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Arquivo mensal: agosto 2013

Pessoas têm mais empatia por animais maltratados que por seres humanos

Pesquisa mostra como cães e gatos são mais valorizados que humanos. Um estudo divulgado neste sábado (10) durante a 108ª Reunião Anual da Associação de Sociologia Americana acabou gerando enorme polêmica. Segundo a pesquisa, as pessoas têm mais empatia por animais maltratados que pelos humanos adultos.

Jack Levin, professor de sociologia e criminologia da Universidade Northeastern é o autor do estudo. Ele e o co-autor Arnold Arluke, um professor da mesma universidade, entregaram aos participantes quatro artigos fictícios. Um deles falava sobre violência contra uma criança de um ano de idade, de um adulto de 30 anos, de um filhote de cachorro e o de um cão adulto.

Todas as histórias eram idênticas, exceto pela identificação da vítima. Após lerem os artigos, as pessoas deviam indicar seu “grau de empatia” em relação à vítima. Foram entrevistados 240 homem e mulheres adultos.

A diferença do nível de empatia pela criança e pelo filhote de cachorro foi quase insignificante, mas a grande maioria disse se revoltar mais com a violência contra o cachorro adulto do que contra o homem de 30 anos.

Embora o estudo se baseie no exemplo de cachorros, os pesquisadores acreditam que as conclusões seriam as mesas se fossem outros tipos de mascotes. “Cachorros e gatos são animais de estimação e muitas vezes são considerados parte da família. Muitas pessoas atribuem a esses animais características humanas”, explica.

“Os humanos adultos vítimas de violência recebem menos empatia que as crianças, os filhotes e os cães adultos vítimas de abuso ou crimes. Ou seja, os cachorros adultos são vistos como dependentes e vulneráveis, tanto quanto seus filhotes e as crianças”, explicou Levin.

Durante sua apresentação, Levin ressaltou: “A idade parece ser mais relevante que a espécie quando se trata de receber empatia. Aparentemente, considera-se que os humanos adultos são capazes de se proteger, enquanto os cachorros adultos são vistos como filhotes maiores”.

Levando-se em conta o grande número de instituições e ONGs que agem em defesa dos animais, o resultado não surpreende. No Brasil, a maioria dos donos de animais de estimação gasta mais de R$ 50 por mês para cuidar do bicho. Apenas 12% conseguem gastar menos do que isso. Mais da metade (quase 65%) deixa entre R$ 50 e R$ 120 nos pet shops todos os meses.

Enquanto isso, organizações como a Visão Mundial encontram dificuldades para encontrar pessoas que doem 50 reais por mês para “apadrinhar” crianças que morrem de fome num país onde oficialmente existem 42,3 milhões de evangélicos, ou 22,2% dos brasileiros.

Fonte:  www.irmaos.com

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Lenda árabe

Diz uma linda lenda árabe que dois amigos viajavam pelo deserto e em determinado ponto da viagem discutiram.

Um deles esbofeteou o outro.

O que tinha sido esbofeteado, ofendido, sem nada dizer, escreveu na areia: Hoje, o meu melhor amigo bateu-me no rosto.

Seguiram e chegaram a um oásis onde resolveram banhar-se.

O que havia sido esbofeteado começou a afogar-se sendo salvo pelo amigo.

Ao se recuperar pegou um estilete e escreveu numa pedra: Hoje, o meu melhor amigo salvou-me a vida.

Intrigado, o amigo perguntou: – Porque é que quando te bati, escreves-te na areia e agora escreves-te na pedra?

Sorrindo, o outro amigo respondeu: – “Quando um grande amigo nos ofende, devemos escrever na areia onde o vento do esquecimento e do perdão se encarregam de apagar; porém quando nos faz algo grandioso, devemos gravar na pedra da memória do coração onde vento nenhum do mundo poderá apagar”.

Autor desconhecido

Cristianismo de Entretenimento

Por John MacArthur

 
A igreja pode enfrentar a apatia e o materialismo satisfazendo o apetite das pessoas por entretenimento? Evidentemente, muitas pessoas das igrejas pensam assim, enquanto uma igreja após outra salta para o vagão dos cultos de entretenimento.
 
Uma tendência inquietante está levando muitas igrejas ortodoxas a se afastarem das prioridades bíblicas.
 
O que eles querem
 
Os templos das igrejas estão sendo construídos no estilo de teatros. Ao invés de no púlpito, a ênfase se concentra no palco. Alguns templos possuem grandes plataformas, que giram ou sobem e descem, com luzes coloridas e poderosas mesas de som.
 
Os pastores espirituais estão dando lugar aos especialistas em comunicação, aos consultores de programação, aos diretores de palco, aos peritos em efeitos especiais e aos coreógrafos.
 
O objetivo é dar ao auditório aquilo que eles desejam. Moldar o culto da igreja aos desejos dos freqüentadores atrai muitas pessoas.
 
Como resultado disso, os pastores se tornam mais parecidos com políticos do que com verdadeiros pastores, mais preocupados em atrair as pessoas do que em guiar e edificar o rebanho que Deus lhes confiou.
 
A congregação recebe um entretenimento profissional, em que a dramatização, os ritmos populares e, talvez, um sermão de sugestões sutis e de aceitação imediata constituem o culto de adoração. Mas a ênfase concentra-se no entretenimento e não na adoração.
 
A ideia fundamental
 
O que fundamenta esta tendência é a idéia de que a igreja tem de “vender” o evangelho aos incrédulos — a igreja compete por consumidores, no mesmo nível dos grandes produtos.
 
Mais e mais igrejas estão dependendo de técnicas de vendas para se oferecerem ao mundo.
 
Essa filosofia resulta de péssima teologia. Presume que, se você colocar o evangelho na embalagem cor-reta, as pessoas serão salvas. Essa maneira de lidar com o evangelho se fundamenta na teologia arminiana. Vê a conversão como nada mais do que um ato da vontade humana. Seu objetivo é uma decisão instantânea, ao invés de uma mudança radical do coração.
 
Além disso, toda esta corrupção do evangelho, nos moldes da Avenida Madison, presume que os cultos da igreja têm o objetivo primário de recrutar os incrédulos. Algumas igrejas abandonaram a adoração no sentido bíblico.
 
Outras relegaram a pregação convencional aos cultos de grupos pequenos em uma noite da semana. Mas isso se afasta do principal ensino de Hebreus 10.24-25: “Consideremo-nos também uns aos outros, para nos estimularmos ao amor e às boas obras. Não deixemos de congregar-nos”.
 
O verdadeiro padrão 
 
Atos 2.42 nos mostra o padrão que a igreja primitiva seguia, quando os crentes se reuniam: “E perseveravam na doutrina dos apóstolos e na comunhão, no partir do pão e nas orações”.
 
Devemos observar que as prioridades da igreja eram adorar a Deus e edificar os irmãos. A igreja se reunia para adoração e edificação — e se espalhava para evangelizar o mundo.
 
Nosso Senhor comissionou seus discípulos a evangelizar, utilizando as seguintes palavras: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações” (Mateus 28.19). Ele deixou claro que sua igreja não tem de ficar esperando (ou convidando) o mundo para vir às suas reuniões, e sim que ela tem de ir ao mundo.
 
Essa é uma responsabilidade de todo crente. Receio que uma abordagem cuja ênfase se concentra em uma apresentação agradável do evangelho, no templo da igreja, absolve muitos crentes de sua obrigação pessoal de ser luz no mundo (Mateus 5.16).
 
Estilo de vida
 
A sociedade está repleta de pessoas que querem o que querem quando o querem. Elas vivem em seu próprio estilo de vida, recreação e entretenimento. Quando as igrejas apelam a esses desejos egoístas, elas simplesmente põem lenha nesse fogo e ocultam a verdadeira piedade.
 
Algumas dessas igrejas estão crescendo em expoentes elevados, enquanto outras que não utilizam o entretenimento estão lutando. Muitos líderes de igrejas desejam crescimento numérico em suas igrejas, por isso, estão abraçando a filosofia de “entretenimento em primeiro lugar”.
 
Considere o que esta filosofia causa à própria mensagem do evangelho. Alguns afirmam que, se os princípios bíblicos são apresentados, não devemos nos preocupar com os meios pelos quais eles são apresentados. Isto é ilógico.
 
Por que não realizarmos um verdadeiro show de entretenimento? Um atirador de facas tatuado fazendo malabarismo com serras de aço se apresentaria, enquanto alguém gritaria versículos bíblicos. Isso atrairia uma multidão, você não acha?
 
É um cenário bizarro, mas é um cenário que ilustra como os meios podem baratear e corromper a mensagem.
 
Tornando vulgar
 
Infelizmente, este cenário não é muito diferente do que algumas igrejas estão fazendo. Roqueiros punk, ventríloquos, palhaços e artistas famosos têm ocupado o lugar do pregador — e estão degradando o evangelho.
 
Creio que podemos ser inovadores e criativos na maneira como apresentamos o evangelho, mas temos de ser cuidadosos em harmonizar nossos métodos com a profunda verdade espiritual que procuramos transmitir. É muito fácil vulgarizarmos a mensagem sagrada.
 
Não se apresse em abraçar as tendências das super-igrejas de alta tecnologia. E não zombe da adoração e da pregação convencionais. Não precisamos de abordagens astuciosas para que tenhamos pessoas salvas (1 Coríntios 1.21).
 
Precisamos tão-somente retornar à pregação da verdade e plantar a semente. Se formos fiéis nisso, o solo que Deus preparou frutificará.
 

O sinergismo e o “senhor” acaso

Eu tenho tentado evitar de ficar sempre comentando sobre esses assuntos, porque apesar de ter plena convicção sobre o monergismo, sei que predestinação ou livre-arbítrio não são a essência do evangelho, porém sei que não há como ignorarmos isso, pois toda a “teologia” é dependente da forma como a pessoa interpreta e crê a respeito da Salvação..
 
Então minha idéia com essa postagem é só de apresentar uma conclusão à qual cheguei e com isso complementar minhas postagens anteriores sobre “o efeito-borboleta, o determinismo e a viagem no tempo“, tanto que eu comecei a escrever esse artigo logo na seqüência, mas só agora continuei e finalizei..
 

DEFINIÇÕES:

Monergismo significa na teologia cristã a teoria de que o Espírito Santo sozinho pode atuar num ser humano e propiciar a conversão.

Sinergismo significa na teologia cristã a teoria de que o homem tem algum grau de participação na salvação, ou seja, é responsável pela sua salvação ou perdição.

Acaso é algo que surge ou acontece a esmo, sem motivo ou explicação aparente. A palavra acaso tem três sentidos diferentes, que dependem do sentido que se dá à palavra causa:

  • Algo que acontece sem finalidade ou sem objetivo, isto é, algo sem causa final. Neste sentido, o acaso, filosoficamente entendido, se opõe à teleologia.
  • Algo que acontece sem ser consequência de algo passado, ou seja, efeito que não se explica por uma determinação precedente. Neste sentido, o acaso, filosoficamente entendido, se opõe ao pré-determinismo.
  • Algo que acontece sem ser explicado por nenhuma relação com outra(s) coisa(s), nem simultânea(s) nem precedente(s), isto é, sem qualquer determinação. Neste sentido, o acaso, filosoficamente entendido, se opõe ao determinismo.

(Informações extraídas da Wikipedia)

 

Bom, o sinergismo diz que de alguma forma cada indivíduo participa de sua própria salvação, e aqui vou tratar de umas poucas visões diferentes dentro do sinergismo..

Há a visão pelagiana que dizia que os seres humanos não sofrem com as conseqüências do pecado de Adão, sendo cada indivíduo não é naturalmente pecador, e sim livre em suas escolhas a ponto de ser capaz de obter sua própria salvação.. Essa visão não merece crédito, considerando que a bíblia diz que a salvação é algo impossível para o ser humano. (Mateus 19:25-26).

Há a visão arminiana, que diz que o homem é naturalmente pecador, mas que pela graça de Deus E SUA OPÇÃO PESSOAL DE NÃO RESISTIR A ELA é que ele pode ser salvo, e que a pessoa pode ou não se manter nessa condição de “salva” de acordo com suas atitudes. Essa é a visão mais comum entre os evangélicos, apesar de ter sido considerada heresia pelo Sínodo de Dort no passado.

Luis de Molina

Já a visão molinista é ao meu ver a mais racional dentre as sinergistas, porém da mesma forma anti-bíblica. Essa visão foi criada justamente para se opôr à visão calvinista, pelo jesuíta Luis de Molina e sugere que a predestinação é baseada na presciência, ou seja, a Salvação somente é oferecida (e concretizada) àqueles que Deus já sabia pela presciência que escolheriam natural e voluntariamente aceitá-la. Desta forma, as pessoas que morrem sem conhecer a Cristo são aquelas que, segundo essa doutrina, não dariam ouvidos à mensagem e portanto Deus não levou a mensagem até elas..

Enfim, todas elas de alguma forma assumem que o ser humano participa de sua própria salvação, são sinergistas, não aceitam a idéia que a salvação não depende do desejo ou do esforço humano, mas da misericórdia de Deus (Romanos 9:16) e que Ele tem o direito de fazer do mesmo barro um vaso para fins nobres e outro para uso desonroso. (Romanos 9:21). 

Aliás, até afirmam a Soberania de Deus, mas ao se defrontarem com textos como esses acima precisam fazer malabarismos e com isso logicamente negar o que afirmaram antes..

Mas não é sobre isso que eu quero postar, e sim sobre a necessidade dos sinergistas em crer no acaso..
Sim, não há como fugirem da crença no acaso, já que, mesmo que nem saibam disso, precisam acreditar que o ser humano é independente de Deus..

Para crer que a eleição é baseada na presciência ao invés de na predestinação, os sinergistas precisam crer que esse ser humano é totalmente responsável por suas escolhas (o que o monergismo não nega) mas além disso precisam afirmar que essas escolhas não foram decretadas por Deus, e são sim fruto da liberdade humana.

Quer dizer, pro ser humano ser realmente livre em suas escolhas a ponto de não estar realizando justamente o que Deus decretou, esse ser humano precisa ser totalmente livre dequalquer influência cuja causa primária seja Deus..

Não deu pra entender?? Então vamos lá..
Pra eu dizer que eu escolhi livremente algo seria necessário crer que NADA me influenciou a isso..

Por exemplo, arminianos dizem que a pessoa precisa aceitar a Jesus para ser salva. Aí eu pergunto: “O que faz com que uma pessoa aceite e outra rejeite??” e eles geralmente vão dizer “Isso acontece devido ao livre-arbítrio da pessoa”..

Certo, mas e a resposta da minha pergunta?? rs

O Livre-arbítrio (conforme é pregado) é nada em si mesmo, algo abstrato, um conceito somente.. Um conceito não responde minha pergunta sem que as conseqüências sejam expostas.. 

Pensem comigo: Se é o livre-arbítrio que faz com que uma pessoa negue a Cristo e outra o aceite, então é o livre-arbítrio que condena uma pessoa e salva a outra..

Alguns podem ler isso e não encontrar problema algum na afirmação, mas e aí como poderiam dizer que a Salvação é pela Graça (Efésios 2:8-9; Romanos 11:6) se é o livre-arbítrio que vai determinar quem é salvo e quem não é?? 

Se no fim das contas é o livre-arbítrio individual que determina o destino da pessoa, então ela se torna refém dele.

Não há como fugir disso a não ser que se creia que é a própria pessoa que “constrói”, desenvolve e executa seu arbítrio sem qualquer tipo de influência e interação de todo o “meio” que a cerca, inclusive de Deus..

É.., para haver uma real liberdade de ações e um arbítrio sem qualquer tendência, o ser humano não pode de forma alguma ser influenciado.. 

Certo, mas indo diretamente ao ponto, no que isso implica??

Bom, implica em dizer que, para afirmarmos que existe esse livre-arbítrio humano, precisamos considerar que Deus não determinou coisa alguma em relação à pessoa para que isso não interferisse na sua liberdade..

Seria como se, na “criação de uma pessoa” Deus girasse uma ou mais “roletas cósmicas” que haveriam de determinar as características particulares dessa pessoa.. O resultado poderia até ser conhecido por Deus antes mesmo de girá-las, mas as roletas em si não estariam “viciadas”, estariam realmente gerando as características “ao acaso“..

Sim, teria que ser desta forma, pois a partir daí Deus daria porções idênticas de Sua Graça a todos, mas uns rejeitariam e outros aceitariam justamente devido a essas características particulares que nem mesmo Deus pode desrespeitar.. 

É uma bela maneira de “limpar a barra” de Deus dizendo que a condenação é culpa inteiramente do ser humano por rejeitá-Lo, sendo que Ele deu as mesmas chances a todos, e com isso achar a relação ideal entre “soberania divina (limitada)” e “responsabilidade humana”.

Será??

Considerando essa argumentação com certeza não há como negar que Deus “fez a Sua parte”, mas que foi o homem que decidiu se salvar ou ser condenado.. Só que Quem foi que concedeu esse “livre”-arbítrio ao homem, que pode condená-lo ou salvá-lo??

E se essa particularidade já nasce com o indivíduo, então não é uma negação do próprio livre-arbítrio?? =S

Quero dizer, se as minhas preferências são realmente particulares e livres desde que eu nasci (ou talvez ainda antes), então não é óbvio que elas não foram escolhidas por mim??

Com isso eu percebo que para crer em um arbítrio que é “livre” por estar isento de determinação, eu precisaria crer num “acaso absoluto” (tipo um ateísmo), já que qualquer ação divina já estaria influenciando de alguma forma o “resultado”, e mesmo assim isso resultaria em determinismo, já que minhas escolhas “livres” não passariam de “determinações do acaso”..

Para ter um livre-arbítrio pleno o ser humano precisaria então ter total independência de tudo à sua volta, a ponto de produzir por conta própria todo seu conhecimento de forma imparcial e somente seguir as tendências comportamentais que ele mesmo escolher baseado naquilo que ele mesmo criou.

Resumindo: Teria que ser Deus..

Claro que os sinergistas não chegam a esse extremo, mas somente por serem ilógicos e afirmarem coisas que nem eles acreditam na prática.. Acabam ficando num meio termo entre determinismo e liberdade, e transformam tudo isso em um mistério que, infelizmente nega o “Sola Gratia” e prega algum tipo de “Solo Misterius“..

Ou seja, ou cremos que a Salvação é realmente SOMENTE pela Graça de Deus ou precisaremos “agradecer ao acaso” pela “sorte grande”..

 
 

O Pré-requisito para Educação Teológica de Acordo com John Owen

Por Rev. Charles Bradley

John Owen é, às vezes, citado como “o grande teólogo Britânico de todos os tempos.” Ele viveu na Inglaterra no século dezessete quando o Puritanismo estava no seu auge, morrendo com a idade de sessenta e sete anos em 1683. Ele foi um escritor prolífico e profundo. Tamanha foi sua influência que muitos de seus trabalhos continuam a ser reimpressos hoje em dia.

Alguns podem levar a questão, “Por que considerar os pensamentos de alguém tão distante do cenário contemporâneo na educação teológica, afinal?”.  Há uma razão importante para levar em conta o que Owen tem a dizer seriamente: Existe uma falha crescente e separação entre teólogos e ministros no pastorado. Teologia, na prática, é cada vez mais a província do seminário e da classe de aula é cada vez menos do que o pastor na igreja local. John Owen, em contraste, foi tanto teólogo quanto pastor.  Além disso, ele é típico desses Reformadores ambos no Continente e na Inglaterra que, como Merle d’ Aubigné observou, “… sempre combinavam atividades aprendidas com seus trabalhos práticos: estes trabalhos eram seus objetivos, seus estudos foram seus recursos”[História da Reforma, 2:362]. Grande parte do trágico desperdício e fraqueza na igreja contemporânea pode ser delineada pelo divórcio da teologia e do ministério prático. Parece lógico voltar e examinar o que era essencial na educação teológica nas mentes dos pastores-teólogos da grande Reforma—dos quais Owen é um exemplo notável. Talvez tal exame fornecerá uma correção necessária.

Antes de alguém poder entender os pré-requisitos essenciais para educação teológica de Owen, deve familiarizar-se com a posição de Owen pertinente aos objetivos da educação teológica. Para Owen, a busca por conhecimento era seu principal objetivo e propósito primário, primeiro “viver aceitavelmente diante de Deus” [Biblical Theology 668] e, segundo, “o cultivo da mais santa e doce comunhão com Deus, onde reside a verdadeira felicidade da humanidade” [Biblical Theology 618]. Que ele manteve este propósito como fundamental para o estudo teológico não é necessário dizer. Ele esperava que ministros fossem afetados pela palavra de Deus num nível pessoal antes de seu avanço no ministério público. Apenas, então, ele considerava os homens qualificados para buscar o desenvolvimento de capacidade e habilidade nas áreas práticas de serviço [Works of John Owen 9:455-463].

Uma coisa permanece clara nos escritos de Owen: Nem teologia, nem ministério prático, nem sequer o processo de educação sempre serviram como fins em si mesmos. Seu objetivo sempre foi que a glória de Deus fosse exibida através da vida do ministro-estudante, e que a presença de Deus fosse manifesta em sua vida e ministério. Ambos são derivados da comunhão com Deus a nível pessoal.  É um eufemismo dizer que os paradigmas modernos da educação teológica, com suas ênfases nos processos e resultados, não edificam o ministro-estudante ou aumentam sua própria comunhão com Deus.  Apenas um olhar para o nível de frustração e desapontamento experimentado por ministros para perceber que o objetivo de Owen não é estimado atualmente, e é raramente alcançado.

Neste ponto muitos leitores podem ser tentados a parar de ler. Para a mente moderna, os pré-requisitos essenciais para educação teológica de Owen são simples ao ponto de ser absurdo: O estudante de teologia deve ser totalmente convertido a Cristo. Porém, apenas na história recente da igreja a conversão a Cristo tornou-se de fato, um caso, uma matéria, um simples assunto. Em tempos de avivamento e reforma genuína, o que a igreja moderna toma apenas como informação (que a salvação é um assunto rápido e fácil) é o elemento central na vida da igreja. Isto certamente foi verdade nos dias de Owen. A conversão da alma era de importância vital.

Deixar de examinar a questão da necessidade de regeneração na educação teológica é fazer um pouco mais do que admitir que a reforma genuína da igreja não vale a pena ser buscada. Talvez devêssemos ouvir o que Owen tem a dizer.

Primeiro, Owen afirma que a disciplina da teologia é única. É o oposto da ciência natural, na qual não é baseada sobre observação, mas sim sobre a revelação de Deus nas Escrituras. O teólogo deve, necessariamente, ser estudante do “o livro.” Ainda, na mente de Owen, mero reconhecimento da autoridade e verdade das Escrituras não é suficiente para assegurar o sucesso na busca por teologia.  A Bíblia não pode ser abordada da mesma maneira que os estudantes estudiosos, em outras disciplinas, procuram textos relacionados à sua própria área. Para Owen, a razão é simples o bastante: A Bíblia é o livro de Deus, revelando a verdade que não pode ser descoberta de outra maneira, senão por sua revelação. As verdades da Escritura cobrem os assuntos mais importantes que podem ocupar os pensamentos do homem: Caráter de Deus, a pecaminosidade humana, incapacidade humana, e a gloriosa obra de redenção em Cristo. Para Owen, as Escrituras devem ser abordadas com a mesma reverência devida a Deus, pois nelas Deus tem falado. Estudantes de teologia devem, portanto, entender que a natureza das Escrituras exigem mais do que a razão humana sem ajuda pode fornecer. Isto deve ser entendido e corrigido antes que qualquer benefício possa ser obtido em seus estudos. Formulando este ponto Owen exclama:

“Oh, que Deus abra os olhos dos estudiosos para ver que as questões da teologia são totalmente diferentes dos objetivos da filosofia, e que o seu estudo necessita de uma atitude diferente da mente, outra disposição de caráter, um novo coração, do que aqueles que eles estão acostumados a abordar “na roda de aprendizagem humana”! Ele também afirmou que “ninguém pode compreender ou corretamente entender teologia evangélica pela força humana ou confiança no intelecto, usando a assistência externa ele vai…”
[Biblical Theology 592].

Assim, para Owen, teologia não pode ser um trabalho estritamente humano. Nem Deus, nem as Escrituras podem ser estudados da mesma maneira que um biologista, por exemplo, se aproxima de uma dissecção. O estudante de teologia deve ter uma atitude diferente para com esse assunto—uma mente diferente; pois este é o mais nobre dos objetivos. Seu campo de trabalho demanda muito mais daquilo que ele é capaz de fazer. Seu assunto ordena respeito e adoração. Seu método insiste num novo coração e disciplina rigorosa. Seu objetivo não é tanto catalogar e classificar; mas tornar-se um adorador e servo. Da mesma forma que Deus é a fonte da Escritura, Ele também é a fonte de um coração regenerado. O ministro-estudante deve reconhecer isso e responder ao consagrar sua vida, a fim de atingir esse objetivo. Com estas coisas em vista, não vem como surpresa que Owen dogmaticamente afirma que Deus deve ser um participante ativo no estudo da teologia; e sem a Sua participação, nada de importância duradoura será ganho. Ele comentou: “Da minha parte, se eu trouxer para este estudo qualquer entendimento que Deus graciosamente tem o prazer de conceder-me, e se Ele abençoou meu propósito e oração por tal, e por meu labor os piedosos são beneficiados, então, Eu considero que, entre muitas bênçãos, recebi somente da graça soberana” [Biblical Theology 592]. Algo essencial para o estudo teológico é que a pessoa embarcando em tal objetivo seja completamente nascida de novo “num caminho salvífico e benéfico.” O corolário necessário para a regeneração do estudante é que aqueles ensinando teologia devem ser também, recipientes de um coração regenerado, antes que eles possam levar o título de teólogos, no sentido pleno e adequado da palavra. Como Owen observa,“Nunca vamos conceder o título de teólogo a qualquer um que não é discípulo de Cristo, ou qualquer que não seja Cristão, ou os que são incapazes de fazer as coisas comandadas por Cristo” [Biblical Theology 616].

É indispensável, a consideração que normalmente é ignorada como um dado, porque, sem ela, o homem não tem a capacidade de entender e se beneficiar das Escrituras.  Ele também é impotente para resistir a grande tentação da qual muitos teólogos e escolas teológicas sucumbem: incorporar os objetivos e métodos de outras disciplinas para os alunos na educação teológica, para ganhar a atenção e respeito dos acadêmicos do lado de fora da igreja. Owen reconheceu esta tentação para a corrupção do estudo das Escrituras como existente na igreja primitiva, citando a defesa de Paulo de seu ministério a Igreja dos Coríntios e seus escritos de Efésios 1:8-9,17,19 e Colossenses 1:27-28, 2:2, 8-9. Owen corretamente identificou a fonte dessa corrupção, como um desejo dos teólogos não-regenerados de fazer sua própria teologia em conformidade com o método dos não-regenerados, estes, afim de elevar a teologia à respeitabilidade do mundo, e ganhar o louvor dos homens.

A desvantagem de tal conduta, é que a verdade do evangelho é prejudicada por qualquer empreendimento desse tipo. Consequentemente, a mensagem do evangelho, ao invés de ser o soar claro de uma trombeta, assume a forma de uma confusa conversa de três vias que ninguém compreende, e que poucos ouvem. O ministro-estudante inconscientemente desce do ar puro da montanha de seu Deus, e sua teologia de Deus para chafurdar na lama do carisma religioso e manipulação. Naquele lugar, ele acaba – na melhor das hipóteses, com um coração vazio, técnicas de um intelecto inútil fazendo seu dever profissional por causa de seus deuses. Se John Owen fosse avaliar a educação teológica hoje, ele poderia muito bem concluir que os grandes problemas não são com os métodos ou com as instituições, mas com Adão raramente desafiando o reinado de ambos.

Rev. Charles Bradley é pastor da Hopewell Associate Reformed Presbyterian Church em Culleoka, Tennessee.

 

O inimigo triplo

Por: Joao Bosco

Possuímos um inimigo triplo que são: o MUNDO, a CARNE e o DIABO (João 2:17, Romanos 8:3 e 1 Pedro 5:8) e que fecham no terrível pecado.

O MUNDO – Que quer dizer o mundo neste sentido? Quer dizer o presente século mau (Gálatas 1:4), o grande sistema do mal ao redor de nós. É animado pelo príncipe deste mundo (João 14:30), e caracterizado por uma decisão trágica a respeito do Varão do Calvário: «Não queremos que este reine sobre nós.» (Lucas 19:14).

É o sistema mundial de rebelião contra Deus. Ora, é, porventura, possível para o crente viver uma vida cristã verdadeiramente separada do mal no meio de tal antagonismo? Por exemplo, é tal a vitória de Cristo que o crente perca todo o desejo para com os prazeres e ocupações do mundo, com todas as suas atrações e seduções fascinantes de hoje?

É possível que o crente de hoje possa regozijar-se com o apóstolo Paulo por ter sido «crucificado para o mundo» (Gálatas 6:14), e o «mundo para ele», a despeito de morar no meio dele? Ou é a vontade de Deus que, tendo sido salvo deste presente século mau, seja o crente escravizado de novo pelos «rudimentos fracos e pobres» dele? (Gálatas 4:9). A resposta da Bíblia é clara e simples. Graças a Deus, a VITÓRIA É Possível, porque o Senhor Jesus Cristo disse: «Eu venci o mundo». (João 16:33). Porque ELE venceu, vós também podeis vencer, porque ELE é vosso exemplo.

A CARNE – O segundo inimigo é a “carne”. O apóstolo Paulo diz: «Eu sei que em mim, isto é, na minha carne, não habita bem algum». (Romanos 7:18).
Que quer dizer “a carne” neste sentido? Consideraremos este assunto mais profundamente no capítulo seguinte, mas basta dizer aqui que “a carne” é a natureza humana caída. (Gênesis 6:12). É o princípio corrupto do pecado, a natureza carnal, que «o homem natural» herdou dos seu pais caídos. É a natureza de Adão. É a sede de todos aqueles pecados feios que, com tanta facilidade, destroem a alegria e impedem o testemunho do crente (Gálatas 5:19). Ora, poderá ser a vontade de Deus que o seu povo, depois de levantado até o reino da vida espiritual e de justificado do pecado diante dele para sempre, (Romanos 5:9) continue escravo de vilezas tais como: Vaidade, Cólera, Irritabilidade, Mau humor, Ciúme, Orgulho, Egoísmo, Implacabilidade, Ansiedade, Aspereza, Queixume, Crítica.

Precisamos aumentar um catálogo tão repulsivo? Estes males acima enumerados não são considerados como pecados grosseiros, mas não obstante, são manifestações da natureza carnal. Pode haver vitória sobre “a carne”? Sim, graças a Deus, é prometido claramente na Palavra de Deus. Como veremos mais tarde, temos no livro bendito de Deus a revelação dum grande segredo pelo qual é possível fazer “a carne” ineficaz mediante o poder do Espírito Santo, por meio da nossa inclusão na Cruz.

O DIABO – Pensamos no mundo, aquele inimigo externo, e na carne, aquele inimigo interno; agora havemos de pensar no terceiro grande adversário — o Diabo, aquele inimigo infernal! O Diabo é uma pessoa, o atual «príncipe das potestades do ar». (Efésios 2:2). Ele rege os negócios deste mundo mau, e seu grande objetivo é contrariar a vontade e o programa divino no mundo, na Igreja, e no crente. Para conseguir este fim ele apresenta o seu desafio por muitos meios, e procura usurpar e dominar aquilo que pertence a Cristo por título criador e redentor. Como crente, vós não podeis evitar os seus expedientes astutos (2.Coríntios 2:11). Ele é vosso adversário incessante (l.Pedro 5:8). É necessário encará-lo e vencê-lo. É isto possível? Sim, graças a Deus, mediante a vitória do Salvador na Cruz, este poderoso adversário já foi vencido completa e finalmente (Hebreus 2:14), e um dia todo o mundo verá a plena consumação deste triunfo.

Neste interim, aquele Maligno age no mundo, mas todas as suas atividades são limitadas pela vontade permissiva de Deus. O filho de Deus pode ter a vitória em Cristo dia após dia, visto que o Cristo Vitorioso mora dentro dele em verdade. Satanás tem de se curvar diante de Jesus. Voltaremos, porém, a este assunto depois.

CREDES NISTO?
Estais convencidos de que a Palavra promete vitória completa a todo crente? Uma vez que o Bom Samaritano pôs a sua mão curativa sobre as vossas chagas de pecado, aquele bendito Benfeitor não vos deixará nunca entregues aos vossos próprios recursos para o resto da viagem. Uma vez libertados do poço horrível do pecado, não é jamais a vontade de Deus que vós retrocedais para o seu domínio tenebroso e sua atmosfera sufocante. O Salvador é mais que um fiador que nos livra do inferno e da pena do pecado. Ele é bastante forte para vos guardar do domínio do pecado de dia em dia (Hebreus. 7:25). Sim, vitória completa é possível todo tempo, ou, senão, há uma imperfeição na obra expiatória do Calvário. Visto que isto é provado, tanto pela abundância da evidência das Escrituras como na experiência prática dos santos de Deus durante os séculos, é verdade ainda até hoje. Cristo mudou? Não é vosso? Então uma tal vida é possível para vós.

CONSIDERE ESTAS VERDADES!

Este inimigo triplo fecha no PECADO que podemos considerar como sendo o 4° inimigo, mas que CRISTO proporcionou a vitória sobre todos eles na CRUZ!

1) O EU MORTO PARA O PECADO, MUNDO, CARNE E SATANÁS

Estes inimigos estão constantemente fazendo suas ofertas para que caiamos no pecado e sejamos derrotados em nossa vida espiritual. Sem poder espiritual, o cristão não produz fruto e fica como o diabo gosta.
A única forma de vencer esses quatro inimigos é pelo reconhecimento de que o nosso velho homem já morreu (Rm 6:6). Isto implica que eu não tenho mais planos ou ideais pessoais, mas agora são planos e ideais de Cristo que dirigirão a minha vida.

2) CRISTO VIVENDO EM MIM

A verdadeira vida do cristão, não sou eu quem vive. Não tente ser uma vida santa e vitoriosa pelos seus próprios esforços. Você nunca conseguirá. A única forma é Cristo vivendo em você. Ele tem poder para vencer as lutas, provas e tentações.

Essa dependência d’Ele nos força a reconhecer que Ele dá a vitória e que Ele, somente Ele, recebe a glória quando nossa vida cristã vai bem.

Oh, como estamos precisando de um grande avivamento espiritual em nossa nação! Vemos o pecado se alastrando rapidamente e somente um vento poderoso do Espírito

Santo poderá varrer da nossa pátria o pecado, a injustiça e as obras malignas.

COLOCANDO ISSO EM PRATICA

Convidamos você a se unir a um grande número de cristãos que estão orando por este avivamento.

O “eu” na cruz e Cristo vivendo em cada cristão trarão nossa nação aos pés de Cristo e Ele receberá toda a glória.

ORE:

1. Peça a Deus que ajude você a assumir sua posição de “morto” com Cristo.
2. Ore por um avivamento no Brasil e por derramar do Espírito Santo cada vez maior e crescente em sua Igreja local.
3. Agradeça ao Espírito Santo o trabalhar dele em sua vida, família e ministério.
Com a ajuda do Senhor, em muitos lugares isso tem acontecido em muitos lugares, você também quer?

MEDITE:

“Porque o amor de Cristo nos constrange, julgando nós assim: que, se um morreu por todos, logo todos morreram.” (II Coríntios 5 : 14)

“Sabendo isto, que o nosso homem velho foi com ele crucificado, para que o corpo do pecado seja desfeito, para que não sirvamos mais ao pecado.”
(Romanos 6 : 6)

“Já estou crucificado com Cristo; e vivo, não mais eu, mas Cristo vive em mim; e a vida que agora vivo na carne, vivo-a na fé do Filho de Deus, o qual me amou, e se entregou a si mesmo por mim.” (Gálatas 2 : 20)

A marcha dos alienados

Publicado originalmente em Brasil Presbiteriano via Hospital da Alma

Vi a matéria de uma emissora de televisão sobre a Marcha para Jesus em sua edição paulistana. Os “evangélicos” agora dão ibope, atraem anunciantes, e os repórteres e âncoras demonstram ao relatar o evento um entusiasmo e uma alegria quase tão grandes e espontâneos como os exibidos durante as coberturas futebolísticas. O enorme número de participantes é destacado, bem como o caráter absolutamente pacífico da manifestação. Algumas “rezas” são colocadas ao alcance dos microfones. O povo ajoelhado no asfalto acompanhando a oração do animador recebe atenção especial. Para impressionar com o elevado número de participantes, as câmeras tomam cuidado para não incluir os buracos no meio da massa humana.


Alguns manifestantes procuram mais ou menos discretamente aproveitar a onda de civismo que varreu o país (ainda varre, quando escrevo este editorial), mas o viés é mesmo o do hedonismo neoevangélico: todos curtem “se dar bem” e é isso que estão celebrando. As bênçãos cantadas e relatadas não são as espirituais com que o bendito Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo nos tem abençoado nas regiões celestiais em Cristo. São celebrados os benefícios de uma viagem segura e tranquila até à marcha, o elevado número de participantes e, é claro, além de outras dádivas bem temporais, um emprego que a irmãzinha estava esperando e para o qual foi chamada – pasmem os incrédulos – em pleno sábado!

Essa perspectiva temporal, porém, não vai além dos respectivos umbigos. Enquanto as manifestações em todo o país clamaram pelo fim da corrupção, a Marcha para Jesus revelou-se a Marcha dos Alienados. Entrevistado pela simpática emissora, um articulado e controvertido líder dos peregrinos afirmou que a Marcha era o meio de os evangélicos mostrarem que também são cidadãos brasileiros.

Esse oportunismo beira a velhacaria, mas isso não é tudo. Acaba revelando-se também uma confissão de que esses evangélicos praticam o isolacionismo e a alienação. Deveriam ser sal da terra e luz do mundo, mas recusam-se a misturar-se com a sociedade que deveriam salgar e acabam usando a luz de outros faróis para lhes iluminar o caminho.

Os evangélicos deixaram os sindicatos para os marxistas ateus e depois reclamam que lá só tem… esquerdistas. Deixaram as sociedades de amigos do bairro, as associações de pais e mestres, as reuniões de condomínio, os partidos políticos e outras formas de organização civil, para os incrédulos, para reclamar depois que “lá só tem incrédulos”. Agora evitam as manifestações sociais para organizar sua própria passeata, porque julgam-se muito melhores do que a sociedade e não podem se misturar. Como se a bancada dos “evangélicos” fosse melhor do que qualquer outra, em Brasília.

Honrando as lições da Escritura e a herança da Reforma, os evangélicos históricos e o presbiterianismo em particular são desafiados a fazer muito melhor do que isso.