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O normal e o normativo

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Uma das dificuldades que enfrentamos hoje é perceber a sutileza do argumento que faz com o que é normal transforme-se em normativo. O normal é o usual, o comum, o natural, ou, aquilo que é aceitável. Já o normativo é o que serve como norma, como regra, é o que cria os padrões de comportamento, o que determina o que é correto, o que é bom. O normal, frequentemente, é estabelecido pela média estatística: se todos fazem e todos aceitam, então, diria alguém, “isto é normal”. Sendo normal, então, seria o certo e criar-se-ia, por conseguinte, uma norma. Por isso há uma tendência atual, por parte de alguns grupos articulados, de fazer com que nossa geração considere normal o que em outros tempos não seria.

Nesta visão, se a maioria ainda não aceita determinado comportamento como normal então é preciso criar mecanismos para que isso aconteça. As pessoas precisam ser bombardeadas com imagens, com ideias, com pensamentos elaborados, com filosofias cuidadosamente selecionadas a fim de que a massa seja convencida e, finalmente, possa dizer: “a voz do povo é a voz de Deus”.

Outro argumento que anda de mãos dadas com este é o argumento da desconstrução. Frequentemente somos convidados a abrirmos mão de nossos pressupostos, desconstruirmos as nossas verdades e deixarmos de lado o que muitos chamam de “preconceito”. Neste tempo, chamado pós-moderno, não existem mais absolutos.

Talvez tudo isso possa parecer uma ideia nova, mas não é. Este tem sido um dos argumentos favoritos usados através da história para destruir os fundamentos da ética do Reino de Deus. A ética que, diga-se de passagem, é normativa, que não pode ser simplesmente o resultado da opinião de alguns, da massa, ou de quem quer que seja. Pois uma ética assim poderia facilmente ser construída por uma mente doentia, por um lunático, um ditador ou qualquer um que desejasse transformar sua preferência particular em regra universalmente aceita.

O cristão precisa defender seu direito de ter uma norma. O cristão entende que há uma regra de fé e prática e que não há melhor caminho do que a obediência do homem a esta regra. Não há nenhum código humano melhor do que ela e apesar de toda oposição que tem sofrido através dos séculos, ela tem permanecido. Nada, em lugar nenhum, em tempo algum, foi produzido que chegue aos pés desta lei. Ela é imbatível. Ela já foi testada e aprovada. Ela é atemporal. Ela tirou nações do atoleiro moral e resgatou pessoas do mais profundo desespero. Somos, então, convidados a acharmos o normativo, não no normal, mas no caminho que as Escrituras Sagradas nos apontam.

Partindo deste raciocínio, cristãos verdadeiros poderiam ser chamados de “pessoas do livro”, do livro sagrado. É certo que neste Livro, que chamamos de Bíblia, a regra áurea é o amor, portanto precisamos ser respeitosos e cordiais. Mas também é preciso entender que o amor é uma virtude acompanhada e não simplesmente um sentimento inconsequente. Sendo assim, ainda que a graça seja oferecida, o perdão seja pregado e o amor anunciado, o erro precisa ser apontado e o pecado declarado.

Se a Bíblia nos diz, por exemplo, que a nossa orientação sexual é monogâmica, heterossexual e “até que a morte os separe”, então este é nosso normativo e não o que chamam por aí de “nova orientação sexual”. Sei que estamos vivendo numa área de tensão e que dias como os nossos trarão sobre nós forte oposição.

Talvez, para não deixarmos o normal se transformar em normativo, precisamos permanecer firmes e relembrar as palavras do apóstolo Paulo a Timóteo: “Tu, porém, permanece naquilo que aprendeste e de que foste inteirado, sabendo de quem o aprendeste e que, desde a infância, sabes as sagradas letras, que podem tornar-te sábio para a salvação pela fé em Cristo Jesus. Toda Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para educação na justiça” (2Tm 3.14-16).

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).
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