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Arquivo mensal: junho 2017

Num piscar de olhos

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

As coisas mudam num piscar de olhos e tamanha mudança pode nos causar a sensação de descontrole. Às vezes tem-se a impressão de que o mundo está de cabeça-pra-baixo e que precisamos reaprender a viver, vivendo de forma diferente do que temos vivido até aqui. Não sei se isso é uma espécie de sentimento que, como disse o poeta, nos faz “estancar de repente”, ter uma forte noção de que o mundo “cresceu” ou de que tudo isso deve ser mesmo assim, nos levando à passividade mórbida e a uma aceitação inconteste. Querem nos obrigar a entrar nesta “roda viva” concordando com tudo, aceitando tudo e anulando tudo o que aprendemos até aqui. Eu diria que há mudanças necessárias, mas há outras que metem medo e nos assustam e elas estão acontecendo depressa demais para o nosso gosto cristão.

Piscamos os olhos e, num instante, o conceito de família é bem diferente do que recebemos como herança. Piscamos os olhos e os valores já mudaram, os princípios antigos já foram embora e somos obrigados a “aceitar” novas regras, novas ideias e novos padrões como normais, como fruto do “progresso” e conquista da modernidade. Piscamos os olhos e a vida já passou de repente. Piscamos os olhos e olhamos para o lado e percebemos que os nossos filhos cresceram, que a Escola mudou, que a Igreja é outra e que nós mesmos estamos andando diferente, nos comportando como nunca imaginávamos nos comportar um dia. É como se num piscar de olhos, séculos tivessem se passado, mundos inteiros tivessem sido destruídos e uma nova era tivesse surgido.

Talvez tudo isso seja resultado do fato de que estamos, por assim dizer, piscando demais os nossos olhos. E aqui eu falo de distração, de descuido, de desatenção, ou mesmo, de indiferença. O oposto de piscar demais os olhos é mantê-los atentos e bem abertos. Não é sem motivo que a Bíblia nos conclama a vigiar e permanecer alertas o tempo todo (Lc 21.36). Isso envolve a nossa vida, em primeiro lugar, numa espécie de conscientização de que a velocidade das mudanças é algo inevitável e precisamos estar preparados para elas. Mas isso envolve também a preservação dos nossos valores cristãos, envolve um não envolvimento com o erro e uma disposição sempre pronta para anunciar a verdade. Mas se as coisas mudam num piscar de olhos, você e eu precisamos saber que “Deus jamais pisca”. Pelo contrário, a Bíblia nos diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e o será para todo sempre (Hb 13.8).

Os olhos de Deus permeiam toda a terra, sondam as profundezas, vasculham os horizontes, perscrutam a nossa alma e jamais se fecham, pois Ele é aquele do qual se diz: “É certo que não dormita, nem dorme o guarda de Israel” (Sl 121.4). Os olhos de Deus são como chama de fogo ardente (Ap 1.14), nada foge ao seu olhar e não há treva alguma, por mais densa que seja, que possa impedir a sua visão. Com um só relance do seu olhar ele contempla o universo, enxerga a estrela mais distante e até mesmo o organismo mais minúsculo. Ele vê o oculto e o escondido e com Ele mora a luz (Dn 2.22). Sim, “as coisas podem mudar num piscar de olhos, mas Deus nunca pisca”. Esta frase foi dita por Regina Brett, uma senhora de 90 anos de idade, que escreveu sobre quarenta e cinco lições que a vida lhe ensinou. De todas elas, com certeza, esta é a mais significativa do ponto de vista das mudanças e também de nossa fé.

As coisas mudam num piscar de olhos. Talvez o mundo seja como a “Roda Viva” da música de Chico Buarque. Quem sabe ele dê voltas ou, como sugere alguém, ele seja como uma espiral. Não sei onde tudo isso vai parar ou se vai parar algum dia, mas eu sei que posso descansar no fato de que o meu Deus há de suprir cada uma das minhas necessidades em Cristo Jesus (Fp 4.19) e estou certo de que nada pode me tirar de suas mãos protetoras (Jo 10.28) e não pode me ocultar do Seu olhar atento (Sl 139.1-12). “O mundo muda”, disse o compositor do hino, “mas Cristo não”. E se nos assustamos com as mudanças, precisamos dizer para nós mesmos: Ele não dorme, não cochila e nem mesmo pisca.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)
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O terror noturno

Por Diego Nascimento*

Se engana quem iniciou essa leitura buscando por um texto de suspense. Quero tratar daquele momento em que seu coração fica apertado de forma inesperada, ou quando uma importante decisão resulta no medo, um sentimento traiçoeiro e ingrato.

O Rei Davi foi um personagem bíblico que deixou registrado diversas fases de inquietação. No Salmo 91, verso 5, encontramos o seguinte versículo: “Não terás medo do terror de noite nem da seta que voa de dia,”. O Deus de Abraão, Isaque e Jacó, o mesmo que conduziu Davi na terra de Israel e que diariamente pega a nossa mão foi claro ao falar com Josué, quando este foi chamado a assumir a liderança do povo no deserto: “Não to mandei eu? Esforça-te, e tem bom ânimo; não temas, nem te espantes; porque o Senhor teu Deus é contigo, por onde quer que andares.” Livro de Josué, capítulo 1, verso 9.

É importante frisar que nossa meditação não trata do medo resultante de decisões tomadas longe do Senhor. No livro de I Coríntios, capítulo 6, verso 12, o apóstolo Paulo registra que toda ação gera uma reação; o que falamos e fazemos traz consequências profundas:  “Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm. Todas as coisas me são lícitas, mas eu não me deixarei dominar por nenhuma.” Ao  refletir sobre o medo avalie se está vinculado à falta de fé ou por escolhas mal feitas. Se se tratar da primeira alternativa recomendo que deposite toda a sua ansiedade diante DELE; se for ligado ao segundo item indico uma profunda reflexão e mudança de rota: ainda há esperança em Cristo Jesus.

Com frequência escolhemos o travesseiro como instrumento de análise. Que tal se aproximar de Deus por meio da oração e sentir o real significado do que encontramos no livro de Salmos, capítulo 4, versos 7 e 8: “Encheste o meu coração de alegria, alegria maior do que a daqueles que têm fartura de trigo e de vinho. Em paz me deito e logo adormeço, pois só tu, Senhor, me fazes viver em segurança.”

Reflita!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)