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A difícil arte de ser cristão

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

O dicionário define “arte”, dentre outras coisas, como a capacidade que tem o ser humano de pôr em prática uma ideia, valendo-se da faculdade de dominar a matéria. Sendo assim, podemos usar o termo em vários sentidos e aplicá-lo em diferentes situações. Pensando nisso, quero aproveitar o momento, e falar sobre a difícil arte de ser cristão no tempo presente. A arte de ser cristão, neste caso, tem a ver com a capacidade de pôr em prática valores e princípios do cristianismo neste tempo que se chama Hoje.

Não é fácil ser cristão no mundo atual. E aqui eu falo tanto de perseguição física, como também moral e intelectual. Há situações em algumas regiões do nosso planeta que podem ser definidas como um verdadeiro genocídio. Milhares de cristãos estão sendo mortos todos os anos por grupos religiosos extremistas, por governos intolerantes e por pessoas que carregam ódio na alma contra os seguidores de Jesus de Nazaré. Ainda que não seja novidade isso, pois o próprio Cristo alertou os seus discípulos que seria assim, não é fácil lidar com a oposição e não é confortável para ninguém ter que suportar a dor da hostilidade.

Tudo isso parece muito distante de nós que vivemos aqui no ocidente e, talvez, por esta razão, a impressão que temos é que nada disso vai nos atingir. Engano nosso, pois a perseguição atroz que acontece nesses lugares tem ecos extremamente fortes que se espalham por todo o planeta. Vivemos em um mundo globalizado, sob o que já foi chamado de “efeito borboleta”, pois mesmo o bater suave de pequenas asas que produz deslocamento mínimo do ar à sua volta pode ser sentido a quilômetros de distância por quem, aparentemente, não está nem aí se o tal inseto ainda é larva ou já alçou seu vôo.

Talvez as implicações de tal hostilidade tenha chegado aqui de forma mais ideológica do que física, mais em termos de destruir valores do que de ferir o corpo. Não há um dia sequer sem que os princípios da fé cristã não sejam atacados com violência e criticados sem piedade. Ser cristão no mundo pós-moderno é viver na contramão da sociedade, é nadar contra o curso deste mundo, é viver, com certeza, a verdadeira contracultura. E aqui eu não falo simplesmente de um cristianismo nominal, de fachada, daquele que acende, como diz a música, “uma vela para Deus e a outra pro cão”. Falo, sim, do cristianismo autêntico, que valoriza o que crê e que defende os pilares de sua fé.

Para mostrar que não há exagero nesta fala, cito aqui alguns exemplos. O verdadeiro cristão crê que Deus é o criador do céu e da terra e de tudo o que neles há. Dizer isso em alguns círculos hoje é ser taxado de anti-intelectual, contra a ciência e ultrapassado.   Mas,  no fundo,  quem é  contra esse  princípio, carrega,  na verdade, é uma boa dose de preconceito e antipatia. O verdadeiro cristão também afirma que Deus criou homem e mulher, macho e fêmea, e os fez um para o outro para se completarem e tornaram-se uma só carne. Fazer esse tipo de asseveração no contexto atual é ser passível de “apedrejamento” ideológico por parte de grupos articulados e até mesmo da mídia prevalecente.

O cristão verdadeiro não defende, de forma alguma, o ataque com ódio pelo ódio sofrido e não paga o mal com o mal. No entanto, com certeza, ele vive hoje sob um dos piores bombardeios de toda a sua história. Ser contra a herança cristã tem sido, em muitos casos, algo bonito, moderno, intelectualmente avançado e até espiritualmente elevado. Governos extremistas matam e governos “livres” patrocinam manifestações contra o cristianismo. Estes últimos, por exemplo, dentre muitas coisas, subsidiam cartilhas nas escolas que atacam abertamente valores cristãos, ao mesmo tempo que proíbem orações cristãs, leitura da Bíblia ou uma simples distribuição gratuita de um exemplar do Novo Testamento para alunos da rede pública.

O cristão verdadeiro defende um governo laico, mas não defende um país sem valores cristãos, sem o temor de Deus, sem liberdade de pregar o Evangelho e de anunciar que Jesus é o Caminho, a Verdade e a Vida (João 14.6). A defesa dele é de que, no mínimo, isso seja encarado como algo possível e permitido. No entanto, tristemente, vivemos hoje a difícil arte de ser cristão.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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