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Arquivo diário: março 20, 2013

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Frases de diversos reformadores

FRASES DE DIVERSOS REFORMADORES

Não sei como algumas pessoas, as quais crêem que um Cristão pode cair da graça, conseguem ser felizes.
(Charles H. Spurgeon)

Se alguém achar que a mensagem bíblica é irrelevante, e for com essa opinião para o túmulo, um dia irá descobrir que não existia nenhuma outra coisa que fosse mais relevante.
(Lloyd-Jones)

“A Escritura indica em várias passagens a base para a responsabilidade: não é o livre-arbítrio… o conhecimento é a base da responsabilidade”.

(Gordon Clark) 
“O Senhor Jesus Cristo não leva para o céu ninguém que Ele não tenha santificado na terra”
(John Owen)

A antiga verdade que Calvino, Agostinho e o apóstolo Paulo pregaram é a verdade que eu também devo pregar hoje; do contrário deixaria de ser fiel à minha consciência e ao meu Deus.
(Charles H. Spurgeon)

“Nas Escrituras, cada florzinha é uma campina”.
(Martinho Lutero)

“O cristianismo não é meramente um programa de conduta; é o poder de uma nova vida”
(Warfield)
“Doutrina sem dever é uma árvore sem frutos; dever sem doutrina é uma árvore sem raízes”

(Chambers)

Onde seriedade e reverência são encontradas em conjunto, a adoração oferecida é bastante agradável a Deus.
(John Stott)

“Não sei por quais caminhos Deus me conduz, mas conheço bem meu guia”.
(Martinho Lutero)

“Ai de nós! Nosso coração é nosso maior inimigo”
(Charles H. Spurgeon)

“A inclinação constante do coração dos crentes é para o bem, para Deus, para a santidade, para a obediência” (John Owen) 
“Cada obra de Deus serve para mostrar Sua glória e realçar a grandeza de Sua majestade”.
(John Gill)

“Nós apenas aprendemos a nos comportar na presença de Deus e, se a consciência dessa presença enfraquece, a humanidade tende a divertir-se com isso”
(C. S. Lewis)

Mesmo que a pessoa esteja presa ao leito, não significa que será inútil, poderá orar.
(Lloyd-Jones)

“Quando a Palavra de Deus converte um homem, tira dele o desespero, mas não a capacidade de arrepender-se”
(Charles H. Spurgeon)

“Uma boa consciência é o palácio de Cristo, templo do Espírito Santo, paraíso do deleite, descanso permanente dos santos”
(Agostinho)

“Os principais perigos para a mente do cristão são a depressão e o desânimo”
(John Stott)

“Em quarenta anos nunca passei quinze minutos acordado sem pensar em Jesus”
(Charles H. Spurgeon)

Devemos ter conhecimento com amor, sem amor e só com conhecimento tornamo-nos obstinados e orgulhosos.
(Lloyd-Jones)

“Da mesma forma como vamos até o berço tão-somente para encontrar um bebê, também recorremos às Escrituras apenas para encontrar Cristo”.
(Martinho Lutero)

“As Escrituras não foram dadas para aumentar nosso conhecimento, mas para mudar nossa vida”
(D. L. Moody)

“Os homens, para serem verdadeiramente ganhos, precisam ser ganhos pela verdade”
(Charles H. Spurgeon) 

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Pleno poder em nossas Fraquezas

Por  J. I. Packer

O Poder de Deus se Revela de Forma Muito Mais Plena nas Fraquezas Humanas

 Existem muitos tipos de fraquezas. Há a fraqueza física do deficiente físico; há a fraqueza de caráter da pessoa que age enganosamente ou em vícios; há a fraqueza intelectual da pessoa com capacidades limitadas; há a fraqueza resultante da exaustão, depressão, pressão, marcas e sobrecargas emocionais. Deus santifica todas estas formas de fraquezas ao capacitar o fraco para que seja mais forte (mais paciente, relacionai, afetuoso, tranqüilo, alegre e equilibrado) do que parecia ser possível diante das circunstâncias. Este é uma demonstração do seu poder que ele tem prazer em dar.

Paulo declara este princípio nas palavras a seguir: “Temos, porém, este tesouro em vasos de barro, para que a excelência do poder seja de Deus e não de nós. Em tudo somos atribulados, porém não angustiados; perplexos, porém não desanimados; perseguidos, porém não desamparados; abatidos, porém não destruídos; levando sempre no corpo o morrer de Jesus, para que também a sua vida se manifeste em nosso corpo. Porque nós, que vivemos, somos sempre entregues à morte por causa de Jesus, para que também a vida de Jesus se manifeste em nossa carne mortal. De modo que, em nós, opera a morte, mas, em vós, a vida” (2Co 4.7-12). Em um mundo como o nosso, dominado pelo egocentrismo, comodismo e orientado à busca do prazer, as palavras do apóstolo soam dissonantes e brutais. Mas elas conduzem, no entanto, o verdadeiro sentido de um ditado popular muito conhecido e respeitado que diz: “O extremo humano é a oportunidade de Deus”. Oportunidade para quê? – para mostrar o seu poder, o poder de sua graça, agora manifestado para o louvor de sua glória.

Ser fraco, ou sentir-se fraco, não é em si algo engraçado, nem pode ser uma condição do que o mundo veria como a máxima eficiência. É possível que se espere que Deus use o seu poder para eliminar essa fraqueza da vida dos seus servos. Entretanto, o que ele, de fato, repetidamente faz é conduzir os seus servos às maravilhas não fixas – às vezes, sem dúvida, no sentido físico, maravilhas imobilizadas – de sabedoria, amor e ajuda aos outros, apesar de suas limitações. É desta maneira que o amor mostra o seu poder. Esta é uma verdade vital que deve ser aprendida.

O próprio Paulo aprendeu toda esta lição pelo seu relacionamento com os cristãos de Corinto. Paulo não era um homem de meia medida ou de relacionamentos mornos. Ele era, naturalmente, uma “bola de fogo”, como dissemos, dominador, combativo, brilhante e apaixonado. Consciente de sua autoridade apostólica e bem certo de que seu ensino era definitivo e saudável, ele se envolveu completamente na tarefa de discipular os seus convertidos. Ele sentia e expressava grande afeição por eles, porque eram de Cristo, e, naturalmente, esperava, não somente obediência, mas também afeição da parte deles.

No entanto, no caso dos coríntios, a obediência não era praticada, nem a afeição era muito sentida. Isto aconteceu, em parte, pelo fato de Paulo não ter alcançado as expectativas intelectuais deles (como Paulo ilustra em suas duas cartas), levando-o, então, a ser desrespeitado. Paulo, na verdade, não os tinha impressionado como mestre. Aconteceu também, pelo fato de outros mestres, cuja argumentação filosófica os tinha impressionado, terem conquistado o respeito e a lealdade deles. Por fim, isto também aconteceu pelo fato de os coríntios terem adotado uma visão triunfalista da vida espiritual, que valorizava o falar em línguas e o exibicionismo, em detrimento do amor, humildade e justiça. Eles entendiam que o cristão era uma pessoa liberta por Cristo para fazer qualquer coisa que desejasse, sem consideração alguma pelas conseqüências. Eles viam o apóstolo Paulo como uma pessoa “fraca” – cuja presença e discurso não impressionavam (2Co 10.10) e, possivelmente, equivocado em questões doutrinárias e morais. Eles eram muito críticos do estilo pessoal e atitudes de Paulo.

Qualquer pessoa que estivesse na posição de Paulo sentiria a mesma dor que ele sentiu. Ao lermos suas cartas aos Coríntios, podemos perceber suas expressões de amor angustiado e suas manifestações de dor, ira, desapontamento, frustração e sarcasmo. Tudo isto foi muito difícil para ele. Entretanto, sua resposta foi magnífica. Ele assumiu a sua fraqueza – não a fraqueza de ministério que os coríntios alegavam, mas a de um corpo enfermo, da função de servo e de um coração ferido – como seu chamado na terra. Ele diz: “Se tenho de gloriar-me, gloriar-me-ei no que diz respeito à minha fraqueza” (2Co 11.30). “De tal coisa me gloriarei; não, porém, de mim mesmo, salvo nas minhas fraquezas” (2Co 12.5). E, então, anunciou para o mundo:

E, para que não me ensoberbecesse com a grandeza das revelações, foi-me posto um espinho na carne, mensageiro de Satanás, para me esbofetear, a fim de que não me exalte. Por causa disto, três vezes pedi ao Senhor que o afastasse de mim. Então, ele me disse: A minha graça te basta, porque o poder se aperfeiçoa na fraqueza. De boa vontade, pois, mais me gloriarei nas fraquezas, para que sobre mim repouse o poder de Cristo. Pelo que sinto prazer nas fraquezas, nas injúrias, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias, por amor de Cristo. Porque, quando sou fraco, então, é que sou forte. (2Co 12.7-10)

Que espinho ele tinha? Não sabemos. Mas deve ter sido um defeito pessoal, algum mal funcionamento de sua estrutura, ou ele não teria dito que o mesmo se encontrava na sua “carne” (no sentido de sua natureza humana criada). E tal experiência deve ter sido muito dolorosa, ou ele não a teria chamado de “espinho”.

Qual o propósito deste “espinho” (dado por Deus, na providência)? Ele foi dado para disciplina, como o próprio apóstolo reconheceu, para mantê-lo humilde – o que não é uma tarefa fácil quando o homem tem um ego imenso como o de Paulo.

Em que sentido esse espinho era um mensageiro de Satanás? Ele despertou pensamentos de ressentimento para com Deus, autocomiseração e desespero em relação ao futuro de seu próprio ministério – o tipo de pensamento que Satanás é especialista em instigar dentro de todos nós. Qualquer coisa que induza a este pensamento torna-se um mensageiro de Satanás para a nossa alma.

Por que Paulo ora especificamente ao Senhor Jesus sobre seu espinho? Porque Jesus era o curador, que havia realizado muitas curas milagrosas enquanto homem e algumas por intermédio de Paulo durante os anos do seu ministério missionário (At 14.3,8-10; 19.11). Agora, ele necessitava do poder curador de Jesus para si mesmo, o que buscou em três ocasiões diferentes.

Por que ele não recebeu a cura? Certamente que não foi por falta de um coração puro e de uma oração sincera por parte de Paulo, nem por faltar poder em Jesus para executar o milagre, mas porque o Salvador tinha algo melhor para o seu servo (Deus sempre se reserva no direito de nos responder nossos pedidos de uma maneira melhor do que pedimos). Podemos, em outras palavras, expressar a resposta de Jesus à oração de Paulo da maneira seguinte: “Paulo, eu vou lhe dizer o que pretendo fazer. Mostrarei o meu poder nas suas fraquezas, de tal maneira que as coisas que lhe perturbam o fim ou ineficiência do seu ministério e a perda de sua credibilidade e utilidade – não ocorrerão. Seu ministério continuará no mesmo poder e força de antes, embora a fraqueza seja maior. Este espinho permanecerá na sua carne por toda a sua vida. Mas, apesar de esta condição de fraqueza, meu poder será aperfeiçoado. Ficará mais claro do que nunca que sou eu quem o sustenta”. A implicação era que, por meio de sua experiência, Paulo seria mais abençoado pessoalmente. Seria um ministério ainda mais enriquecido e glorificaria ainda mais a Cristo do que se a cura imediata tivesse acontecido.

O que devemos aprender com as reações de Paulo? Ele claramente entendeu e aceitou o que Cristo lhe tinha comunicado ao responder à sua oração. Ele viu a resposta divina como a definição de sua própria vocação. E natural que imagine¬mos que uma das razões para ele ter narrado sua experiência com tantos detalhes foi a de que seria usado como modelo para muitos outros cristãos. Sua experiência é, certamente, um modelo que, freqüentemente, na nossa vida diária, somos chamados a imitar.

O padrão aqui é que o Senhor primeiramente nos conscientiza das nossas fraquezas para que clamemos, do fundo do nosso coração: “eu não agüento isto”. Nós nos voltamos para o Senhor e lhe pedimos para retirar da nossa vida o jugo que sentimos estar nos pressionando. Mas Cristo diz: “Com o meu poder, você pode suportar isto, e, em resposta à sua oração, irei fortalecê-lo”. Assim, ao final, o nosso testemunho será como o de Paulo, quando disse: “Tudo posso naquele que me fortalece” (Fp 4.13); “Mas o Senhor me assistiu e me revestiu de forças” (2Tm 4.17). E nos surpreendemos dizendo: “Bendito seja o Deus e Pai de nosso Senhor Jesus Cristo, o Pai de misericórdias e Deus de toda consolação! É ele que nos conforta em toda a nossa tribulação, para podermos consolar os que estiverem em qualquer angústia, com a consolação com que nós mesmos somos contemplados por Deus. Porque assim como os sofrimentos de Cristo se manifestam em grade medida a nosso favor, assim também a nossa consolação transborda por meio de Cristo” (2Co 1.3-5).

Por “conforto”, Paulo quer dizer o encorajamento que revigora, e não o relaxamento que enerva. E neste sentido que nos alegramos em testemunhar o con¬forto divino. Nós nos achamos vivendo (se é que posso colocar desta forma) em termos batismais, com a ressurreição dos mortos tornando-se a forma comum de nossa experiência. E, com uma iluminação sempre crescente, entendemos que esta é a expressão mais completa e profunda de uma vida cristã cheia de poder.

Parece, então, que o ser cheio do poder de Deus, de tal maneira que possamos nos fortalecer ainda mais em Cristo, nada tem a ver, necessariamente, com obras majestosas e bem-sucedidas, de acordo com os padrões humanos, pois somente Deus pode decidir a respeito da validade eterna do que fazemos. Tem tudo a ver, no entanto, com o reconhecimento e sentimento de nossa fraqueza. Neste sentido, somente crescemos em força, se crescermos em fraqueza. O significado que o mundo dá ao conceito de força (de caráter, mente e vontade) indica uma habilidade natural para pressionar sempre para a frente, sempre focalizado e nunca desencorajado, na busca do seu alvo. A força ou poder dado por Deus, por outro lado, é uma questão de estar capacitado pelo próprio Cristo, por intermédio do Espírito, para manter-se em:

•        santidade pessoal diante de Deus;

•        comunhão pessoal com Deus;

•        serviço pessoal a Deus; e

•        ação pessoal para Deus.

Neste entendimento, o cristão se mantém firme, não importando o quanto se sinta fraco. Ele se mantém firme mesmo em situações nas quais se exige dele mais do que pode dar, só porque confia que tal situação acontece de acordo com o que Deus deseja. Ele descobre que o fortalecimento divino só começa quando a pessoa encara, sente e admite a insuficiência de suas próprias forças.

Portanto, o caminho do poder é a dependência humilde de Deus para que ele canalize seu poder até às profundezas do nosso ser e, assim, nos faça e mantenha fiéis ao nosso chamado de santidade e serviço. Dependemos dele para canalizar o seu poder por nosso intermédio, visando alcançar as outras pessoas em seus pontos de necessidade. A maior armadilha do poder é a autoconfiança e falta de percepção para ver que, sem Cristo, nada podemos fazer que seja espiritualmente significativo em termos de atividade energética, embora possamos fazer muitas coisas em termos quantitativos. O princípio do poder – o cenário do poder de Deus – é que a força divina é aperfeiçoada na fraqueza humana consciente. As perversões do poder levam-nos a imaginar que o poder de Deus é algo que possuímos e controlamos, ou que podemos pedir-lhe que nos encha de poder para a obra, mesmo quando não lhe pedimos para nos dar poder a fim de que vivamos uma vida de santidade. Tais perversões de entendimento são, no entanto, completamente erradas.

Se eu pudesse relembrar, a cada dia da minha vida, que só cresço em força, quando cresço em fraqueza; se eu pudesse aceitar que as frustrações, obstáculos e acidentes do meu dia-a-dia são maneiras que Deus usa para levar-me a reconhecer minhas fraquezas; então, o crescimento em poder se tornaria uma possibilidade para mim, desde que eu não traísse a mim mesmo ao passar a confiar em mim mesmo – no meu conhecimento, habilidade, posição, retórica, e assim por diante – na maior parte do tempo, que diferença isto faria para mim!

Fico a me perguntar quantas outras pessoas, além de mim mesmo, precisam se concentrar em aprender estas lições? Se você leu o livro até este ponto, peço que faça uma pausa e perguntar a si mesmo o quanto estas verdades estão firmemente estabelecidas em seu coração. Elas precisam estar ancoradas ali com muita firmeza de fato, e temo que, no coração de muitos cristãos de hoje, elas não estejam. Que Deus, em sua grande misericórdia, enfraqueça todos nós!

Para os alunos da escola dominical

Por Paul Washer

 Eu também quero encorajá-los a estudar as Escrituras e comparar o que vocês têm aprendido nas Escrituras com outros crentes piedosos ao longo das eras. Sejam muito cuidadosos com o evangelicalismo  moderno e com todas essas coisas que estão acontecendo. Aprendam a andar na simplicidade da obediência. Aprendam a andar em santidade. A maior paixão de vocês deve ser estar cada vez mais devotos à pessoa de Cristo. Entendê-lo, entender o que Ele fez por vocês e servi-lo com tudo o que vocês têm. Nós vivemos em um mundo muito corrupto, agora. Um mundo que está extremamente caído e que expressa a sua raiva e hostilidade contra Deus. Devemos perceber que viver em um lugar tão corrupto também pode nos contaminar. Então, sejam muito cuidadosos com o modo que vocês andam. Não andem como o tolo, mas andem como o sábio. Estudem a Bíblia todos os dias de suas vidas. Vivam em seus joelhos. Levem toda necessidade, “tudo a Deus em oração”. Para vocês, jovens cristãos, uma das melhores coisas que eu posso recomendar é algo que tenho praticado por muitos anos: leiam sistematicamente toda a Bíblia. Comecem em Gênesis e leiam tudo até Apocalipse; e, quando acabar, comecem tudo de novo. Outra coisa maravilhosa que irá ajudá-los a crescer no conhecimento da Palavra é: se enquanto  leem a Bíblia vocês não entenderem algo, peguem um caderno e escrevam uma breve pergunta sobre o que não entenderam e continuem lendo. O que acontecerá de maravilhoso é que, quando vocês voltarem a ler a Bíblia inteira novamente, pela segunda vez, vocês serão capazes de responder muitas das suas perguntas com as próprias Escrituras. Enquanto fazem isso, vocês crescerão gradualmente no conhecimento de Deus e de Cristo. Outra coisa que quero recomendar é isto: se vocês estiverem estudando muito as Escrituras, horas por dia, mas sem oração, então muito desse conhecimento se tornará em orgulho e não produzirá muita piedade em suas vidas. Então, vocês precisam estudar as Escrituras, mas também precisam orar. A oração não é apenas intercessão, mas, também, simplesmente estar com Deus. Vocês poderiam inclusive estudar as Escrituras de joelhos. Muitas vezes, eu ajoelho ao lado de minha cama e coloco a Bíblia sobre ela e leio o texto de joelhos. Quando algo chama minha atenção, eu as elevo a Deus; e quando vejo algo nas Escrituras que não vejo em minha vida, peço para Deus me ajudar, naquele exato momento.  Sabe,  o grande desejo de Deus para vocês é conformá-los a imagem de Seu Filho, Jesus Cristo. Isso não acontecerá se forem apáticos e passivos. Paulo fala inclusive de como precisamos nos disciplinar. Deixe-me repetir isso. Estudar as Escrituras, mas sem pular por elas. Leia de Gênesis até Apocalipse. Além disso, vivam   uma vida de oração; não somente a oração, mas também a memorização da Escritura, pois vocês não poderão ter a Bíblia aberta diante de vocês durante o dia inteiro. Então, aprendam a memorizar a Escritura. Vocês sabiam que existem pessoas que memorizaram o Novo Testamento inteiro, todos os Evangelhos, o livro inteiro dos Salmos, e coisas assim? Vocês também conseguem! Eu me lembro de conversar com um homem que é bem conhecido pela sua capacidade de memorização da Escritura. Eu disse: “irmão, Deus lhe deu um dom para memorizar tantos trechos das Escrituras”. Você sabe o que ele me disse? Ele disse: “Não, de forma nenhuma. Eu simplesmente me esforcei mais do que você”. É isso que eu quero que vocês vejam. Para mim, não é fácil ler a Bíblia sempre, não é fácil orar, porque a carne odeia isso. Então, o que vocês precisam entender é que todos nós precisamos lutar contra a apatia. Todos nós precisamos lutar contra a preguiça espiritual. Porém, são aqueles que lutam contra isso que prevalecem e progridem em santidade. Isso é muito, muito importante. Vocês não se  santificarão, vocês não crescerão em sua conformidade com Cristo sem fazer nada. Deus os abençoe. Eu oro que Ele lhes prospere em tudo, conforme a Sua vontade. Deus os abençoe.

(Faço minhas as palavras deste servo do Senhor – David Cestavo )

Lutero e o arrependimento egoísta e hipócrita!

Por Josemar Bessa

Em 1521, Lutero escreveu:
“Nós fomos chamados a uma vida de arrependimento.
Esta vida, por isso,
não é justiça,
mas o crescimento em justiça,
não é saúde perfeita,
mas a cura,
não sendo,
mas tornando-se,
Não descanso,
mas o exercício.
Nós não somos ainda o que havemos de ser,
mas estamos crescendo em direção a isso inexoravelmente (Santificação).
O processo ainda não está terminado,
mas está acontecendo.
Este não é o fim,
mas é a estrada.
De forma plena ainda não brilhamos  em glória,
mas tudo está sendo purificado.”
Lutero está afirmando que o arrependimento é a única forma de progresso diário na vida cristã. Constante arrependimento nos termos bíblicos, que flui de contrição e humilhação verdadeira, é o melhor sinal de que estamos crescendo de fato em direção ao caráter de Cristo. Muito do que chamamos arrependimento é egoísta e hipócrita – porque o mero “arrependimento religioso” tenta apenas fazer Deus “feliz” para que continue a me abençoar e responder minhas orações. Motivações centradas no meu ego são evidência de uma vida voltada para dentro. No evangelho, o propósito do arrependimento flui do desejo e alegria da comunhão com Cristo, o que torna cada vez mais fraca a necessidade de fazer qualquer coisa que contraria o coração de Deus, levando assim a uma obediência cheia de gozo no viver para Sua glória.
Esse arrependimento não está concentrado nas conseqüências dolorosas que queremos evitar. Na verdade a obediência que ele gera leva muitas vezes aflições neste mundo. O Evangelho nos ensina que no homem que de fato foi regenerado, o pecado não pode levar, em última instância, o homem a condenação – Romanos 8.1 – Portanto, toda sua hediondez está no fato de que Ele desagrada a Deus e o despreza, algo insuportável para o coração regenerado. Por isso que diferente do “arrependimento meramente religioso,” que é auto-centrado, o verdadeiro arrependimento é completamente centrado em Deus.
O verdadeiro arrependimento nunca se torna “expiatório” como é o arrependimento segundo o coração natural. O arrependimento “religioso” se torna uma forma de auto-flagelação para o pecado no coração não regenerado, no qual o homem se convence de que está tão verdadeiramente miserável, triste e pesaroso, que merece ser perdoado. No verdadeiro arrependimento o homem sabe que só é perdoado por causa de Cristo e não há mérito ou qualquer merecimento da parte dele, merecendo apenas a condenação de Deus. No conceito de arrependimento baseado no homem e não centrado em Deus, ganhamos o nosso perdão por causa do nosso arrependimento… no arrependimento bíblico, tanto o arrependimento quanto o perdão são um dom concedido pelos méritos de Cristo e graça soberana.
Quanto mais você vê suas faltas e pecados, mais preciosa, eletrizante e surpreendente a graça de Deus parece para você. Quanto mais o Espírito opera a santificação em sua vida, mas profundamente você vê pecados que estavam ocultos e o desejo de mortificá-los aumenta a cada dia. Mas, por outro lado, mais consciente você fica da graça de Deus e aceitação em Cristo, então, mais capacitado fica em abandonar suas negações e auto-defesas e admitir as verdadeiras dimensões do seu pecado. O pecado sob todos os outros pecados é a falta de alegria em Cristo.
Em uma carta de 09 de janeiro de 1738 a um amigo, George Whitefield, colocou uma ordem para o arrependimento regular. (Ele regularmente fazia seu inventário à noite), ele escreveu:
Deus me dê uma profunda humildade e um amor ardente, um zelo bem orientado e  olhos fixos na Verdade, e então deixe homens e demônios fazerem seu pior –
“Aqui está uma maneira de usar essa ordem de arrependimento fundamentado no evangelho.”
Por exemplo…
Profunda humildade x orgulho
Você olhou para alguém tendo sido atormentado pelas críticas? Se sentindo desprezado e ignorado?
■ Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que sinta
a) diminuir todo desdém (Já que você é um pecador também),
b) diminuir a dor com a crítica recebida (desde que não devemos valorizar a aprovação humana sobre o amor de Deus.)
À luz de sua graça posso deixar de cultuar a minha própria imagem aos olhos do mundo, sabendo que este é um pecado grande e que mina totalmente minhas forças de viver para Deus.
Amor ardente x indiferença.
Você tem falado ou pensado maldosamente de alguém? Tem se justificado as caricaturar ( em sua mente) outra pessoa? Tem sido impaciente e irritado? Tem sido egoísta, indiferente…?
■ Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que haja
a) Total ausência de frieza ou grosseria (pense profundamente no amor sacrificial de Cristo por você),
b) Total ausência de impaciência (pense longamente na  paciência infinita de Deus para contigo), e
c) Total ausência de indiferença. (Considere a livre graça que te leve a mostrar calor e afeto. Deus é infinitamente atencioso comigo por causa de Cristo. Esta mesma causa me levará a imitá-lo em relação aos outros – Cristo!).
Coragem sábia x ansiedade
Você tem evitado pessoas ou tarefas que sabe que deveria enfrentar? Esteve ansioso e preocupado? Tem sido precipitado e impulsivo?
■Se arrependa assim: Considere a graça de Jesus até que haja
a) Nenhuma covardia de tentar evitar coisas difíceis e dolorosas (Uma vez que Cristo enfrentou todo mal por sua causa),
b) Nenhum comportamento ansioso se manifeste (desde que a morte de Jesus prova que Deus se preocupa e vai cuidar de ti até que eu sejas apresentado incorruptível diante de Sua glória). – Eu não sou sábio o suficiente para saber como minha vida deveria ser. Considere a livre graça e experimente uma reflexão calma, ousada e produtiva para a glória de Deus em todas as situações da vida.
Motivações piedosas x Motivações auto-centralizadas
Você está fazendo tudo para a glória de Deus e o bem dos outros ou sendo impulsionado por temores, necessidade de amor, aprovação, conforto, facilidade, necessidade de controle, fome por aclamação e poder, ou  temor do homem?
Está olhando para alguém com inveja?  Se volta para qualquer pessoa ou coisa, mesmo que nos primeiros movimentos internos, com luxúria ou gula? Está gastando seu tempo com coisas, que por esses desejos parecem urgentes, ao invés de gastar a vida com coisas importantes e fundamentais aos olhos de Deus, estando cego por causa desses desejos desordenados?
■ Se arrependa assim: Medite profundamente no que Jesus já forneceu para ti e que você ainda está procurando nessas outras coisas.
Ore: “Senhor Jesus, me faça feliz o suficiente em Ti para evitar o pecado e sábio o suficiente em Ti para evitar o perigo, para que eu possa sempre fazer o que é certo aos teus olhos, em teu nome eu oro, Amém”.

Lutero diz que a única evidência da vida cristã verdadeira é este constante arrependimento que nos leva a cada dia a semelhança maior com Cristo. Whitefield nos mostra com que seriedade diariamente ele ia diante de Deus neste verdadeiro arrependimento que sonda e transforma. Não se contente com menos que isso.

Como interpretar a Bíblia

Por Paul Washer

 
A Bíblia é um livro Espiritual que deve ser interpretado através da iluminação do Espírito Santo, mas ao mesmo tempo a Bíblia é um livro, e a única correta interpretação éaquela que  concorda com sua gramática – o que está escrito. Por esta razão é importante quenós  estejamos familiarizados com as regras ou princípios da interpretação. A ciência da  Hermenêutica é o estudo desses princípios.
Hermenêutica é um assunto sério. A nossa interpretação da Bíblia irá determinar nossas crenças e essas crenças determinarão como pensamos e agimos. A seguir, estão 13 princípios que nós devemos seguir quando interpretamos a Bíblia:

1. A Bíblia é a autoridade absoluta. É impossível interpretar a Bíblia corretamente sem a convicção de que toda a Bíblia é a Palavra de Deus. Nós não temos o direito de rejeitar certas partes da Bíblia porque elas se opõem às nossas tradições, opiniões, ou estilos de vida.

2. O Espírito Santo é o melhor professor da Bíblia. O Senhor Jesus disse que enviaria o Espírito Santo para guiar a Igreja em toda a verdade (João 14:26; 16:13) e sem Sua iluminação é impossível entender a Bíblia (I Coríntios 2:14). Isso não significa que em “nome do Espírito Santo” temos o direito de desviar do que está escrito na Palavra ou acrescentar algo a ela. Apenas o que está escrito na Bíblia pode ser afirmado como doutrina. Nossos sentimentos e emoções têm pouco valor na formulação de uma fé bíblica.
3. A própria Bíblia é o seu melhor comentário. Quando nós não podemos entender a interpretação de uma parte da Bíblia ou queremos alargar nossa compreensão dela, nós devemos buscar explicações em outras referências Bíblicas.
4. A Bíblia não se contradiz: Portanto sempre deve haver harmonia em nossas interpretações de textos diferentes. Se nossa interpretação de um texto contradiz a interpretação de outro, então estamos errados.
5. Textos incertos [difíceis] devem ser interpretados através de textos claros [fáceis]. Aqueles textos que a interpretação não é muito clara devem ser interpretado à luz dos textos, que podem ser entendidos claramente.
6. A gramática determina a Interpretação. O texto ou verso que estamos estudando tem somente uma interpretação correta e é aquela na qual está de acordo com a gramática (o que está escrito). Mesmo se o texto possa ter várias aplicações, ele tem apenas uma interpretação correta e é aquela que está de acordo com o que está escrito.
7. O contexto é importante. A Bíblia é como um quebracabeça no qual é impossível interpretar somente uma peça sem um entendimento geral de todas as outras. Cada palavra
deve ser interpretada no contexto da frase, cada frase no contexto do parágrafo, cada parágrafo no contexto do livro e cada livro no contexto da Bíblia inteira.
8. As palavras são importantes. Deus escolheu palavras para nos comunicar Sua palavra. Portanto é importante determinar o significado de cada palavra.
9. A interpretação simples é normalmente a melhor. A Bíblia não foi escrita para teólogos ou místicos, mas para o homem comum. Apesar de haver alegorias, metáforas e símbolos na Bíblia, devemos buscar a mais simples interpretação.
10. O Velho Testamento deve ser interpretado à luz do Novo. Para o Cristão, o Novo Testamento determina a aplicação do Velho Testamento em sua vida. Um bom exemplo é a doutrina do Espírito Santo. No Velho Testamento, Ele poderia ser retirado dos crentes (Sl. 51:11), mas no Novo, ele permanece eternamente com ele (João 14:16-17).
11. A interpretação não deve ir além da revelação das Escrituras. O que a Bíblia não explica nós devemos aceitar como um mistério. Se formos além “do que está escrito” corremos perigo de formar falsa doutrina.
12. O Objetivo é a exegese. A palavra exegese vem do verbo Grego exegeisthai [ ex=fora/ hegeisthai=conduzir ou guiar ]. Quando interpretamos as Escrituras devemos extrair o verdadeiro sentido do texto e a todo custo devemos evitar ler textos a qual euacho que ele pode significar. Devemos evitar interpretar a Bíblia de acordo com nossas próprias
presunções ou ideias preconcebidas. Nossas presunções são como óculos coloridos que destorcem nossa visão das Escrituras. Devemos nos esforçar para retirar nossos óculos e
ver o texto como ele é. Esse é o maior trabalho do estudante da Bíblia.
13. Nossa interpretação pessoal deve ser comparada com a da Igreja. Nos últimos 2000 anos, teólogos dedicados, pastores e outros Cristãos estudaram as Escrituras. Devemos comparar nossas descobertas com a deles. Se nossa interpretação não é encontrada entre os dedicados Cristãos da história, possivelmente estamos errados. Não deveria haver “novas descobertas” na doutrina Cristã. Judas refere à fé Cristã com aquele que foi “de uma vez por todas” entregue aos santos (Judas 1:3).

Não somos cães farejadores!

Por Josemar Bessa
O evangelho gera exultação e alegria na obra perfeita de Cristo – Essa alegria caracteriza o homem regenerado – Gera fome por Cristo, santidade pessoal, deleite em Deus… E é assim que lutamos contra o erro – exultamos na verdade.
Muitos perderam isso (Ou nunca tiveram) – se tornando tão obcecados com as heresias que perderam a capacidade de se alegrar na verdade da doutrina de forma que todos vejam seu regozijo no pleno viver da verdade.
Se transformaram em meros cães farejadores que ficam nos aeroportos tentando achar drogas… quando não estão farejando drogas, não são nada, presos em tristes canis.
No Novo Testamento… os apóstolos lutam pela pureza da igreja, mais jamais cometem o erro de não proclamarem e viverem a alegria da salvação que nos santifica para nos deleitarmos em Deus. Um homem mundano pode ser um“cão farejador” – sua alegria é farejar o erro, mas jamais seu deleite completo é a Verdade. Hoje muitos que dizem defender a verdade não tem nenhum amor pela igreja e a comunhão dos santos. Paulo lutava pela verdade em amor pela igreja, e a razão disso era Cristo. É impossível amar a Verdade, amar a Cristo sem a vida de comunhão com o corpo de Cristo a igreja – Paulo diz: “Porque estou zeloso de vós com zelo de Deus; porque vos tenho preparado para vos apresentar como uma virgem pura a um marido, a saber, a Cristo. Mas temo que, assim como a serpente enganou Eva com a sua astúcia, assim também sejam de alguma sorte corrompidos os vossos sentidos, e se apartem da simplicidade que há em Cristo.” – 2 Coríntios 11:2-3 – Sua luta contra o engano estava completamente relacionada a edificação da igreja, na comunhão dos santos, para apresentá-la como uma virgem a seu marido. Ele vivia na comunhão do corpo, lutando pela pureza do corpo, sofrendo na comunhão dos santos… por causa do seu amor a Cristo.
Por causa disso, Paulo não mandou os Coríntios irem para suas casas – Já que havia tantos erros e falsos líderes… Não, ele diz, na comunhão dos santos vos tenho preparado, como igreja, para ser apresentada como uma virgem pura a seu marido – Cristo. Paulo não é um cão farejador. Ele passa a maior parte do tempo edificando a igreja com a Verdade, se alegrando na Verdade…
Lutero protestou por amar a Deus, a verdade, a igreja – e não por amar o protesto – Os Reformadores amavam a glória de Deus e pregaram sobre ela como ninguém – Não eram cães farejadores.
Olhe para Lutero e você verá tudo, menos um cão farejador. Se um homem se preocupa com o Reino, ele será encontrado envolvido em sua igreja local. Junto com ela, orando por ela, contribuindo para sua maturidade, envolvido em uma paixão sincera.
Pense em Martinho Lutero – poucos homens foram tão usados para a edificação do Reino de Deus, mas como ele fez isso?
Em primeiro lugar, Lutero foi um pregador em sua igreja local – mais pregador que a maioria dos pregadores. Lutero conhecia o fardo e a pressão da pregação semanal na igreja local. Havia duas igrejas em Wittenberg, a igreja da cidade e a igreja do castelo.
Lutero era um pregador regular na igreja da cidade. Ele afirmou: “Se hoje pudesse me tornar rei ou imperador, ainda assim não renunciaria ao meu ofício de pregador”. Era compelido por uma paixão pela exaltação de Deus na Palavra. Em uma das suas orações, ele diz: “Querido Senhor Deus, quero pregar para que o Senhor seja glorificado. Quero falar do Senhor, louvar ao Senhor, louvar o teu nome. Mesmo que eu não possa fazer tudo isso, será que o Senhor não poderia fazer com que tudo isso desse certo”?
Para sentir a força desse compromisso, você precisa perceber que na igreja em Wittenberg não havia nenhuma programação de igreja, somente louvor e pregação. Aos domingos, havia o louvor das cinco horas com um sermão na Epístola, o culto das dez horas com um sermão do Evangelho e uma mensagem da tarde sobre o Antigo Testamento ou catecismo. Os sermões de segunda e terça-feira eram sobre o catecismo; o de quarta-feira sobre Mateus; às quintas e sextas sobre as cartas apostólicas; e aos sábados sobre João.
Ele pregou, por exemplo, 117 sermões em Wittenberg em 1522 e 137 sermões no ano seguinte. Em 1528,pregou quase 200 vezes e no ano de 1529, pregou 121 sermões. Portanto, nesses quatro anos, a média foi deum sermão a cada dois dias e meio. Como Fred Meuser disse no livro sobre a pregação de Lutero: “Ele nunca tirou um fim de semana de folga. Nem mesmo um dia por semana de folga. Nunca tirou férias do trabalho de pregação, ensino, estudo individual, produção e escrita. Esse é o grande reformador tão grandemente foi usado por Deus para a edificação do seu Reino aqui”.
Nós fazemos na igreja da mesma forma como construímos grandes casamentos – compromisso real, envolvimento e comunhão que faz uma diferença positiva de maneira prática. E, assim, e só dessa forma, o Reino de Deus é edificado aqui na terra. Assim fizeram os Reformadores.

Não seja um cão farejador!!

O Crescimento Numerico versus o Crescimento Integral de Igrejas

Por Rubens Muzio –  http://www.sepal.org.br

“O crescimento das igrejas é um fenômeno complexo.”
 Ocorre em níveis distintos e de diferentes maneiras.Devemos aguardar que a igreja cresça? É normal crescer? Devemos antecipar o crescimento como sinal da presença do reino de Deus e considerar sua expansão como critério para medir nossa fidelidade missionária? Ou devemos conceber o crescimento da igreja como um dom recebido com elogio e gratidão, mas não esperado? Sem dúvida, a preocupação com o crescimento da igreja está na mente da maior parte dos líderes evangélicos.
Você provavelmente ouviu falar que os evangélicos alcançaram a marca de 22,02% da população no censo do IBGE em 2010. Em 1970, a população evangélica girava em torno de 4,8 milhões de fiéis. Em 1980, os evangélicos representavam somente 6,6% (7,9 milhões) dos brasileiros. Em 1991, a igreja avançava a barreira dos 13,7 milhões e em 2000, acima de todas as previsões estatísticas, a igreja ultrapassou os 26 milhões de adeptos! Durante a década de 90, a velocidade de crescimento da igreja evangélica foi quatro vezes maior que a da população brasileira. Chegamos a um contingente de mais de 42 milhões de pessoas espalhados pelos quatro cantos do país que se identificam como evangélicos. O crescimento numérico na década atingiu 61%.
Você percebe que os católicos perfaziam quase 92% da população em 1970? Entre os anos 2000 e 2010, os católicos perderam milhões de adeptos, diminuindo de 73,75% para 64,63% da população. Mas os católicos não foram os únicos a encolherem. Reconhecemos que o crescimento foi impressionante e sua velocidade fenomenal. Enquanto no hemisfério norte muitas igrejas morrem diariamente ou são transformadas em museus, escolas e clubes, no Brasil, milhares de igrejas continuam a dar sinais que o crescimento numérico ainda não chegou ao fim. Algumas igrejas que apresentaram considerável crescimento entre 1991 e 2000 retraíram. A Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) perdeu aproximadamente 229.000 participantes, a Igreja Presbiteriana (somando todas as denominações – IPB, IPI, IPR, IPU) perdeu cerca de 59.800 membros, a Igreja Congregacional perdeu 39.245 membros e a Igreja Luterana (em todas as suas expressões – IECLB e IELB) perdeu cerca de 62.600 membros.
É verdade que ao voltar nossos olhos para a história da igreja no livro de Atos dos Apóstolos, encontramos vivas descrições de crescimento naqueles primeiros dias. Em Atos 2:41, três mil são adicionados à igreja. Logo depois, em Atos 4:4, o número de discípulos sobe para cinco mil. Em Atos 6:1 e 7, os crentes continuar a crescer rapidamente. Em Atos 12:24, sabemos que a prisão e libertação de Pedro fez com que a Palavra de Deus crescesse e multiplicasse. A preocupação com a vida dos pagãos era uma das grandes forças por trás da pregação do evangelho. Havia um sentimento de urgência energizando profundamente a todos os discípulos.
                              
Entretanto, uma revisão moderada e sóbria de todas as páginas do Novo Testamento revela pouco interesse no crescimento numérico. Há uma absoluta falta de estatísticas das igrejas locais. Além disso, as referências aos milhares descritos em Atos 2, 4 e 21, não podem ser tomados em termos exatos. Elas apenas demonstram umcrescimento enorme e veloz numa pequena área do globo e numa cultura específica, limitando-se principalmente ao Império Romano e suas áreas adjacentes. Temos realmente poucas informações dos métodos utilizados, os quais não preveniram o aparecimento de heresias como o gnosticismo e o donatismo. Os métodos do primeiro século também não anteciparam a grave corrupção da igreja na idade Média. O problema da “numerolatria” – a dependência excessiva dos números – foi apontado por Charles Van Engen no livro The Growth of the True Church (O crescimento da verdadeira igreja). Apesar de afirmar que o Novo Testamento tem abundantes provas de interesse pelo crescimento numérico, Van Engen sugere que somente o desejo e não a pressão pelos alvos do crescimento numérico se justifica como um sentimento válido.
As epístolas de Paulo e Pedro igualmente não demonstraram acentuado interesse no crescimento. Não os encontramos preocupados em registrar o número de seus participantes, visitantes e membros. Sua principal preocupação está na fidelidade do discípulo e na integridade de seu testemunho, a fim de que o evangelho seja pregado, os gentios se convertam e sejam santificados pelo Espírito Santo (Rm. 15:15-19). Pedro anima todo cristão a se preparar prontamente e responder gentilmente quando sua esperança em Cristo for desafiada. (1 Pt. 3: 15). No texto de Rm 15:17-23, Paulo afirma ter pregado o evangelho desde Jerusalém até Ilírico e portanto não havia mais espaço para trabalho nestas regiões. Obviamente ele não está dizendo que todos os habitantes daquela região ouviram o evangelho, se converteram e tornaram-se membros de dúzias de igrejas localizadas em todas as ruas e avenidas, como nos dias de hoje. Considerando o que sabemos sobre a teologia pastoral de Paulo, ele estava lembrando que igrejas foram plantadas nestas regiões como primícias, dádivas aos gentios. O nascimento delas era o fruto de seu trabalho. Quando a comunidade cristã começasse a existir, seu trabalho estaria concluído. Outros poderiam chegar e edificar sobre a fundação, como Apolo (1 Co 3:5-15). Paulo sentia que sua missão estava concluída sempre que houvesse uma comunidade que reconhecesse Jesus Cristo como supremo Senhor da vida. Ele entregava toda a responsabilidade para a liderança local e logo partia para outra cidade sem criar vínculos financeiros com as novas igrejas. Mais importante de tudo talvez seja o fato que Paulo não impunha sobre eles nenhum tipo de visão ou ministério, nem os treinava para a multiplicação de sua estrutura missionária ou denominacional. Não encontramos nem tanta ansiedade nem tanto entusiasmo diante do crescimento numérico, mas sim uma constante preocupação com a integridade do evangelho.