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A nota fora do tom

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há bem mais de vinte anos, dez jovens participavam de uma gravação de um musical que estava sendo preparado para o Natal. Eles faziam parte de um conjunto de sinos chamado Musicata de Louvor. Cada sineiro controlava de dois a três sinos e cada sino correspondia a uma nota musical.

Um dos sineiros estava particularmente entediado com uma música em particular, pois ele tocava, na canção referida, apenas uma vez, uma nota só, a última, por sinal.Durante a gravação ele ficava ali assentado, aguardando a sua vez. O estúdio de gravação era simples, precário e não havia, naquele tempo, os recursos modernos de hoje. Por isso não se podia errar. Quando um erro acontecia tudo voltava ao início. Gravar uma música demorava horas e o musical, vários dias.

Aquela música, especialmente entediante para aquele tal sineiro, estava exigindo um esforço redobrado dos demais. A regente, com toda a sua capacidade e empenho, dava o melhor de si e exigia de todos uma perfeição quase que absoluta. Depois de horas, quando finalmente a gravação caminhava para o final e aproximava o momento da nota derradeira, orgulhosamente o jovem pegou o sino, se posicionou e, seguindo cuidadosamente a pauta em suas últimas linhas, tocou sem destemor.

Foi um arraso total. O ritmo estava certo, o tempo também, mas a nota estava trocada, foi a nota fora do tom. Não precisa nem dizer que todos o olharam com olhar fulminante e só não lhe expulsaram dali porque a gravação precisava continuar. Tenho a impressão que o tal sineiro aprendeu uma lição, ou, quem sabe, duas ou três. Mas uma delas, talvez a mais importante, foi a de que uma nota fora do tom pode estragar toda a melodia.

Acho que daria uma boa metáfora esta história. Uma metáfora que serve para a vida, mas que se aplica, particularmente, aos nossos relacionamentos como igreja do Senhor Jesus. Eu diria, então, que somos como uma linda partitura, escrita pelo divino artista. Somos também como um poema de uma nova criação (Ef 2.10). Este Artista deu a cada um de nós, por assim dizer, uma nota musical. Alguns controlam duas e até três, outros, no entanto, apenas uma.

O divino artista as dispôs assim. Em sua mente e coração, ele escreveu tudo com perfeita harmonia e sonora melodia. Lá de sua morada, ele escuta o som que tocamos aqui. Às vezes, a música é bela e harmoniosa, outras, no entanto, simplesmente não se ouve absolutamente nada ou apenas um barulho como “bronze que soa ou como o címbalo que retine” (1Co 13.1).

Há algumas razões para que isso aconteça. Há “sineiros” que são orgulhosos e cheios de si, se acham indispensáveis e não gostam de tocar uma nota só. Reclamam do autor da partitura e, simplesmente, não desejam cooperar. Estão preocupados com as regras, com as voltinhas minuciosas das notas em suas pautas e se esquecem de olhar para as próprias mãos. Falta-lhes o essencial: o amor.

Outros, só conseguem ouvir os erros e as falhas da música tocada, criticam os regentes e abandonam a gravação no meio. Gente assim sai procurando outros “estúdios” mais modernos, onde, na opinião deles, serão bem aceitos e valorizados. Afinal, para estes, o estúdio onde estavam, está ultrapassado e obsoleto e eles são bons demais para desperdiçarem seu talento ali.

Uma nota, apenas uma, fora do tom, estraga toda a melodia. Sendo assim, cada uma é importante e nenhuma pode ser desprezada. Todas precisam tocar juntas, pois uma depende da outra. Quando isso acontece, o divino artista se alegra e as notas também ficam satisfeitas.

Na verdade, a música é bela, não só para quem ouve, mas, principalmente, para quem toca. Além disso, é preciso sempre lembrar que os outros “estúdios” são iguais. O que fará sempre a diferença é a humildade de se dispor nas mãos daquele que pode fazer novas todas as coisas e o amor que permanece eternamente (leia 1Co 12 e 13).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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Sou moço

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O salmista disse certa vez: “Fui moço e já, agora, sou velho”. Embora a ênfase do texto seja no amparo e no cuidado de Deus sobre a vida dos justos, o autor de tais palavras reconhece que teve uma época em sua vida em que foi moço e esse tempo era passado. Ele foi moço, sim, e viu muita coisa acontecer debaixo do sol. Só não viu um filho de Deus ser abandonado ouentregue à sua própria sorte.

O Senhor sempre esteve ao lado dos seus, e jamais pode ser dito que Ele algum dia os tenha desamparado. Mas nessas simples palavras, talvez seja importante lembrar que a vida é assim: passageira, transitória, momentânea e efêmera. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos dizer um dia: “Fui moço”. O tempo é implacável e os anos voam como um breve pensamento. O vigor da juventude é como uma neblina que aparece pela manhã e logo se dissipa e vai embora. “A juventude e a primavera da vida são vaidade” (Ec 11.10). Ao usar tal expressão, não me dirijo àqueles que já foram moços um dia, mas aos que podem dizer agora: “Sou moço” ou “Sou moça”. Estes são aqueles que estão na flor da idade, que fazem parte da mocidade, que já passaram pela infância, que ainda não chegaram aos cabelos brancos, aos anos pesados, à vida cansada e aos dias extenuantes. A mensagem é para quem vive entre os dezoito e os trinta e cinco anos, um pouco mais ou um pouco menos.

Esse é um tempo de construir os sonhos, de tomar decisões que refletem por toda vida, de traçar o rumo e de definir o norte. É normalmente durante esses anos que o jovem escolhe a sua profissão, se casa e arruma um emprego. Ainda que outra direção possa ser tomada depois, nada supera o que foi feito, decidido ou escolhido no tempo mencionado acima. Andam dizendo por aí que muitos estão “esticando” esse tempo, que há adolescentes com mais de vinte anos de idade e que há adultos que não querem abrir mão da juventude.

Não importa o limite de idade, mas, sim o que andam fazendo na mocidade. Fico feliz ao ver que há jovens solidários, responsáveis, engajados em seu tempo, politicamente corretos, ecologicamente preocupados, sonhadores e dedicados. Há jovens que são excelentes em seus empreendimentos, eficientes em seu trabalho, inteligentes em seus feitos e especialmente ágeis em seus raciocínios. A maioria é tecnologicamente antenada e possui perspicácia em suas decisões. Os jovens hoje são rápidos demais e estão conectados vinte e quatro horas por dia.

Sem dúvida alguma, há muito o que dizer de positivo dos moços e moças do nosso tempo.
No entanto, há preocupações também. Na cabeça de muitos, as imagens são desconexas, não tem sobrado tempo para a reflexão. A concentração anda prejudicada e a impaciência toma conta. Alguns, por isso, têm perdido a capacidade de curtir uma boa música de conteúdo e de letra profunda. Outros, também, por esta e outras razões, têm banalizado a arte e a poesia. Lamenta-se também o desprezo pela história passada e o desdém em relação ao que é antigo e conservador. O pior, no entanto, é o que anda acontecendo no campo da moral e da espiritualidade.

Há muitos moços e moças que vivem uma “liberdade” ilusória. Acreditam que o certo é determinado pela vontade própria, pela felicidade momentânea e pelo prazer imediato. Alguns têm caído no relativismo ético e, o que é mais trágico ainda, têm descartado Deus de suas vidas. Há um ateísmo prático, que deixa o Senhor Jesus de fora, que o exclui das decisões e que o elimina das horas quando se busca diversão e o entretenimento. Não são todos, é verdade. Mas são muitos. Há muitos moços e moças querendo ficar ricos, mas não ricos para com Deus. Há milhares que desejam dias melhores, mas não buscam um coração transformado pelo Evangelho de Cristo. Querem a paz, mas, contraditoriamente, abrem mão de se relacionarem  com o “Príncipe da Paz”.

Se você pode dizer: “sou moço (a)”, então lhe dou os parabéns. Curta a sua vida! Mas eu também lhe recomendo: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Ec 12.1).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Eu creio, sim!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Uma das belas canções cristãs, traduzida para o português, eternizada na voz do cantor Luiz de Carvalho, diz assim: “Creio em ti ao ver que a chuva cai e faz a flor nascer. Creio em ti, pois sei que enquanto é noite aqui, é dia ali. Creio em ti porque me deste o riso e a dor, me deste o amor, o teu amor. Creio em ti, creio em ti. Se a paz sobre nós seu véu tecer, eu creio em ti. Se a tempestade a terra abalar eu creio em ti. Cada vez que neste mundo eu escutar alguém cantar, alguém chorar. Direi então: Creio em Ti!”.

Talvez seja importante dizer que mesmo sabendo que é preciso confiar e que a fé independe das circunstâncias, como sugere a música, crer não é algo tão simples assim. Às vezes, é muito difícil crer. É difícil principalmente quando é “noite” aqui. Quando a escuridão atinge a vida, quando os olhos se escurecem para a luz da aurora, quando o coração se adoece diante do medo das sombras da tenebrosidade e a fé claudicante não consegue se por de pé ou enxergar uma luz, qualquer que seja. É difícil crer, sim. É difícil crer quando a dor aguda traspassa a alma, quando a tempestade se agiganta diante das nossas vistas e as vagas procelosas afogam os nossos sonhos. É difícil crer quando as lágrimas do desespero marejam os nossos olhos, quando o chão é tirado de sob os nossos pés ou quando nuvens de escuridade se formam sobre a nossa cabeça. É difícil crer.

  É difícil, mas é preciso. Por isso é necessário dizer: eu creio, sim! Crer não é fraqueza, languidez ou fuga cega diante dos desafios, mas é depositar em Deus e no

seu Cristo a confiança e não desesperar diante das lutas e revezes. Crer é afirmar que o universo, a vida e a história estão em boas mãos, em santas mãos. Crer é dizer como disse o salmista: “Portanto, não temeremos ainda que a terra se transtorne e os montes se abalem nos seios dos mares; ainda que as águas tumultuem e espumejem e na sua fúria os montes se estremeçam. Há um rio, cujas correntes alegram a cidade de Deus, o santuário das moradas do Altíssimo. Deus está no meio dela; jamais será abalada; Deus a ajudará desde antemanhã” (Sl 46.2-5).

Crer é ainda confiar que aquele que não poupou o seu Filho, antes por nós o entregou, nos dará graciosamente com Ele todas as coisas (cf. Rm 8.32).Ainda que o mundo despeje uma avalanche de ideias contrárias à minha fé, eu creio sim. Ainda que os valores cristãos sejam negados até mesmo por quem deveria defendê-los, eu creio sim. Ainda que a moral cristã seja atacada sem dó, eu creio sim. Ainda que a minha  herança  evangélica  seja  ridicularizada  e colocada em cheque, eu creio sim.

Ainda que as sombras da noite se aproximem e o mar bravio nos ameace com os seus “tsunamis”, eu creio sim.

Creio, pois sei que Deus não perde o controle da história. Creio porque Cristo se assenta no trono da Sua glória. Ainda que o tempo seja difícil, que o inferno lute com todas as suas forças, que a família seja ameaçada, que os jovens sejam cortejados pelo maligno, que as leis dos homens sejam falhas, que o governo se desgoverne, eu creio sim. Creio porque os meus olhos estão postos em Deus. Creio, pois sei que Ele está entronizado acima dos querubins. Creio porque o Senhor de minha vida é o Alfa e o Ômega, o princípio e o fim. É Ele quem tem as “chaves” e são elas que abrem e fecham as portas da vida e da morte, do céu e do inferno e da história. Creio, ainda que seja pequena a minha fé. Creio e peço a Deus que me ajude aumentando a fé que tenho, fortalecendo-a todos os dias e fincando-a na rocha que é Jesus.

  Eu creio não na vida e nem em mim. Eu creio em Deus e na força do Seu poder. Creio naquele que foi morto, mas vive eternamente por mim. Creio, sim! Mas peço ainda: “Senhor, ajuda-me na minha falta de fé” (Mc 9.24).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

A justiça perdida

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O compositor cristão perguntou: “Onde andará a justiça outrora perdida?” Esta pergunta nos faz pensar na grande dificuldade que temos hoje de poder encontrá-la. Se, como diz a Bíblia, o efeito da justiça é a paz (Is 32.17), e a paz anda escassa é porque, por dedução lógica, a justiça também anda sumida.

Ao definirmos justiça como a qualidade do que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo, e pensarmos também no fato de que justiça significa um relacionamento correto com Deus, com o próximo e com nós mesmos, então, com certeza, a justiça se perdeu em algum lugar.O resultado é funesto, terrível e desanimador. Por isso, antes de tudo, é preciso a justiça, procurá-la até que ela seja encontrada e, assim, então, o resultado colhido será a paz.

Antes de falar sobre como encontrá-la, quero apontar alguns desses resultados que eu chamo de funestos. O primeiro deles é a ação prevalecente do fraudulento. Este é aquele que maquina o mal, que desanda a boca contra a verdade, que procura tirar proveito próprio, que não mede esforços para enganar o povo, que mente com facilidade, que rouba o direito do pobre, que promete e não cumpre, que tem duas caras e que perdeu a capacidade de se envergonhar dos seus próprios erros.

O segundo resultado eu chamo de alienação. Às vezes se acha por aqui que um pouco de pão na mesa das pessoas resolve a questão. Sei que a causa do pobre é justa e que a fome é um desafio premente, mas precisamos ter cuidado para não criarmos uma sociedade de pessoas indiferentes, alienadas e superficiais demais. Guimarães Rosa disse certa vez que o “animal satisfeito dorme”. Sendo assim, nenhum projeto social, por mais nobre que seja, pode ser um causador de uma espécie de sonolência mórbida que nos impede de enxergar a ausência da justiça e as questões sérias que precisam ser tratadas com mais profundidade.

O terceiro resultado é uma espécie de despreocupação pecaminosa. E aqui eu falo, não dos projetos sociais, da mesa do pobre, mas da sociedade consumista, interesseira, intimista e exageradamente preocupada com sua própria prosperidade material. A despreocupação pecaminosa é a preocupação com as coisas fúteis, supérfluas, vazias e ocas. Quando a justiça se perde a linguagem é desconexa, a cultura é do big brother, a canção que se ouve é vazia e sem poesia. Não temos percebido que, com tudo isso, todos nós, indistintamente, colheremos frutos amargos por termos notado, talvez, tarde demais, a ausência da paz.

Quero fazer-lhe uma sugestão: que se mude a questão. Que a justiça outrora perdida seja encontrada, e que a paz tão sonhada possa fazer morada. Não falo aqui de uma paz que implica em ausência de desafios como se fosse uma espécie de paz do cemitério, mas a paz de relacionamentos corretos e da conduta certa. Faço então um convite para que juntos nos lancemos nessa procura e que não descansemos até que a justiça seja encontrada.

É preciso entender, então, antes de tudo, que a justiça real e verdadeira tem relação com uma pessoa: Jesus de Nazaré. Que se comece com Ele e por Ele, tendo-o como Salvador e Senhor de nossas vidas, pois “feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor”. Mas, além disso, precisamos nos lançar em projetos nobres. Procurar a justiça é agir com verdade e transparência. É fazer a vida ficar mais bela em coisas simples do dia-a-dia. É tolerância zero para mentira e para falsidade. Um projeto nobre não precisa ser mirabolante, extravagante ou dispendioso. Ele precisa, sim, começar dentro de casa, com educação, respeito e honestidade.

Por fim, eu diria também que é preciso orar pela justiça. Quem sabe, agindo assim, a justiça perdida seja encontrada e a paz tão almejada seja desfrutada.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

O normal e o normativo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Uma das dificuldades que enfrentamos hoje é perceber a sutileza do argumento que faz com o que é normal transforme-se em normativo. O normal é o usual, o comum, o natural, ou, aquilo que é aceitável. Já o normativo é o que serve como norma, como regra, é o que cria os padrões de comportamento, o que determina o que é correto, o que é bom. O normal, frequentemente, é estabelecido pela média estatística: se todos fazem e todos aceitam, então, diria alguém, “isto é normal”. Sendo normal, então, seria o certo e criar-se-ia, por conseguinte, uma norma. Por isso há uma tendência atual, por parte de alguns grupos articulados, de fazer com que nossa geração considere normal o que em outros tempos não seria.

Nesta visão, se a maioria ainda não aceita determinado comportamento como normal então é preciso criar mecanismos para que isso aconteça. As pessoas precisam ser bombardeadas com imagens, com ideias, com pensamentos elaborados, com filosofias cuidadosamente selecionadas a fim de que a massa seja convencida e, finalmente, possa dizer: “a voz do povo é a voz de Deus”.

Outro argumento que anda de mãos dadas com este é o argumento da desconstrução. Frequentemente somos convidados a abrirmos mão de nossos pressupostos, desconstruirmos as nossas verdades e deixarmos de lado o que muitos chamam de “preconceito”. Neste tempo, chamado pós-moderno, não existem mais absolutos.

Talvez tudo isso possa parecer uma ideia nova, mas não é. Este tem sido um dos argumentos favoritos usados através da história para destruir os fundamentos da ética do Reino de Deus. A ética que, diga-se de passagem, é normativa, que não pode ser simplesmente o resultado da opinião de alguns, da massa, ou de quem quer que seja. Pois uma ética assim poderia facilmente ser construída por uma mente doentia, por um lunático, um ditador ou qualquer um que desejasse transformar sua preferência particular em regra universalmente aceita.

O cristão precisa defender seu direito de ter uma norma. O cristão entende que há uma regra de fé e prática e que não há melhor caminho do que a obediência do homem a esta regra. Não há nenhum código humano melhor do que ela e apesar de toda oposição que tem sofrido através dos séculos, ela tem permanecido. Nada, em lugar nenhum, em tempo algum, foi produzido que chegue aos pés desta lei. Ela é imbatível. Ela já foi testada e aprovada. Ela é atemporal. Ela tirou nações do atoleiro moral e resgatou pessoas do mais profundo desespero. Somos, então, convidados a acharmos o normativo, não no normal, mas no caminho que as Escrituras Sagradas nos apontam.

Partindo deste raciocínio, cristãos verdadeiros poderiam ser chamados de “pessoas do livro”, do livro sagrado. É certo que neste Livro, que chamamos de Bíblia, a regra áurea é o amor, portanto precisamos ser respeitosos e cordiais. Mas também é preciso entender que o amor é uma virtude acompanhada e não simplesmente um sentimento inconsequente. Sendo assim, ainda que a graça seja oferecida, o perdão seja pregado e o amor anunciado, o erro precisa ser apontado e o pecado declarado.

Se a Bíblia nos diz, por exemplo, que a nossa orientação sexual é monogâmica, heterossexual e “até que a morte os separe”, então este é nosso normativo e não o que chamam por aí de “nova orientação sexual”. Sei que estamos vivendo numa área de tensão e que dias como os nossos trarão sobre nós forte oposição.

Talvez, para não deixarmos o normal se transformar em normativo, precisamos permanecer firmes e relembrar as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça” (2Tm 3.14-16).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

Meu Youtuber preferido

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Em uma definição livre, o YouTube é um site que permite que os seus usuários carreguem e compartilhem vídeos. Embora muitos não saibam defini-lo de forma técnica, podem, no entanto, de forma prática, fazer uso dos de seus recursos com facilidade. Vídeos feitos no YouTube se tornaram uma febre mundial. Normalmente são vídeos curtos que retratam o cotidiano das pessoas, ou que oferecem dicas e conselhos nas mais diferentes áreas de interesse.

Os criadores e divulgadores frequentes de tais vídeos são chamados de youtubers. Eles fazem um enorme sucesso principalmente entre crianças, jovens e adolescentes. Conquistam admiradores apaixonados e são capazes de arrastar atrás de si milhões de seguidores. O mercado para eles tem sido generoso e muitos estão se enriquecendo com o marketing que acompanha tais vídeos e com a fama que eles próprios alcançaram.

Muitos destes vídeos são inocentes, úteis e de grande valia para quem busca ou está atrás de informações. No entanto, há muito lixo moral que tem sido despejado sobre a mente e o coração dessa geração mais nova. Isso sem contar que o palavreado é, muitas vezes, chulo, vulgar, irreverente e malicioso. Tais youtubers estão fazendo a cabeça de crianças e adolescentes e cada dia que passa estão se tornando ídolos e formadores de opinião.

Ainda que este assunto seja novo e não haja nem mesmo conceitos éticos e morais mais profundos que do ponto de vista da filosofia e da educação possam norteá-lo, você e eu, que somos seguidores de Jesus, precisamos ter o nosso ponto de apoio e buscarmos o nosso comportamento à luz de uma cosmovisão bíblica. Então, é preciso responder à questão: quem é o meu youtuber preferido?

Frequentemente a internet divulga a lista dos youtubers mais seguidos no mundo e no Brasil. Assistir alguns dos vídeos de maior sucesso deles, eu confesso, dá arrepio na alma, faz a testa, de qualquer um que carrega algum tipo de valor cristão, franzir de preocupação. Veja bem, não se trata de ser antiquado ou ultrapassado, mas de estar alerta, com os ouvidos atentos e o coração guarnecido.

Sem querer estabelecer uma lista de qual youtuber deve ser colocado como aceitável e qual deve ser rejeitado, sugiro que todos sejam avaliados à luz do seguinte ensino bíblico: “Sede imitadores meus e observai os que andam segundo o modelo que tendes em nós. Pois muitos andam entre nós, dos quais, repetidas vezes, eu vos dizia e, agora, vos digo, até chorando, que são inimigos da cruz de Cristo. O destino deles é a perdição, o deus deles é o ventre, e a glória deles está na sua infâmia, visto que só se preocupam com as coisas terrenas” (Fp 2.17-19).

Paulo não  foi nenhum  youtuber, mas  ele foi  inspirado  pelo  Espírito de Deus. O apóstolo Paulo era um imitador de Cristo, portanto, ele podia dizer sem medo de ser gabola: “Sede imitadores meus”. O exemplo de Paulo é de alguém que buscava ajuntar tesouros no céu, de alguém que pensava nas coisas do alto e tinha o ideal celestial como o seu padrão de comportamento aqui na terra. Ao contrário do que ele ensinava, no entanto, encontravam-se aqueles que, no dizer do apóstolo, eram “inimigos da cruz”.

Ao analisarmos de perto o que caracterizava os inimigos da cruz, encontramos então o parâmetro para sabermos a quem devemos colocar de lado em nossas preferências e até mesmo em nosso aprendizado e curtição no mundo virtual. Os inimigos da cruz não são aqueles que jogam pedras na cruz ou a ridicularizam, mas aqueles que fazem de si mesmos os seus próprios deuses e só se preocupam com as coisas terrenas. Ao dizer que o deus deles é o ventre, Paulo sintetiza aqui todo tipo de prazer que o homem busca como um fim em si mesmo.

O texto diz que o destino deles é a perdição e a glória deles está na sua infâmia, ou seja, naquilo que é vergonhoso. Fica então aqui o alerta para todos nós. Nada contra ter um youtuber preferido, desde que ele não me leve para longe de Jesus e de sua palavra.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

A vida por um fio

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A expressão “a vida por um fio” se refere à fragilidade que a vida tem e a brevidade com que ela acontece. Sim, isso é verdade. A Bíblia nos diz que todo homem, por mais firme que esteja, é pura vaidade (Salmo 39.5). Lembrando que vaidade, neste caso, significa algo efêmero e passageiro. A nossa existência é como um sopro, como uma neblina que aparece pela manhã e à tarde se dissipa. Somos como um breve pensamento. Além disso, somos cercados de situações e circunstâncias ameaçadoras que podem, em um piscar de olhos, paralisar o nosso coração, cortar a nossa respiração, fazer adoecer o nosso corpo e nos jogar em um leito de hospital.

A vida está por um fio e ela pode ser ceifada por uma bala perdida, por um ataque terrorista, por uma tragédia natural ou provocada pela negligência humana. A vida pode ser rompida por uma picada de um mosquito, por um acidente de carro, por um atropelamento na esquina ou por um mal súbito sem explicação. A vida pode ser cortada na velhice, na mocidade, na infância ou no ventre materno. Não há previsão segura e não há uma garantia sequer. A vida por um fio não escolhe idade e nem classe social. Somos todos nós alvos de seu possível rompimento a qualquer hora e em qualquer lugar. Seria bom se todos nós estivéssemos dependurados em um cabo de aço. Mas não é assim. O fio que nos segura é frágil e pode se partir com facilidade.

Veja bem, a intenção aqui não é ser fatalista ou negativista. Não devemos também, de forma alguma, viver com medo ou assustados. Nem tampouco devemos acreditar que o acaso vai nos proteger e que a nossa existência depende da sorte ou da má sorte. Apenas quero fazer uma reflexão sobre o tempo que estamos vivendo, os perigos que nos cercam e, sobretudo, sobre quem, neste momento, pode nos dar alento, segurança, firmeza e proteção. Muitos têm acreditado que o dinheiro, os bens materiais e até mesmo o cuidado extremo com o corpo podem oferecer segurança. Tudo isso é ilusão. Ainda que seja necessário ser precavido e cuidadoso, não adianta se apegar demais a este tipo de condição e nem viver ansioso como se isso também resolvesse a situação.

Na verdade, todos nós precisamos de Deus e da segurança que Ele oferece. Não se trata de escapismo ou de uma fuga da realidade. Quem confia em Deus não se aliena e nem se deixa abraçar pela inconsequência. Quem confia verdadeiramente no Senhor entende que as mazelas da vida precisam ser combatidas, que o nível de segurança precisa ser aumentado, que os riscos precisam ser diminuídos e que as responsabilidades precisam ser assumidas. Mas, por outro lado, quem confia em Deus sabe também que, apesar de todo o cuidado, a vida pode se romper a qualquer hora e, por confiar assim, ele não se desespera. Deus é aquele, como disse o salmista, que nos segura pela sua mão direita, nos guia pelo seu conselho e por fim nos recebe na glória (Sl 73.23,24).

Ainda que a vida esteja por um fio, a mão de Deus não está. Ainda que o mundo seja ameaçador, o Senhor pode nos acolher. Ainda que os perigos à nossa volta sejam assustadores e falem de fragilidade, o nosso Deus, em Cristo Jesus, nos oferece alívio, segurança e proteção. Digo isso porque é muito mais desolador viver sem paz no coração do que viver sem nenhuma ameaça externa, seja ela de que espécie for, mas viver a vida por um fio sem esperança e sem fé. É triste sentir que o “fio” pode se romper na alma antes de se romper no corpo. Isso acontece quando o desespero toma conta, quando a ansiedade prevalece, quando o medo é ditador mandante. Por tudo isso e muito mais é melhor entregar a vida para Deus desde já e confiar em sua providência.

Talvez esta lembrança caiba principalmente para aqueles que vivem na flor da idade e acham que podem viver “como se não houvesse o amanhã”. Estes são aqueles que frequentemente não enxergam a vida por um fio. A eles e a todos nós cabe a exortação do texto sagrado: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer… antes que se rompa o fio de prata e se despedace o copo de ouro, e se quebre o cântaro junto à fonte, e se desfaça a roda junto ao poço, e o pó volte à terra, como era, e o espírito volte a Deus, que o deu” (Ec 12.1,6,7).

 * Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).