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Procura-se vocacionados ao ANONIMATO

O que há de errado com o anonimato? Que gênero de maldição existe no fato de ser um simples desconhecido? Não há nada de errado em ser apenas um ser humano anônimo; e nada de errado também com o obscurantismo. Em nossa sociedade, não estar sob os olhares admirados do público recebe o carimbo do fracasso, pior, a igreja também segue esta tendência.

 

LANCE MORROW escreveu na revista “TIME” que “ser famoso é entre as ambições humanas, a mais universal”. Todos querem a oportunidade de deixar seu rastro na história, marcar época; fazer-se notado, ouvido, querido; lançar moda e tendências. O desconhecimento assusta até quem diz ser discípulo daquele que preferia os lugares solitários a ser carregado nos ombros da turba alucinada por seus milagres.

 

Definitivamente, Jesus tinha vocação para o anonimato. Sua postura de servo não o permitiu ser diferente. Todo o seu ensino sobre vida piedosa teve contornos absolutos de vida anônima: não orar em pé nas esquinas com o fim de ser visto pelos homens; não buscar os primeiros lugares na sinagoga; buscar o sigilo do lugar secreto; não permitir que a mão direita veja o que a esquerda faz; não permitir que outros observem e admirem uma suposta espiritualidade, ungindo a cabeça antes de jejuar… Que pena que ignoramos tudo isso! Que pena que em nome da “comunicação do Evangelho” transformamos o culto em show e os bastidores em camarins. Perdemos de vista o valor do anonimato.

 

Queremos fama, quanto mais, melhor! Nem nos damos conta de que essa sede absurda por notoriedade é patológica. Tem gente que adoece ao ser esquecido, fica deprimido, perde vitalidade e não vê projetos fora dos palcos. Há tanto que se fazer fora dos holofotes e nada a se lamentar quando eles não estão apontados na nossa direção. Ser famoso não é o fim da carreira cristã; mas, ser santo. E… se a fama vier? Faça como Woody Alen, escolha o saxofone à estatueta, ao prêmio da academia de cinema.

 

Perdoem-me a resposta um pouco simplista demais. Mas, se a fama vier, que seja tratada como mais uma experiência; mais um capítulo da vida, que não acrescenta nem diminui absolutamente nada o grau da nossa importância. E se só os santos verão a Deus, é bom atentarmos para o fato de que os maiores, não sabemos sequer seus nomes.

 

Com amor e carinho,

 

Pr. Weber

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