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Arquivo mensal: maio 2017

Diga não à inquietação!

Por Reverendo Célio Teixeira Júnior*

A palavra inquietação, significa o estado de turbulência, perturbação, apreensão e ausência de sossego. O inquieto é o indivíduo oscilante, agitado e apreensivo. Há pessoas assim, que não sossegam nunca e vivem de forma agitada. Ainda que a palavra tenha um sentido positivo, pois pode produzir uma boa saída na hora da crise e ser uma reação à morbidez e à apatia, o seu uso é, com frequência, negativo. Ou seja, é triste viver sem sossego e agitado. É desolador não conseguir se aquietar.

Há um belo Salmo da Bíblia que considera sobre a transitoriedade da vida e sua fragilidade e que nos faz lembrar que a inquietação é vã, não vai tornar a vida mais útil e nem tampouco há de prolongar os nossos dias sobre a terra: “Com efeito, passa o homem como uma sombra; em vão se inquieta; amontoa tesouros e não sabe quem os levará” (Sl 39.6). É como se o salmista estivesse dizendo que a inquietação é pura perda de tempo. Além disso, é preciso saber fazer boas escolhas a fim de que a inquietude não seja o padrão de nosso comportamento e a mola propulsora da ansiedade.

Por vivermos em um mundo inquieto, é preciso saber que há uma forte tentação para seguirmos o seu modelo. Longe de ser um convite à indolência, a Bíblia nos ensina que precisamos aprender aquietar o nosso coração. O famoso bispo de Hipona, Agostinho, disse certa vez: “Inquieto é o meu coração até que descanse em ti”. Palavras como descansar, esperar e confiar são bons antídotos para esse tipo de veneno letal que corre nas veias de nossa sociedade nestes tempos chamados de pós-modernos. A inquietação, portanto, pode nos roubar o que a vida tem de melhor para nos oferecer.

Talvez seja importante, então, destacaralguns dos tesouros preciosos que nos são tirados quando a inquietude ou a inquietação toma conta da alma, quando ela invade o coração e quando a mente se submete ao seu comando.

O primeiro desses tesouros é o temor do Senhor. A Bíblia diz: Melhor é o pouco, havendo o temor do SENHOR, do que grande tesouro onde há inquietação” (Pv 15.16). A inquietação pode, de fato, nos deixar tão absortos quanto às nossas procuras que acabamos por desprezar o mais importante: “O temor do Senhor”. Perder o temor do Senhor por causa da inquietude é péssimo sinal e escolha desastrosa. A Bíblia diz que o “temor do Senhor é o princípio da sabedoria” (Sl 111.10; Pv 1.7).

O segundo tesouro assaltado pela inquietude é o tempo precioso que precisamos aproveitar, aos pés do Senhor Jesus, para ouvirmos a sua palavra. Há um exemplo na Bíblia de uma pessoa que, por causa da inquietação, estava perdendo a melhor parte: “Respondeu-lhe o Senhor: Marta! Marta! Andas inquieta e te preocupas com muitas coisas” (Lc 10.41). Às vezes, precisamos nos aquietar a fim de que possamos ouvir o conselho manso do ensino de Jesus, o cicio tranquilo da voz de Deus que segreda ao nosso coração verdades restauradoras.

Em terceiro lugar, a inquietude tem a especialidade própria em roubar de nós a harmonia nos nossos relacionamentos interpessoais. Quantas vezes não nos damos bem com as pessoas à nossa volta porque, na verdade, não estamos bem dentro de nós mesmos, estamos agitados e envolvidos no exercício negativo de vivermos inquietos e exageradamente preocupados. Não conseguimos nem sequer ouvir os que estão à nossa volta. Há, por causa disso, uma espécie de irritação à flor da pele. Para construirmos pontes significativas de amizade e companheirismo precisamos aprender a aquietar os lábios e o coração (Tg 1.19).

Meu querido irmão, diga não à inquietação. Aconselho que você tome, todas as manhãs, uma boa dose de paciência e pratique todos os dias o “exercício localizado” da confiança na providência de Deus. Faça isso e conserve assim os três tesouros melhores da vida: O temor do Senhor, a Palavra de Cristo e a boa convivência com o próximo.

  • Reverendo Célio é pastor da Igreja Presbiteriana de Jaú (SP)
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Oração é coisa séria: Parte II (Final)

Por Diego Nascimento*

Se você leu o último artigo intitulado “Oração é coisa séria: Parte I” deve estar com muita curiosidade a respeito dos Moravianos. Em nosso estudo prévio aprendemos que uma simples reunião de oração se transformou em um evento que durou, nada mais nada menos, que 100 anos. Isso mesmo: um século inteiro de agradecimento, intercessão e confissão.

O projeto dos Moravianos teve um impacto que testemunhamos até os dias de hoje. Em meados do século 18 esse povo enviou uma quantidade considerável de missionários pelo mundo, prontos a pregar o Evangelho. Se hoje você está lendo esse artigo quero que saiba que os Moravianos fazem parte disso. Embora haja uma distância de quase 300 anos na linha do tempo, certamente fomos alvos de oração incessante.

Depois de conhecermos essa grande saga tenho certeza de que você repensou sua postura ao orar. O diálogo com Deus é uma atitude essencial na vida do cristão, embora muitos têm deixado essa incrível forma de comunicação apenas para os momentos de desespero.

A Bíblia Sagrada nos alerta: “Vigiai e orai”  – Mateus 26:41. O ato de colocar nossas preces no altar de Nosso Senhor permite que descansemos nosso coração. No mesmo livro Cristo nos convida a ficarmos perto Dele, seja qual for o momento: “Vinde a mim, todos os que estais cansados e oprimidos, e eu vos aliviarei.” Matheus 11:28.

Até que ponto praticamos o “falar” com ELE? Temos livre acesso e fomos alvo do maior sacrifício de amor de todos os tempos. Que tal compartilharmos as boas novas?

Que Deus te abençoe!

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

“Espera pelo Senhor, tem bom ânimo, e fortifique-se o teu coração; espera, pois, pelo Senhor”. Salmo 27:14

Natalie van den Berg*

Como este versículo opera na prática? As vezes me pego pensando: Quanto tempo é necessário esperar? O que é bom ânimo?

Acredito que este versículo já começa com “Espera”, porque Deus sabe que somos seres aflitos. Preciso confessar: as vezes fico me perguntando por dentro, “mas Pai….quando vamos chegar?”.  Logo me vem a memória daquelas viagens que fazemos com os filhos quando são  pequenos para a praia ou coisa parecida. Às vezes mal saímos da cidade e então já vem aquele tão conhecido refrão: “Mas papai/mamãe falta quanto tempo? ” No início, de modo geral, damos aquelas respostas pacientes, de pais calmos e sensatos: meu filho, vamos chegar no final da tarde. ”  Mal terminou de responder, quando vem de novo: ” E agora, já estamos chegando? ”.  Geralmente isso continua sem interrupção até que pai ou mãe apela e dá uma daquelas respostas “Agora (suspiro, conta até 3), DEITA E DORME! Não quero ouvir mais nenhuma palavra ou já encostamos aqui mesmo! ” ou qualquer outra reação do gênero. Às vezes funciona, por uma meia hora….

A verdade é que se dermos a exata kilometragem para os filhos, os números de horas que vão ser gastas para chegar ao destino final, eles, ainda pequenos, não compreenderão. Apenas podemos dizer, “Meu filho, minha filha, temos ainda uma longa viagem. Deita. Dorme. O papai avisa quando chegarmos lá.”

No entanto, não é que agimos como nossos filhos com o nosso Pai do Céu? “Pai… e agora, faltam quantos minutos? Já estamos chegando lá?”. Mesmo que Deus nos desse a hora exata em que alcançaríamos o nosso destino, possivelmente ainda assim, não teríamos a compreensão. Então Deus, quem sabe virando para trás na direção, com uma mão no nosso ombro ou joelho, e com um olhar de firmeza e ao mesmo tempo de amor, nos diga apenas (parafraseando aqui): “Minha filha…Meu filho.. Espera em mim, seu Pai. Tenha bom ânimo.” Talvez ele possa até dizer, “Olha, iremos chegar. Agora, se acalme, fortaleça seu coração. Estou aqui. Estou na direção. Agora descanse, pois quando estivermos lá, irei te avisar.” Na verdade, no versículo, após ser dito para ter bom ânimo e fortalecer o coração, novamente se repetem as palavras: “…espera, pois, pelo Senhor.” Tenho a impressão, que como nossos filhos, Deus tem consciência da nossa compreensão limitada do tempo, e dos aspectos logísticos da jornada existencial, assim, logo ao final, Ele repete como para nos encorajar: “Espera…deixa comigo.”

Não sei em que momento da jornada da vida você ou sua família estão. Quem sabe, parece que não chegarão nunca ao destino. Nessas horas, sei por mim, que começo a me desesperar e a querer tomar a direção nas minhas próprias mãos. “Quem sabe tento isso ou aquilo?” Até que em determinado momento, concluo, que não tenho mais forças. Não tenho noção do tempo. Há coisas que são grandes demais para mim. Me desfaleço e quero me prostrar (se é que não faço exatamente isto). Mas creio em um Deus, Pai, Todo Poderoso, que sabe que não tenho noção da distância ou dos desafios que estão por vir, que me alisa o cabelo e diz: “Filha, espera. Tenha bom ânimo. Fortifique seu coração. Eu estou no controle da sua vida e tenho o mapa do que se passa. Confie em Mim. E chegando vou ser o primeiro a te avisar.” Que essas palavras hoje, possam trazer descanso para seu coração. Agora, se ajeite, deite um pouco aí no banco de trás. Pois o seu pai está na direção.

  • Natalie é psicóloga e membro da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG).