Aprenda sobre a Bíblia

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Arquivo mensal: março 2017

A saga de Mary Jones

Por Diego Nascimento*

Para muitas pessoas ter uma Bíblia para uso dentro e fora da Igreja parece algo simples, mas essa é uma realidade distante para alguns povos ao redor mundo. É nesse cenário que as Sociedades Bíblicas têm exercido um importante papel na distribuição das Sagradas Escrituras para crianças, jovens e adultos.

Em 1784 nascia a jovem Mary Jones. Filha de pais calvinistas-metodistas aquela criança fez sua pública profissão de fé aos oito anos de idade, cumprindo um dos mandamentos de Cristo registrado em Mateus, capítulo 19, verso 14: “Deixai vir a mim as crianças, não as impeçais, pois, o Reino dos céus pertence aos que se tornam semelhantes a elas”. A história conta que Mary vivia em imensa pobreza e que auxiliava a família no cultivo da terra e em tempos de colheita. Após a chegada de um professor à vila onde morava, a menina surpreendeu os colegas e aprendeu a ler e a escrever em tempo recorde. Eram dias árduos, mas mesmo assim Mary enxergou oportunidades ao invés de criar dificuldades. Para praticar a leitura e a escrita escolheu ter uma Bíblia e dedicou seis anos de sua vida para juntar as moedas e viajar 42Km para fazer a aquisição do tão sonhado livro. Ao chegar em seu destino final Mary, então com 15 anos, encontrou o Rev. Thomas Charles que deu uma triste notícia: os dois exemplares disponíveis já estavam vendidos. Depois de ouvir a saga da garota que tinha como única missão retornar para casa com a Palavra nas mãos, o Rev. Charles cedeu uma das Bíblias vendidas recentemente, explicando que o cliente entenderia a causa.

O que pouca gente sabe é que a história não para por aqui. Thomas Charles ficou tão incomodado com as dificuldades de Mary em adquirir uma publicação que resolveu testemunhar sobre a garotinha e, com a ajuda de amigos, iniciou a Sociedade Bíblica Britânica e Estrangeira (The British and Foreign Bible Society) em 1804. Esse movimento foi um dos precursores para a abertura de Sociedades Bíblicas em outros países. O esforço e o sacrifício de uma menina foram capazes de mudar a vida de muitas pessoas nas gerações seguintes. E nós, o que temos feito? A sede pelo conhecimento de Deus é comum na vida do cristão e o estudo da Palavra faz parte da jornada. Mateus 4:4 diz: “Nem só de pão viverá o homem, mas de toda palavra que procede da boca de Deus”. Certamente Mary Jones já desfrutava da graça de ter o coração repousado nas mãos do Senhor: “A tua palavra é lâmpada que ilumina os meus passos e luz que clareia o meu caminho.” – Salmos 119:105. Tanto que superou aparentes obstáculos em prol de uma causa maior.

Confesso que tenho o hábito de presentear pessoas com a Bíblia Sagrada, pois considero um presente para toda a eternidade. De Gênesis à Apocalipse encontramos orientações do Nosso Senhor para uma vida de santidade, capaz de assessorar pequenas e grandes tomadas de decisão: “Guardei no coração a tua palavra para não pecar contra ti.” – Salmos 119:11 

Mary Jones cresceu, se casou, constituiu família e faleceu em 1864. Ao que tudo indica seus restos mortais estão sepultados na Bryn-Crug Calvinistic Methodist Chapel (Capela Calvinista Metodista de Bryn-Crug) no interior da Inglaterra. A tão lendária Bíblia está disponível na Biblioteca da Universidade de Cambridge e uma segunda cópia na Biblioteca Nacional de Wales, visível a peregrinos conhecedores desse belo capítulo de nossa era.

A história continua e digo que você e eu precisamos replicar atitudes desse tipo. Hora de arregaçar as mangas e semear as Boas Novas: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça.” 2 Timóteo 3:16.

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)
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Papel, caneta e disposição

Por Diego Nascimento*

Desde a minha infância recebo, na semana que antecede o meu aniversário, uma carinhosa carta escrita por minha avó materna. Aos 84 anos de idade ela mantém essa prática tão rara, mas de enorme prestígio. Não há o que pague aquele momento de encontrar a tradicional cartinha na caixa de correspondências. Tenho primos espalhados por vários lugares e minha avó Josefina faz questão de realizar o envio para todos, respeitando as datas e cuidando para que cada manifestação de carinho chegue a tempo da comemoração.

A Bíblia é repleta de epístolas. O apóstolo Paulo é um dos maiores exemplos de homens de Deus que fizeram uso do envio de correspondências para praticar o evangelismo e a exortação. Era uma ferramenta muito prática, principalmente quando ele estava no cárcere amarrado a correntes e convivendo com ratos e baratas simplesmente por ter manifestado seu amor por Cristo. Em Filipenses, capítulo 1, Paulo descreve sobre a importância em fazer a diferença mesmo em meio à perseguição. No versículo 14 lemos: “E a maioria dos irmãos, motivados no Senhor pela minha prisão, estão anunciando a Palavra com maior determinação e destemor.”

Certamente a perseverança faz parte da jornada daquele que evangeliza. Você, eu, nós … precisamos adotar uma postura de aproveitar as oportunidades para propagar o Evangelho para quem está perto e para quem está longe. No momento em que a comunicação verbal não for possível, sugiro que busque alternativas para deixar um recado, uma mensagem ou mesmo um alerta. Embora eu faça uso de diferentes redes sociais e aplicativos para o envio de textos não abro mão de separar um tempo para o papel e a caneta. É possível falar de Jesus à moda antiga. No livro do profeta Isaías, capítulo 6, verso 8 encontramos: “Então ouvi a voz do Senhor, conclamando: “Quem enviarei? Quem irá por nós?” E eu respondi: Eis-me aqui. Envia-me!” De que forma temos atendido a esse chamado?

Enquanto minha avó continua a preparar as cartas, há quem permaneça congelado em atitudes de interação com as pessoas à volta. Trocam o diálogo com filhos e amigos por horas na frente da TV ou da internet. O que dizer das Sagradas Escrituras? Encerro sugerindo a reflexão sobre a carta de Paulo aos Romanos, capítulo 1, verso 16: “Não me envergonho do evangelho, porque é o poder de Deus para a salvação de todo aquele que crê …” 

Vamos começar a escrever?

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)

Agir ou assistir? Eis a questão.

Por Diego Nascimento

A Igreja em que participo desfruta de uma ampla visão missionária: são pontos de pregação, congregações e outros trabalhos de evangelismo que têm transformado vidas de crianças, jovens e adultos. Meu fascínio pela História fez com que eu iniciasse uma investigação sobre o presbiterianismo local. A mais recente descoberta tem data; é de 1917 e seu personagem é o Pastor Samuel Rhea Gammon.

Seguindo uma descrição rica em detalhes o Pastor Gammon preparou uma carta, a qual tenho acesso, contando sobre a semeadura da Palavra de Deus no que hoje conhecemos como Macaia, distrito do município de Bom Sucesso. Visivelmente feliz com a reação das pessoas alcançadas pelas Sagradas Escrituras, Samuel não sabia que onze anos mais tarde seria levado aos braços do Pai. Mas desde sua chegada à região muitos frutos surgiram de seu árduo e incansável trabalho de “proclamar o Evangelho sobre toda a criatura.” Uma das características que marcaram a trajetória de pessoas daquela época era a escassez de meios de transporte ágeis e confortáveis. Gammon, por exemplo, realizava grande parte dos trajetos a cavalo, sob sol e chuva. Admirável, não é mesmo? É a visão prática do que lemos em Mateus 28:19 “Portanto, vão e façam discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo.” 

O tempo passou, ganhamos inovações tecnológicas e possibilidades infinitas de falarmos sobre Jesus para todo o mundo. Por outro lado, essa mesma era pós-moderna de tantas  facilidades é marcada por acomodação dentro das próprias igrejas quando o assunto é sair às ruas e fazer a diferença, distribuir a Palavra de Deus e “chorar com os que choram.” Enfrentar o frio para participar de uma reunião de oração? Sentir o calor do sol para dedicar algum tempo para a distribuição de folhetos? Separar algumas horas para a tão sadia prática da visitação? Por incrível que pareça essas perguntas são respondidas com um sonoro ‘Não’ por muita gente. No momento em que podemos fazer muito mais optamos pelo ‘muito menos.’ Tiago 1:22 ensina sobre o esforço do cristão: “Sejam praticantes da palavra, e não apenas ouvintes, enganando vocês mesmos.” 

O convite de hoje trata do que investimos para o crescimento do Reino. Deixar para depois ou simplesmente terceirizar o evangelismo não correspondem à uma atitude de intimidade com o Senhor. O apóstolo Paulo, por meio da Carta aos Efésios capítulo 2, verso 10, nos deixa uma importante lição: “Porque somos criação de Deus realizada em Cristo Jesus para fazermos boas obras, as quais Deus preparou antes para nós as praticarmos.”

E você? Prefere seguir o exemplo do Pastor Samuel Gammon e de tantos outros que ainda enfrentam um cenário de caos para fazerem a diferença ou ainda insiste em seguir a carreira de espectador enquanto o mundo clama por socorro? Ser cristão envolve atitude! 

  • Diego Nascimento é presbítero da I Igreja Presbiteriana de Lavras (MG)