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A saga de Mary Jones

Por Diego Nascimento*

Para muitas pessoas ter uma Bíblia para uso dentro e fora da Igreja parece algo simples, mas essa é uma realidade distante para alguns povos ao redor mundo. É nesse cenário que as Sociedades Bíblicas têm exercido um importante papel na distribuição das Sagradas Escrituras para crianças, jovens e adultos.

Em 1784 nascia a jovem Mary Jones. Filha de pais calvinistas-metodistas aquela criança fez sua pública profissão de fé aos oito anos de idade, cumprindo um dos mandamentos de Cristo registrado em Mateus, capítulo 19, verso 14: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois, o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas”. A história conta que Mary vivia em imensa pobreza e que auxiliava a família no cultivo da terra e em tempos de colheita. Após a chegada de um professor à vila onde morava, a menina surpreendeu os colegas e aprendeu a ler e a escrever em tempo recorde. Eram dias árduos, mas mesmo assim Mary enxergou oportunidades ao invés de criar dificuldades. Para praticar a leitura e a escrita escolheu ter uma Bíblia e dedicou seis anos de sua vida para juntar as moedas e viajar 42Km para fazer a aquisição do tão sonhado livro. Ao chegar em seu destino final Mary, então com 15 anos, encontrou o Rev. Thomas Charles que deu uma triste notícia: os dois exemplares disponíveis já estavam vendidos. Depois de ouvir a saga da garota que tinha como única missão retornar para casa com a Palavra nas mãos, o Rev. Charles cedeu uma das Bíblias vendidas recentemente, explicando que o cliente entenderia a causa.

O que pouca gente sabe é que a história não para por aqui. Thomas Charles ficou tão incomodado com as dificuldades de Mary em adquirir uma publicação que resolveu testemunhar sobre a garotinha e, com a ajuda de amigos, iniciou a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (The British and Foreign Bible Society) em 1804. Esse movimento foi um dos precursores para a abertura de Sociedades Bíblicas em outros países. O esforço e o sacrifício de uma menina foram capazes de mudar a vida de muitas pessoas nas gerações seguintes. E nós, o que temos feito? A sede pelo conhecimento de Deus é comum na vida do cristão e o estudo da Palavra faz parte da jornada. Mateus 4:4 diz: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Certamente Mary Jones já desfrutava da graça de ter o coração repousado nas mãos do Senhor: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.” – Salmos 119:105. Tanto que superou aparentes obstáculos em prol de uma causa maior.

Confesso que tenho o hábito de presentear pessoas com a Bíblia Sagrada, pois considero um presente para toda a eternidade. De Gênesis à Apocalipse encontramos orientações do Nosso Senhor para uma vida de santidade, capaz de assessorar pequenas e grandes tomadas de decisão: “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.” – Salmos 119:11 

Mary Jones cresceu, se casou, constituiu família e faleceu em 1864. Ao que tudo indica seus restos mortais estão sepultados na Bryn-Crug Calvinistic Methodist Chapel (Capela Calvinista Metodista de Bryn-Crug) no interior da Inglaterra. A tão lendária Bíblia está disponível na Biblioteca da Universidade de Cambridge e uma segunda cópia na Biblioteca Nacional de Wales, visível a peregrinos conhecedores desse belo capítulo de nossa era.

A história continua e digo que você e eu precisamos replicar atitudes desse tipo. Hora de arregaçar as mangas e semear as Boas Novas: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça.” 2 Timóteo 3:16.

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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