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Arquivo mensal: fevereiro 2018

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Cuidado com o tamanho do Eu

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Um dos desejos mais importantes revelados pelo servo de Deus no passado foi o de que o seu “eu” diminuísse. João Batista era o seu nome e, talvez, ele pudesse ter motivos para se engrandecer, afinal, o próprio Jesus disse dele que dentre os nascidos de mulher ninguém apareceu maior (Mt 11.11).A oração de João foi simples e direta: “Convém que ele cresça e que eu diminua” (Jo 3.30). Era importante que o “eu” do Batista diminuísse e havia razões fundamentais para que isso acontecesse.

A primeira delas é óbvia, afinal ele veio para preparar o caminho para aquele que seria incomparavelmente maior do que ele: “…mas aquele que vem depois de mim é mais poderoso do que eu, cujas sandálias não sou digno de levar…” (Mt 3.11). Diante de Jesus não somente João, mas todos nós somos insignificantes, pequenos e diminutos. É sempre bom que Ele cresça no cenário de nossa existência e nas câmaras internas de nosso coração. Por ser Ele o Criador do universo, a imagem do Deus invisível, o Senhor da Igreja, Ele deve ter, com certeza, em todas as coisas, a primazia (Cl 1.13-18).

Talvez pudéssemos enumerar ainda mais duas outras razões para que o “eu” de João Batista diminuísse. A segunda razão tem a ver com a vaidade e a terceira com a autopiedade. São dois extremos, é fato, mas que acontecem quando temos uma visão errada de nós mesmos, ou, em outras palavras, quando não tomamos cuidado com o tamanho do “eu”. Eu explico. Se João não diminuísse naquela altura de seu ministério, provavelmente ele correria o risco de se envaidecer. Afinal, um grande número de pessoas ia ter com ele no deserto. Alguns o confundiram com Elias, com os profetas e até com o próprio Cristo.

Era importante que João Batista diminuísse também para que não fosse tomado pela pena de si mesmo. Embora grande multidão o admirasse, ele era desprezado por muitos e se tornou uma pessoa não grata entre os líderes religiosos da época e especialmente por Herodias que forçou sua filha a pedir ao rei, num prato,a sua cabeça.

É sempre assim, a vaidade ou a autopiedade são resultados de uma visão errada do nosso próprio “eu”. Frequentemente abordamos o fato de que precisamos ter auto-imagem positiva. Concordo, não podemos nos desprezar a nós mesmos. Agir assim é dar espaço para a indolência e a morbidez. A auto-imagem equilibrada nos protege de extremos. No entanto, eu diria que o grande risco que temos da vaidade ou da autopiedade vem, quase sempre, precedido de um “eu” grande demais.

A vaidade é o passo anterior da presunção; a autopiedade, do desespero. A vaidade faz a nossa vida desembocar no egoísmo e na arrogância; a autopiedade, na hipersensibilidade e na visão distorcida da justiça.  Embora pareça exagero da minha parte, eu diria que ambas são evidências de nossa própria idolatria, a idolatria do “eu”. Quando o “eu” é grande demais abro mão de coisas essenciais à minha vida: a gratidão e a ajuda. Passo a olhar para Deus com desconfiança e para o meu irmão com indiferença. Quando o “eu” se torna grande demais me perco no meu próprio mundo, me fecho na clausura de minha alma tão somente minha e passo a ver a vida, Deus e as pessoas como coadjuvantes de minha própria história. Por isso, meu querido irmão, cuidado com o tamanho do “eu”.

Se Deus deu a você um “grande” nome, então não o estampe com letras douradas, seja humilde. Se Deus permitiu a você uma grande dor, não desespere, aprenda a viver contente. Sobretudo, aprenda a lidar com o “eu”, ore como o Batista: “Convém que ele cresça e que eu diminua”.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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Rumo à Terra sem Sombras

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

Dizem que certa vez um homem ficou extremamente insatisfeito com a sua própria sombra e tomou a decisão de fugir dela. Ele deu um passo, mas a sombra o acompanhou. Deu dois passos, mas a sua sombra persistiu. Começou a correr e a sombra correu atrás dele. Tentou correr mais rápido, mas não se livrou daquela que era sua “companheira” pertinaz. Sem forças para continuar, o tal homem sentou-se debaixo de uma árvore frondosa e ali ele percebeu que a sua sombra havia desaparecido.

Em um sentido figurado, podemos dizer que a nossa sombra pode ser a negação de nós mesmos; ou algo que deveríamos ser, mas não somos; ou a nossa ignorância e até o nosso próprio despotismo. O que fica claro é que não somos capazes de vencer tais mazelas simplesmente fugindo delas. Se as possuímos como sombras, elas, por certo, nos acompanharão por onde quer que formos.

Para suplantar tal“perseguição” implacável, precisamos de outras medidas. Precisamos reconhecer que a sombra faz parte de nós mesmos, que ela é o nosso outro lado que nos acompanha. Mas, com certeza, precisamos mais do que isso. Precisamos de refúgio e descanso para a nossa corrida que não nos leva a lugar algum. Precisamos, por assim dizer, nos assentar à sombra daquele que pode trazer alívio ao nosso pesar. “O que habita no esconderijo do Altíssimo e descansa à sombra do Onipotente diz ao SENHOR: Meu refúgio e meu baluarte, Deus meu, em quem confio” (Sl 91.1,2).

Por que fazer isso? Por que nos assentar à sombra do Onipotente? Em primeiro lugar, porque a sombra do Onipotente é, sobretudo, uma sombra coerente. Não há deformidades nela. Em segundo lugar, há frescor e refrigério para o sôfrego, alívio para o cansado e descanso para o sobrecarregado. Em terceiro lugar, somente debaixo dela vamos poder saber enfrentar com segurança a escuridade que nos acompanha e o pecado que tenazmente nos assedia. Teremos dele o perdão e o auxílio para continuarmos a nossa jornada.

Não concordo com aqueles que dizem que viver à sombra do Onipotente é declarar-se mórbido e impotente, é esconder-se atrás de um determinismo cego para justificar uma espécie de inadimplência moral. Não vejo dessa forma, mas, sim, como lenitivo para as nossas feridas e incentivo para a nossa lida. O próprio Jesus nos ensinou assim e se colocou, ele mesmo, como o que há de aliviar a nossa dor, fadiga e cansaço: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e sobrecarregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração; e achareis descanso para a vossa alma. Porque o meu jugo é suave, e o meu fardo é leve” (Mt 11.28-30).

Sendo assim, meu querido irmão, não tente fugir de sua própria sombra. Esta é uma corrida inútil. Venha para debaixo daquele que pode trazer alívio para você e, por assim dizer, livrar você de sua sombra. Se ela, a sua sombra, tem revelado as suas deformidades, então venha para o Salvador, deixe que a sombra dele se projete ao seu redor. Pegue o fardo dele que é leve e aprenda dele, pois só ele é capaz de quebrar o entrave do pecado em sua vida.

Caminhe com Cristo todos os dias, pois, por certo, somente com Ele você chegará, um dia, na terra sem sombras, onde o único “sol” que brilhará será o sol da justiça dele e a única sombra projetada será a sombra da glória que ele tem. Na terra sem sombras não fugiremos mais de nós mesmos, pois nos encontraremos em Jesus e seremos semelhantes a Ele porque haveremos de vê-lo como ele é. Na terra sem sombras não haverá medo ou pavor; não existirá o cansaço e nem o desfalecer; mas segurança, descanso e alegria sem fim.

  • Célio Teixeira Júnior é pastor da Primeira Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).