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Arquivo mensal: junho 2013

Graça não é nem a negação do pecado nem a negação da culpa

Da Revista Ultimato – Edição 318

Graça é a palavra mais importante do vocabulário teológico. Cristianismo desprovido de graça não existe. Só no Novo Testamento, a palavra graça aparece 155 vezes. Quem mais desenvolve a teologia da graça é o apóstolo Paulo, que em suas Epístolas menciona o vocábulo pouco mais de cem vezes, especialmente quando se dirige aos coríntios.

Antes de ser teólogo e pregador da graça por excelência, Paulo é um dos mais notáveis pecadores alcançados por ela. Em sua conduta anterior, quando ainda se chamava Saulo, esse judeu era um feroz perseguidor dos cristãos, homens e mulheres, tanto em Jerusalém como no exterior. Ele localizava, perseguia, castigava, algemava, torturava e levava os cristãos para serem encarcerados em Jerusalém. E ainda dava seu aval quando eles eram mortos, como no caso de Estêvão, o primeiro mártir da igreja primitiva (At 9.21; 22.3-5; 26.9-11). Sem a graça, Paulo estava distanciado de Deus e condenado para sempre. Apesar de ser blasfemo, perseguidor e arrogante, “nosso Senhor derramou a “sua imensa graça” sobre mim e me deu a fé e o amor que temos por estarmos unidos com Cristo” (1Tm 1.14, NTLH). A mais conhecida declaração sobre a riqueza da surpreendente e maravilhosa graça é da lavra de Paulo: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; e isso não vem de vós, é dom de Deus” (Ef 2.8).

A graça não é algo complicado. Não demanda especulações filosóficas nem teológicas — é o favor imerecido da parte de Deus em benefício do pecador culpado e nada mais. Não é nem a negação do pecado nem a negação da culpa, mas a remoção de um e de outro, graças ao extremo amor de Deus. O favor realizado não é em função de algum merecimento ou obra positiva por parte do receptor. Ele é sempre imerecido aos olhos de Deus, o credor, e aos olhos do pecador, o devedor. O que produz a salvação definitivamente não é qualquer realização moral ou ato religioso da parte dos devedores. É a graça de Deus, e nada mais, que “se manifestou salvadora a todos os homens” (Tt 2.11).

Onde o pecado aumenta por causa da clareza e da força da lei, por causa do volume, da gravidade e da frequência das transgressões, “a graça de Deus aumenta muito mais” (Rm 5.20, NTLH). A abundância do pecado provoca a superabundância da graça. É o caso daquelas três mulheres sem nome (a samaritana, a pecadora e a adúltera) envolvidas em escândalos ligados ao comportamento sexual (Jo 4.1-30; Lc 7.36-50; Jo 8.1-11). É o caso daquele criminoso condenado à pena máxima por seus crimes e que, momentos antes de morrer, arrepende-se de seus pecados e obtém a promessa da vida eterna (Lc 23.39-43). É o caso do mavioso salmista de Israel que se descuidou e veio a se enchafurdar na lama do pecado, de onde foi graciosamente içado (Sl 40.2).

O salvo nada mais é do que “um inimigo que Deus escolhe, um condenado que ele agracia”, nas palavras do jesuíta Jacques Guillet.

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O método de contabilidade de Deus

Martyn Lloyd-Jones
 
Não pensem em termos de direitos e barganhas no reino de Deus. Isso é absolutamente fatal. Não há nada mais errado do que o espírito que argumenta que, por­que eu faço isto, ou porque eu fiz aquilo, tenho o direito de esperar algo em troca.
 
Em outras palavras, precisamos compreen­der que não temos direito a coisa nenhuma.
 
“Mas”, alguém dirá, “Paulo não ensina sobre julgamento e recompensas na Segunda Epístola aos Coríntios, no capítulo cinco?” Certamente, e o faz também no terceiro capítulo da Primeira Epístola aos Coríntios, e o próprio Senhor, no capítulo doze de Lucas, fala sobre aqueles que recebem muitas chicotadas e os que recebem poucas, e assim por diante.
 
O que isso nos diz, então? A resposta é que até mesmo as recompensas são pela graça.
 
Ele não precisa dá-las, e se acham que podem determinar ou predizer com elas devem vir, estão errados.  
 
Tudo na vida cristã é pela graça, do começo ao fim. Pensar em termos de barganha, e resmungar por causa dos resultados, revela desconfiança dEle, e precisamos vigiar nosso próprio espírito  para que não abriguemos o pensamento de que Ele não está nos tratando de maneira justa.
 
Não mante­nham um balanço ou registro do seu trabalho.
 
Desistam dessa contabilidade. Na vida cristã nada devemos desejar além da Sua glória, nada além de agradar a Ele. Então, não fiquem de olho no relógio, mantenham seus olhos nEle e na Sua obra. Não fiquem registrando seu próprio trabalho, mantenham seus olhos nEle e em Sua glória, em Seu amor e em Sua honra e na expansão do Seu reino. Mantenham sua atenção nisso e em nada mais. Não se preo­cupem com quantas horas dedicou ao trabalho, nem com o que vocês fizeram.
 
Deixem a contabilidade aos cuidados dEle e da Sua graça; deixem que Ele mantenha o registro. Ouçam o que Ele diz a esse respeito: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita”. É assim que devem trabalhar no Seu reino, devem traba­lhar de tal forma que sua mão esquerda nem saiba o que a direita está fazendo. Por esta razão: “Teu Pai, que vê em secreto, te recompensará publicamente”. Não há necessidade de perder tempo mantendo um balanço: Ele está fazendo isso. E a contabilidade dEle é maravilhosa! Digo isso com reverência, não conheço nada mais romântico do que o método de contabilidade de Deus.
 
Pre­parem-se para surpresas no Seu reino. Vocês jamais saberão o que vai acontecer. Os últimos serão os primeiros. Que inversão total da nossa perspectiva materialista — os últimos, primeiro; os primeiros, por último, tudo de cabeça para baixo. O mundo todo foi virado de cabeça para baixo pela graça. Não é do homem, é de Deus, é o reino de Deus. Que coisa esplêndida!
 
Quero fazer uma confissão pessoal. Esse tipo de coisa acon­teceu muitas vezes comigo em meu ministério. Às vezes Deus foi gracioso num domingo, e tive consciência de uma extraordinária liberdade, e fui tolo o suficiente para dar ouvidos ao diabo quando ele disse: “Espere só até o próximo domingo, vai ser maravilhoso, a congregação vai ser ainda maior”. E então subi ao púlpito no domingo seguinte, e vi uma congregação menor.
 
Mas então, numa outra ocasião, parado naquele mesmo púlpito, batalhei como se estivesse ali sozinho, pregando de forma fraca e ineficaz, e o diabo veio e disse: “Não vai haver ninguém aqui no próximo domingo”. Mas, graças a Deus, descobri no domingo seguinte uma congrega­ção maior. Este é o método da contabilidade de Deus. Nunca sabemos. Subo ao púlpito em fraqueza, e termino com poder. Subo com auto-confiança e acabo me sentindo um tolo. É a contabili­dade de Deus. Ele nos conhece muito melhor do que nós conhe­cemos a nós mesmos. E está sempre nos surpreendendo. Nunca se sabe o que Ele vai fazer. Sua contabilidade é a coisa mais romântica que conheço neste mundo.
 
Nosso Senhor falou disso novamente na terceira parábola do capítulo 25 do Evangelho de Mateus. Lembrem-se da Sua descri­ção das pessoas que vão chegar ao fim do mundo esperando uma recompensa, mas a quem Ele não vai dar nada, e então outros a quem Ele dirá: “Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado”. E eles dirão: “Nós nada fizemos; quando Te vimos nu, e faminto, ou sedento, e Te atendemos?” E ele dirá: “Quando os fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes”. Que surpresa isso vai ser. Esta vida é cheia de romance. Nosso livro-razão está ultrapassado; ele não tem valor. Estamos no reino de Deus, é a contabilidade de Deus. É tudo pela graça.
 
Isso então nos traz ao último princípio, qual seja, que não só devemos reconhecer que é tudo pela graça, mas nos regozijar por ser assim. Essa era a tragédia desses homens. Eles viram que aque­les que trabalharam apenas uma hora receberam um dinheiro, e em vez de se regozijarem com aquilo, começaram a murmurar e a reclamar, sentindo que não era justo, que não tinham sido tratados com equidade. O segredo de uma vida cristã feliz é compreender que é tudo pela graça, e regozijar-se nesse fato. “Assim também vós”, diz o Senhor numa outra passagem, “quando fizerdes tudo o que vos for mandado, dizei: somos servos inúteis, porque fize­mos somente o que devíamos fazer”. Esse é o Seu ponto de vista, esse é o Seu ensino, esse é o segredo de tudo. Não era esse o Seu modo?
 
Era, de acordo com o apóstolo Paulo, que disse: “Não atente cada um para o que é propriamente seu, mas cada qual também para o que é dos outros. De sorte que haja em vós o mesmo sentimento que houve também em Cristo Jesus”. Vocês entendem o que isso significa. Ele não olhou para Si mesmo, Ele não pensou em Si mesmo e nos Seus interesses;  Ele deixou de lado Sua reputação, deixou de lado as insígnias da Sua eterna glória. Ele não considerou Sua igualdade com Deus algo a que devesse se agarrar, dizendo: “Aconteça o que acontecer, não vou largar”. Ele não fez isso. Ele o deixou de lado, Ele Se humilhou, esqueceu-Se de Si mesmo, e enfrentou e suportou e fez tudo o que fez olhando somente para a glória de Deus. 
 
Nada mais impor­tava para Ele, apenas que o Pai fosse glorificado, e que homens e mulheres viessem ao Pai. Esse é o segredo. Sem olhar para o relógio, sem avaliar a quantidade de trabalho, sem manter um balanço, mas esquecendo tudo exceto a glória de Deus, o privi­légio de ser chamado para trabalhar para Ele, o privilégio de ser um cristão, lembrando somente da graça que olhou para nós e nos removeu das trevas para a luz.
 
É graça no princípio, é graça no fim. Portanto, quando nós estivermos em nosso leito de morte, o que deve nos consolar e ajudar e fortalecer ali é a mesma coisa que nos ajudou no começo. Não o que fomos, não o que fizemos, mas a graça de Deus em Jesus Cristo nosso Senhor. A vida cristã começa pela graça, deve continuar pela graça, e terminar na graça. Graça, maravilhosa graça. “Pela graça de Deus sou o que sou”. “Todavia não eu, mas a graça de Deus, que está comigo”.
 
Trechos selecionados do livro Depressão Espiritual, de Martyn Lloyd-Jones

Até o diabo tem versículos bíblicos preferidos! E nossa geração?

Por Josemar Bessa
 
Qual é o verso preferido da Bíblia de nossa geração? Qual o texto preferido do mundo e de muitos cristãos de nossos dias? Ele fala sobre a santidade de Deus? Sobre o pecado? Sobre o verdadeiro arrependimento? Sobre a ira de Deus? Sobre a condenação no inferno?…
 
O mundo e muitos cristãos podem conhecer muito pouco ou praticamente nada da Bíblia, mas tão certo como o sol nasceu hoje, eles podem citar sem dificuldades Mateus 7.1“Não julgueis para que não sejais julgados” – E ironicamente, como não podia deixar de ser, o versículo que nossa cultura e grande parte dos cristãos, por estarem completamente aliados a ela mais gostam, eles menos entendem.
 
Esta é a passagem bíblica mais abusada e mal compreendida… é óbvio que por uma conveniência que despreza Deus. Nada é tão mal aplicado como essa passagem. O mundo, a cultura, cristãos… a usam para denunciar todo e qualquer um que se aventure a criticar ou expor os pecados, falhas ou aberrações do coração caído que se deleite em tudo que Deus despreza. Jamais se atreva a falar mal do homossexualismo, adultério, fofoca, mundanismo, alteração do imposto de renda, aborto, a condenação de qualquer um que não está em Cristo nos termos bíblicos… e assim por diante… sem estar certo de você vai estar sobre a ira da multidão do mundo e da “igreja” que se convenceram de que Jesus, a quem eles desprezam e rejeitam – ( pelo menos o Jesus real que diz: “Aquele que tem os meus mandamentos e os guarda esse é o que me ama…” – João 14.21 )  – disse que não devemos julgar uns aos outros.
 
Isto acontece por que? Por que  este é o texto que está na boca de todos? Acontece pelo fato de que as pessoas ODEIAM absolutos, especialmente absolutos morais. Dizer que existe diferença absoluta entre o bem e o mal, a verdade e o erro… é o caminho para ser chamado de Medieval, mente fechada, fundamentalista… e hoje nada mais é temido, mesmo por pessoas que dizem serem pregadores da verdade absoluta de Deus. Ser dogmático é o maior temor dos que querem ser vistos como “relevantes” por uma sociedade que abandonou Deus e que foi abandonada por Ele:
 
“Dizendo-se sábios, tornaram-se loucos. E mudaram a glória do Deus incorruptível em semelhança da imagem de homem corruptível, e de aves, e de quadrúpedes, e de répteis. Por isso também Deus os entregou às concupiscências de seus corações, à imundícia, para desonrarem seus corpos entre si; Pois mudaram a verdade de Deus em mentira, e honraram e serviram mais a criatura do que o Criador, que é bendito eternamente. Amém.” – Romanos 1:22-25
 
O diagnóstico que flui dos problemas tratados por Paulo em Corinto, por exemplo, é exatamente o oposto do diagnóstico que é feito hoje. “Estais ensoberbecidos, e nem ao menos vos entristecestes por não ter sido dentre vós tirado quem cometeu tal ação.” – 1 Coríntios 5:2
 
Hoje, quando a disciplina não acontece o diagnóstico muitas vezes é que somos muito humildes para julgar e disciplinar uma pessoa: Quem somos nós para apontar o dedo? Quem somos nós para julgar? Quem somos nós para atirar a primeira pedra? E assim uma suposta humildade é construída na base da tolerância a imoralidade impenitente.
 
Por outro lado, hoje, se uma igreja seguir na aplicação da disciplina é muitas vezes diagnosticada como agindo direto com orgulho farisaico. Indignação com o pecado é muitas vezes retratada como um disfarce para a insegurança e um véu sobre suas tentações sexuais dos fariseus. Um tipo de atitude “mais santo do que tu” é dito ser a base da indignação e  a arrogância é dita ser a base da disciplina e exclusão.
 
Mas quando você lê este versículo 2, o diagnóstico de Paulo sobre o problema em Corinto era exatamente o oposto. Não, a arrogância foi a base da tolerância e a humildade de coração partido deveria ter sido a base da excomunhão.
 
Ele disse: “Vocês se tornaram arrogantes.” As pessoas na igreja estavam se vangloriando desta imoralidade. Agora, como pode ser isso? Que tipo de teologia daria origem a jactância na imoralidade? Temos visto isso nas cartas de Paulo em outros lugares. Ele diz: “E por que não dizemos (como somos blasfemados, e como alguns dizem que dizemos): Façamos males, para que venham bens? A condenação desses é justa” – Romanos 3:8″ – “Que diremos pois? Permaneceremos no pecado, para que a graça abunde?” – Romanos 6:1
 
Então, é uma teologia que não entende o poder da graça e a transforma em licença para a vida mundana. É uma teologia que não entende a liberdade e usa-o como “uma oportunidade para a carne” ( Gal. 5:13 ), e diz (como diziam em Corinto) “todas as coisas me são lícitas” ( 1 Co 6:12. , 10:23 ). E assim eles estavam se gabando de sua liberdade e tolerância que anula a graça. Orgulho disfarçado de humildade aqui foi a base da tolerância pecaminosa e não o julgamento farisaico.
 
Neste mesmo lugar ficamos tendo nos tornado espelho da nossa cultura.  Ser chamado de mente fechada é a maior dor imaginável para aqueles que querem se abraçados pela cultura! Em suma, para a vastíssima maioria em nossos dias o único inimigo é o homem que não está aberto para tudo.
 
Que Jesus de forma nenhuma nos proíbe de expressar claramente a opinião, declaração bíblica sobre o certo e errado, o bem e o mal, a verdade e a falsidade… pode ser demonstrado observando dois fatores simples – o contexto imediato do texto ( Mateus 7.1) e todo o ensinamento do Novo Testamento sobre julgar.
 
Praticamente todo o Sermão do Monte, antes e depois do texto mencionado, baseia-se no pressuposto básico de que devemos usar nosso poderes críticos instruídos pela Verdade de Deus para fazer julgamentos morais, éticos, lógicos… Jesus disse para os cristãos serem completamente diferentes do mundo que os cerca, para buscar a justiça que excede a dos fariseus, fazer tudo com motivações completamente diferente do mundo ao redor, ou seja, completamente centrados na glória de Deus e não no homem, evitar ser como os hipócritas quando damos, oramos, jejuamos…
 
E logo depois da exortação de Mateus 7.1, Jesus diz para não dar o que é santo aos cães ou pérolas aos porcos, nos guardar dos falsos profetas…  É óbvio que seria impossível obedecer a esses mandamentos sem usar o julgamento crítico que flui das definições bíblicas sobre a vida. Só podemos, é claro, obedecer a esses mandamentos e determinar nosso comportamento em relação aos “cães”, “porcos”, “falsos profetas”, “mundo”… se usarmos um julgamento crítico conduzido pela verdade sobre todas essas coisas.
 
Quando esquecemos tudo isso começamos a citar versos bíblicos como o diabo citou diante de Cristo na tentação no deserto. Por isso a Bíblia está cheia de mandamentos para fazermos julgamentos:
 
“Todo aquele que prevarica, e não persevera na doutrina de Cristo, não tem a Deus. Quem persevera na doutrina de Cristo, esse tem tanto ao Pai como ao Filho. Se alguém vem ter convosco, e não traz esta doutrina, não o recebais em casa, nem tampouco o saudeis. Porque quem o saúda tem parte nas suas más obras.” – 2 João 9-11
 
“Ora, se teu irmão pecar contra ti, vai, e repreende-o entre ti e ele só; se te ouvir, ganhaste a teu irmão; Mas, se não te ouvir, leva ainda contigo um ou dois, para que pela boca de duas ou três testemunhas toda a palavra seja confirmada. E, se não as escutar, dize-o à igreja; e, se também não escutar a igreja, considera-o como um gentio e publicano.” – Mateus 18:15-17
 
“E rogo-vos, irmãos, que noteis os que promovem dissensões e escândalos contra a doutrina que aprendestes; desviai-vos deles. Porque os tais não servem a nosso Senhor Jesus Cristo, mas ao seu ventre; e com suaves palavras e lisonjas enganam os corações dos simples.” – Romanos 16:17-18
 
“Eu, na verdade, ainda que ausente no corpo, mas presente no espírito, já determinei, como se estivesse presente, que o que tal ato praticou…” – 1 Coríntios 5:3
 
“Mas, ainda que nós mesmos ou um anjo do céu vos anuncie outro evangelho além do que já vos tenho anunciado, seja anátema.” – Gálatas 1:8
 
“Guardai-vos dos cães, guardai-vos dos maus obreiros, guardai-vos da circuncisão” – Filipenses 3:2
 
“Ao homem herege, depois de uma e outra admoestação, evita-o, Sabendo que esse tal está pervertido, e peca, estando já em si mesmo condenado.” – Tito 3:10-11
 
“Amados, não creiais a todo o espírito, mas provai se os espíritos são de Deus, porque já muitos falsos profetas se têm levantado no mundo.” – 1 João 4:1
 
“Tenho escrito à igreja; mas Diótrefes, que procura ter entre eles o primado, não nos recebe. Por isso, se eu for, trarei à memória as obras que ele faz, proferindo contra nós palavras maliciosas; e, não contente com isto, não recebe os irmãos, e impede os que querem recebê-los, e os lança fora da igreja.” – 3 João 1:9-10
 
Agora, devíamos olhar especialmente para João 7.24 – onde o próprio Jesus diz: “Não julgueis segundo a aparência, mas julgai segundo a reta justiça.” – João 7:24
 
O que é, então, que Jesus quis dizer em Mateus 7:1-6 ?
 
Parece que Jesus está proibindo o tipo de crítica julgamento que é hipócrita, que nos torna apenas farejadores de falhas, destrutivos, amargos… Ele está proibindo o tipo de julgamento que fazemos aos outros não por preocupação com sua saúde e bem-estar espiritual, mas unicamente para desfilar nossa suposta justiça diante dos homens.
 
Não devemos julgar os outros como um meio de auto-justificação. Algo comum – ao apontar o erro de pastores ou da igreja, por exemplo, tento justificar minha falta de compromisso com o corpo de Cristo. Tento usar o erro dos outros para justificar minha falta de submissão… denuncio apenas pecados externos e visíveis como roubo,  assassinato, injustiça social… para minimizar os internos como amargura, ciúme, luxúria… Essa forma de julgamento nada mais é do que auto-justificação.
 
Em Mateus 7.6 Jesus aponta para o perigo oposto: “Não deis aos cães as coisas santas, nem deiteis aos porcos as vossas pérolas, não aconteça que as pisem com os pés e, voltando-se, vos despedacem.” – Ele aqui aponta para o perigo de sermos homens indulgentes e sem discernimento num mundo que despreza completamente Deus. Pensando em amar os nossos inimigos, andar a milha extra e não fazer julgamentos injustamente… corremos o grande  perigo de nos tornarmos insossos, não mais sal e luz, não fazer mais distinções essenciais entre o certo e o errado, a verdade e a falsidade, a luz e as trevas, o viver santo e a impiedade, o ser igreja ou ser o mundo debaixo da ira de Deus.

Somos todos iguais! (em nossas complicações e limitações)

Por: Saulo Diniz Ferreira – Goiânia GO

Quem não é complicado?
Quem não é preconceituoso? 
Quem não é vulnerável? 
Quem não está sujeito a danos emocionais? 
Quem não carrega traumas de infância? 
Quem não tem alguma ideia fixa? 
Quem não sofre de algum complexo de inferioridade ou superioridade? 
Quem não tem ondas de tristeza? 
Quem não é ansioso? 
Quem não adoece? 
Quem não precisa de algum tratamento? 
Quem não tem medo? 
Quem não teme a morte de entes queridos e a própria morte? 
Quem não é mortal? Quem não é pecador? 
Quem não carrega dentro de si a pecaminosidade latente? 
Quem não é tentado a praticar o mal? 
Quem não está sujeito às potestades do ar? 
Quem não tem calcanhares de aquiles? 
Quem não precisa se arrepender de alguma coisa? 
Quem não depende do perdão de seu semelhante e de Deus? 
Quem não é frágil? 

De: Revista Ultimato 

Conectividade entre Ciência e Fé

I Encontro Nacional de FÉ E CIÊNCIA para o Século XXI – 2013
UNIVERSIDADE PRESBITERIANA MACKENZIE
Dr. José Maria Bechara – Professor Adjunto da FEI
Palestra 3 tema: Conectividade entre Ciência e Fé

Spurgeon ainda fala

Charles Spurgeon:

“Deus determinou um dia em que julgará o mundo, e suspiramos e choramos até que termine o reino da impiedade e dê descanso aos oprimidos. Irmãos, devemos pregar o vinda do Senhor, e pregá-lo mais do que temos feito, porque é o poder do Evangelho. Muitos têm prendido estas verdades e assim o osso foi tirado do braço do Evangelho. Sua ponta foi quebrada; seu gume foi cegado. A doutrina do julgamento vindouro é poder pelo qual as pessoas são despertadas. Existe uma outra vida; O Senhor virá uma segunda vez; o julgamento chegará; a ira de Deus será revelada. Onde esta mensagem não é pregada, ouso dizer que o Evangelho não é pregado. É absolutamente necessário à pregação do Evangelho de Cristo que as pessoas sejam alertadas a respeito do que acontecerá se elas continuarem em seus pecados. Ôu, ôu, senhor cirurgião, o senhor é delicado demais para informar ao seu paciente que ele está doente! Espera curar os doentes sem eles tomarem conhecimento. Assim, o senhor os lisonjeia: e o que acontece? Eles riem do senhor e dançam sobre suas próprias covas. E finalmente morrem! Sua delicadeza é crueldade; suas lisonjas são veneno; o senhor é um assassino. Será que devemos manter as pessoas em um paraíso de mentira? Será que devemos adormecê-los em doces sonecas das quais apenas acordarão no inferno? Será que devemos nos tornar colaboradores para sua condenação através de nossas agradáveis conversas? Em nome de Deus, não!’

Apontamentos sobre os tumultos e manifestações recentes

Por Augustus Nicodemus Lopes
 
 
“Os homens escarnecedores alvoroçam a cidade, mas os sábios desviam a ira” (Pv 29.8)
 
Algumas pessoas têm me perguntado o que acho das manifestações e protestos que estão ocorrendo em todo o país. Não me sinto em condição de oferecer uma análise político-social de tudo isto, mas posso ao menos tentar entender o assunto em geral do ponto de vista cristão-reformado.
 
Para começar, o Deus Altíssimo está acima e governa soberanamente, de acordo com seus propósitos insondáveis, os povos, as nações, as multidões, as massas. É esta a mensagem consistente de toda a Escritura. O Salmo 2 descreve Deus rindo e zombando das manifestações das nações, como se os povos pudessem, com sua fúria e rebelião, frustrar os planos do Senhor (Sl 2.1-5). Isaias se refere ao bramido das nações e dos povos em grande ira e de como o Senhor as dispersa como o vento leva a palha (Is 17.12-13).
 
Embora as manifestações em São Paulo e outras cidades sejam contra o governo e não contra os cristãos, manifestações populares que geralmente acabavam em tumulto foram usadas pelos inimigos de Deus para tentar destruir a Cristo e a igreja cristã nascente. Contudo, pela providência soberana de Deus, os resultados sempre concorreram para o avanço do Evangelho. As massas em Jerusalém vieram ao palácio de Pilatos se manifestar contra Jesus e pedir a sua crucificação, no que foram atendidos (Mt 27.202-26). Ao fazer isto, estavam cumprindo, sem saber, a mais importante etapa do plano da salvação elaborado por Deus, que era a morte do Filho de Deus na cruz pelos pecados de seu povo.
 
Em outra ocasião, judeus e gentios se juntaram em Icônio para uma manifestação contra ao apóstolo Paulo, que terminou em tumulto. O resultado foi que Paulo saiu de lá e foi evangelizar Listra e Derbe (At 14.5-7). Noutra ocasião ele também foi alvo de uma manifestação popular, desta feita organizada pelos santeiros de Éfeso, revoltados com a queda das vendas das imagens da deusa Diana. O tumulto acabou envolvendo as autoridades locais. O resultado da manifestação foi a saída de Paulo da cidade (At 19.23-40). Todavia, de lá ele seguiu para a Macedônia pregando e confirmando as igrejas.
 
Mais tarde, os judeus de Jerusalém organizaram um tumulto contra Paulo, pedindo a sua morte (At 21.27-31 e 22.22-29). Mais uma vez a polícia teve de intervir. Paulo escapou porque era cidadão romano. Mas acabou sendo levado preso para Roma, cumprindo assim o plano de Deus – foi da prisão em Roma que Paulo escreveu várias das suas cartas: Efésios, Colossenses, Filipenses e Filemon.
 
Ou seja, por mais que as manifestações populares pareçam um poder independente e soberano estão, todavia, debaixo do governo divino. Através delas Deus realiza seu proposito maior, que é promover a sua glória e o bem do seu povo, ainda que, no momento, não percebamos de que forma estas coisas se materializam na história.
 
Outro ponto a lembrar é que manifestações violentas e tumultos são decorrentes das guerras e contendas que procedem do coração humano, corrompido pelo pecado. Ainda que, por causa da graça comum, existam por vezes motivos justos para estas manifestações, tais motivos são frequentemente misturados com motivações obscuras e impuras (Tg 4.1-3). Elas expressam o caos espiritual que há nos corações sem Deus e a desordem social e civil que entrou na sociedade humana pelo pecado de Adão e pelo nosso próprio. Como parte de seu governo sobre o mundo, Deus por vezes usa as autoridades para reprimir e castigar os baderneiros. As sedições e tumultos contra o império romano no período neo-testamentário eram reprimidos vigorosamente, como no caso de Barrabás que havia sido condenado a morte por causa de liderar uma sedição e ter matado alguém (Lc 23.19,25). Protestos liderados por Teudas e Judas, o galileu, terminaram com a morte deles pelos soldados romanos (At 5.36-37). Os líderes judeus viviam com medo de serem esmagados pelos romanos caso houvesse entre eles quem liderasse tumultos e protestos (At 19.40). Estas manifestações e protestos de judeus insatisfeitos com o domínio romano tinham um fundo escatológico, decorrente de uma interpretação popular e equivocada quanto à natureza do Reino de Deus. 
 
Por fim, lembremos que as autoridades foram constituídas por Deus. Conforme Paulo nos ensina, elas são ministros de Deus para proteger os bons, castigar os maus e promover o bem da sociedade. Por isto, devem ser respeitadas, temidas e a elas devemos pagar impostos. A palavra que Paulo usa para se referir à autoridade como “ministro” de Deus é a palavra diáconos, bem conhecida dos cristãos (Rm 13.1-7). Pedro vai nesta mesma linha (1Pe 2.13-14). Isso não significa que devamos, como cristãos, obediência absoluta ao Estado. Nossa consciência está cativa à Palavra de Deus como instância última. 
 
Em casos de conflito – quando o Estado exige de mim aquilo que a Palavra de Deus proíbe – devo obedecer a Deus e não aos homens. Pois ao colocar-se contra os valores e princípios de Deus, o Estado corrompe seu papel dado por Deus e suas leis são meras leis “humanas” em contraste com as divinas.
 
Em casos assim, cabe aos cristãos o uso dos meios legítimos para discordar, avisar e alertar o Estado e, finalmente, estar prontos para sofrer as consequências da desobediência à estas leis, como os primeiros cristãos fizeram ao recusar-se a adorar o Imperador, culto oficial e obrigatório do império romano.
 
Diante do exposto acima, imagino algumas conclusões práticas. Primeira, não devemos jamais temer o tumulto das massas – Deus está no controle. Essa é a confiança dos servos do Altíssimo. Embora tumultos populares organizados tenham sido sempre seja uma arma dos inimigos do povo de Deus para destruir a Igreja, lembremos que Deus sempre reverteu o propósito maligno em favor do seu povo.
 
Segundo, vejo como legítima a participação dos cristãos em manifestações públicas que sejam ordeiras e pacificas, que não sejam tumultos e que tenham em mente o bem da sociedade e não somente os privilégios dos crentes e evangélicos. Não faz sentido as igrejas se organizarem em passeatas e manifestações e marchas para reivindicar privilégios para os crentes. Estas manifestações são civis, expressões sociais e não um culto. Por exemplo, ao protestarmos contra a aprovação da lei da homofobia devemos fazê-lo essencialmente porque se trata de uma violação da Constituição que garante a todos – e não somente aos crentes – o direito de consciência e de expressão.
 
Terceiro, não custa lembrar que a maneira da igreja influenciar e mudar a sociedade é fundamentalmente pela pregação do Evangelho de Cristo, chamando governantes e governados ao arrependimento de seus pecados e conversão, pela fé, a Jesus Cristo. Não somente isto, pelo procedimento e pelo exemplo os cristãos se tornam sal e luz do mundo, quando suas obras de amor, arrependimento e fé são vistas pelos incrédulos (Mt 5.14-16).