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A justiça perdida

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O compositor cristão perguntou: “Onde andará a justiça outrora perdida?” Esta pergunta nos faz pensar na grande dificuldade que temos hoje de poder encontrá-la. Se, como diz a Bíblia, o efeito da justiça é a paz (Is 32.17), e a paz anda escassa é porque, por dedução lógica, a justiça também anda sumida.

Ao definirmos justiça como a qualidade do que está em conformidade com o que é direito, com o que é justo, e pensarmos também no fato de que justiça significa um relacionamento correto com Deus, com o próximo e com nós mesmos, então, com certeza, a justiça se perdeu em algum lugar.O resultado é funesto, terrível e desanimador. Por isso, antes de tudo, é preciso a justiça, procurá-la até que ela seja encontrada e, assim, então, o resultado colhido será a paz.

Antes de falar sobre como encontrá-la, quero apontar alguns desses resultados que eu chamo de funestos. O primeiro deles é a ação prevalecente do fraudulento. Este é aquele que maquina o mal, que desanda a boca contra a verdade, que procura tirar proveito próprio, que não mede esforços para enganar o povo, que mente com facilidade, que rouba o direito do pobre, que promete e não cumpre, que tem duas caras e que perdeu a capacidade de se envergonhar dos seus próprios erros.

O segundo resultado eu chamo de alienação. Às vezes se acha por aqui que um pouco de pão na mesa das pessoas resolve a questão. Sei que a causa do pobre é justa e que a fome é um desafio premente, mas precisamos ter cuidado para não criarmos uma sociedade de pessoas indiferentes, alienadas e superficiais demais. Guimarães Rosa disse certa vez que o “animal satisfeito dorme”. Sendo assim, nenhum projeto social, por mais nobre que seja, pode ser um causador de uma espécie de sonolência mórbida que nos impede de enxergar a ausência da justiça e as questões sérias que precisam ser tratadas com mais profundidade.

O terceiro resultado é uma espécie de despreocupação pecaminosa. E aqui eu falo, não dos projetos sociais, da mesa do pobre, mas da sociedade consumista, interesseira, intimista e exageradamente preocupada com sua própria prosperidade material. A despreocupação pecaminosa é a preocupação com as coisas fúteis, supérfluas, vazias e ocas. Quando a justiça se perde a linguagem é desconexa, a cultura é do big brother, a canção que se ouve é vazia e sem poesia. Não temos percebido que, com tudo isso, todos nós, indistintamente, colheremos frutos amargos por termos notado, talvez, tarde demais, a ausência da paz.

Quero fazer-lhe uma sugestão: que se mude a questão. Que a justiça outrora perdida seja encontrada, e que a paz tão sonhada possa fazer morada. Não falo aqui de uma paz que implica em ausência de desafios como se fosse uma espécie de paz do cemitério, mas a paz de relacionamentos corretos e da conduta certa. Faço então um convite para que juntos nos lancemos nessa procura e que não descansemos até que a justiça seja encontrada.

É preciso entender, então, antes de tudo, que a justiça real e verdadeira tem relação com uma pessoa: Jesus de Nazaré. Que se comece com Ele e por Ele, tendo-o como Salvador e Senhor de nossas vidas, pois “feliz é a Nação cujo Deus é o Senhor”. Mas, além disso, precisamos nos lançar em projetos nobres. Procurar a justiça é agir com verdade e transparência. É fazer a vida ficar mais bela em coisas simples do dia-a-dia. É tolerância zero para mentira e para falsidade. Um projeto nobre não precisa ser mirabolante, extravagante ou dispendioso. Ele precisa, sim, começar dentro de casa, com educação, respeito e honestidade.

Por fim, eu diria também que é preciso orar pela justiça. Quem sabe, agindo assim, a justiça perdida seja encontrada e a paz tão almejada seja desfrutada.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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