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Arquivo mensal: setembro 2017

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A velhinha e as moedas

Por Diego Nascimento*

Estacionar o carro tem sido um desafio em inúmeras cidades pelo Brasil, principalmente se essa missão trouxer novidades para quem estiver sem o devido preparo ou treinamento. O personagem desse artigo sabe bem disso e fez questão de compartilhar o episódio que contarei a seguir.

Ao visitar um município para atender a questões profissionais o motorista encontrou uma vaga atraente e de fácil acesso; não pensou duas vezes e acomodou o veículo. Correu até o parquímetro e foi surpreendido pelas restritas opções para pagar o estacionamento: moedas, cartão fidelidade ou um aplicativo de celular. Com os bolsos contendo apenas notas, comércio fechado, internet falhando, horário mais do que apertado e sendo um “turista” o nosso personagem foi impactado com uma atitude inesperada.

Enquanto ele tentava buscar uma saída rápida e inteligente para aquele “problemão” o motorista ouviu uma voz com a seguinte pergunta: ” – O Sr. necessita de moedas? Eu posso ajudar” Era uma pequena senhora manifestando o amor ao próximo durante uma saudável caminhada matinal. Imediatamente o problema foi solucionado e nosso amigo seguiu a tempo de seu compromisso; a atitude daquela velhinha tivera um profundo significado.

No livro de Gálatas 6:9 encontramos a seguinte orientação: “E não nos cansemos de fazer o bem”. O próprio Jesus ofereceu incríveis demonstrações de acolhida e compaixão a pessoas que humanamente ele desconhecia. É dele as palavras que lemos em Mateus 5:16: “Assim brilhe a luz de vocês diante dos homens, para que vejam as suas boas obras e glorifiquem ao Pai de vocês, que está nos céus.” Nosso estoque de gentileza precisa ser gasto e suprido para que mais e mais gente seja alvo de nossa benevolência. Para o cristão essa é uma regra natural e notória; do contrário é extremamente preocupante.

Avaliar nossa conduta por meio do que é falado e feito nem sempre é fácil. O corre corre do cotidiano impede que ações simples sejam praticadas e compartilhadas até dentro de casa. Precisamos direcionar nossa mente e intenções para o coletivo, a começar por nossa família. O “Eu me basto” é uma expressão nociva para quem busca testemunhar o verdadeiro amor de Cristo. A ilustração das moedas no parquímetro mostra que há situações inesperadas em que podemos fazer a diferença jogando fora a soberba e a arrogância, e fazendo dos ensinamentos de Jesus um reflexo diário onde quer que estejamos.

“Tudo o que fizerem, seja em palavra seja em ação, façam-no em nome do Senhor Jesus, dando por meio dele graças a Deus Pai.” Colossenses 3:17

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

 

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25 de setembro

Por Diego Nascimento*

As estatísticas assustam qualquer pessoa quando se trata de acidentes no trânsito. Uma parcela considerável das fatalidades tem origem na imprudência dos condutores (não importa o tamanho do veículo). A criação do Código Nacional de Trânsito Brasileiro em 1997 permitiu a ampliação de inúmeras campanhas na tentativa de conscientizar a sociedade sobre as regras que, diariamente, são descumpridas em algum trecho desse país com dimensões continentais. Grande parte da publicidade é feita a partir de 25 de setembro, data em que se comemora o Dia Nacional do Trânsito.

No caso dos cristãos o principal “Código” para um bom caminhar é a Palavra de Deus. Nela encontrarmos todo e qualquer detalhe sobre os momentos de alegria e períodos de inquietação. O livro de Salmos, no capítulo 1, versos de 1 à 3, traz uma importante referência para quem escolhe a Bíblia como GPS* para as decisões: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho dos ímpios, nem se detém no caminho dos pecadores, nem se assenta na roda dos escarnecedores. Antes tem o seu prazer na lei do Senhor, e na sua lei medita de dia e de noite. Pois será como a árvore plantada junto a ribeiros de águas, a qual dá o seu fruto no seu tempo; as suas folhas não cairão, e tudo quanto fizer prosperará. ” Esse é um cenário constantemente testemunhado por servos dedicados e que optam por não buscar atalhos.

Se analisarmos com profundidade perceberemos que grande parte dos acidentes são causados por quem é habilitado, ou seja, egressos de um treinamento teórico e prático de condução. Um comparativo pode ser feito com a vida espiritual: quantas pessoas, conhecedoras da Palavra de Deus, optam pela rota contrária sob as rédeas do perigo iminente ou simplesmente pelo prazer a qualquer custo? Afirmação triste, mas real.

Em Hebreus capítulo 3, versos de 12 à 14, encontramos um alerta geral: “Vede, irmãos, que nunca haja em qualquer de vós um coração mau e infiel, para se apartar do Deus vivo. Antes, exortai-vos uns aos outros todos os dias, durante o tempo que se chama Hoje, para que nenhum de vós se endureça pelo engano do pecado; Porque nos tornamos participantes de Cristo, se retivermos firmemente o princípio da nossa confiança até ao fim. ” Os caminhos do Nosso Senhor são eternos e nos conduzem à vida. A imprudência na caminhada cristã pode resultar em situações lamentáveis aos olhos de Deus e dos homens.

Pensemos nas linhas da II epístola de Paulo a Timóteo, capítulo 3 versos 16 e 17 que dizem: Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra. ” A Bíblia é o único “Código” infalível para a jornada em Cristo. Sigamos com ela!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
  • Global Positionion System (Sistema Global de Posicionamento).

O amor: uma arte ou uma ordem?

Por José Luiz A. Gomes*

Certa feita um poeta e cantor brasileiro disse: “O amor é uma arte, a questão é que nem todos são artistas. ” Belas palavras para um mundo embriagado devido a beleza ilusória dos vocábulos e propagandas irrustidas de um falso marketing. E mesmo que sejamos uma minoria, o fato é que as coisas não funcionam assim. E por mais que o poeta estivesse obviamente usando uma linguagem figurada, nós cristãos devemos discordar desse tipo de pensamento pois além do amor Bíblico nunca ter sido tratado dessa forma, toda sorte de talentos artísticos emana de forma comum naqueles que os possuem, ao contrário do amor perfeito descrito na Bíblia e ensinado por nosso Senhor Jesus Cristo.

O que vemos hoje em dia é o sentimento em sua forma desfigurada, egoísta e extremamente estilhaçada devido à queda. Acredito que não vemos nada além de egocentrismos. O verdadeiro: “toma lá, dá cá. ” Usando o poeta como exemplo, a primeira discordância que devemos ter em relação a este pensamento é que ninguém pode dar ao outro aquilo que não tem em si próprio; somente Deus pode nos ensinar a amar de fato, como uma graça especial, ao contrário de toda sorte de talentos artísticos que podem ser facilmente desfrutados por todos, sem exceção. E a segunda problemática na fala do poeta é o fato do amor ser comparado quase que de forma generalizada a um sentimento, algo que nunca ocorreu nos ensinos de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Só lembrando que não estamos discutindo a inexistência dos sentimentos e até que ponto eles estão interligados ao amor Bíblico. Não! A questão é que por várias vezes no Novo Testamento vemos o verbo [αγάπη]”agapê”, que em sua forma transliterada seria a palavra amor, sendo usado na forma [ἀγαπᾶτε]“agapate”, que seria sua forma imperativa, e não sendo usado em forma opcional e muito menos sentimental. O verdadeiro amor Bíblico tem mais a ver com o fazer aquilo que não queremos, do que propriamente fazer aquilo que queremos; tem mais ligação com o executar do que com o falar; tem mais a ver com o agir do que com o sentir.

Nos ensinos de Jesus não há espaço para demagogias. E devido a isto, o amor nunca foi uma arte, e sim, uma ordenança, um mandamento. Vejam o que diz Nosso Senhor no evangelho conforme relatou Mateus no cap. 5 e vers. 43,44: “Ouviste que foi dito: Amarás o teu próximo e odiarás o teu inimigo. Eu, porém, vos digo: amai vossos inimigos e orai pelos que vos perseguem…” Não vemos aqui Jesus nos ensinando a ser artistas ou nos dando uma opção, não! Vemos aqui uma ordem. Percebam o tempo verbal: “…amai. ”

Artistas não vão além de sua capacidade ou além de suas vocações. Eles não têm facilidades com pressões e nem mesmo têm inspirações em seus “maus” dias. Eu como artífice da madeira ou um artista nato posso categoricamente afirmar isto.

Os artistas não fazem nada além de colocar para fora o que se encontra do lado de dentro. Todavia, Jesus nos ensina a ir além. Ele nos ensina a colocarmos para fora aquilo que muitas vezes não se encontra em nosso coração. Nossas ações não podem se basear em nosso sentimento.

O mundo não se encontra da maneira que vemos por falta de “artistas”, e sim, por falta de pessoas que de fato se disponham a seguir os ensinamentos de Nosso Senhor Jesus Cristo que nos ensina a ir além de nossos desejos, vontades e vocações.

Jesus nos desafia a amarmos e oramos por aqueles que nos perseguem. Você tem orado por estes? Ou sendo ainda mais desafiador: Você consegue sentir algo positivo ou ter um sentimento por uma pessoa que te odeia ou que te persegue? É possível que não! Mas acredito que todos nós podemos fazer algo por elas. No sentido de ação. “… amai. ” Eis aqui o desafio de Nosso Senhor. Não temos desculpas.

*José Luiz é diácono da Congregação da I Igreja Presbiteriana de Lavras em Ijaci.