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A escuridão ao nosso redor e nosso mórbido prazer!

Por Josemar Bessa 

 
Uma citação famosa de C. S. Lewis diz: “Você não tem uma alma, você é uma alma, você tem um corpo” – A alma é o próprio homem em si: “Pois que aproveita ao homem ganhar o mundo inteiro, se perder a sua alma? Ou que dará o homem em recompensa da sua alma?” – Mateus 16:26 – O corpo, diz Jesus, pode ser perdido, não tenha medo: “Não tenham medo dos que matam o corpo, mas não podem matar a alma. Antes, tenham medo daquele que pode destruir tanto a alma como o corpo no inferno.” –  Mateus 10:2

 

A alma é o inquilino que habita o corpo. Conhecer a si mesmo então é fundamental, pois outros conhecimentos tornam o homem cada vez mais susceptível ao orgulho, mas o verdadeiro conhecimento de si mesmo humilha o homem.

 

Certa vez C. S. Lewis disse o seguinte sobre a vasta maioria que acha que pensar sempre em nossas próprias falhas seja um prazer mórbido:
Algumas pessoas dizem que é mórbido estar sempre pensando em nossas próprias falhas… enxergando e enfrentando quem de fato somos. Mas na verdade isso traz um mal duplo. Quando paramos de pensar, ver e meditar sobre nossas próprias falhas, logo começamos a pensar sobre as falhas dos outros. Quanto menos vemos nossas falhas, mais vemos a dos doutros e menos compreendemos nossa situação diante de Deus. Agora, o que é verdadeiramente mórbido? Pensar e ‘desfrutar’ a falha de outras pessoas é, este sim, o prazer mais mórbido do mundo. Não gostamos de nenhum pensamento que nos é imposto, mas sugiro uma forma de racionamento que devemos impor a nós mesmos. Abster-se de todo pensamento e meditação demorada sobre as falhas dos outros, a menos que sejamos seus pais, professores ou líderes… Sempre que os pensamentos assim entrarem em sua mente, por que não simplesmente empurrá-los para fora? E então começar a pensar seriamente em tuas falhas? Pois meditar nisso te levará a algo prático. Humilhação, e com isso o clamor pela ajuda de Deus para realmente fazer algo concreto contra as falhas na tua vida, onde você realmente pode atuar, e atuar duramente.
De todas as pessoas em tua casa, igreja ou trabalho, há apenas uma a quem você pode aplicar a verdade, você! Olhe essa verdade essencial e pense a quem você pode aplicá-la: “Portanto, irmãos, rogo-lhes pelas misericórdias de Deus que se ofereçam em sacrifício vivo, santo e agradável a Deus; este é o culto racional de vocês. Não se amoldem ao padrão deste mundo, mas transformem-se pela renovação da sua mente, para que sejam capazes de experimentar e comprovar a boa, agradável e perfeita vontade de Deus.” – Romanos 12:1-2 –  Você só pode apresentar o teu corpo como sacrifício. Isto é um fim prático… pensar e meditar nas tuas falhas é essencial. Mórbido é o tempo gasto no prazer de meditar na falha dos outros, estranhos, irmãos, igreja… principalmente quando isso não faz de nós agentes de cura, mas apenas nos fornece desculpas…Quanto mais você demorar a fazer isso, mais difícil será!
Essas são palavras sábias de C. S. Lewis. Como é fácil elevar a fraqueza dos outros, dos irmãos, da igreja… e esquecermos a nossa própria fraqueza. Muitas vezes esse é um esquema, até mesmo em alguns momentos, inconsciente, e engendrado por nossos corações auto-protetores e auto-justificadores. Sem isso, falar sobre a fraqueza dos outros, igreja… será cortina de fumaça escondendo, aí sim, a morbidez estranha do coração caído humano.

 

A falta do auto-conhecimento é ocasião para todo tipo de orgulho: “Se alguém se considera alguma coisa, não sendo nada, engana-se a si mesmo.” – Gálatas 6:3  – Veja a repreensão de Cristo aos discípulos sobre a falta de conhecimento de seus próprios egos: “Mas Jesus, voltando-se, os repreendeu, dizendo: “Vocês não sabem de que espécie de espírito sois” – Lucas 9:55 – Quanto mais ignorantes de nós mesmos mais propensos a morbidez de ser grandemente sensível aos erros alheios e menos enxergamos os nossos. Hoje temos uma epidemia de desejo de consertar a igreja, mas não a mesma paixão voltada por nossa vida. Os erros da igreja, pelo contrário, se tornam a desculpa para meu fracasso em me auto-examinar e mudar diariamente… eu sempre poderei culpar a“instituição…” – Quanto mais nos conhecermos, mas lentos seremos em participar da censura aos outros pelos mesmos crimes de que somos culpados. Com isso, nossas vidas serão uma benção para a igreja de nossa geração, sendo fonte de cura para todos os males da igreja de nossa geração e não apenas seus críticos sentados em suas poltronas: … és indesculpável; pois está condenando a si mesmo naquilo em que julga, visto que você, que julga, pratica as mesmas coisas… então você, que ensina os outros, não ensina a si mesmo?” – Romanos 2:1,21

 

Um verdadeiro conhecimento de nós mesmos não pode ser adquirido sem exame diligente e freqüente. Se gastamos a maior parte do tempo examinado os outros, a igreja… isso será impossível.  Mais naturalmente há uma repugnância ao auto-exame e um prazer, esse sim, como diz C. S. Lewis, mórbido, em examinar tudo, menos a nós mesmos. Por isso estamos sempre sendo tentados e em grande perigo de enganarmos a nós mesmos por causa do amor próprio e preconceito a nossa favor. O auto-conhecimento que Deus nos chama a ter através da Palavra exige um bom grau de honestidade e imparcialidade. Mas o desejo sincero de chegar a verdade sobre nós não é o único pré-requisito para o autoconhecimento necessário de uma vida que honre a Deus. A mente deve ser iluminada em relação ao padrão de retidão ao qual Deus nos chama, ao qual devemos ser conformados. A Palavra deve habitar ricamente em nós, e por seus princípios apenas, seus preceitos, nossos sentimentos sobre nós mesmos devem ser formados.

 

Cuidado com a ilusão comum de formar uma estimativa de si mesmo a partir do exame dos que te rodeiam. Quando somos sensíveis a Palavra e um auto-exame sincero, podemos aprender até mesmo de nossos inimigos e caluniadores quais são os pontos fracos em nossa personalidade. Porque eles são exigentes na detecção de nossas falhas, e, geralmente, tem um pouco de verdade no que alegam de nós. Portanto, temos maior benefício dos sarcasmos de nossos inimigos do que da bajulação de nossos amigos.
 
 
Precisamos desesperadamente nos familiarizar com nossas fragilidade e deficiências – e não justificá-las a luz da deficiência dos outros, da igreja… para que possamos saber realmente onde reside a nossa fraqueza… isso mostra um zelo pela verdade concreto. Não há nada de mórbido nisso.

 

Mas tudo isso – limitações e incapacidades, só podem ser descobertas por um considerável grau de auto-conhecimento… que se torna impossível na morbidez do prazer e justificativas que fluem na meditação da falha dos outros… irmãos, igreja… do mundo. Como já disse alguém, um homem sábio, vem como o tolo, tem suas fraquezas, mas a diferença entre eles é que o sábio conhece suas fraquezas, até mesmo as que é impossível o mundo ver. Mas o tolo não vê suas fraquezas, mesmo as que o mundo inteiro pode ver. São desconhecidas para ele.

 

Não há morbidez em meditar em nossas fraquezas, os benefícios do auto-conhecimento são demasiadamente numerosos para serem mencionados… mas destacamos – o homem que conhece a si mesmo sabe melhor em que ele precisa mais negar a si mesmo… esse é o grande dever da vida, o chamado de Cristo para nós. Devemos conhecer nossos pontos específicos de perigo, e nos colocar na trincheira contra todo inimigo que se aproxime deles.

O prazer que verdadeiramente é mórbido é o oposto disso.

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