nem sempre foi assim. Houve períodos na história em que ela existia somente para o uso restrito do Clero e nas versões grega, hebraica e em Latim. Traduzi-la para o vernáculo popular era considerado crime passível de pena-de-morte. Alguns heróis da fé foram queimados vivos por terem cometido este “crime hediondo”. Um dos grandes legados de Martinho Lutero e de seus pares foi a tradução da Bíblia para o Alemão. Muitos acompanharam o seu empenho e em pouco tempo a Bíblia foi traduzida para diversas línguas. Hoje, pela graça de Deus, há várias versões relevantes e esclarecedoras do texto sagrado e há Bíblias de diferentes formatos, cores e tamanhos.

No Brasil do final do Sec. XIX e início do Sec. XX houve oposição àquela que era conhecida como a “Bíblia dos Protestantes”. Algumas cidades onde o catolicismo tradicional imperava houve queima de Bíblias em praça pública. Crentes eram criticados por carregarem a Bíblia debaixo do braço e muitos recém-convertidos ao evangelho eram obrigados a ler as Escrituras escondidos. Hoje, talvez, a oposição à Bíblia tenha tomado contornos diferentes. Ela pode até aparecer aberta e exposta em alguns lugares públicos e nas residências, mas ela tem sofrido ataques impiedosos de pessoas que se dizem intelectuais, daquelas que se consideram acima da verdade e de pecadores inveterados que procuram descartá-la da vida a fim de justificarem os seus próprios erros. Tudo isso tem acontecido, mas o que é pior é que os próprios crentes não conhecem a Bíblia, tratam-na como um livro mágico e não a tem mais como “Lâmpada para os pés e luz para o caminho” (Sl 119.105).

Que Deus nos ajude a voltarmos para as Escrituras e amarmos a Sua Palavra de todo o nosso coração. Que a Bíblia continue sendo para cada um de nós a única regra de fé e prática.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Hoje a festa é DELE

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A canção nos diz que:“Hoje a festa é sua, é nossa, é de quem quiser e de quem vier”. Pode ser, pois há lugar à mesa, o banquete é farto, a sala é grande e os convidados são muitos. Há espaço para ricos e pobres, pequenos e grandes, ilustres convidados e gente desconhecida. O cardápio é variado, mas singular. Não há iguarias nas travessas e nem manjares nos pratos. A comida é diferente, pois quem dela come não mais terá fome e a bebida que se bebe mata a sede para sempre.

Nessa festa, o prato de entrada é o perdão e a sobremesa é a alegria. Come-se também, com fartura, boa medida de esperança, amor e graça. Não há ninguém que tendo entrado na festa que não seja bem servido, pois quem serve é o próprio Senhor da festa e dono da casa. É Ele quem lava os pés dos convivas, quem provê roupas novas e limpas e quem reveste de honra aos presentes. Ele estende a mão ao cansado, abraça o peregrino e com sorriso no rosto recebe cada um de seus pequeninos. Ele apaga a poeira que ficou incrustrada na alma, limpa a sujeira que se prendeu no coração e renova a mente,outrora de lembranças amargas, colocando nela pensamentos de paz.

A festa é de quem vier. Mas, tristemente, muitos rejeitam o convite. Querem o que é servido na festa, mas não gostam do anfitrião. Chegam a tecer elogios, de longe, sobre a pessoa dele, mas acham lúgubre a maneira como ele age. Talvez o cálice dele seja muito amargo, a porta que dá acesso à sala do banquete não seja atrativa e o caminho que leva ao interior da casa seja estreito demais.

Além disso, há outras festas que concorrem com a dele. São festas que prometem muita alegria também. Mas todas elas não terminam bem, pois a alegria acaba no meio da festa, fica na alma um gosto de fel e na mente a semente da ilusão. Tem-se ainda a sensação de que no apagar das luzes ou no alvorecer de um novo dia sobrará um tempo que resta para se espiar a festa. Mas a porta que leva à sala onde ela acontece não ficará para sempre aberta, à disposição de quem quer que seja. Ela se fechará um dia e jamais se abrirá novamente por toda a eternidade. Assim, a festa é sua e a festa é minha se você e eu aceitarmos o convite, pois, na verdade, a festa é dele.

A festa é daquele que pôs a mesa no seu jardim. Daquele que convidou logo cedo o sol para aquecer a terra, que mandou a chuva para fazer crescer a relva e que abre as mãos para que todos os que respiram se fartem de bens. Ele é aquele que chama as estrelas pelo seu nome, que pôs nas águas divisas que não ultrapassarão para que não mais tornem a cobrir a terra. É Ele mesmo quem voa nas asas do vento e faz da brisa suave e mansa o toque que segreda ao coração verdades inefáveis do seu amor, cuidado e proteção.

A festa é daquele diante de quem os anjos se dobram, os serafins se ajoelham e os querubins rendem todo o seu louvor. Sim, a festa é dele. A festa é daquele que, apesar de toda a sua glória, fez a sua opção pela história humana. Desceu do seu trono, se esvaziou de si mesmo, despiu-se de sua majestade e trocou o manto real pelos panos que o envolveram numa manjedoura. Aquele que sendo rico se fez pobre, sendo Senhor se fez servo, e sendo Deus se fez homem.

O nome dele é Jesus. Ele nasceu em Belém da Judéia. Na verdade, Ele já existia antes, pois todas as coisas foram criadas por meio dele e para Ele e sem Ele nada do que foi feito se fez (Jo 1.3). Ele veio para abrir a casa e dar a festa (Lc 14.15-24). E se hoje andam cantando por aí que a “festa é nossa e é de quem vier”, é bom lembrar que, na realidade, a festa é dele, ela se chama banquete da salvação e o bilhete de acesso que dá direito de entrar é a fé. Portanto, não fique de fora, meu amigo. Creia em Cristo e venha para a festa que é DELE.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

“Que queres que eu te faça?”

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Bartimeu, cego mendigo, filho de Timeu, estava assentado à beira do caminho, quando ouviu o tropel da multidão vindo em sua direção. Alguém lhe informou que passava por ali, naquele instante, Jesus, o Nazareno. Bartimeu, então, a plenos pulmões, soltou o seu grito de clamor: “Jesus, Filho de Davi, tem compaixão de mim!” Muitos que estavam por perto, pensando, quem sabe, em proteger o Mestre, repreenderam o cego para que se calasse e não importunasse Jesus. Mas Bartimeu não obedeceu e cada vez mais alto ele gritou: “Filho de Davi, tem misericórdia de mim!” (Mc 10.46-48).

Esta história, narrada nos Evangelhos de Mateus, Marcos e Lucas nos fala, não só sobre a necessidade de um homem à beira do caminho, perto de Jericó, mas também da compaixão, da atenção e da misericórdia de Jesus. Quando o Senhor o ouviu gritar daquela maneira imediatamente mandou que lhe trouxessem o cego e aqueles que antes tentavam calar a voz do mendigo agora se viram na obrigação de encaminhá-lo até o Mestre. Aliás, foi assim que Bartimeu se dirigiu a Jesus. Ele o chamou de “Rhabboni” (Grande Mestre) dando a Jesus honra e primazia.

O que nos surpreende nesta história é que Jesus se deteve em sua caminhada, mandou chamar o cego e lhe perguntou: “O que queres que eu te faça?”. Bartimeu não era cego de nascença, por isso ele pediu: “Mestre, que eu torne a ver”. O homem, então, foi curado não só de sua cegueira física, mas também de sua cegueira espiritual, pois Jesus lhe disse: “Vai, a tua fé te salvou”. A fé de Bartimeu, fruto de sua convicção acerca de Jesus, foi posta em prática e exercitada naquele que cura, liberta e salva.

Talvez seja importante dizer que todos nós, como Bartimeu, estamos, por assim dizer, à beira do caminho. Há um barulho das massas que nos confunde, nos atordoa, mas que que pode nos chamar a atenção. É possível que o mau conselho dos ignorantes tente nos calar e fazer emudecer a nossa voz. Mas que nada nos impeça de gritar cada vez mais alto: “Jesus, filho de Davi, tem compaixão de mim”. É certo que nesta hora o Senhor atenderá o clamor e ouvirá a voz do suplicante e Ele mesmo há de perguntar: “O que queres que eu te faça?”

Esta é a pergunta, portanto, que deve ser respondida por cada um de nós. Ele pergunta porque Ele quer ouvir a nossa confissão. Ele pergunta porque quer que manifestemos a nossa necessidade. Ele pergunta porque Ele sabe que sem a sua ajuda nada somos e nada podemos fazer. Ele pergunta porque Ele quer que depositemos nele a nossa fé. Ele pergunta porque Ele não anula a nossa responsabilidade. Ele pergunta porque a nossa resposta revela assim a nossa mais profunda e real carência: a cura da alma e do coração.

Tristemente muitos têm respondido à pergunta de Jesus pensando somente no bem-estar físico ou prosperidade material. Não querem ouvir de Jesus que a fé salvou, mas que a fé curou e foi somente isso que ela fez. Por trás do pedido de Bartimeu havia uma convicção de quem Jesus era e uma entrega persistente. Ele havia reconhecido que Jesus era o Messias prometido. A fé daquele homem fora, portanto, uma fé salvadora naquele que é o único e suficiente salvador. Aquele cujo nome está acima de todo nome.

Se hoje Jesus lhe fizer a mesma pergunta que ele fez um dia para o filho de Timeu, à beira do caminho na estrada de Jericó, eu espero que você peça muito mais do que aquilo que resolva um problema imediato seu. Peça para Ele salvação. Se você já a tem, pois já se encontrou com Ele em outra situação, então peça a salvação para aqueles que estão à sua volta. Se Jesus lhe perguntar sobre o que você deseja que Ele lhe faça agora, peça pela vinda do Reino de Deus e para que o próprio Jesus manifeste hoje a sua glória.

Talvez, como parte do propósito soberano do Senhor, Ele também lhe dê a cura de seus “olhos”, mas isso nada é diante do maior milagre da vida: a salvação eterna. Bartimeu seguiu Jesus louvando ao Senhor estrada fora (Mc 10.52). Esta é a cura que você e eu precisamos.

*Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)