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Arquivo mensal: julho 2013

Uma cultura fascinada pela juventude

Por Stephen J. Nichols
 
Talvez isso tenha começado antes dos anos 50 e 60, mas essas duas décadas parecem ter marcado o aumento do fascínio pela juventude na cultura americana. A famosa frase que celebra o espírito jovem, quase sempre atribuída de forma equivocada a James Dean, declara: “Viva rápido, morra jovem e deixe para trás um cadáver bonito”.
 
A música popular, o barômetro da cultura popular, acompanhou essa tendência. Quase todas as bandas de heavy metal dos anos 80 e 90 tinham aquela conhecida melodia sobre jovens heróis caindo em um “esplendor de glória” [1]. Outras referências da música pop enfatizam o poder invencível da juventude. Rod Stewart canta sobre ser “para sempre jovem” (“Forever Young“). Em seu hit de sucesso “We Are Young” (“Somos Jovens”), o grupo contemporâneo Fun declara que essa juventude vai “incendiar o mundo”. O narrador sentado no banco de um bar em “Glory Days” (“Dias de Glória”), de Bruce Springsteen, afoga as mágoas da sua meia-idade ao recontar suas façanhas e triunfos vividas no ensino médio. Nenhum de nós quer reviver os momentos difíceis do colégio, mas quem dentre nós não acolhe desejos secretos de ser jovem de novo e aparentemente capaz de conquistar o mundo?
 
As inclinações sutis, e as não tão sutis, à idolatria da juventude manifestam-se em três áreas. A primeira é uma exaltação dos jovens sobre os idosos. Isso inverte o paradigma bíblico. A segunda é uma visão do ser humano que valoriza a beleza externa (não deve ser confundida com a verdadeira beleza e estética), a força e a realização humana. Pense na líder da equipe de torcida e no famoso jogador de futebol. O terceiro é o domínio do mercado pelo grupo demográfico jovem. Isto é, a fim de ser relevante e bem sucedido, deve-se apelar para a juventude ou para o gosto dos jovens. Essas manifestações de nossa cultura fascinada pela juventude merecem um olhar mais de perto.
 
A tendência de exaltar a juventude e deixar de lado os mais velhos decorre de um problema mais profundo que pode ser resumido na expressão “O mais novo é melhor”. Nós celebramos o novo e o inovador ao passo que menosprezamos o passado e a tradição. Há uma vitalidade atraente na juventude e nas ideias novas, mas isso não significa que não há sabedoria a ser encontrada no passado. É um sinal de arrogância pensar que se pode encarar a vida sem a sabedoria daqueles que vieram antes de nós. Há algo na juventude que faz com que os jovens pensem que são imunes aos erros e equívocos daqueles que lhes antecederam. Todos nós superestimamos a nós mesmos e as nossas capacidades. Simplificando, precisamos da sabedoria advinda do passado e dos mais velhos.
 
A idolatria da juventude infiltra-se até mesmo na igreja. Uma das maneiras de vermos isso é através da ênfase que é dada aos grupos de jovens da igreja. Curiosamente, Jonathan Edwards, em sua carta a Deborah Hathaway, conhecida como “Carta a uma jovem convertida”, a encorajou a se juntar a outros jovens na igreja para orarem juntos e discutirem sobre seus progressos na santificação, como uma forma de encorajar um ao outro. Resumindo, ele a estava chamando para começar um grupo de jovens. Os grupos de jovens podem servir um propósito significativo e podem ser um ministério importante. No entanto, ao fazer isso, eles podem estar separando os jovens das outras faixas etárias da igreja. A igreja precisa adorar, aprender e orar junta, velhos e jovens lado a lado. A cultura tenta empurrar o velho para fora. A igreja não pode fazer isso.
 
Visto que precisamos da sabedoria dos idosos no corpo de Cristo, precisamos também da sabedoria do passado. O mais novo nem sempre é melhor. Às vezes é pior; às vezes é errado. Como igreja, somos um povo com um passado. O Espírito Santo não foi dado exclusivamente à igreja do século XXI. Ignoramos ou desprezamos o passado para o nosso próprio prejuízo.
 
O caminho para sair da escravidão desta celebração indevida da juventude é promover uma comunidade verdadeiramente diversificada em nossas casas e em nossas igrejas. As lacunas entre as gerações podem ser desagradáveis e se tornar barreiras para que ambos os lados tenham uma comunhão genuína e autêntica. No entanto, Deus projetou a Sua Igreja de tal forma que precisamos uns dos outros. Paulo ordena especificamente a Timóteo que faça com que os mais velhos ensinem os mais jovens (Tito 2:1-4). Saímos perdendo quando pensamos que não temos nada para aprender com outras pessoas que estão em diferentes fases da vida. A igreja atual também perde quando pensa que não tem nada a aprender com a igreja de ontem.
 
Os mais velhos podem sentir-se intimidados na tentativa de alcançar os mais jovens, porém os mais velhos devem tomar a iniciativa. Os jovens podem tirar os seus fones de ouvido e olhar além dos seus iPods. Filhos e netos precisam ouvir as histórias de seus pais e avós.
 
A segunda manifestação da nossa cultura fascinada pela juventude é uma visão distorcida da humanidade. A nossa cultura determina o valor de um ser humano com base na aparência dele ou dela. Pais, professores, pastores de jovens e pastores sabem como a imagem corporal pode ser absolutamente devastadora para a juventude de hoje. Sabemos também que, teologicamente, a dignidade humana e, portanto, o valor humano origina-se em nossa criação à imagem de Deus. Nossa cultura obcecada pela juventude usa uma medida imperfeita para determinar o valor humano.
 
Por outro lado, também perdemos de vista a fragilidade e a depravação humana. Nós não somos fortes. Isaías nos lembra: “Até os jovens se cansam e ficam exaustos, e os moços tropeçam e caem; mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças”. (Isaías. 40:30-31a). O tema da força de Deus manifestada em nossas fraquezas reverbera por meio dos escritos de Paulo. Todavia não vamos conseguir ouvi-lo, se estivermos focados em imagens de força e invencibilidade da juventude.
 
Precisamos ajudar os jovens a enxergarem que o valor deles advém do fato de serem feitos à imagem do Criador e do Redentor. Na cultura de hoje, está cada vez mais difícil passar pela adolescência de forma saudável. Nossos jovens estão rodeados por imagens do belo e do magro, do jovem e do lindo. As imagens de perfeição os bombardeiam. Meu amigo Walt Mueller, autor e presidente do Center for Parent/Youth Understanding [Centro de estudos para Pais e Jovens], tem pesquisado a indústria de publicidade por anos. Sua conclusão? Imagens evidentes e sutis passam diante dos olhos de um adolescente comum pelo menos centenas de vezes por semana. Adicione a isso a mensagem de imagem corporal que chega, em grande parte, através da música pop e do cinema, e você verá o desafio. A cultura jovem precisa da ajuda da igreja para pensar biblicamente sobre uma visão saudável e que honre a Deus de si mesmo e dos outros.
 
A terceira manifestação da cultura jovem tem a ver com a forma como esse grupo demográfico impulsiona o mercado. O motor econômico que dirige grande parte da cultura popular, em termos de filmes e música, pelo menos, é o grupo com recursos desregrados – adolescentes e jovens aos vinte e poucos anos. Grupos de jovens e até mesmo igrejas que buscam ser “bem sucedidos”, estão correndo para acompanhar o ritmo deles.
 
A escritora sempre perspicaz, Flannery O’Connor, do sul dos Estados Unidos, avaliou, uma vez, em um debate sobre o uso de um romance polêmico nas salas de aula das escolas públicas. Ao invés de debater os méritos ou deméritos específicos do livro, O’Connor levantou uma questão mais profunda. Ela observou que os defensores do livro formaram seu argumento, alegando que o livro era atual e da moda, razões pelas quais os jovens se interessavam por ele. “Por que não atender a vontades deles?” foi o argumento. O’Connor por sua vez formou seu argumento pela confiança no cânone literário, e não na ficção popular. Em seguida, ela partiu para o ataque em suas frases finais: “E se o aluno descobrir que aquele estilo não é do seu gosto? Bem, isso é lamentável. Muito lamentável. Seu gosto não deve ser consultado, está sendo formado”, (“A ficção é uma matéria com uma história-ela deve assim ser ensinada”).
 
Alguns podem rejeitar o argumento de O’Connor, considerando-o como um apelo elitista. No entanto, ela mostra uma razão justa. Há o que achamos necessário e há o que realmente é necessário. Às vezes algumas décadas são necessárias para ver a diferença.
 
O sociólogo Christian Smith criou a frase deísmo terapêutico moralista para descrever a visão religiosa proeminente da juventude americana. Sua descrição é plausível, mas como devemos responder? Simplesmente satisfazer a esses gostos é ceder. Ao fazermos isso, perde-se o evangelho e as exigências da vida cristã.
 
Uma daquela baladas de rock à qual me referi anteriormente ecoa repetidas vezes uma frase assombrosa: “Dê-me algo para acreditar”. Ela conta uma história de busca, mas que encontra apenas decepção e desilusão. Contudo, persiste o desejo de acreditar em alguma coisa. Os sociólogos dizem que a cultura da juventude contemporânea valoriza a autenticidade. Nós alcançaremos melhor a cultura jovem se não cedermos à pressão ou fingirmos estar na moda – de qualquer maneira, é muito difícil fingir estar na moda. O respeito de uma pessoa pela outra cresce bastante quando uma simplesmente fala e vive a verdade em amor.
 
A cultura jovem atual enfrenta um grande problema de ansiedade. Em quase todos os níveis, um futuro incerto nos espera no horizonte. Mas essas ansiedades são apenas os sintomas de um problema real, sombras da ansiedade que a humanidade enfrenta por causa da alienação. Nosso pecado nos separa de Deus. E nós precisamos de alguém em quem acreditar. Nenhum de nós, jovem ou velho, precisa de uma religião terapêutica. Todos nós precisamos do evangelho. E todos nós precisamos de uma igreja de jovens e idosos – entre outras idades – que anuncie e viva o evangelho.
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Qual é o meu chamado?

Um sapateiro convertido perguntou a Lutero o que poderia fazer para servir melhor a Deus e ser um cristão melhor. Lutero perguntou: “O que você faz?”. Ao que o sapateiro respondeu: “Eu sou sapateiro”. Lutero então lhe disse: “Pois bem, faça bons sapatos, venda-os por preço justo e você irá servir a Deus e ser um cristão melhor”.

A pergunta do sapateiro é o tipo de pergunta que todo o cristão verdadeiro faz e continua a se fazer. Quem nunca perguntou isto ao seu pastor, algum irmão mais experiente na fé ou até a si mesmo? Para os novos convertidos, isto “martela” o tempo todo em suas cabeças: “Como servir melhor a Deus? O que devo fazer?”

De forma que, a vontade de servir a Deus e ser um cristão melhor, pode estar intrinsecamente ligada a saber se estamos no centro da vontade de Deus, e assim, ter a ciência de qual é Sua vontade para nós. Qual o chamado de Deus para nós?

Não sabemos o pensamento real que estava por trás da pergunta do sapateiro. Chego às vezes pensar em algumas hipóteses, e uma delas é: “Será que o sapateiro esperava ouvir algo do tipo: largue seu ofício de sapateiro, entre para o seminário, torne-se um oficial da Igreja?!”

Bom, não sabemos o certo. Mas, é sobre chamado o assunto de hoje.

Embora este assunto requeira reflexão e análise contínua da vida de cada um (e muito menos se pretende sanar todas as dúvidas, ansiedades e inquietações sobre isto), vamos tentar ao menos ir para um ponto de equilíbrio.

Lembro que na minha adolescência eu escutei diversas pregações sobre chamado. Elas tinham títulos como: “Não negocie seu chamado”; “Não abra mão do seu chamado”; “Invista no seu chamado”; “Deus tem um chamado para você” e etc. No desejo real de despertar seus membros para o trabalho no corpo de Cristo em sua igreja local, muitos líderes buscaram e têm buscado chamar a atenção para este lado da vida cristã. Isso é bom e necessário. Ociosidade não faz parte da vida cristã.

Mas até que ponto, “meu chamado” é de fato “o chamado que Deus tem para mim” para que eu possa compreender que estou na vontade do Senhor? Complexo não é? O fato é que Deus chama homens e mulheres.

O Senhor chama homens e mulheres a se arrependerem, a anunciar o Evangelho, a ser sal da terra e luz do mundo, e é claro, os chama para algo específico. Vemos por exemplo, diversos casos de pessoas nas Escrituras como Abraão, Jacó, Isaque, Moisés, José, Davi, Jeremias, Isaías, Ester, Jonas, João Batista e os apóstolos de Cristo. Sem dúvida, foram homens e mulheres que tiveram um papel a desempenhar em seu tempo. Mas cada um teve um papel diferente.

Ainda parece ser pensamento comum atualmente, que a “obra de Deus” se faz dentro do ambiente que chamamos de igreja, as quatro paredes, ou atividades ligadas diretamente às funções eclesiais. Mas, não. Não é só isso! A fé reformada mostra que tudo em nossa vida é controlado pelo Senhor, é santificado por Ele, afim de quem tudo seja por meio dele, para Ele e por causa dele.Romanos 11:36. Pois, em tudo em nossa vida, desde as atividades mais simples às mais complexas deve ter um único propósito: A glória de Deus Pai, por meio de Jesus Cristo, em todas as coisas. 1 Coríntios 10:31, Colossenses 3:17. Assim, tudo é obra do Senhor; não somente as atividades ligadas à igreja local.

Tenho notado, me parece que há pouca compreensão em diferenciar dons ministeriais com chamado. As Escrituras nos dizem que os dons são dados pelo Espírito Santo a quem quer, de acordo com Sua vontade, e nos instrui também a buscarmos os melhores dons. Dons são para edificação da Igreja, enquanto o chamado, necessariamente não será “executado” no contexto eclesial. Pode até ser no meio secular. Estas questões merecem reflexão, muita oração e estudo da Palavra. Afinal, o Senhor não descerá num cavalo branco, ou aparecerá novamente em uma sarça ardente bradando: “Eiiiiiiiiiiiiiiiiiiis queeeee te digoooooo servo/serva minha…”.

Quantas pessoas, eu já vi desistirem do sonho de ser o que queriam, mas porque ouviram um dia que precisavam estar no centro da vontade de Deus (o que é certo sim); e confundiram a mensagem achando que ser músico, médico, advogado não era bem o centro da Sua vontade. Afinal, só se está no centro se for obreiro da igreja, diácono, pastor, bispo, ou tiver algum cargo.

Há diferentes tipos de ministérios, mas o Senhor é o mesmo.”1 Coríntios 12:5

“Se o pé disser: “Porque não sou mão, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo. E se o ouvido disser: “Porque não sou olho, não pertenço ao corpo”, nem por isso deixa de fazer parte do corpo.Se todo o corpo fosse olho, onde estaria a audição? Se todo o corpo fosse ouvido, onde estaria o olfato?De fato, Deus dispôs cada um dos membros no corpo, segundo a sua vontade.Se todos fossem um só membro, onde estaria o corpo? Assim, há muitos membros, mas um só corpo.O olho não pode dizer à mão: “Não preciso de você! “Nem a cabeça pode dizer aos pés: “Não preciso de vocês! “Pelo contrário, os membros do corpo que parecem mais fracos são indispensáveis,1 Coríntios 12:15-22

Uma vez ouvi um pastor dizer que queria que todos os membros da sua igreja fossem pastores. Ele sonhava com isto e estava trabalhando para isto. Mas, o que a Bíblia diz é que pastor está na lista de dons ministeriais da Igreja, ou de governo:

“E ele designou alguns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres,” Efésios 4:11

Nos estudos de teologia, atualmente estou lendo o segundo volume da Série Lições aos meus Alunos – Homilética e Teologia Pastoral, de Charles H. Spurgeon, Editora PES. Para compreensão e reflexão mais aprofundada sobre o que foi dito nos parágrafos acima, veja algumas coisas que ele disse aos alunos da escola de pastor que ele fundou:

“Ora, nem todos de uma igreja podem superintender ou governar; alguns têm que ser dirigidos ou governados. E cremos que o Espírito Santo designa na Igreja de Deus alguns para agirem como superintendentes, e outros para se submeterem à vigilância de outros, para o seu o próprio bem. Nem todos são chamados para trabalhar na palavra e na doutrina, ou para serem presbíteros, ou para exercerem cargo de bispo. Tampouco devem todos aspirar essas obras, uma vez que em parte nenhuma os dons necessários são prometidos a todos. Mas aqueles que, como o apóstolo, crêem que receberam “este ministério” (2 Co. 4:1) devem dedicar-se a essas importantes ocupações”. pg. 32

“‘Não entre no ministério se puder passar sem ele’, foi o conselho profundamente sábio de um teólogo a alguém que procurou sua opinião. Se alguém neste recinto puder ficar satisfeito sendo redator de jornal, merceeiro, fazendeiro, médico, advogado, senador ou rei, em nome do céu e da terra, siga o seu caminho”. pg. 38

Neste caso, ser chamado pelo Senhor para ser um pastor é uma responsabilidade enorme. É entender que exige certos sacrifícios, que é necessário uma vida de dedicação superior ao normal. É dedicar-se aos estudos com o objetivo de alimentar bem o rebanho. É ter uma vida de oração por si mesmo primeiramente, conservando-se na doutrina, para depois cuidar rebanho que Deus colocou aos seus cuidados. É dar conforto a alguém que perdeu um ente querido durante a noite, enquanto muitos já começaram a dormir; é chorar com os que choram e alegrar-se com os que se alegram. É estar disponível para orar, para aconselhar, dar prioridade à vida do outro. É muitas vezes sair para visitar alguém e partilhar da mesma mesa, mesmo não sendo farta e buscar meios para suprir a mesa dos que precisam. É dizer a verdade, mesmo que fira, em amor, para que possa produzir vida eterna. É estar sob direção do Espírito e ter uma consciência constante da Sua dependência, pois ele também é humano, tem família, tem lutas, vitórias e derrotas. É um pecador miserável, pobre, cego e nu, que se não fosse a Graça de Deus para salvá-lo, seu destino não seria nada bonito.

Só que nem todos são pastores. Como igualmente, nem todos são profetas, nem todos são evangelistas, nem todos são mestres, nem todos são apóstolos, como disse o apóstolo Paulo na carta aos Coríntios.

Nem todos são médicos, nem todos são administradores, nem todos são engenheiros, nem todos são engraxates, nem todos são cobradores de ônibus, nem todos são professores. Nossa compreensão de chamado começa por uma profunda dependência do Senhor em guiar nossa vida, pela instrução da Suas Sagradas Escrituras. Deixando o Senhor conduzir sua vida.

Somos muitas vezes levados a pensar que chamados são somente aqueles que foram tremendamente usados por Deus. Quando lemos as histórias da Bíblia e vemos, por exemplo, a galeria da fé no livro de Hebreus, nós pensamos que somente homens e mulheres como eles tinham realmente um “chamado pra valer”.

Mas o que não levamos em conta é que o fato da Bíblia não relatar a vida de outras pessoas da comunidade de Israel, do povo de Deus no AT e NT, não significa que estes homens e mulheres não foram chamados por Deus ou que não trabalharam para Ele e edificaram a Igreja de alguma maneira.

Certa vez ouvi um líder responder sobre chamados, dons, ministérios da seguinte forma: “O que você tem prazer em fazer?”, “O que você quer fazer?”. Deixe Cristo guiar sua vida naturalmente.

Meu irmão, minha irmã, você gosta de medicina e percebe que tudo na sua vida caminha para este lado? Você tem se dedicado ao estudo da medicina? Sente que este é o caminho que o Senhor escolheu para você? Teu chamado é este. E seja em qual área for, sendo cristão, deve fazer tudo para a Glória de Deus. Lá, naquele local, no ambiente de trabalho do seu chamado, ali se deve proclamar as boas novas do evangelho.

Há pessoas que no contexto eclesial talvez nunca cheguem a serem diáconos, pastores, evangelistas, mestres. Mas terão outros dons e serão chamados a atuarem não diretamente na igreja local, mas no secular com o seu chamado. Por que estou fazendo esta distinção entre chamado eclesial, secular?

Um exemplo que acho bastante esclarecedor é do músico. Uma profissão que para muitas pessoas, após a conversão, vira uma polêmica. Às vezes a pessoa abandona tudo, uma carreira brilhante, porque acha que seu chamado era outro e não a música.

Mas, música pode executar na igreja também. Ok! Mas e outras atividades? O artista plástico? O engenheiro? Não são chamados também? O pintor?

Em resumo, o que quer que façamos, devemos fazer para a Glória de Deus. Se você irmão, irmã, tem um sonho de ser alguém um dia, e tudo caminha para este sonho, tenha certeza, este é o chamado de Deus em sua vida, independente do dom espiritual que Ele te concedeu.

A intenção não é jogar uma balde de água fria naqueles que sentem um chamado mais forte para os chamados de governo, por exemplo, ou até ter um ministério ou cargo na igreja. Porém nos levar a uma compreensão e contentamento de que fomos chamados por Deus para fazer algo e isto deve e tem que glorificar Seu nome. Seja o que for. Da atividade mais simples à mais complexa e assim, serviremos a Deus. Até mesmo sendo, simplesmente, um sapateiro.

Paz e bem a todos em Cristo.

***

Anderson Alcides é tradutor, teólogo, e blogueiro escreve no A Voz no Deserto.

Material extraído de www.artedechocar.com 

E por que os calvinistas não orariam?

Por Rev. Ewerton B. Tokashiki
Pensar que a soberania e a fidelidade de Deus à nosso favor dispensa a oração, seria uma errônea conclusão que alguém facilmente chegaria se não entendesse as doutrinas da graça. Os reformados são conhecidos por crerem num sistema que ensina o soberano decreto de Deus como a expressão da sua perfeita vontade, ou as determinações eternas de tudo o que é, do que foi, e do que será na criação, na história, e na salvação. É uma doutrina consistente em que vê o decreto e a oração não como forças contrárias, mas como causa e efeito, numa perfeita relação entre o Senhor e os seus servos.
 
A Escritura Sagrada ensina que Deus predeterminou tudo e, Ele mesmo nos estimula a orar por vários motivos. Nele esperamos o nascimento (Sl 139 15-16), o curso da vida (Jr 10:23), o controle sobre cada pensamento e palavra (Pv 16:1), o poder e a autoridade dos homens, bem como a sua incredulidade (Êx 9:16) e o desenfreio da impiedade (1 Pe 2:8). Ao evangelizar podemos orar por cada parte da salvação, incluindo o chamado (Rm 8:28), a fé daqueles que creem (At 13:48), as boas obras de santificação (Ef 1:3-4; 2:10), e a herança da glória (Ef 1:11). Também é possível orarmos por todas as coisas no céu e na terra (Sl 135:6-12).[1] Deste modo, confessamos pela oração que “o nosso Deus está nos céus; tudo faz segundo a Sua boa vontade” (Sl 115:3). 

A oração não funciona como um instrumento de manipulação dos caprichos ou necessidades humanas. Não somos nós que mudamos o eterno propósito de Deus com a nossa oração, mas Ele nos aperfeiçoa no cumprimento diário de Sua vontade em nós. R.C. Sproul esclarece que o mais importante, é que a oração é que nos transforma. Podemos envolver mais profundamente nesta comunhão com Deus e conhecer Aquele com quem estamos falando mais intimamente, e um crescente conhecimento de Deus é revelado ainda mais brilhante, e o que somos e a nossa necessidade é transformada, conforme Ele quer. A oração nos altera profundamente.[2]

Então, ao aplicar a sua graça, Deus desenvolve a sua salvação em todo um processo aperfeiçoando-nos por meio da sua providência. A nossa oração se relaciona diretamente com o governo de Deus e o desdobramento de sua vontade eterna. Não há o que questionar, pois sabemos que “é Deus quem efetua em vocês tanto o querer quanto o realizar, de acordo com a boa vontade dele” (Fp 2:13, NVI).
Deus nos prepara para conceder àquilo que Ele quer nos dar. Ele cria a necessidade, nos dá percepção da nossa carência, concede-nos a fé necessária e confirma o seu amor providencial ao manifestar a sua vontade à nosso favor. Em tudo descobrimos a sua glória nos envolvendo numa ininterrupta dependência dEle. Calvinistas oram porque estão convencidos da riqueza da graça de Deus. O puritano John Owen percebeu que a principal finalidade da oração é estimular e despertar o princípio da graça, da fé e do amor no coração devido aos santos pensamentos de Deus. Aqueles que não têm este propósito na oração, realmente não sabem o que é orar. Uma constante assistência sobre este dever preservará a alma de uma estrutura onde o pecado não pode habitualmente prevalecer nela.[3]
Somente podemos orar capacitados pelo Espírito Santo. Paulo nos revela que “da mesma forma o Espírito nos ajuda em nossa fraqueza, pois não sabemos como orar, mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inexprimíveis” (Rm 8:26, NVI). Isto significa que o Espírito Santo “garante a disposição e desejos, concede as palavras na boca, segue adiante delas, e causa-as para orar depois delas.”[4] O aspecto prático desta doutrina é que o exercício da oração sempre é surpreendente! Se entendêssemos e vivêssemos esta dinâmica não teríamos como desanimar de orar. Edwin H. Palmer nos afirma que se a nossa vida de oração é monótona e enfadonha, se é pesada, se sentimos que não estamos em contato com Deus, como se as nossas orações não chegassem a Ele, se não sabemos para que orar, se a oração não é um meio poderoso em nossa vida, então podemos recorrer ao Espírito da oração e pedir-lhe que venha a nossa vida, de forma mais plena, para ajudar-nos nesta debilidade. Se assim fizermos, com fé e esperança, Ele virá a nós e revolucionará a nossa vida de oração. Porque Ele é o segredo da oração, do mesmo modo que é o segredo de toda a vida santa. Sem Ele nada podemos fazer. Mas, com Ele podemos ser transformados e viver vidas que sejam espiritualmente ricas, ativas e alegres.[5]

Um calvinista vive a sua oração. Isto não significa que ele está constantemente de olhos fechados, mas que a disposição de sua alma continuamente está na dependência do soberano Deus. Nathaniel S. McFetridge observa que muitos homens possuem um compartimento onde está esta atitude em sua oração, e ela é desligada de suas vidas com o seu Amém, e quando se levantam de sobre os seus joelhos assumem uma atitude totalmente diferente, se não do coração, mas pelo menos da mente. Eles oram como se dependessem somente da misericórdia de Deus; entretanto, eles pensam – como se fosse possível enquanto viverem – como se Deus, em algumas de suas atividades menores, fosse dependente deles. O calvinista é o homem que está determinado a preservar o que ele recebeu em oração em todos os seus pensamentos, em todos os seus sentimentos, em tudo o que faz. Isto quer dizer que, ele é o homem que está determinado a fazer que a religião em sua pureza venha a sua plena retidão em seus pensamentos, sentimentos e vida. Este é o fundamento de seu especial modo de pensar, a razão pela qual ele é chamado um calvinista; e de igual modo especial age no mundo, a razão pela qual ele se torna a maior força regeneradora no mundo. Outros homens são calvinistas sobre os seus joelhos; o calvinista é o homem que está determinado que o seu intelecto, coração e vontade permanecerão sobre os seus joelhos continuamente, e a pensar, sentir e agir somente a partir deste fundamento. Calvinismo é, antes de tudo, aquela espécie de pensamento no qual vem a sua verdadeira atitude religiosa de dependência interna de Deus e humilde confiança somente em sua misericórdia para a salvação.[6]

Concluindo, podemos pensar que toda oração é essencialmente feita em três aspectos. Benjamin Palmer afirma que a oração é o apelo da criatura dependente; é o lamento do culpado pecador; e ainda, é a articulada adoração de uma alma inteligente. Sob o primeiro aspecto, Deus é considerado em sua relação natural como o criador e preservador de todas as suas criaturas. Sob o segundo, ele é contemplado em sua graciosa relação como o redentor e salvador dos pecadores. E por último, ele é adorado em sua consumada santidade e glória.[7]

É na busca da benção do Pai, pela mediação do Filho e testemunho do Espírito Santo que oramos. O Catecismo Maior de Westminster questiona – O que é oração? E a sua resposta é: oração é um oferecimento de nossos desejos a Deus, em nome de Cristo e com o auxílio de seu Espírito, e com a confissão de nossos pecados e um grato reconhecimento de suas misericórdias.[8] Não existe relação trinitária mais completa do que desfrutamos da oração como meio de intimidade com Deus. Por que calvinistas não orariam?

O que é teonomia?

 Por William O. Einwechter
 
Teonomia é a visão da ética cristã que ensina que a lei de Deus como revelada no Antigo e Novo Testamento é o único padrão autoritativo de verdade e justiça, e que a Escritura é inteiramente suficiente para nos instruir na justiça em cada esfera da vida. A Palavra de Deus é o único padrão aceitável para julgar o certo e errado de qualquer e todo comportamento humano. A teonomia ensina que o motivo correto da ação humana é o amor por Deus e pelo homem; que o padrão da ação humana é a Palavra de Deus; e que o fim ou propósito da ação humana é a glória de Deus.
 
A teonomia, como um sistema de ética estritamente bíblico, se opõe a todas as formas de autonomia ética; vê a lei natural como uma regra de ética insuficiente; repudia todas as formas de antinomianismo e legalismo; defende uma interpretação e aplicação cuidadosa da lei; e sustenta que a lei de Deus deveria ser o padrão para a vida social e política de toda nação.
 
Teonomia, como uma formulação estritamente bíblica de ética, glorifica a Deus; apresenta o verdadeiro dever do homem; é a verdadeira ética do amor; é a resposta apropriada à graça; é a vereda da bênção; é o caminho da vitória; e é o caminho do reavivamento e reforma.
 
Em essência, a teonomia é a aplicação consistente e fiel do princípio da Reforma do Sola Scriptura à questão da ética.
 
Pode haver algumas diferenças em alguns pontos entre aqueles que aderem à ética teonômica, mas todos os teonomistas diriam a Confissão de Fé Escocesa que a lei de Deus é “a mais justa, a mais imparcial, a mais santa e a mais perfeita”. A essência da teonomia é um amor por Deus e sua lei, e um desejo de ordenar tudo da vida de acordo com os mandamentos de Deus. Possa Deus conceder a cada um de nós a graça para declarar alegremente com o salmista, “Oh! quanto amo a tua lei!”.
 

De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem. Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom quer seja mau (Ec 12.13-14).

Veja clipes

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Pra você sorrir

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Por Marcela Tais

Maravilhosa graça

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Desfrute dessa bela canção….