Aprenda sobre a Bíblia

Sou moço

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O salmista disse certa vez: “Fui moço e já, agora, sou velho”. Embora a ênfase do texto seja no amparo e no cuidado de Deus sobre a vida dos justos, o autor de tais palavras reconhece que teve uma época em sua vida em que foi moço e esse tempo era passado. Ele foi moço, sim, e viu muita coisa acontecer debaixo do sol. Só não viu um filho de Deus ser abandonado ouentregue à sua própria sorte.

O Senhor sempre esteve ao lado dos seus, e jamais pode ser dito que Ele algum dia os tenha desamparado. Mas nessas simples palavras, talvez seja importante lembrar que a vida é assim: passageira, transitória, momentânea e efêmera. Todos nós, mais cedo ou mais tarde, vamos dizer um dia: “Fui moço”. O tempo é implacável e os anos voam como um breve pensamento. O vigor da juventude é como uma neblina que aparece pela manhã e logo se dissipa e vai embora. “A juventude e a primavera da vida são vaidade” (Ec 11.10). Ao usar tal expressão, não me dirijo àqueles que já foram moços um dia, mas aos que podem dizer agora: “Sou moço” ou “Sou moça”. Estes são aqueles que estão na flor da idade, que fazem parte da mocidade, que já passaram pela infância, que ainda não chegaram aos cabelos brancos, aos anos pesados, à vida cansada e aos dias extenuantes. A mensagem é para quem vive entre os dezoito e os trinta e cinco anos, um pouco mais ou um pouco menos.

Esse é um tempo de construir os sonhos, de tomar decisões que refletem por toda vida, de traçar o rumo e de definir o norte. É normalmente durante esses anos que o jovem escolhe a sua profissão, se casa e arruma um emprego. Ainda que outra direção possa ser tomada depois, nada supera o que foi feito, decidido ou escolhido no tempo mencionado acima. Andam dizendo por aí que muitos estão “esticando” esse tempo, que há adolescentes com mais de vinte anos de idade e que há adultos que não querem abrir mão da juventude.

Não importa o limite de idade, mas, sim o que andam fazendo na mocidade. Fico feliz ao ver que há jovens solidários, responsáveis, engajados em seu tempo, politicamente corretos, ecologicamente preocupados, sonhadores e dedicados. Há jovens que são excelentes em seus empreendimentos, eficientes em seu trabalho, inteligentes em seus feitos e especialmente ágeis em seus raciocínios. A maioria é tecnologicamente antenada e possui perspicácia em suas decisões. Os jovens hoje são rápidos demais e estão conectados vinte e quatro horas por dia.

Sem dúvida alguma, há muito o que dizer de positivo dos moços e moças do nosso tempo.
No entanto, há preocupações também. Na cabeça de muitos, as imagens são desconexas, não tem sobrado tempo para a reflexão. A concentração anda prejudicada e a impaciência toma conta. Alguns, por isso, têm perdido a capacidade de curtir uma boa música de conteúdo e de letra profunda. Outros, também, por esta e outras razões, têm banalizado a arte e a poesia. Lamenta-se também o desprezo pela história passada e o desdém em relação ao que é antigo e conservador. O pior, no entanto, é o que anda acontecendo no campo da moral e da espiritualidade.

Há muitos moços e moças que vivem uma “liberdade” ilusória. Acreditam que o certo é determinado pela vontade própria, pela felicidade momentânea e pelo prazer imediato. Alguns têm caído no relativismo ético e, o que é mais trágico ainda, têm descartado Deus de suas vidas. Há um ateísmo prático, que deixa o Senhor Jesus de fora, que o exclui das decisões e que o elimina das horas quando se busca diversão e o entretenimento. Não são todos, é verdade. Mas são muitos. Há muitos moços e moças querendo ficar ricos, mas não ricos para com Deus. Há milhares que desejam dias melhores, mas não buscam um coração transformado pelo Evangelho de Cristo. Querem a paz, mas, contraditoriamente, abrem mão de se relacionarem  com o “Príncipe da Paz”.

Se você pode dizer: “sou moço (a)”, então lhe dou os parabéns. Curta a sua vida! Mas eu também lhe recomendo: “Lembra-te do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais dirás: Não tenho neles prazer” (Ec 12.1).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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