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Em um dia de domingo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O dia ainda não havia clareado, o sol não havia despontado, quando mulheres simples se dirigiram ao sepulcro a fim de embalsamar o corpo que fora ali depositado. Elas marcaram bem o lugar, prestaram atenção no corpo inerte e viram como ele fora colocado na pedra fria. Prepararam com cuidado os aromas e bálsamos, descansaram no sábado e acordaram cedo em uma manhã de certo domingo.

Tristeza no coração, lágrimas nos olhos e aromas nas mãos, foram ao encontro do amado, do amigo da vida, do amigo dos sonhos e daquele que curava as feridas. Mas uma névoa cobriu os olhos daquelas mulheres e caiu-lhes doente o coração, adoecendo-as de desesperança. Elas baixaram os olhos para o chão e a tristeza tomou conta da alma: “Onde puseram o corpo do nosso Senhor?” A pedra da tumba removida estava. Teriam roubado o corpo de Jesus? Seria o jardineiro o culpado? Onde estavam os guardas do sepulcro?

“Joana e Marias!”, exclamou um dos homens vestido de branco. “Porque vocês buscam entre os mortos ao que vive?”, perguntou. O Nazareno, o mesmo que lhes havia aquecido o coração quando ensinava, o mesmo que fez brotar a esperança na alma de cada uma, “não está mais aqui, o lugar está vazio”, concluiu.

Sim, em um dia de domingo a morte foi vencida, a vida triunfou e a fé prevaleceu. Foi Maria Madalena a escolhida. Foi ela, a que antes atormentada por sete espíritos malignos, viu o inacreditável, o humanamente impossível, o milagre da ressurreição. Sim, em um dia de domingo Cristo Ressuscitou (Leia Mt 28.1-10; Lc 23.55-24.1-10; Jo 20.1-18).

Desde aquele dia até os nossos, domingo é assim, o dia da vida e não da morte, o dia da celebração e não da tristeza, o dia do amor e não do ódio, o dia da paz e não da guerra. Talvez, para muitos, domingo seja o dia de passear no parque, sair com a família, ver um amigo, descansar da lide ou, como diz a canção popular, procurar alguém “para sentar e conversar, depois andar de encontro ao vento”. Para outros, domingo é dia de torcer para o time do coração, de assar uma carne ou comer frango com macarrão.

Alguns vão à feira bem cedo, outros preferem dormir até mais tarde. Domingo, quem sabe, é dia de falar mais manso, de ouvir com atenção, de abrir o peito e “deixar falar a voz do coração”. Gosto das manhãs de domingo, dos domingos ensolarados, dos domingos que trazem cheiro bom no ar. Gosto de acordar cedo, de ir para igreja e de olhar nos olhos dos irmãos da família da fé. Gosto da celebração e do culto de adoração.

De tudo isso, no entanto, é bom saber que domingo lembra que o amigo dos sonhos, amigo daquelas mulheres, amigo das crianças, autor da vida, morto e sepultado, não vive mais assim como um dia foi deixado, Ele rompeu os grilhões da morte. Por isso, eu quero mais do que respirar o ar que me rodeia e ter o mesmo sol que me bronzeia, como sugere a música “Um Dia de Domingo” de Michael Sullivan e Paulo Massadas.Eu quero ter olhos para ver o meu Jesus e a fé renovada por saber que Ele não está pendido na cruz ou preso na tumba.

Digo então que eu não o procuro na sexta-feira da paixão pendurado no madeiro e nem o encontro no sábado deitado no túmulo, mas no domingo, no primeiro dia da semana, como aquele que vive e reina pelos séculos dos séculos.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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“Eis aí vem o teu Rei”

Por Célio Teixeira Júnior*

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador, humilde…” (Zc 9.9). Não devo procurá-lo nos palácios e nem na ostentosa mansão. Não o encontro diante dos poderosos e Ele não se faz desfilar no tapete vermelho da fama. Não há holofotes sobre ele e ele não é recebido pelos príncipes deste mundo. É certo que uma multidão o aclamou, mas ele não desfilou na carruagem real e nem foi recebido com honras de Estado. Quem o ovacionou foi uma plebe inconstante, vacilante e influenciável.

“Eis aí… vem o teu Rei…”. Ele vem rompendo as portas de corações empedernidos, vem caminhando seguro sobre estradas empoeiradas de transeuntes cansados, de indivíduos sobrecarregados. Ele vem levantando o  cinzento do meu pecado, oferecendo alívio e perdão ao penitente e ao de espírito quebrantado. Ele oferece água ao sedento e pão ao que tem fome.

“Eis aí… vem o teu Rei”, justo e justificador. Sua casa é casa de oração e a Sua sorte é a cruz da maldição. Ele entrou na cidade do rei, mas morreu fora de seus muros. Entrou triunfantemente pisando em vestes e ramos estendidos ao chão, mas morreu vergonhosamente despido e acusado de sedição. Ao olhar a Sua face, ao encontrar os Seus olhos, ao perceber a Sua dor, vejo quão grave foi o meu pecado e como foi caro o preço por ele pago.

“Eis aí te vem o teu Rei… Bendito o que vem em nome do Senhor”. Bendito seja Jesus, Filho de Davi. Que seja dos nossos lábios o Seu louvor. Que tenha de nossas mãos o mais sincero e puro ardor. Que a honra e o domínio sejam dados tão somente a Ele, bendito salvador. Há pousopara o Rei em minha alma, o trono que é dEle guardo em meu coração. São dele os meus sonhos, são para Ele os meus desejos e é dEle a minha vida.

Sim, eis aí o Rei. Que Ele expulse os vendilhões do templo, os mercadores de Sua Palavra e os especuladores da fé. Que Ele vire as mesas dos cambistas da religiosidade mágica e do misticismo antiético. Que Ele confunda a mente dos fabricadores das teologias espúrias, fabricadas no laboratório do inferno, que iludem, ludibriam e enganam. Que prevaleça a Sua palavra, que “goteje a Sua doutrina como a chuva” na terra sedenta de nossa existência, tão carente de significado, rumo e direção.

“Eis aí te vem o teu Rei, justo, salvador humilde… montado num jumentinho”.Bendita a cria de jumenta, animal de carga, que levou no seu dorso um peso paradoxal. O mais leve de todos e também o mais pesado. Leve porque o Rei não trazia em si nenhum pecado, nenhum que fosse seu, seu de fato. Pesado porque aquele seria o primeiro passo da última semana, os últimos seriam dados pelo próprio Rei-sofredor, sob suas próprias pernas, através da via dolorosa até chegar ao calvário. Pesado também porque todo o peso do nosso pecado estava sobre Ele.

“Rei”. Deferências ao Rei que entrou triunfantemente em Jerusalém. Deferências ao Rei que morreu humildemente na cruz do suplício. Deferências ao Rei que ascendeu gloriosamente ao trono de Deus. Deferências ao Rei que há de vir para julgar vivos e mortos.

Hosana! Bendito o que vem em nome do Senhor. “Vem, Senhor Jesus!”.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Siga a Jesus

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há muitos seguidores que seguem alguém nesta vida. Há seguidores de líderes fanáticos, de ditadores lunáticos, de revolucionários, de idealistas, de filósofos, de cientistas e de ocultistas. Há seguidores de gente boa e de gente desvairada. Há seguidores que seguem sem saber para aonde estão sendo levados e há seguidores bem conscientes do rumo traçado. Há quem siga uma rota segura e também há quem siga o caminho do vento que muda facilmente de direção. Há seguidores de profetas tresloucados, de pregadores sem conteúdo, armados de palavras lisonjeiras, que iludem e não levam a lugar algum. Mas há quem siga de perto o bom conselho, o juízo verdadeiro, a palavra bem falada e o caminho clareado pela luz da verdade.

Em última instância, todos nós seguimos ou o bem ou o mal. Seguimos pela senda estreita ou pelo caminho largo. Seguimos pelo curso deste mundo ou somos contados entre aqueles que se converteram, mudaram o foco, e agora nadam contra a correnteza. Há quem siga o conselho do ímpio, a sugestão do malfeitor e a voz do maligno. Mas, por outro lado, há quem siga a voz de uma consciência sem culpa, da direção da Palavra de Deus e da instrução do Espírito Santo. Há seguidores dos que convidam ao pecado, à luxúria e ao consumismo e há seguidores dos que ensinam com prudência e orientam com diligência. Há seguidores do mundo, da carne e do diabo e há seguidores de Cristo.

O próprio Jesus convida a todos para segui-lo. Alguns ouviram este convite e o seguiram alegremente. Dentre estes, destacamos Mateus, também conhecido como Levi, que em um dia qualquer de sua vida, sentado na coletoria, ouviu o Mestre lhe dizer: “Segue-me!”. E ele naquele instante se levantou e o seguiu (Mt 9.9). Mencionamos também o exemplo de Filipe que respondeu de pronto quando o Salvador lhe disse: “Segue-me” (Jo 1.43). Assim, um a um, todos os discípulos de Cristo ouviram à sua voz e o seguiram (Jo 10.27). Mas nem todos os que o ouviram dizer “segue-me” o seguiram de fato. Um dos exemplos mais conhecidos foi o do jovem rico que se retirou triste e não atendeu ao chamado de Jesus (Lc 18.22,23). Até hoje temos sido testemunhas daqueles que o ouvem e o seguem e daqueles que o olham com desdém e se recusam a segui-lo.

O importante nessa história é que você siga a Jesus. Para segui-lo é preciso, em primeiro lugar, reconhecê-lo como Salvador e Senhor de sua vida. Além disso, é preciso obedecer ao que Ele mesmo disse em Sua Palavra. E nesse gesto imprescindível a todos nós que o amamos há um misto de exultação e consternação. Seguir Jesus é o mais fascinante projeto de vida, mas também é, no mundo presente, uma das mais aflitivas posturas assumidas. Ele traz paz à alma (Jo 14.27), mas também traz “espada à terra” (Mt 10.34). A sua mensagem é doce como mel na boca,mas amarga como fel no estômago (Ap 10.10). Isso significa dizer que seguir a Jesus é o que temos que fazer, mas significa também dizer que segui-lo aqui pode trazer sobre nós lutas, dissabores e aflições. Seguir Jesus é assim: lutas e tribulações, mas também proteção verdadeira e certeza de que Ele jamais nos deixará sozinhos (Jo 16.33; Mt 28.20).

Siga a Jesus. Ele sabe o caminho que conduz ao Pai. Aliás, Ele é o caminho (Jo 14.6). Ele vai à sua frente, livrando de todo o perigo. Se alguma tribulação chegou até você, saiba que primeiro tudo passou por Ele e Ele a fez leve em sua vida, a tal ponto que você possa suportar. E se Ele a permite em seu viver, então tudo vai cooperar para o seu próprio bem (Rm 8.28). Continue seguindo a Cristo, pois Ele mesmo, um dia, vai trocar a sua tribulação pelo eterno peso de glória, acima de toda comparação (2Co 4.17). Ele vai enxugar dos seus olhos toda lágrima (Ap 7.17; 21.4) e vai convidá-lo para fazer parte do Seu reino que se estende por toda a eternidade. Portanto, siga a Jesus. Faça isso agora e não deixe para depois. O convite é feito durante o tempo que se chama Hoje (Hb 3.13). Amanhã pode ser muito tarde.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Silêncio no monte de Deus

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O profeta Elias foi um homem extraordinário, pois ele subiu ao céu num redemoinho (2Rs 2.11); mas ele foi também um homem comum, semelhante a cada um de nós, pois esteve sujeito aos mesmos sentimentos (Tg 5.17). Elias subiu ao céu, mas também desceu na região do silêncio. Ele orou e viu a chuva cair, o fogo descer e a voz arrogante dos profetas de Baal se calar (1Rs 18.36-46), mas também se afligiu debaixo de um zimbro, fugiu sob as ameaças de uma mulher, pediu para si a morte e disse a Deus: “Basta; toma agora, ó SENHOR, a minha alma” (1Rs 19.4).

Elias conviveu com um rei mau, com uma rainha perversa, em um tempo difícil, no meio da escassez, na aridez de uma espiritualidade vazia, idólatra e totalmente desvirtuada da lei de Deus. Elias foi a boca do Senhor em dias de corações endurecidos, de ouvidos tapados e de uma obstinada teimosia. Elias, no entanto, foi um homem de oração, de uma profunda consciência da majestade de Deus e de sua vocação profética.

Elias nunca esteve só, pois o próprio Deus estava com ele e este mesmo Deus conservou para si em Israel sete mil, todos os joelhos que não se dobraram a Baal (1Rs 19.18). Apesar disso, Elias se sentiu só. Um sentimento de solidão invadiu o seu coração, tomou conta de sua alma, perturbou as suas ideias e roubou-lhe a paz por alguns instantes. Veja a sua declaração: “Tenho sido zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida” (1Rs 19.10).

Eu particularmente gosto da maneira como Deus tratou com Elias. O anjo do Senhor foi ao seu encontro enquanto ele dormia o sono da desistência, do medo e da depressão e o anjo o tocou. Aquele visitante celestial lhe preparou um pão cozido sobre pedras em brasas e lhe deu água para beber. Elias voltou a dormir e quis novamente desistir, mas o anjo lhe tocou pela segunda vez e lhe disse: “Levanta-te e come, porque o caminho te será sobremodo longo”. Elias levantou-se, comeu e bebeu; e com a força daquela comida caminhou quarenta dias e quarenta noites (1Rs 19.5-8).

Deus levou Elias ao monte Horebe, ou monte Sinai, o monte de Deus. Naquele lugar, onde o Senhor aparecera a Moisés numa chama de fogo (Ex 3.1,2), onde a voz de Deus soou no passado no meio de trovões e relâmpagos (Ex 19.16), agora havia uma mudança no ar. É verdade que um vento forte e tempestuoso soprou ali, mas o Senhor não estava nele. Depois do vento veio o terremoto, mas nem mesmo nele o Senhor aparecera; então veio o fogo que queima e Deus também não estava nele (1Rs 19.11-12)

A pergunta, por certo, veio ao coração de Elias: “Onde está o Senhor, o Deus de Israel, que no passado falou através do fogo, do vento e do trovão?” Então algo sensível e silencioso aconteceu. Uma brisa suave tocou a face do profeta, um cicio manso e tranquilo tomou conta do lugar e o monte se acalmou, pois Deus estava no silêncio. Naquele instante de profunda reverência o Senhor falou (1Rs 19.13). É como se Deus dissesse para Elias: “Filho, aquieta o seu coração, acalma a sua alma, e saiba que eu sou Deus”. O mundo se agitava ao pé do monte, mas ainda assim o monte era de Deus. O trono é dele e é Ele quem muda o tempo e as estações, remove reis e estabelece reis (Dn 2.21).

Ouvir Deus no silêncio nem sempre é fácil. Trata-se de um exercício de fé. Há muitas vozes que tentam abafar o som do amor de Deus. Assim como aconteceu com Elias, você e eu precisamos, por assim dizer, subir ao monte de Deus para ouvir o que Ele tem a dizer no “silêncio”. Não me refiro a um monte literal, pois Deus não se preocupa mais com o lugar da adoração, mas, sim, com uma atitude de alma. É preciso também aquietar o coração, sentir a brisa, ouvir o cicio manso e suave e escutar a mensagem da salvação. É preciso orar ao Pai que vê em secreto. É preciso abrir as Escrituras Sagradas e ler nelas sobre Jesus, aquele que veio sem fazer alarde algum. Há silêncio à sua volta? Não se reocupe. O monte é de Deus e o Reino é dele também.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Se a Igreja fosse o time do coração

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Dizem que brasileiro é apaixonado por futebol, por carro e carnaval. Pode até ser que você não seja um desses apaixonados, mas temos que concordar que grande parte de nossa Nação é assim mesmo. Do carnaval ou do ritmo que o embala, alguém já disse que “quem não gosta de samba bom sujeito não é, é ruim da cabeça ou doente do pé”. De carro, nem se fala, basta olhar para as ruas, para o trânsito louco e para as concessionárias e estacionamentos. Eles estão abarrotados. Muitas garagens hoje têm dois, três ou quatro carros. Tudo isso é verdade, mas deixando de lado o carro e o carnaval, falemos de futebol. Tem gente que, por amor ao seu time, é capaz de fazer qualquer loucura. Gasta o que tem e o que não tem para assistir, ainda que seja, uma partida apenas. Nada contra, eu também tenho o meu time do coração. Mas às vezes penso que há certo exagero. Futebol, para muitos, é religião. Aliás, esta é uma boa comparação. Faço, então, aqui, uma pergunta: e se a igreja que frequento fosse o meu time do coração?

Se a Igreja que eu frequento fosse o meu time do coração eu jamais a abandonaria. Eu a trataria com respeito, eu a carregaria no peito, eu vestiria as suas cores e eu convidaria outros para que torcêssemos juntos, nos alegrássemos juntos e até chorássemos juntos por ela. Se a Igreja fosse o meu time do coração, eu estaria atento à sua agenda, eu me esforçaria para participar de seus eventos e não deixaria por nada de frequentar a sua sede. Se a Igreja fosse o meu time do coração, eu falaria dela para os meus amigos, eu ensinaria meu filho, desde a mais tenra idade, a respeitá-la e admirá-la. Eu procuraria notícias dela nos jornais, eu conheceria a sua história e eu entoaria com maior fervor os hinos cantados por ela. Sim, se a Igreja fosse o meu time de futebol, eu passaria a semana aguardando vê-la novamente, eu prepararia o meu espírito para torcer por ela e todos saberiam que eu a tenho dentro do meu coração. Se a Igreja fosse o meu time, eu poderia até não gostar de algumas coisas, mas se dependesse de mim, eu faria tudo para conservá-la na “primeira divisão”, nos primeiros lugares e, porque não, recebendo o prêmio maior, os louros da vitória.

Concordo com você, Igreja não é time de futebol. Foi apenas um devaneio de minha parte. Mas como em todo sonho há um fundo de verdade e ele se mistura com a realidade, não custa nada sonhar. Na verdade, esta comparação é fruto de um desejo. O desejo é o de que tenhamos maior amor pelas coisas de Deus. Sejamos mais envolvidos com a obra do Senhor e mais dedicados na evangelização e na propagação da mensagem da salvação. Este desejo passa também pela valorização. A Igreja não é time de futebol, mas Igreja, como o time de futebol, não vive no ar. Ela tem  necessidades  físicas e materiais.  Precisamos  contribuir com  os  trabalhos  da Igreja. É preciso ser fiel na entrega dos dízimos e das ofertas. A Igreja precisa ser honrada pelo voto que fizemos um dia: de sustentá-la moral, espiritual e financeiramente. Vivemos debaixo da égide da Igreja. Ela é como abrigo que nos acolhe nas horas de ameaça de rebaixamento. Nela temos a oração dos fiéis, que muito pode por sua eficácia. Nela temos e pregação da Palavra que pode trazer luz no fim do túnel. Igreja não é time de futebol, mas, concorda comigo, a linguagem é parecida? Então que ela seja o “time” do coração.

Não sei qual é a cor do seu time: se azul, se alviverde, se preto e branco ou tricolor. Alguém, de forma hiperbólica, disse que se sangrasse o seu coração o sangue verteria a cor de sua paixão. Tudo isso, diria o sábio do passado, é “vaidade e correr atrás do vento”. Mas, e a Igreja? Ela é aquela sobre a qual Jesus disse: “As portas do inferno não prevalecerão contra ela”. Com todo respeito do mundo, eu diria, então, que a Igreja é o Time de Deus. Ela pode passar por momentos difíceis, caminhar por trilhas estreitas, mas jamais pode ser dito dela que ela cairá para o rebaixamento eterno longe de Deus. Pelo contrário, a vitória será sempre do Senhor da Igreja que a tratará como “Igreja Gloriosa”, como Seu “Time” do coração.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de  Lavras (MG)

Bom dia, filho de Deus!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Há dias difíceis na vida e dias pelos quais jamais gostaríamos de ter passado. Há dias de trevas e dias maus, mas mesmo em dias assim podemos encontrar boas oportunidades para sorrir, para nos alegrar, fazermos amigos e, quem sabe, ganharmos alguém para Cristo Jesus. Para isso, talvez, precisemos fazer um exercício simples que pode ser praticado desde o amanhecer até que se ponha o sol. Ele pode servir como cura em dias de provação, como ânimo em dias de depressão e, também, como prevenção em dias tranquilos e calmos.

O exercício constitui-se de duas etapas. A primeira é a de recebermos o cumprimento de bom dia que nos é dado pelas mais diversas criaturas que costumam diuturnamente nos saudar. A outra, é retribuirmos com um sorriso esse cumprimento a todos que, por assim dizer, cruzam o nosso caminho.

Quando acordamos pela manhã somos saudados pelo raiar do dia e a luz do sol. O frescor da manhã e a brisa que vem de longe nos cumprimentam e nos fazem lembrar, naquele instante, que as misericórdias do Senhor são a causa de não sermos consumidos e que elas se renovam a cada manhã (Lm 3.22,23).

Talvez, ao abrir a janela do quarto, a saudação seja de um pardal solitário no telhado, ou, quem sabe, de um bem-te-vi agitado em sua cantoria, ou de um sabiá com seu peito vermelho, de andorinhas em voos rasantes, de assanhaços famintos de cores marcantes e de maritacas em suas algazarras. Todos trazem notícias de longe, recados do alto, mensagens que falam ao coração. Eles segredam ao nosso ouvido que o Pai celeste os alimenta todos os dias e que nenhum deles cai por terra sem o consentimento do Senhor (Mt 10.29). Eu tenho a impressão de que junto com essa saudação matinal eles também nos dizem em alto e bom som: “Sorte sua, filho de Deus, pois maior valor você tem aos olhos do Criador” (Mt 6.26; 10.31).

É preciso receber com alegria o cumprimento do novo dia. Ele vem através das nuvens que servem como carros de Deus, ou do vento que são as asas do Espírito do Senhor (Sl 104.3). Ou, quem sabe, através da planta na soleira da janela, da árvore que se vê ao longe, da relva que alimenta o gado ou dos lírios que crescem no campo. Estes dizem que nem Salomão se vestiu como qualquer deles e que se Deus os veste assim, maior cuidado Ele terá em agasalhar o nosso corpo e aquecer a nossa alma (Mt 6.29,30).

Talvez, o cumprimento deles seja mais ou menos assim: “Bom dia, filho de Deus, não tenha medo, se Deus cuida de mim, por certo ele cuidará de você também. Não seja aflito, mas crente. Não ande ansioso, confie. Não tema o amanhã, entregue” (Mt 6.30-33). Olhe bem para eles, veja se não é exatamente isso mesmo o que eles estão lhe dizendo. Receba, então, esta saudação matinal.

O bom dia recebido precisa ser retribuído. Essa é a segunda etapa do exercício de cura. Aliás, na verdade, é preciso ir além. É preciso saudar até mesmo aqueles que não nos cumprimentam e que nos são indiferentes (Mt 5.47). Retribuir a saudação de bom dia é deixar de lado a amargura, é enfrentar os dissabores com o sorriso, é não viver se ressentindo do mal, é abrir o peito para o perdão e a alma como um coração de mãe.

Retribuir a saudação de bom dia é sair do quarto escuro, é aguar as flores do jardim, é desamarrar a cara amarrada e dizer olá para quem se encontra. É falar de Deus. É contar a “velha história” de Cristo e de Seu perdão. Retribuir a saudação de um bom dia é abrir a mão ao aflito, é ser misericordioso, cordial e bondoso. É não se deixar trancar pelo medo, é não dar espaço para a ansiedade, é sair de si e olhar para o outro, é olhar para o alto.

É bem provável que muitos hoje já lhe disseram: “bom dia, filho de Deus!” Você ouviu? Abra os ouvidos e ouça. Mas faça mais. Retribua esta saudação e seja você mesmo um portador de um dia maravilhosamente bom!

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).

A difícil arte de ser cristão

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O dicionário define “arte”, dentre outras coisas, como a capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria. Sendo assim, podemos usar o termo em vários sentidos e aplicá-lo em diferentes situações. Pensando nisso, quero aproveitar o momento, e falar sobre a difícil arte de ser cristão no tempo presente. A arte de ser cristão, neste caso, tem a ver com a capacidade de pôr em prática valores e princípios do cristianismo neste tempo que se chama Hoje.

Não é fácil ser cristão no mundo atual. E aqui eu falo tanto de perseguição física, como também moral e intelectual. Há situações em algumas regiões do nosso planeta que podem ser definidas como um verdadeiro genocídio. Milhares de cristãos estão sendo mortos todos os anos por grupos religiosos extremistas, por governos intolerantes e por pessoas que carregam ódio na alma contra os seguidores de Jesus de Nazaré. Ainda que não seja novidade isso, pois o próprio Cristo alertou os seus discípulos que seria assim, não é fácil lidar com a oposição e não é confortável para ninguém ter que suportar a dor da hostilidade.

Tudo isso parece muito distante de nós que vivemos aqui no ocidente e, talvez, por esta razão, a impressão que temos é que nada disso vai nos atingir. Engano nosso, pois a perseguição atroz que acontece nesses lugares tem ecos extremamente fortes que se espalham por todo o planeta. Vivemos em um mundo globalizado, sob o que já foi chamado de “efeito borboleta”, pois mesmo o bater suave de pequenas asas que produz deslocamento mínimo do ar à sua volta pode ser sentido a quilômetros de distância por quem, aparentemente, não está nem aí se o tal inseto ainda é larva ou já alçou seu vôo.

Talvez as implicações de tal hostilidade tenha chegado aqui de forma mais ideológica do que física, mais em termos de destruir valores do que de ferir o corpo. Não há um dia sequer sem que os princípios da fé cristã não sejam atacados com violência e criticados sem piedade. Ser cristão no mundo pós-moderno é viver na contramão da sociedade, é nadar contra o curso deste mundo, é viver, com certeza, a verdadeira contracultura. E aqui eu não falo simplesmente de um cristianismo nominal, de fachada, daquele que acende, como diz a música, “uma vela para Deus e a outra pro cão”. Falo, sim, do cristianismo autêntico, que valoriza o que crê e que defende os pilares de sua fé.

Para mostrar que não há exagero nesta fala, cito aqui alguns exemplos. O verdadeiro cristão crê que Deus é o criador do céu e da terra e de tudo o que neles há. Dizer isso em alguns círculos hoje é ser taxado de anti-intelectual, contra a ciência e ultrapassado.   Mas,  no fundo,  quem é  contra esse  princípio, carrega,  na verdade, é uma boa dose de preconceito e antipatia. O verdadeiro cristão também afirma que Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, e os fez um para o outro para se completarem e tornaram-se uma só carne. Fazer esse tipo de asseveração no contexto atual é ser passível de “apedrejamento” ideológico por parte de grupos articulados e até mesmo da mídia prevalecente.

O cristão verdadeiro não defende, de forma alguma, o ataque com ódio pelo ódio sofrido e não paga o mal com o mal. No entanto, com certeza, ele vive hoje sob um dos piores bombardeios de toda a sua história. Ser contra a herança cristã tem sido, em muitos casos, algo bonito, moderno, intelectualmente avançado e até espiritualmente elevado. Governos extremistas matam e governos “livres” patrocinam manifestações contra o cristianismo. Estes últimos, por exemplo, dentre muitas coisas, subsidiam cartilhas nas escolas que atacam abertamente valores cristãos, ao mesmo tempo que proíbem orações cristãs, leitura da Bíblia ou uma simples distribuição gratuita de um exemplar do Novo Testamento para alunos da rede pública.

O cristão verdadeiro defende um governo laico, mas não defende um país sem valores cristãos, sem o temor de Deus, sem liberdade de pregar o Evangelho e de anunciar que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). A defesa dele é de que, no mínimo, isso seja encarado como algo possível e permitido. No entanto, tristemente, vivemos hoje a difícil arte de ser cristão.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)